domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fahrenheit e Celsius são escalas assim tão diferentes?

Tentando confiar na Meteorologia (!), dirigimo-nos, muitas vezes, a fontes de informação tão diversas como Satélite, TV Cabo ou Internet, para saber "o tempo que vai fazer amanhã"! Por vezes, apanhamos uns valentes sustos com os valores que nos são servidos, por serem apresentados em graus Fahrenheit!! Aparentemente, não existe qualquer conversão imediata entre essa unidade e a pertencente ao Sistema Internacional de Unidades, os graus Celsius [1]. Quais são, então, as diferenças reais entre estas duas escalas de temperaturas, e quem foi que as estabeleceu?

Fahrenheit

   O primeiro a tentar estabelecer uma escala de temperatura convencional foi o físico alemão Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), quando vivia na Islândia. As suas experiências obrigavam-no a possuir uma escala de temperatura normalizada e fiável. Ainda que outros cientistas tivessem já criado as suas próprias escalas de temperaturas, usando os mais variados líquidos, estas não eram fiáveis. Decidiu, então, criar a sua própria escala. Após cuidados estudos, Fahrenheit optou pelo mercúrio como substância termométrica, por este não sofrer alteração das suas características físicas e químicas dentro de uma larga gama de temperaturas [2]. Escolheu para ponto fixo inferior — ponto em que a temperatura medida é a mais baixa — a temperatura de fusão de uma mistura de partes iguais de cloreto de sódio (NaCl, vulgarmente conhecido por sal de cozinha), cloreto de amónio (NH4Cl) e gelo fundente (gelo picado e água pura). Como ponto fixo superior, escolheu a temperatura normal do corpo humano (provavelmente a sua própria). Para facilitar a leitura, dividiu o espaço entre o ponto inferior e superior em cem partes iguais, atribuindo os valores de 0 °F e 100 °F, aos pontos fixos inferior e superior, respectivamente. Diz-se, lendariamente, que Fahrenheit escolheu como ponto inferior a temperatura do dia mais frio de 1727, na Islândia; além disso, o ponto fixo superior teria sido medido numa pessoa febril, pois a temperatura de uma pessoa sadia normal é de 98,6 °F.
   Devido às características próprias do mercúrio, esta escala de temperatura difundiu-se bastante na Inglaterra, sendo, mais tarde, adoptada pelos americanos.

Celsius

Anders Celsius
   Anders Celsius (1701-1744), físico, astrónomo e geodesista sueco, criou, também, a sua própria escala de temperatura, utilizando a mesma substância termométrica. Reparem que se situa na mesma época de Fahrenheit - no entanto, é natural que, naquela época, devido aos fracos meios de comunicação existentes (e, possivelmente, por razões históricas pouco conhecidas), a escala de Fahrenheit não se tivesse difundido muito pela Europa. Celsius escolheu, como ponto fixo superior, o ponto de fusão do gelo, e como ponto fixo inferior, o da ebulição da água, ambos medidos à Pressão Normal (po = 1,01325x105 Pa) [3]. Não, não... não me enganei!! Curiosamente, os pontos fixos eram, primitivamente, contrários aos da escala actual. A sua troca surgiu mais tarde, por razões mais ou menos desconhecidas! Celsius também dividiu essa gama de valores em cem unidades iguais: o ponto superior equivalia a 100 °C e o inferior a 0 °C. Esta escala lê-se em graus Celsius - e, não, como alguns teimam, erradamente, em graus centígrados, por o intervalo entre os pontos fixos ser dividido em cem divisões iguais. (Observe-se que, seguindo o mesmo raciocínio, a escala Fahrenheit também deveria ser referida por graus centígrados - o intervalo entre os seus pontos fixos também se subdivide em cem divisões iguais!!)


Conversões

   Actualmente, as temperaturas na Meteorologia são dadas em °F ou °C (conforme o sistema de unidades em referência no país de origem). Por isso, quando as temperaturas são dadas em °F, é necessário fazer uma pequena conversão. Não é possível fazer uma conversão imediata, pois as divisões de escalas diferentes têm grandezas e origens diferentes. Fazendo uma transposição exacta dos pontos fixos inferior e superior da escala Celsius para escala Fahrenheit, repara-se que nesta, o termómetro marca 32 ºF e 212 ºF, respectivamente. Este intervalo contém 180 espaços iguais. Como tal, as divisões da escala Fahrenheit são menores do que as da escala Celsius.
   Aplicando relações matemáticas, equaciona-se que uma subdivisão em °C é 180/100 (= 9/5) vezes maior que uma subdivisão em °F. Portanto, a relação entre °F e °C será:
equação C-F
sendo C e F as temperaturas em graus Celsius e Fahrenheit, respectivamente.
   Repare-se que a variação de 1 °C equivale à variação de quase 2 °F ((» 9/5). Devido a esta aproximação, podem-se fazer os cálculos de conversão mentalmente, bastante aproximados, aceitando-se um erro de pouco mais de 10 %. Assim, um algoritmo bastante simples para converter graus Fahrenheit em graus Celsius será:
  1. Subtrair 32 ao valor em graus Fahrenheit.
  2. Dividir por 2 e reter o valor.
  3. Dividir o valor anterior por 10 (admitindo o tal erro de 10 %).
  4. O resultado procurado, em graus Celsius, é a soma dos valores obtidos nos pontos 2) e 3)

   Resumindo, o algoritmo define-se em três simples passos:
Subtrair 32 => Metade => Somar 10 %
   Afinal, esta operação de conversão é bastante mais simples do que o imaginado!! Agora vai ser muito mais fácil ler as temperaturas em Fahrenheit!
   Para converter graus Celsius em graus Fahrenheit, basta fazer a operação inversa, que vos deixo como exercício mental... :-)
   Mas se quiseres verificar se o teu raciocínio está correcto, utiliza esta simples ferramenta: indica o valor a converter no local respectivo, e clica no outro espaço.
F:

C:
Rudolf Appelt – Jan/Fev 2001













NOTAS

[1]

A unidade de temperatura do Sistema Internacional de Unidades é o Kelvin, de símbolo K. O grau Celsius é apenas uma unidade suplementar do SI.

[2]

O mercúrio tem o símbolo químico Hg, proveniente do grego/latim hydrargyru, significando prata líquida. Com ponto de fusão a -38,9 °C e ponto de ebulição a 356,9 °C, é o único metal que se mantém líquido a temperaturas inferiores a 0 °C. É utlizado em aplicações industriais por apresentar características químicas e físicas muito estáveis e vantajosas. Trata-se, no entanto, de uma substância altamente tóxica: a inalação dos seus vapores provoca perturbações diversas. Daí ser necessário ter extremos cuidados ao manusear um termómetro de mercúrio, para não o partir!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A temperatura mais baixa é...

    Na edição anterior foram apresentadas as escalas Celsius e Fahrenheit, sendo a de Celsius a mais utilizada no nosso dia-a-dia. No entanto, a escala termométrica utilizada no Sistema Internacional de Unidades (SI) é a kelvin. Esta escala é preferida em Ciência, por possuir uma característica única!…
Lord Kelvin
     William Thompson, físico britânico de renome (1824-1907), tentou encontrar o ponto de temperatura mais baixa que pode ser atingido. Aquele seria o zero absoluto - isto é, a temperatura absoluta (de referência) só com um único ponto fixo, o inferior. (Lembra-te que nas outras escalas foi sempre escolhido um ponto inferior e um ponto superior para definição da escala termométrica.) Pelos seus feitos notáveis na Ciência, W. Thompson foi apraciado pelo Rei com o título de Lorde em 1892, passando a partir de então a ser mais conhecido por Lord Kelvin. Desta forma, a sua escala ficou conhecida como escala Kelvin, a mais importante de qualquer uma das escalas de temperatura conhecidas!
    Kelvin observou, experimentalmente, a variação da pressão de um gás a volume constante. Nesse estudo baseou-se na teoria segundo a qual qualquer sistema, ao arrefecer, tende para um valor limite de temperatura. Concluiu, então, através de extrapolação matemática, que a menor temperatura que aquele gás poderia atingir corresponderia com o anulamento da sua pressão. Ele definiu este ponto de pressão nula como a origem de qualquer temperatura, ou seja, o estado de zero absoluto de temperatura. Comparando-o com a escala Celsius, verificou que este ponto zero correspondia a -273,15 ºC.
    O gráfico seguinte, à esquerda, demonstra os resultados obtidos por Kelvin, da variação de pressão vs. temperatura, a volume constante. As várias rectas representam diferentes volumes (constantes para cada recta) que se mantiveram inalteráveis em cada variação pressão-temperatura. O traço continuo representa valores experimentais, o traço descontínuo extrapolação matemática [1]. Pode ser construído um outro gráfico similar (à direita), em que a pressão e o volume trocam de posição: variações de volume vs. temperatura, a pressão constante.
p-t

Variação da Pressão em função da Temperatura a Volume constante.
V-t

Variação do Volume em função da Temperatura a Pressão constante.

    Lord Kelvin propôs esta nova escala às academias científicas, no séc. XIX, convencionando o estado zero como 0 K, sem ponto superior - dado que passaria a ser uma temperatura de referência universal - em que cada intervalo de 1 kelvin seria igual a 1 grau Celsius.
    Mais tarde, estudos teóricos baseados na 2ª Lei da Termodinâmica [2] confirmaram a justeza daquele valor, isto é, o zero absoluto encontra-se, de facto, a -273,15 ºC! No entanto, este valor é impossível de ser alcançado, por ser puramente teórico: pressão e volume de um gás seriam nulos a esta temperatura o que corresponderia a uma aniquilação da matéria!! Além disso, nessas condições todas as substâncias encontrar-se-iam já no estado sólido, e não gasoso. A temperatura mais próxima, atingida até ao momento, dista apenas de 1 nK (10-9 K) do zero absoluto. A título de exemplo, o hélio que é, de todas as substâncias, a que tem pontos de ebulição e de fusão mais baixos, solidificando a 0,95 K. Assim, o valor de -273,15 ºC é denominado zero absoluto teórico. A escala correspondente também é conhecida por temperatura termodinâmica, já que foi confirmado pela 2ª Lei da Termodinâmica.
    Por vezes fazem, na escala Celsius, diferentes referências ao zero absoluto. A figura seguinte apresenta dois pontos importantes na escala Celsius, elucidando esta questão.
    Pontos duplo e triplo
  • A - ponto triplo da água (coexistência de gelo, água líquida e vapor de água em equilíbrio térmico) a 0,01 ºC
  • B - ponto duplo, o de gelo fundente (gelo finamente dividido em equilíbrio térmico com água pura), a 0 ºC
    Verificas facilmente que se, na escala Celsius, o ponto de referência for o ponto triplo da água, o zero absoluto encontra-se a -273,16 ºC deste, o que equivale a -273,15 ºC do ponto duplo.
    Quando se trata de uma utilização prática, a conversão de graus Celsius em kelvin é, comodamente, dada por
K = 273 + q
(sendo q a temperatura em graus Celsius), com um erro mínimo desprezável, indetectável nas aplicações mais comuns.
    Surge, assim, uma razão de base científica, para escolher a escala de temperatura Kelvin, com zero absoluto, como preferência sobre as escalas Celsius e Fahrenheit, em que os "zeros" foram convencionalmente escolhidos!

Rudolf Appelt

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O calendário foi rescrito!

afinal são

12 meses!
    Na crónica anterior ficaste a saber que o ano começou por ter só 10 meses. Mas foi por pouco tempo…

Nova Sincronização com o ano solar

    Cerca de 715 a.C., Numa Pompílio sucede a Rómulo, tornando-se no segundo rei de Roma (até 673 a.C.). Ao analisar o calendário, Numa apercebe-se que aquele estava atrasado relativamente ao ano trópico. Novos cálculos demonstraram, então, que o ano conteria realmente cerca de 12 lunações – mais duas do que anteriormente admitido – correspondente a 354 dias. Mantendo a nomenclatura dos meses, por esta apresentar um aspecto muito prático, Numa Pompílio defendeu o acréscimo de mais dois meses ao calendário em vigor. [1]
Janeiro


Fevereiro

Dois novos meses

    Como era extremamente religioso, todas as regras decretadas por Numa Pompílio tinham uma forte subjectividade de índole religiosa, com relevância especial ao deus Janus (este étimo deriva de janua que significa porta, entrada ou passagem). O deus Jano [2] era considerado o protector de qualquer "abertura", fosse ela concreta ou abstracta. Ele é representado com duas caras opostas, uma à frente e outra atrás.

Pormenor de uma tábua calendrical (fasti) já com os dois novos meses.
    Assim, decretou que o ano se iniciaria com o mês Januarius (Janeiro; colocado antes de Março), e finalizaria com Februarius (Fevereiro; colocado após Dezembro)! Januarius, como já deves ter percebido, deriva do deus Jano. cc deriva de Februo, deus dos mortos. Outros historiadores indicam, porém, a derivação de februare, purificar.
    Facilmente se entende a ideia que ambos os meses indiciam: o ano velho morre no último mês, tempo em que cada um terá de se purificar (Fevereiro), a fim de poder entrar pela passagem (Janeiro) do novo ano.
um mês

pequeno
    Numa Pompílio alterou também a duração de cada mês. Aparentemente, os números pares eram fatídicos e apresentavam uma simbologia mortal. Em oposição, os números ímpares agradavam consideravelmente aos deuses. Assim, Janeiro passou a ter 29 dias, e os restantes passariam a ter 29 ou 31 dias - os de 30 dias passavam a ter menos um!
    Curiosamente, a Fevereiro foram atribuídos apenas 23 dias. Esta decisão toma sentido, ao analisarmos um pouco os valores em questão. Os cálculos poderão ter mesmo sido os seguintes: 354 dias em 12 meses = '6 meses' * '31 dias/mês' + '5 meses' * '29 dias/mês' + '1 mês com os restantes dias = 23 dias'!
1.Januarius
2.Martius
...
11.Decembris
12.Februarius

Imagem completa da tábua anterior (reconstruida)
    Em sucessivos anos, a extensão deste ano civil foi sendo alterada, conforme os caprichos da população, por esta se aperceber de algum assincronismo com o ano trópico. Também se relatam "interesses obscuros" em prolongar o ano civil. Sempre que havia necessidade de o alterar, faziam-no, tradicionalmente, após o 23 de Fevereiro (ou seja, no fim do ano). Tanto eram introduzidos apenas alguns dias, como meses inteiros, os denominados meses intercalares. Esse dia, 23 de Fevereiro, adquiriu tal importância que se manteve até aos dias actuais – repare-se no caso do ano bissexto (lê o próximo artigo sobre um salto no tempo...)
Annus


Confusionus

As manobras de Júlio e Augusto César


    Em 46 a.C., Caio ‘Júlio César’, Triunviro de Roma, foi nomeado Chefe do Colégio dos Pontífices - instituição responsável pela estruturação dos calendários. Actuando igualmente através do Tribunal dos Decênviros – instituição que decidia sobre as Leis e Regras da Sociedade Romana – introduziu o Calendário Juliano, um calendário mais fiel ao ano trópico, com novas regras. Os meses de 29 dias passavam agora a ter, novamente, 30 dias. Fevereiro, que por 450 a.C. fora posto entre Janeiro e Março, passava a ter 29 dias em anos regulares, e 30 dias nos anos bissextos! O novo ano civil (com 365,25 dias) estava finalmente sincronizado com o ano trópico.

    Foi nesse mesmo ano de 46 a.C. que Júlio César se prepara para introduzir a sua reforma do calendário. Aparentemente no intuito de sincronizar o calendário juliano com o tropical no ponto vernal (equinócio da Primavera), prolonga o ano com mais 80 dias. Foi o Annus Confusionus – o ano da confusão, com 445 dias!!
Quintilius 

e

Julho
    Um ano após a reforma, é decidido homenagear Júlio César no seu próprio calendário, por ter efectuado aquela reforma. Então, alteraram o nome do agora sétimo mês, Quintilius, para um mais conhecido, Julius - Julho, para que Júlio César nunca mais fosse esquecido. (A razão da escolha deste mês incide, aparentemente, sobre a sua data de nascimento: César terá nascido neste mês.)
    Durante os reinados seguintes, o último dia de cada mês foi sendo arrastado para os meses vizinhos, consoante as opiniões em voga!
Sextilius

e

Agosto


    Augustus Caesar (Augusto César – primeiro imperador romano de 23 a.C. a 14 a.C., sucessor de Júlio César) introduziu a última alteração oficial que se manteve até aos nossos dias. Orgulhoso como era, e tendo obtido com sucesso grandes feitos para a sociedade romana, escolheu outro mês como homenagem a si mesmo, numa acção similar a Júlio César! O mês indiciado foi o sucessor de Julho, Sextilis, e alterou-o para Augustus - Agosto. Mas este mês só tinha 30 dias; sendo da opinião que ele próprio não era inferior a Júlio César, retirou um dia ao "tradicional" mês de Fevereiro, colocando-o no mês de Agosto, ficando este então com 31. O mês de Fevereiro estabilizou finalmente, com apenas 28 dias em anos regulares, e 29 dias em anos bissextos!

    Infelizmente, a sua grandiosidade não foi suficiente para acabar com a proliferação de erros que continuamente se cometiam no calendário. Somente após o ano 8 d.C. foi atingido o fim desse caos, a partir do qual se atingiu a estabilização definitiva do mesmo (até ao aparecimento do calendário Gregoriano)!

Rudolf Appelt



NOTAS

[1]

Em boa verdade, 12 lunações correspondem a um ano, inferior em 11 1/4 dias relativamente ao ano trópico (erro por defeito); mas 13 lunações equivalem já um excesso de 18 1/4 dias (erro por excesso). Um ano trópico é cerca de 365,25 dias.

[2]

Em honra a Jano, Numa Pompílio ergueu uma passagem coberta (a que chamavam erradamente Templo) numa das saídas de Roma. Por aí transitava o exército ao ir para combate. 
Jano deveria vigiar esta passagem, para que pudesse socorrer Roma em tempo de guerra. 
Numa decretou que as portas estariam sempre fechadas em tempo de paz; seriam abertas apenas em tempo de guerra - durante o seu reinado estiveram sempre encerradas!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Salto no tempo

De Astr
   Como já sabes, a composição do nosso calendário sofreu várias alterações ao longo dos tempos, ainda que mantendo sempre a concepção inicial. Foi Julius Caesar (Júlio César) em 46 a.C., quem impôs novas regras restritas, criando o famoso calendário Juliano, com anos regulares de 365 dias. Este calendário (luni-solar) foi promulgado pelo decreto De Astris, substituindo o antigo calendário lunar romano do rei Numa Pompílio. (Quem realmente o desenvolveu foi um estudante de Astronomia graduado - Sosígenes - mas César impôs o seu nome). No entanto, nunca ninguém imaginou que um calendário assim fosse proporcionar um tão grandioso salto no tempo!...
 
pedra romana
pedra romana com a contagem dos dias dos meses

mais um dia
   O resultado dos cálculos efectuados para o calendário de então apresentou um ano com uma duração de 365,25 dias, i. e., 365 dias mais um quarto (1/4) de dia. Como não era possível introduzir apenas um quarto de dia em cada ano, foi decidido acrescentar mais um dia de quatro em quatro anos. Este dia extra foi posto imediatamente após o dia 23 de Fevereiro. A escolha desta posição foi ditada pela tradição (vigente desde os primórdios deste calendário), na qual dias extra seriam colocados após esta data. 
ano bissexto 


ou



sexto ante
calendas
martii
   Como na altura, Fevereiro tinha 29 dias em anos regulares (actualmente só 28, vide O ano foi rescrito), aquele dia especial era o sexto dia antes do princípio do mês seguinte, Março — sexto ante calendas martii. [1] O novo dia inserido após aquele, por ser na realidade um dia irregular, passou a ser o segundo sexto dia antes do princípio do mês seguinte (bis sexto ante calendas martii). Esta excentricidade definiu, então, o ano em que era colocado: o ano bissexto! Para os puristas, o dia bissexto é o dia 24, e não, o convencionado actual dia 29 de Fevereiro.
11 dias!!
   Infelizmente, os cálculos sobre a duração do ano não estavam completamente correctos. Aqueles indicavam um ano de 365,25 dias, diferindo do ano trópico em mais 11 minutos e 14 segundos. Para teres uma ideia deste erro, a diferença representa um excesso de 3 dias em 400 anos. No séc. XVI, este pequeno erro já se tinha acumulado em cerca de 11 dias, estando o calendário, por isso, demasiado adiantado relativamente ao ano trópico.
regras do
ano bissexto

   Para resolver este problema, Papa Gregório XIII decretou em 1582, na bula papal Inter Gravissimus, a modificação do calendário. Nesta, foi atribuído ao ano uma duração mais correcta de 365,2425 dias por ano, excedendo a realidade somente em cerca de 3 dias por cada 10 000 anos. Para corrigir novamente o problema das fracções de dias, as novas regras ditavam que os anos passariam a ser bissextos apenas quando divisíveis por 4, mas não por 100 (divisão inteira); no entanto, se fossem divisíveis por 400 já voltariam a ser bissextos (1996 e 2000 são bissextos, mas 1900 não é). [2]
gregoriano 
bula papal Inter Gravissimus

   Este calendário é designado por Calendário Gregoriano ou de Novo Estilo. A adopção deste calendário pelos diferentes países do Mundo foi estendida pelo tempo. Só alguns países da Europa, incluindo Portugal, o adoptaram imediatamente na data fixada por Gregório.
mistério...
   Mas a transição do calendário Juliano para o Gregoriano apresentava um grave problema: o que fazer aos dias acumulados em excesso? Gregório XIII resolveu este problema de um modo simples, decretando que, para garantir a continuação da semana, os onze dias do mês deveriam desaparecer misteriosamente!!
«C-Como??»
   Conforme o calendário abaixo, poderás verificar que entre 4 e 15 de Outubro de 1582, quinta-feira e sexta-feira respectivamente, existe uma falha de 11 dias para garantir a tal sequência certa dos dias da semana. Por causa desta falha, Santa Teresa D'Ávila, falecendo a 4 de Outubro, foi sepultada no dia seguinte a 15 de Outubro!!
 
Outubro de 1582
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb
 
1
2
3
4
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
           


Rudolf Appel

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Que dia é hoje?...


      Há muito, muito tempo, os antigos sábios Caldeus decidiram associar os dias em grupos de sete de modo a facilitar a sua referenciação. Estes possíveis antecessores dos Babilónios basearam-se no seu sistema planetário, e nos sistemas enumerativos dos Judeus e Árabes. Escolheram o número sete, pois, nesse tempo, era tido como sagrado, por se manifestar em várias situações importantes, como por exemplo os sete planetas conhecidos até então. Sete dias é igualmente adoração de cada uma das quatro fases da Lua. Desta forma se criou a semana como um período de sete dias.
Sete fases da Lua
As sete fases da Lua
hebdomas



Theon hemerai
      A semana caldaica, em analogia com a semana judaica, divulgou-se desde o séc II AC na Ásia Menor, Egipto e Grécia. Foi exactamente na Grécia que se fizeram os maiores avanços, sendo depois reproduzidos pelas outras culturas. À semana foi dado o nome hebdomas que indica a divisão em períodos de sete manhãs, ou dias, baseada nas fases da Lua. Mas, para que qualquer um pudesse aprender e saber qual o dia em questão, os sábios gregos adoptaram um método mais eficaz do que a atribuição dos dias às fases da Lua: deram-lhes nomes alusivos aos deuses. Assim, passaram a chamar a esses dias Theon hemerai, ou seja, dias dos deuses (Theon = deuses, hemerai = dias). 
Aos primeiros dois dias foram atribuídos o Sol e a Lua; aos restantes, os deuses Ares, Hermes, Zeus, Afrodite, e Cronus. Então, os dias passaram a chamar-se hemera Heli(o)u, hemera Selenes, hemera Areos, hemera Hermu, hemera Dios, hemera Aphrodites, hemera Khronu.


representações

mitológicas
Deuses
      Os critérios de escolha destes deuses são desconhecidos; mas não as suas representações. O Sol não tinha nenhuma específica, sendo somente um deus herdado de povos anteriores. Por vezes era representado como estando em oposição, outras em união, com a Lua. Os outros deuses tinham uma representação mais concreta: Ares era o deus da guerra; Hermes, deus do comércio e dos viajantes; Zeus, deus dos Céus e dos deuses (o deus grego supremo); Aphrodite (também Cytherea), deusa do amor e da beleza. Cronus, ou Kronos, foi o deus que governou o Universo até ser destronado pelo seu filho Zeus; julga-se que aquele representava, depois de destronado, o tempo atmosférico.
      Mais tarde, quando o Império Romano invadiu a Grécia, aquele absorveu grande parte da cultura deste. No caso do método da divisão do tempo, somente a nomenclatura dos deuses foi substituida, sem alteração das suas representações. Os dias passaram, assim, a chamar-se Solis dies (Sol), Lunae dies (Lua), Martis dies (Marte), Mercurii dies (Mercúrio), Jovis dies (Jupiter), Veneris dies (Venus), Saturni dies (Saturno). 
Esta nomenclatura conservou-se nas línguas românicas (francês, espanhol,...) com excepção da portuguesa e nalgumas das celtas, anglo-saxónicas e germânicas. (Nestas últimas, foi seguido o mesmo método utilizado pelos romanos relativamente à alteração da nomenclatura dos deuses).
Sábado

e

Domingo
      Por influência judaica e cristã, Saturni dies foi substituído por sabbatum (Sábado), e Solis dies por dies dominica (Domingo). Sábado vem do hebreu Shabbat e significa "cessar" ou "descansar", sendo o 7º dia no calendário judaico. Domingo, com o significado de "Dia do Senhor", ou seja, "Ressurreição de Cristo", fundamenta-se unicamente na Bíblia, em que é tido, em várias passagens, como o 1º dia da semana. No mesmo contexto, hebdomas foi traduzido para septimana.
Segunda-feira

a

Sexta-feira 
Mas, os Hebreus, fizeram uma alteração radical na nomenclatura. Era feita uma contagem entre cada dois sábados consecutivos: prima sabbati, secunda sabbati, etc. Este sistema único foi adoptado por diversos cristãos, desde fins do séc II. O Papa S. Silvestre (314-335) oficializou-o, inclusivé, nas funções litúrgicas; mas substituindo sabbati por feria, esta com o significado de "festa", "feira" ou "dia de oração".
      Apesar deste sistema enumerativo, com a palavra feria, ter sido consagrado pelo calendário eclesiástico e de Sto Agostinho ter criticado a nomenclatura pagã com deuses (In Psalmum XCIII, 3), apenas vingou na língua portuguesa (até aos nossos dias) e, em parte, para o galego antigo. (Daqui sobreviveu o Sábado no espanhol)
Então, afinal, que dia é hoje!?
 
Na tabela seguinte, é apresentado um curto resumo sobre a etimologia dos dias da semana nas várias línguas. 
À esquerda encontram-se os dias da semana em português. Nas colunas seguintes, podem-se ler os mesmos dias, referenciados a várias nacionalidades e descendências. Cada dia tem uma pequena nota, para, facilmente, poderes estudar as semelhanças/diferenças etimológicas entre os vários povos.
Etimologia dos Dias da Semana nas Várias Línguas
Grego Arcaico Romano Inglês
(Anglo-Saxónico)
Alemão
(Germânico)
Francês
(Romano)
Espanhol
(Romano)
Hemera = dia die = dia day = dia Tag = dia
DOMINGO Hemera Heli(o)u Solis dies Sunday Sonntag Dimanche Domingo
Helios = Sol Solis = Sol Sun = Sol Sonne = Sol Domingo = Dia do Senhor Domingo = Dia do Senhor

 
SEGUNDA-FEIRA
 
Hemera Selenes Lunae dies Monday Montag Lundi Lunes
Selenes = Lua Lunae = Lua Moon = Lua Mond = Lua Lune = Lua Luna = Lua
TERÇA-FEIRA Hemera Areos Martis dies Tuesday Dienstag Mardi Martes
Ares: deus da guerra Marte: deus da guerra "Tue" = Tiu (Twia),
deus da guerra e do céu
"Tiu" = Twia,
deus da guerra e do céu
Marte: deus da guerra Marte: deus da guerra
QUARTA-FEIRA Hemera Hermu Mercurii dies Wednesday Mittwoch Mercredi Miercoles
Hermes: deus do comércio e dos viajantes Mercúrio: deus do comércio e dos viajantes Woden's day;
Woden é o chefe Teutónico, líder da caça selvagem.
Woden = "wod" (violento, louco) + "-en" = liderança
Degeneração: Mitte = meio,
Woche = semana;
 => meio da semana
Mercúrio: deus do comércio e dos viajantes Mercúrio: deus do comércio e dos viajantes
QUINTA-FEIRA Hemera Dios Jovis dies Thursday Donnerstag Jeudi Jueves
Dios = Zeus,
deus dos Céus, deus grego supremo
Jovis = Jupiter,
deus dos Céus, deus romano supremo
Thor's day,
Thor: deus dos trovões; Ele cavalga uma carroça puxada por cabras, segurando o martelo Mijlnir.
Donner = trovão;
uma clara evidência ao deus germânico Thor, equivalente ao deus anglo-saxão!
Jovis = Jupiter,
deus dos Céus, deus romano supremo
Jovis = Jupiter,
deus dos Céus, deus romano supremo
SEXTA-FEIRA Hemera Aphrodites Veneris dies Friday Freitag Vendredi Viernes
Afrodite: deusa do Amor e da Beleza Venus: deusa do Amor e da Beleza "Fri" = Freya = livre (de freo, free); deusa teutónica do Amor, Beleza, Fecundidade, líder das Valquírias Frei = Freya,
de frijaz = amada, dos amados, livre;
equivalente à deusa anglo-saxã!
Venus: deusa do Amor e da Beleza Venus: deusa do Amor e da Beleza
SÁBADO Hemera Khronu Saturni dies Saturday Samstag Samedi Sabado
Cronos: pai de Zeus; representa tempo atmosférico Saturno: pai de Júpiter de Saturno; Acredita-se que tenha governado a Terra numa era de felicidade e virtude Saturno: pai de Júpiter Saturno;
notar a semelhança com o alemão!
Shabbat = descansar;
Sobreviveu do galego antigo!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

2000: Fim do milénio?



     Com a aproximação do 3º milénio começam a exaltar-se os ânimos devido a várias dúvidas existenciais : será o fim do Mundo, entraremos finalmente na sociedade do futuro, irá ser o caos informático, irão os aviões cair?!?...      
Mas, actualmente, existe uma confusão bem maior: o fim do milénio é, ou não, em 2000? Ou será em 2001, como teimam os (pseudo-) intelectuais? Ou terá já sido em 1997, como afirmam alguns peritos em teologia?
     Porque razão existe tanto pandemónio em volta de uma simples data
Anno Domini

Nostri Jesu
Christi

     Tudo começou com um monge estudante do séc. VI, Dionysius Exiguus (port.: Dionísio Exíguo). Dionysius estava encarregue de compilar uma tabela com as datas de Páscoa. Uma tabela similar já cobria um período de 19 anos, denominados 228 a 247 após o começo do reinado do imperador romano Diocleciano (Anno Diocletian). Dionysius prolongou a tabela por um novo período de 19 anos, a que ele designou por Anno Domini Nostri Jesu Christi 532-550 (português: Ano do Nosso Senhor Jesus Cristo), sendo o ano de 532 de Dionysius equivalente ao Anno Diocletian 248. Deste modo, foi criada uma correspondência entre a era de cristã e um sistema de datação associado a acontecimentos históricos variáveis. No entanto, à luz dos conhecimentos a que tinha acesso na altura, Dionysius não conseguiu estabelecer uma data exacta para o nascimento de Cristo, enganando-se em alguns anos.
1 a. C.


 1 d. C.
     O problema de datação em causa, nomeadamente do início e final de um dado milénio, começa aqui: como registar e designar datas precedentes a 1ADNJC? Bede, um historiador inglês do séc. XVIII, decidiu designar as datas após o potencial nascimento de Cristo por A.D.(A.D.="Anno Domini"; português: d.C.=depois de Cristo) e as precedentes por B.C. (B.C.="Before Christ"; português: a.C.=antes de Cristo). Neste sistema, 1 d.C. é precedido pelo ano 1 a.C. (por vezes também denominado -1), sem alguma vez intervir o ano 0! [1] Consequentemente, o primeiro milénio começou no ano 1 e não no ano 0, ou seja, o ano 1d.C. equivale ao ano 0 [2]. É-se, então, obrigado a retirar uma unidade à data convencional para se obter o ano real!
regras de

datação
     Concluindo a lógica inerente, somente o ano 2001 equivale ao ano 2000, implicando que somente na transição do ano 2000 para o ano 2001 haverá passagem de milénio!!!
     Existe um sistema de datação, que todos utilizamos em História, que emprega a mesma lógica. Quando se pretende indicar um século, p. ex., o séc XV, este é constituido pelos anos 1401 a 1500 inclusivé (31 de Julho de 1500 ainda é séc XV). O séc XVI só começa em 1501! Não se percebe, então, porque teimam em alterar as regras para este novo milénio em particular...
     Por oposição de ideias, pode-se tentar criar uma analogia ao tempo medido em segundos, em que existe um ponto de valor nulo. Neste caso, o 1º segundo decorre desde 0 s até 1 s, após o qual começa o 2º. Por exemplo, 0,3 s é no primeiro segundo; 1,2 já é no segundo.
     Poder-se-ia, absurdamente, aplicar o mesmo sentido à datação anual: 31 de Julho de 1500 faria parte do séc XVI. Mas, como é necessário retirar uma unidade para se obter o ano real, 1500-1=1499, ainda se trata do séc. XV!! (Isto, em Matemática, é o que se designa por prova pelo absurdo!)
Cristo

nasceu

no ano...
     Infelizmente, os estudiosos não se contentaram com esta resposta. Como Dionysius não marcou a data real do nascimento de Jesus Cristo, foram feitos vários estudos no sentido de apurar a data exacta. Como é de supor, a principal fonte de informação é a Bíblia (e, por vezes também, a Astronomia). Este "livro" tem, no entanto, muitas incorrecções cronológicas. A razão principal deste facto, é de grande parte das histórias terem sido contadas oralmente através de várias gerações. Quando tal sucede, a diferença temporal entre o facto histórico e o ponto temporal em que é relatado mantém-se, erradamente, constante por vários anos. (Um bom exemplo é o Livro do Génesis, em que as personagens vivem centenas de anos!).
     No parágrafo seguinte, tento dar uma ideia de como é feita a análise relativamente à época do nascimento de Jesus Cristo.
...5 a. C.!!
     Segundo a Bíblia (Mt 2), quando os Magos passaram por Jerusalém, foram inquiridos pelo rei Herodes acerca do anúncio do nascimento de um novo rei judeu em Belém. Aquele pediu aos Magos que investigassem bem o acontecimento, e que depois o informassem. Porém, após os Magos terem encontrado o novo rei judeu - Jesus - foram avisados em sonhos para não voltarem pelo mesmo caminho. Assim o fizeram. Heródes, ao descobrir esta traição cerca de 2 anos mais tarde, ordena que sejam degoladas todas as crianças de idade inferior a esse período. 
     É principalmente sobre esta estória da vida de Jesus Cristo que incide toda a investigação.
     Heródes só soube da "traição" após os Magos terem regressado a casa. Nesta conformidade, admite-se que a viagem de Jerusalém a Belém tenha durado cerca de 1 ano. Além disso, sabe-se que Herodes morreu em 4 a.C.; como tal, a sua ordem de execução terá sido proferida antes dessa data. Somando estes dois resultados, conclui-se que o nascimento de Cristo tenha sido, no mínimo, em 5 a.C.!! Alguns teólogos, afirmam que Cristo nasceu por volta do ano 7 a.C. (O arcebispo anglicano James Usher afirmou, em 1650, que Cristo teria nascido a 23 de Outubro de 4 a.C., baseando-se em indícios mais subtís de várias narrações.)
     Se nos referirmos à data do nascimento "correcto" de Cristo, o primeiro século inicia -se, então, a 5 a.C., finalizando a 96 d.C. - não esquecer de retirar uma unidade! Logo, o séc.XXI começou a 1 de Janeiro de 1997!!!! Será que já perdemos a tão esperada passagem do milénio?!?
A era do

futuro!
     Após este exaustivo esclarecimento, percebe-se muito mais facilmente a causa desta confusão de datas que corre por aí...
     Houve uma questão de fundo que eu, propositadamente, não abordei, mas que merece a devida atenção.
     Na realidade, tal como já aconteceu com o ano 1000, o ano 2000 não é encarado como uma data vulgar. O número 2000 sempre teve um significado bem especial, traduzindo-se em variadíssimos campos - na sociologia, na tecnologia, no idealismo... - não só como a passagem do milénio, mas, também, como a passagem para uma nova era, a era do futuro
     Por isso, nada nos impede de festejar "à grande e à francesa" na passagem de ano 99/00 (!) - e igualmente no ano seguinte - desde que saibamos diferenciar os propósitos para tão grandiosas celebrações... eu assim farei!!

Rudolf Appelt 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Afinal foram apenas 79 dias!



Phileas Fogg
Willy Fogg
«Partirei esta noite ainda!» respondeu Phileas Fogg. E acrescentou: «Sendo hoje Quarta-feira, 2 de Outubro, estarei nesta mesma sala, no Sábado, 21 de Dezembro, às 20 h 45 min», apostando 20.000 libras. 

E assim começou a grande aventura d'A Volta ao Mundo em 80 Dias (de Júlio Verne).

No dia 80 da sua viagem, o Sr Fogg alcança Londres. Ao sair do combóio, olha para o relógio da estação, e este marca 20h50. Perdeu a aposta!!

comboios e 
fusos

Hora local

Antes do séc. XIX, a conservação da hora era um fenómeno puramente local. Cada localidade dispunha de um relógio central que marcava a sua hora oficial. Esta era acertada para o meio-dia, assim que o Sol atingia o zénite (ponto mais alto). A hora local obrigava os viajantes a acertarem constantemente os seus relógios à chegada a uma localidade nova.
Quando os caminhos de ferro começaram a operar, a definição dos horários das diversas companhias tornou-se crítica: cada paragem representava uma hora de referência diferente, o que gerava grandes confusões. Nos Estados Unidos da América, em que o comboio atravessava grandes distâncias, havia que respeitar as mais de 300 horas locais! A padronização de horas por grupos de localidades era essencial para uma operação eficiente do serviço. Assim, grande parte das empresas decidiram fixar cerca de 100 'fusos dos caminhos de ferro', usados nos horários até 1883.
hora 
de Londres

Tempo Médio de Greenwich

meridiano GMT
Também a Grã-Bretanha se preocupava com as várias inconsistências das horas locais, em grande parte forçada pelas companhias de caminhos de ferro britânicas. Seguindo a ideia de Dr. William Hyde Wollaston (1766-1828), popularizada por Abraham Follett Osler (1808-1903), foi criada uma única hora legal para todo o país (Inglaterra, Escócia e País de Gales); era a primeira nação mundial a implementá-lo! Esta hora legal era medida pelo Observatório Real de Greenwich, em cooperação (desde 1830) com outros observatórios mundiais, e fundamentava-se em eventos astronómicos, em especial na rotação da Terra. O Observatório de Greenwich havia já desempenhado uma posição muito importante na navegação marítima baseada na medição exacta do tempo. Na sequência, na década de 1840, as diversas horas locais britânicas foram substituídas pelo Greenwich Mean Time (GMT) ou Tempo [1] Médio de Greenwich, também conhecido por hora de Londres.
A primeira companhia de caminhos de ferro britânica a adoptar a hora de Londres foi a Great Western Railway, em Novembro de 1840. Rapidamente outras companhias a seguiram, e por 1847 quase todas usavam GMT. A 22 de Setembro de 1847, uma entidade de normalização industrial, a Railway Clearing House, recomenda que a hora GMT seja adoptada em todas as estações, assim que os Correios Centrais o permitissem. (Os Correios Centrais faziam a comunicação da hora por telégrafo). Em 1855 já a maioria dos relógios públicos da Grã-Bretanha apresentavam a hora GMT.
100

para

4

Fusos horários

Em 1878, após estudar o movimento da Terra em conjunção com a contagem do tempo civil, o senador canadiano Sir Sanford Fleming (1827-1915) propôs um sistema internacional de fusos horários [time zones]. Ele recomendou que o planeta fosse dividido em 24 faixas verticais, cada uma delas representando um fuso de uma hora. Como o planeta tem 360° de circunferência, cada faixa teria uma largura de 15° longitudinais. Este estudo foi publicado em 1879 no Journal of the Canadian Institute of Toronto. Os EUA viram nesta proposta uma solução excelente para o problema dos horários dos caminhos de ferro. Assim, a 18 de Novembro de 1883 os caminhos de ferro americanos introduziram este sistema, reduzindo de 100 para 4 (!!) o número total de fusos horários em solo americano.


Primeiro Meridiano

Em 1884 realizou-se a Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington D. C., EUA, com o intuito de criar um padrão mundial da hora legal. Participaram 41 delegados de 25 países. Depois de estudados vários projectos, foi escolhido o preconizado por Sir Fleming. A origem do Meridiano deste sistema passaria pelo Observatório Real de Greenwich, convencionado com longitude de 0º. Os restantes fusos seriam contados positivamente para Este, e negativamente para Oeste, até ao Meridiano de 180º — o Anti-Meridiano, localizado no Oceano Pacífico. Aqui ocorreria a "Linha Internacional de Data". A resolução passou com 22-1 votos (San Domingo votou contra, França e Brasil abstiveram-se). Nem todos os países adoptaram de imediato as novas regras: Portugal só aderiu em 01/01/1912.


"Linha Internacional de Data"??…

Como sabes, o movimento aparente do Sol é de Nascente para Poente, ou seja, de Leste para Oeste. Isto é, no mesmo instante, a Oeste é "mais cedo" e a Leste é "mais tarde" – por exemplo, quando o Sol está a nascer na Índia, em Portugal ainda é de madrugada.
Olha então para um mapa-mundo ou um globo terrestre. Fixa onde está Portugal. Ao caminhares daí para Nascente, num dado instante, um ponto a Leste estará a um número de horas "mais tarde" que Portugal. Continua a caminhar na mesma direcção; de repente, passarás para o outro lado do mapa (a parte Oeste, vista de Portugal). Chegado a Portugal, ter-se-iam passado já um total de 24h (a mais) desde o ponto de partida (pois foste sempre na mesma direcção). Ou seja, voltaste ao início, ao mesmo instante temporal da partida, mas um dia mais tarde! Portanto, a meio do percurso teria havido uma mudança de data, em que terias adiantado o calendário por mais um dia. Se um amigo teu tivesse executado o mesmo caminho, em condições iniciais iguais, mas no sentido inverso (para Oeste), chegaria com um dia de atraso.Vocês encontrar-se-iam no mesmo ponto, no mesmo instante, com dois dias de diferença!!

Fusos Internacionais

(Se clicares no mapa, obténs uma imagem difernte e bem maior!)

um dia mais tarde
Para prevenir este problema, foi convencionado que a Linha Internacional de Data fosse no Anti-Meridiano de Greenwich. Aqui ocorre uma mudança de data: atravessando a linha em direcção a Oeste, vindo de Este (E -> O) há que retirar um dia à data, ou seja, reviver o mesmo dia; se a travessia for em direcção a Este (O -> E), há que acrescentar um dia.
Na figura podes verificar também a forma simplista como apresentam habitualmente o caso: Se em Greenwich (ou Portugal) forem 12h, então, no mesmo instante, serão 24h na longitude de 180º, acusando aqui uma mudança de data.


Tempo Universal (UTC)

Com o advento das novas tecnologias, em especial dos relógios atómicos altamente precisos, foi reconhecido que a definição da hora baseada na rotação da Terra (tal como era feita pelo GMT) era inadequada. Paralelamente, em 1967 houve uma redefinição do segundo [2] com a precisão de cerca de um nanossegundo – a fórmula anterior apresentava flutuações de alguns milésimos de segundo por dia. As várias tentativas de relacionar a nova definição do segundo com a hora GMT eram altamente insatisfatórias. Por isso, foi criada uma nova escala horária; e a 1 de Janeiro de 1972 foi oficializada uma nova hora universal: Universal Time Coordinated (UTC), ou seja, o Tempo Universal Coordenado.

UTC vs GMT
Hora UTC 
(Hora UTC quando acedeste a esta página)
Por vezes, ainda se ouve falar em hora GMT. Este é um termo desactualizado e por isso incorrecto. Dever-se-á, em vez disso, usar o termo UT (abreviado), esse, sim, é o termo oficial e correcto. Em linguagem militar é comum apresentar a hora UT com um Z no final da mesma (hora Zulu), indicando a longitude zero.
com e sem fusos

Aplicação dos fusos

Se reparares no mapa apresentado, as linhas de limite do fuso horário não seguem sempre as linhas de longitude na sua plenitude; contornam, na maior parte das vezes, as fronteiras de cada país – esta é uma opção que recai sobre a autoridade do próprio país. Por exemplo, Portugal tem um fuso horário, isto é, uma só hora legal por todo o país; se quisesse ser rigoroso deveria ter dois. A China tem também só um (e deveria ter 4). Outros países, como a Índia ou a Austrália, optaram por um sistema de fusos fraccionado.
mapa-mundi
Agora imagina que não se tinha criado um sistema de fusos, e convencionado uma linha Internacional de mudança de Data, no Anti-Meridiano. Todos os que viajassem para Oeste perderiam um dia nas suas vidas sem o saberem como – tal aconteceu à tripulação de Fernão Magalhães na circum-navegação do Mundo, em 1519. Pelo contrário, se viajassem para Este, iriam descobrir que menos um dia teria passado. Foi o que aconteceu a Phileas Fogg:
"Sim! Sim, sim, sim!!" gritou Passapartout [o fiel criado de Fogg]. "O Sr. enganou-se num dia! Nós chegamos 24 horas adiantados; mas só temos 10 minutos." Encetando uma correria louca, Phileas Fogg, arrastado pelo seu criado, conseguiu chegar nos segundos finais à sala do clube, ganhando a aposta! Afinal a viagem durara apenas 79 dias (legais)!!

Rudolf Appelt

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Engenheiro Licenciado em Biologia (M/F) –Madeira

Engenheiro Licenciado em Biologia (M/F) –Madeira 

O nosso cliente é uma prestigiada empresa no sector em que atua, que no seguimento da sua estratégia de crescimento procura contratar um Engenheiro Licenciado em Biologia. 

Responsabilidades: 
Este profissional estará integrado no departamento de produção, sendo responsável por gerir todos os procedimentos necessários para garantir a qualidade de produção de algas, bem como por identificar possíveis anomalias. 

Perfil Pretendido: 
- Formação académica ao nível da Licenciatura em Biologia; 
- Experiência profissional mínima de 3 anos a exercer funções de Engenheiro numa empresa de produção de Algas; (Fator eliminatório) 
- Elevada experiência em todas as etapas do processo de produção de algas; 
- Experiência consolidada na identificação de possíveis anomalias no produto; 
- Domínio do Idioma inglês ao nível oral e escrito; 
- Elevada capacidade de iniciativa e realização dos objetivos estabelecidos; 
- Gosto pelo trabalho em equipa. 

Oferecemos: 
- Integração numa empresa de referência com estrutura sólida; 
- Elevadas perspetivas de evolução na carreira; 
- Remuneração aliciante. 

Observações: 
- Full Time; 
- Madeira. 

Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 108 - 5º, 1070-067 Lisboa 

Tel: 21 781 24 50 | Fax: 21 781 24 59 

Equipa responsável: 

Elevus Lisboa - CM & MKT 

Os candidatos interessados deverão encaminhar o currículo para o e-mail:

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Recruta-se Professores Secundário

Recruta-se professores de nível secundário para leccionar as disciplinas de Biologia e Geologia; Matemática e Fisico-Quimica; MACS; Linguas 

Requesitos Obrigatórios: 
Horário: Part-Time

Perfil do candidato: 
- Habilitações académicas mínimas: Licenciatura em área via ensino
- Gosto pelo ensino a crianças/jovens
- Pontual e assíduo
- Dinâmico e proactivo
- Responsabilidade e espírito de equipa
- Residência em Vila do Conde (preferencial).
- Regime Recibos Verdes
- Lucros Por precentagens


Resposta Obrigatória para:

    geral@maladosafectos.com

sábado, 12 de dezembro de 2015

Professores de Física e Química/ Biologia e Geologia (m/f)

A S.P. Kids & Teens - Centro de estudos e atividades educativas, localizado na Quinta do Conde, está recrutar professores e explicadores multidisciplinares(m/f) de Física/Química e Biologia/Geologia; 

Procuramos colaboradores com; 
Disponibilidade horária da parte da tarde (15:00 - 19:00) 
Gosto pelo ensino a crianças e Jovens (essencial) 
Residência na área da Quinta do Conde (preferencial) 
C/ capacidade de comunicação e motivação dos alunos 
Dinâmico/Pró-ativo 
C/ espírito de equipa 
Responsável 
Pontual e assíduo 
C/ conhecimento dos atuais programas escolares 
Disponível para acompanhar os alunos até final do ano 
Regime de prestação de serviços. 

Oferecemos: 
Colaboração num projeto educativo diferente, onde o que impor

ta são realmente os alunos. 
Remuneração de acordo com a experiência e metas alcançadas 
Ambiente de trabalho familiar. 

Enviar o C. V. (preferencialmente com foto) para

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Professores para Explicações

Procuramos professores com experiência nos vários escalões de ensino para as seguintes disciplinas:

Línguas: 
- Português
- Francês
- Inglês

Outras: 
- Matemática
- Biologia/geologia
- Filosofia


Os interessados deverão enviar CV para:

lugaresdesaber@gmail.com

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Precisa-se de Docente de Biologia/Geologia Profissionalizado (para substituição)

Colégio em Odivelas
Precisa-se de Docente de Biologia/Geologia
Tempo Inteiro (Substituição por licença de maternidade)

Enviar CV para

recursoshumanos@e-flordocampo.pt


domingo, 6 de dezembro de 2015

Precisa-se Professor(a) de Biologia 3º ciclo

Precisa-se de professor(a) de Biologia do 3º ciclo, para dar explicações em centro de estudo, em Matosinhos, em regime de part-time. Pretende-se disponibilidade imediata. 

Contacto

    competitividades@gmail.com


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Recruta-se Técnico de Laboratório - Lisboa

ManpowerGroup Portugal, Multinacional de Recursos Humanos, líder em Recursos Humanos a nível mundial, pretende recrutar técnico de laboratório (M/F) para integrar prestigiada empresa cliente. 

Enquadramento profissional: 
O profissional a recrutar irá realizar as seguintes funções: 
- Análises laboratoriais na área de microbiologia. 

Perfil: 
- Escolaridade ao nível do ensino superior na área de físico-química/biologia/microbiologia ou curso profissional de técnico de laboratório; 
- Experiência em função similar; 
- Conhecimentos de Inglês; 
- Bons conhecimentos de equipamentos de laboratório de controlo de qualidade; 
- Boa capacidade de gestão de tempo; 
- Dinamismo e elevada capacidade de responsabilidade. 

Oferece-se: 
- Contrato de Trabalho; 
- RBM + S.A. 

Horário: 40 horas semanais, de 2ª-6ª feira das 09:00h às 18:00h 

Local: Lisboa 

Caso reúna o perfil pretendido e pretenda concorrer a esta oportunidade deve realizar a sua inscrição através do link: