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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Isabel Alçada acata sentença do tribunal


O Ministério da Educação (ME) acatou hoje a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja e retirou da aplicação informática do concurso de professores contratados os campos destinados a colocar a avaliação obtida em 2009. O TAF condenara ontem a Ministra da Educação, Isabel Alçada, por desobediência, impondo-lhe uma multa de 8 por cento do salário mínimo (38 euros) por cada dia de incumprimento desde dia 4. A ministra deverá assim ter de pagar 72 euros pelos dois dias de incumprimento.
A decisão do TAF, de mandar retirar a avaliação dos concursos, surgiu na sequência de uma providência cautelar interposta pela Fenprof, e tem um carácter provisório. O ME já afirmou que vai recorrer, tendo de o fazer até dia 9.
O TAF entendeu que ao considerar a avaliação para a elaboração da lista graduada para o concurso de colocação de professores o ministério estava a violar o princípio constitucional da igualdade no acesso a função pública.

CM

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Tribunal condena Isabel Alçada


O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Beja condenou esta quinta-feira a Ministra da Educação Isabel Alçada por desobediência, depois de o Ministério da Educação ter recusado retirar o factor avaliação do concurso de professores contratados, conforme ordenara o TAF na sequência de queixa da Fenprof. A ministra terá de pagar uma multa de cerca de 38 euros por cada dia de incumprimento, além de que o TAF ordenou extracção da certidão para o Ministério Público para apuramento de responsabilidades.
"Condeno a Senhora MINISTRA DA EDUCAÇÃO no pagamento de sanção pecuniária compulsória, cujo montante diário fixo em 8% do salário mínimo nacional mais elevado em vigor, por cada dia de atraso para além de 2010-05-04 até ao dia em que nos presentes autos seja feita prova de que foi dado integral cumprimento ao decidido provisoriamente na decisão final do incidente, de fls. 171 a 191 do processo cautelar nº 95/10.9BEBJA", pode ler-se no ponto 1 da decisão, enviada pela Fenprof para as redacções.
No ponto 2, pode ainda ler-se: "Ordeno a extracção de certidão da presente decisão, bem como da decisão final do incidente, de fls. 171 a 191 do processo cautelar nº 95/10.9BEBJA e, o seu envio à Digna Magistrada do Ministério Público junto deste Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, para apuramento da(s) responsabilidade(s) a que, eventualmente, haja lugar".
A Fenprof reafirma no comunicado que "num Estado de Direito Democrático ninguém está acima da lei ou isento de respeitar decisões do poder judicial". "A FENPROF aguarda agora que o Ministério da Educação, de uma vez por todas, cumpra aquilo a que está obrigado e que, provisoriamente passa pela abolição da avaliação no concurso", remata a estrutura sindical.

CM

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mudanças prometidas para o 3.º ciclo vão ser um "mero ajuste"

""Reforma" é uma expressão muito forte, vai ser um mero ajuste", diz João Formosinho. "Não há o desejo de introduzir grandes alterações", acrescenta. A ministra da Educação, Isabel Alçada, confirma: "O que vamos fazer é introduzir alterações para melhorar as condições de aprendizagem. São reajustamentos para racionalizar o tempo curricular, para que a carga de tempo e de disciplinas não seja muito pesada para os alunos".

Em Dezembro, a ministra anunciou a intenção de introduzir "um novo currículo" para os 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade: menos disciplinas, a mesma carga horária (36 horas semanais). Hoje, os alunos têm 14 cadeiras, sem contar com Educação Moral e Religiosa, que é opcional. "Haverá menos dispersão", definiu. Agora, diz: "Nos tempos curriculares por disciplina não vamos mexer. Vamos pensar nas áreas não-curriculares, embora seja importante manter Educação para a Cidadania." E acrescenta: "Não se pode cortar disciplinas, nem fazer áreas multidisciplinares. É importante que as aprendizagens se façam com clareza."

Os ajustamentos enunciados por João Formosinho podem ainda passar por "dar mais autonomia aos professores e às direcções das escolas para fazer uma gestão mais flexível do currículo", acrescenta Isabel Alçada.

Paralelamente ao "ajuste", há novos programas de Matemática e de Português para o ensino básico. Se os primeiros vão ser generalizados já no próximo ano lectivo, os segundos foram suspensos. A justificação é que, uma vez que está a ser estudada a reforma e o estabelecimento de metas de aprendizagem, é preferível esperar.

Esta justificação não é válida para Matemática porque os programas já começaram a ser experimentados, em 2008/2009, justifica a tutela. Mas um estudo recente sobre a experimentação dos programas revela que os professores tiveram dificuldade em aplicá-los no tempo lectivo previsto e muitos aproveitaram as aulas de Estudo Acompanhado para o fazer, revela António Borralho, investigador da Universidade de Évora, membro da equipa que fez a avaliação encomendada pelo ministério. "Se o Governo tiver em atenção a carga horária de Matemática ou corta no programa ou vai ter que criar condições" para o cumprir, explica.

A Associação de Professores de Português concorda com os novos programas mas defende que, em três horas semanais e com 28 alunos na sala de aula, "é impossível" dá-los.

Apesar de a ministra garantir nunca ter falado de reforma - "a reforma traz mais prejuízos proque é uma ruptura", defende - a verdade é que, na imprensa e na blogosfera, a expressão foi utilizada sem que o ministério tenha feito qualquer desmentido. "Fazer uma reforma curricular em nove meses é andar demasiado depressa", aponta Ramiro Marques, professor da Escola Superior de Educação de Santarém e autor do blogue ProfAvaliação.

"O mais coerente seria uma reforma dos programas de todas as disciplinas e a criação de novos planos curriculares", defende José Augusto Pacheco, director do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, para quem é "urgente uma nova reforma, pensada de forma integrada e não por passos".

Para José Augusto Pacheco, o actual modelo curricular devia ser avaliado antes de se introduzir alterações. Ou seja, é preciso avaliar as áreas não- curriculares (Estudo Acompanhado, Área de Projecto e Educação Cívica), propõe. Essas "inutilidades curriculares" deviam ser eliminadas, defende Ramiro Marques: "Reduzia-se assim a carga horária dos alunos".

"Há cada vez mais áreas disciplinares que se interpenetram", diz Inês Sim-Sim, responsável pelo grupo que vai definir as metas de aprendizagem para a Língua Portuguesa. Fora da escola, as crianças aprendem numa perspectiva transdisciplinar. Noutros países, o número de disciplinas é "minimal", analisa. "Nós herdámos um somatório de disciplinas às quais queremos acrescentar outras", critica.

Inês Sim-Sim e Carlinda Leite, presidente do conselho directivo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, concordam com a ministra e defendem que deve ser dada mais autonomia às escolas para gerirem o currículo, adequando-o ao perfil dos alunos, o que é impossível com um currículo nacional "tão recheado", aponta Carlinda Leite. "Os professores deviam ser configuradores de currículo", explica.

Ramiro Marques discorda. Actualmente, as escolas já têm margem para gerir o currículo e a tutela não deve prescindir desse poder. Por isso, o melhor é manter as disciplinas que existem e introduzir exames em todas, no final do ciclo. É bom para conhecer o sistema, o modo como as escolas trabalham, mas também para os alunos ganharem resiliência, recomenda.

A reforma devia "exigir uma discussão muito alargada dentro e fora das escolas", defende José Augusto Pacheco. "Senão, corremos o risco de anunciar uma reforma que não surta qualquer mudança. Será mais um remendo", conclui.

Fonte:Público

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Isabel Alçada acaba com provas de recuperação


O Ministério da Educação vai acabar com as provas de recuperação obrigatórias para os alunos que excedem o limite de faltas. O anúncio foi feito, esta quarta-feira, aos sindicatos pelo secretário de Estado Alexandre Ventura, durante uma negociação sobre o horário de trabalho dos professores.
Os alunos que excederem o limite de faltas vão deixar de ser obrigados a fazer provas de recuperação com a matéria das aulas a que não assistiram.

A medida surge como uma forma de aliviar o trabalho que é pedido aos professores, numa altura em que sindicatos e Ministério discutem os horários dos docentes.

«O fim da obrigatoriedade destas provas e a simplificação dos procedimentos disciplinares são medidas importantes para aliviar a carga horária dos docentes», explicou ao SOL João Dias da Silva da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE).

Não se sabe ainda, porém, de que forma será feita a avaliação dos alunos que excederem o limite de faltas.

«É uma matéria que ficará para a revisão do Estatuto do Aluno», comenta Dias da Silva, lembrando que não há neste momento uma distinção entre faltas justificadas e injustificadas – já que tanto umas como outras levam à realização de provas de recuperação.

«Creio que a decisão sobre a transição do aluno deveria ficar no âmbito da autonomia das escolas», comenta o sindicalista.

O fim das reuniões semanais obrigatórias para os professores dos Cursos de Educação e Formação e a possibilidade de os docentes darem até sete faltas por conta do período de férias foram outras cedências da ministra Isabel Alçada.

Mas os sindicatos querem mais: «A inclusão das Actividades Extra-Curriculares no currículo dos alunos do 1.º ciclo e a reorganização curricular com alterações à carga horária das disciplinas» são outros pontos que a FNE deseja ver resolvidos.

«São matérias em que sabemos que o Ministério está a trabalhar e que acreditamos que haja condições para que sejam postas em prática já no próximo ano lectivo», diz João Dias da Silva.

Na próxima quarta-feira, Governo e sindicalistas voltam a sentar-se à mesa na Avenida 5 de Outubro, para discutir as propostas de revisão do Estatuto da Carreira Docente.

Só nessa altura se iniciará o processo de passar para a lei as alterações à carreira e à avaliação do desempenho docente que ficaram definidas no acordo de princípios assinado por Isabel Alçada e os sindicatos.

Sol

domingo, 31 de janeiro de 2010

São precisos novos planos para alunos em dificuldades


Os planos de recuperação nasceram através de um despacho de Dezembro de 2005 que instituiu, também, os planos de acompanhamento e os de desenvolvimento. Se estes últimos se destinam a estudantes com capacidades excepcionais, os de acompanhamento dirigem-se a crianças que ficaram já ficaram retidas e visam evitar reprovações repetidas, sendo aplicados desde o início do ano lectivo. Aos planos de recuperação são submetidos os alunos que apresentam indícios de que poderão vir a reprovar e que são identificados no final do primeiro período (se tiverem classificação negativa a três ou mais disciplinas) ou, então, nesta altura do ano, após os primeiros testes do período, antes das miniférias de Carnaval.

O objectivo dos planos é dar àquelas crianças tratamento especial e individualizado. Os de recuperação, nomeadamente, incluem medidas a desenvolver pela escola (como "acções de pedagogia diferenciada em sala de aula", actividades de compensação ou aulas extra) e implicam o envolvimento do próprio aluno (que se compromete a fazer os trabalhos de casa ou a estar atento nas aulas, por exemplo) e dos seus pais (a quem é pedido que se assegurem de aspectos como a assiduidade e a pontualidade dos filhos ou que vão observando os cadernos diários).

A questão é que os dados mais recentes que o Ministério da Educação (ME) disponibiliza, referentes ao ano lectivo 2007/2008, "não são animadores", como frisou, em declarações ao PÚBLICO, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida.

O que falhou?

Num universo de 764 mil alunos contabilizados (os do Centro do país não foram tidos em conta) foram aplicados, naquele ano, 187.638 planos de recuperação e 40.201 planos de acompanhamento, números que surpreenderam o próprio secretário de Estado que assinou o despacho, Valter Lemos. "Seria de esperar que não houvesse tantos alunos com tantas dificuldades", comentou, na altura.

No final do ano, os resultados escolares provocaram manifestações de regozijo comedidas entre os governantes. Apesar de uma ligeira melhoria em relação ao ano anterior, a taxa de reprovações manteve-se alta entre os alunos submetidos aos dois tipos de plano: cerca de um quarto dos elementos de cada grupo não transitou.

"É de saudar qualquer evolução positiva, nomeadamente o aumento das transições em nove por cento e a diminuição das retenções em oito por cento entre os alunos com planos de recuperação. Mas, globalmente, o número de retenções continua a ser uma tragédia", avalia Albino Almeida.

O presidente da Confap considera que "a falha" resulta do facto de os planos assentarem "num tripé - escola, aluno e família - com dois pés de duvidosa sustentabilidade". "A legislação manda que se envolva a família mas, na maior parte dos casos, os pais destas crianças estudaram menos do que os filhos ou já não se lembram do que aprenderam ou têm dois empregos para os sustentarem, não dispondo de conhecimentos e de tempo para os apoiarem", especifica.

"Processo burocrático"

Em relação aos alunos, "crianças completamente desmotivadas", Albino Almeida acredita que a solução é "antecipar a orientação vocacional e aumentar e diversificar as alternativas de formação profissional". Não culpa os professores: "Para além de ser difícil envolver o aluno e a família, o processo é complexo e burocrático", considera.

Aquela é uma ideia que Ana Paula Cardoso, docente de Português e membro do Conselho Nacional da Associação Nacional de Professores, reforça: "Passa pela cabeça de alguém que olhemos para um aluno com dificuldades e não façamos os possíveis e os impossíveis para o ajudar? Antes de a lei a isso obrigar já nós fazíamos o previsto nos actuais planos de recuperação; só não perdíamos tanto tempo a preencher papeladas."

Ana Paula Cardoso e Pedro Araújo, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, alertam que a "atenção individualizada a um aluno não se decreta". "É necessário criar condições que não existem: as turmas têm um número demasiado elevado de alunos, dos quais vários com planos de apoio e de recuperação; os programas das diversas disciplinas são extensos; não há professores disponíveis para darem o número de aulas de apoio que seria desejável...", enumera Pedro Araújo.

Ambos reclamam, como o presidente da Confap, a reavaliação das medidas. "Irão verificar que a maioria recupera à semelhança do que acontecia antes, sem despachos e burocracias", assegura Ana Paula Cardoso. Alerta que, "muitas vezes, um professor ter tempo para se sentar com um aluno e conversar durante uma hora é mais proveitoso do que dar-lhe cem horas de aulas de apoio". "Confiem em nós, deixem-nos trabalhar", pede.


C.M.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Encontro Nacional do Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos (ECD/EDH)


Encontro Nacional do Projecto Educação para a Cidadania Democrática e para os Direitos Humanos (ECD/EDH), do Conselho da Europa

Dia 26 de Janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian

Após a conclusão da 3º fase do Projecto, que decorreu entre 2006 e 2009, a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), em colaboração com o Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), vai realizar o Encontro Nacional desse Projecto, no dia 26 de Janeiro de 2010, na Fundação Calouste Gulbenkian. Este evento é dirigido a pais, professores, técnicos dos serviços educativos das autarquias e outros profissionais de educação e tem como objectivos a divulgação do Projecto, o conhecimento de documentos produzidos no seu âmbito e a reflexão sobre práticas de ECD/EDH desenvolvidas em Portugal. A entrada é livre.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Acordo Ortográfico adiado nas escolas


A ministra da Educação, Isabel Alçada, anunciou que o novo acordo ortográfico não será aplicado nas escolas no próximo ano.

“Temos trabalho a fazer com diversos parceiros para estabelecer como será introduzido o acordo ortográfico nas escolas”, destacou a ministra durante o seminário sobre ‘O impacto das avaliações internacionais nos sistemas educativos’.

Isabel Alçada salientou ainda que os estudos internacionais sobre o ensino são fundamentais para, através do conhecimento e da comparação com o que se faz noutros países, melhorar o desempenho escolar e aumentar as competências dos portugueses.

Ao estabelecer a comparação entre os resultados obtidos pelos alunos dos vários países, os estudos internacionais permitem clarificar a situação de Portugal face aos seus parceiros e, a partir daí, criar um padrão que permita apreciar se o sistema educativo nacional está a ser desenvolvido de forma correcta, explicou a ministra.

'Nós precisamos é de uma evolução positiva. Quando nos encerramos em nós mesmos e só analisamos o que se passa no interior do país, não ganhamos a distância necessária, que estes estudos nos dão, para avaliar melhor a nossa situação', considerou, acrescentando que o que importa é perceber quais os problemas mais prementes de Portugal, pois o País necessita de políticas estruturantes para manter os alunos na escola, para melhorar a sua aprendizagem, no sentido de aumentar as competências.

Este prolongamento do tempo que os alunos se mantêm na escola aplica-se não apenas aos jovens, mas também aos adultos, realçou Isabel Alçada, referindo o programa Novas Oportunidades, que assegura estar a ser 'alvo de muita observação exterior'.

'Há pedidos de apoio de países estrangeiros para lançar programas como este nos países respectivos', sublinhou.

O Ministério da Educação está a desenvolver um trabalho que consiste em estabelecer qual a meta de aprendizagem que os alunos devem atingir em cada ciclo e ano de escolaridade para se considerar que obtiveram competências básicas naquele ano, de forma a que os professores tenham as ferramentas necessárias para estabelecerem metas de avaliação mais precisas.

L.M.N. com Lusa



domingo, 22 de novembro de 2009

ME define Metas de Aprendizagem


O Ministério da Educação deu início ao processo de definição das metas de aprendizagem a atingir pelos alunos em cada ciclo e seu desenvolvimento por ano de escolaridade.


Esta medida insere-se no estabelecimento de um quadro de Níveis de Referência para o Currículo Nacional, que se iniciará com a determinação das metas de aprendizagem para cada ciclo, e seu desenvolvimento por ano e por disciplina ou área disciplinar, tendo em conta os padrões internacionais, a experiência portuguesa e os resultados da investigação sobre factores que determinam a eficiência dos sistemas educativos.

Destina-se a proporcionar um instrumento de orientação e controlo útil aos docentes, às famílias e aos próprios alunos, que permitirá ajustar o ensino a metas comuns e apoiar com maior segurança os diferentes percursos escolares.

A definição de Níveis de Referência para o Currículo Nacional tem vindo a ser realizada em vários países, com assinaláveis impactos na qualidade e exigência dos sistemas educativos e com efeitos positivos nos níveis gerais dos resultados escolares.

A coordenação da equipa responsável pelo trabalho científico será assegurada pelo Professor Dr. Natércio Afonso, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

O primeiro relatório, com as linhas gerais do Quadro de Níveis de Referência para o Currículo Nacional, será entregue no prazo de um mês, devendo as metas de aprendizagem para cada ciclo e área do currículo ser definidas até ao final do ano lectivo.

A definição de metas de aprendizagem integra-se num processo de aperfeiçoamento do Currículo Nacional, no quadro do qual o Ministério da Educação tomará outras medidas, nomeadamente relativas à articulação e sequencialidade das aprendizagens, à gestão da organização curricular e da carga horária das áreas disciplinares.

A par desta intervenção na área do currículo e visando proporcionar condições que permitam concentrar a actividade docente na prática pedagógica, o Ministério da Educação emitirá orientações destinadas a simplificar e desburocratizar procedimentos administrativos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Carta aberta à nova Ministra da Educação


Cara professora Isabel Alçada, Senhora Ministra da Educação,

A ideia que temos de si é, certamente, comum à de milhares de professores e educadores: é a ideia de uma professora que – em conjunto com Ana Maria Magalhães – consagrou uma grande parte da sua vida profissional (e não só), de forma dedicada e persistente, à escrita de livros destinados aos seus alunos e aos dos outros colegas da profissão, com a preocupação de que essas crianças e jovens adquirissem o hábito e o gosto pela leitura e pela escrita.
Esta mesma preocupação é comum a milhares de colegas que, ao longo da sua vida profissional, no anonimato mas com empenho, têm posto em prática estratégias de ensino diversificadas e inovadoras, nomeadamente, a realização de projectos ambiciosos, sempre com o mesmo objectivo: promover o sucesso escolar e educativo dos seus alunos, elevar o grau de literacia do povo português.
Foi, aliás, este combate pela literacia que presidiu à defesa da criação de um Plano Nacional de Leitura (PNL), por muitos de nós, PNL que o governo de Sócrates acabou por adoptar e onde a professora Isabel Alçada assumiu, honrosamente, o lugar de Comissária.

Cara professora Isabel Alçada, Senhora Ministra da Educação,

Com o seu saber de experiência feito, reconhecerá, como ninguém, quão complexa e exigente é, hoje, a missão da Escola e o que a sociedade espera dela.
Uma Escola onde se encontram as nossas crianças e adolescentes e que nela fazem convergir a diversidade e a heterogeneidade da realidade social em que vivemos.
Ninguém vai poder exigir à Escola que altere as múltiplas diferenças sociais, nem o ritmo alucinante da vida das famílias, marcadas por fenómenos de migração, trabalho desregulamentado ou desemprego.
Mas é no meio de todo este turbilhão social, a que se acrescentam as novas “tecnologias da informação” – proporcionando aos alunos o acesso ao conhecimento, sem espaço e sem tempo, onde o virtual e o real se confundem – que a Escola existe, a Escola onde se tem de ensinar e aprender, onde é imperioso investir na formação integral dos alunos, ajudando-os a crescer como seres livres e intervenientes, preparados para participar na construção de uma civilização comum, que deve ser preservada por todos.
A professora Isabel Alçada sabe – como todos os que trabalham no ensino – o quanto se exige a cada professor para gerir turmas numerosas, onde são integrados, por vezes, alguns alunos com necessidades educativas permanentes, a chamada “educação especial”.
Mais do que nunca, exige-se do corpo docente de cada escola – e dos restantes trabalhadores que nela estão colocados – a capacidade de criar ambientes de tranquilidade, propiciadores de aprendizagens e aquisição de métodos de trabalho, de formas democráticas de relacionamento com o mundo, assentes na liberdade e na formação de uma consciência crítica.
Por isso, ganha toda a força o conteúdo da Lei de Bases do Sistema Educativo, defendendo a existência de professores reflexivos, capazes de partilhar as suas experiências e de organizar as melhores respostas a dar a cada aluno, em particular, por razões da sua especificidade, e a todos eles, em geral, por desejarem, naturalmente, ver satisfeitas as suas expectativas de aprendizagem.
A anterior Ministra da Educação marcou a sua prática governativa com uma actuação que foi o contrário deste paradigma de Escola Democrática.
Dividiu os professores e educadores em categorias artificiais; impôs-lhes uma avaliação incoerente e injusta, assim como um horário de trabalho completamente desajustado da especificidade da função docente; estabeleceu um regime de aposentação insuportável; retirou, a dezenas de milhar de professores, o direito a uma carreira; atirou muitos deles para a sujeição ao regime de recibos verdes; deu mais um golpe do que resta nas escolas da democracia de Abril; desvalorizou os diplomas atribuidos aos jovens professores pelas suas instituições de formação, que os declararam habilitados para o ensino, e sujeitou-os a provas de ingresso na profissão.

Cara professora Isabel Alçada, Senhora Ministra da Educação,

O desafio que aceitou receber nas suas mãos é demasiado ambicioso, face às exigências do desenvolvimento da Educação neste país.
Responder a este desafio, de forma positiva, implica apoiar-se naqueles que – apesar de todas as dificuldades e vicissitudes – não regatearam esforços para responder aos seus alunos, e que, por eles e pela Escola pública, vieram quase todos encher as ruas de Lisboa, pedindo: “Deixem-nos ser professores!”.
Apoiar-se neles é responder às direcções sindicais, em particular às da FENPROF e da FNE, que pedem a suspensão imediata do regime de avaliação do desempenho docente e a revogação do ECD, abolindo as falsas categorias em que foram divididos os professores.
Está nas suas mãos esta viragem positiva, uma viragem que é legítimo esperar-se de uma professora.
A CDEP, que tem como objectivo contribuir para que seja realizada a unidade entre todas as organizações que defendem a Escola Pública, laica e democrática – que forme primeiro o Homem e só depois o Trabalhador – apoiará todos os passos que forem dados neste sentido, continuando a defender as reivindicações que unem todos os docentes, nomeadamente:
- a colocação por concurso dos docentes e auxiliares da acção educativa necessários às escolas;
- o restabelecimento da carreira única e de uma avaliação formativa e sem quotas;
- a abolição da prova de ingresso na carreira;
- o respeito pelas especificidades das crianças com necessidades educativas especiais;
- o restabelecimento da gestão democrática das escolas;
- o restabelecimento do vínculo ao Estado para todos os trabalhadores das escolas e restantes serviços públicos.

A Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) considera que, se a Senhora Ministra da Educação agir neste sentido, terá seguramente o apoio e o reconhecimento da esmagadora maioria dos docentes e de todos quantos ambicionam ver vingar em Portugal uma verdadeira Escola Pública, laica e democrática.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

“Ministra da Educação está a começar mal”

A definição do calendário para a avaliação do desempenho dos professores ficou ontem concluída, com os sindicatos a considerarem que a ministra Isabel Alçada está a começar mal o seu mandato na Educação. Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), e João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), não aceitam o seu silêncio.

"A ministra da Educação está a começar mal. Revelou uma grande insensibilidade para com as escolas e professores, pois o actual modelo de avaliação será substituído", afirmou Mário Nogueira ao CM, lamentando a ausência de resposta a uma carta enviada a pedir uma reunião urgente para abordar o calendário da avaliação: "Teve uma grande oportunidade de demonstrar aproximação aos professores. Enviámos uma carta e ficámos sem resposta. Já vimos isto durante quatro anos e meio, e não gostámos", garante.

Também João Dias da Silva, da FNE, não aceita o silêncio da ministra, embora até o compreenda: "Não aceito o silêncio, pois era um sinal de que queria aproximar-se dos professores, mas até o compreendo na base em que só agora tem a equipa completa e o programa do Governo só é discutido para a semana."

Quanto ao calendário que as escolas definiram para a avaliação dos professores, ambos são da opinião que é trabalho inútil. "A definição de um calendário que não terá qualquer concretização, porque mais tarde ou mais cedo será substituído, é uma grande inutilidade", afirmou João Dias da Silva, corroborado por Mário Nogueira: "Dentro de pouco tempo o modelo de avaliação será outro."

Apesar de as atenções estarem centradas no modelo de avaliaçãodo desempenho dos professores,a Fenprof é peremptória ao afirmar que não está disposta a aceitar uma avaliação enquanto a carreira dos docentes estiver dividida hierarquicamente. "Tem de haver uma revisão do Estatuto da Carreira Docente para resolver estes assuntos. Enquanto houver uma hierarquia de professores não há modelo de avaliação algum que seja aceite", afirmou Mário Nogueira, constatando que "nas reuniões com os partidos da Oposição ficou bem clara a discordância com a divisão da carreira dos professores".

As escolas que ontem definiram o calendário para a avaliação decidiram prolongar o prazo para a entrega dos objectivos individuais até ao final do primeiro período.

Bloco de Esquerda e PCP já apresentaram diplomas na Assembleia da República para substituir a avaliação. A esperança dos professores passa pela Oposição, em maioria no Parlamento, que já se comprometeu a votar favoravelmente a suspensão.

André Pereira

sábado, 24 de outubro de 2009

Escola onde Isabel Alçada estagiou destaca “profissionalismo”


Um olhar fugidio pelo registo do professor de Isabel Alçada merece uma observação imediata: "Um caso exemplar!", diz Luís Fernando Costa, director da Escola EB 2,3 Fernando Pessoa (Olivais), quando confrontado com a ausência de faltas da então estagiária, que, entretanto, foi dirigente sindicalista e agora é ministra da Educação.

Esta é apenas mais uma das qualidades que o responsável junta às retidas nos anos de trabalho com Isabel Alçada. O retrato é quase perfeito. " É simpática", "com sensibilidade", "dialogante" e "boa profissional", enumera Luís Fernando Costa a partir da mesma sala em que conheceu uma outra faceta da nova ministra. "Dei com a Isabel a ralhar com um aluno. Fiquei surpreso porque a imagem destoava do normal, mas, quando era preciso, a professora simpática também punha ordem", lembra o responsável.

Mas também na luta pelos profissionais da área Isabel Alçada deixou uma marca. Na qualidade de dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, "esteve sempre ligada a questões pedagógicas e a acções de formação", recorda Luís Costa, que se cruzou pela primeira vez com Isabel Alçada na Escola Fernando Pessoa em 1980, era a ministra membro do Conselho Directivo, embora o seu percurso no estabelecimento tenha começado em 1976, aos 26 anos. Ao todo, foram oito anos a leccionar numa escola onde, se pudessem votar para ministro, as funcionárias mais antigas garantem que "seria nela", mas onde os actuais alunos apenas reconhecem Alçada como a autora de ‘Uma Aventura’.

Foi ainda na escola Fernando Pessoa que Isabel Alçada conheceu Ana Maria Magalhães, com quem criou estes livros de aventura. O novo cargo, garantiu ao CM Ana Maria Magalhães, não vai impedir Isabel Alçada de escrever. "Quando avizinhámos que poderia vir a ser ministra adiantámos o trabalho durante o Verão e entregámos o novo livro na semana passada. Geralmente entregamos em Dezembro. Agora, a partir de Janeiro voltaremos a escrever", contou a escritora.

A colecção ‘Uma Aventura’, das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, foi iniciada em 1982 e tornou-se um sucesso da literatura juvenil portuguesa. As aventuras das gémeas Teresa e Luísa e dos amigos Pedro, Chico e João fizeram as delícias dos mais jovens e a colecção já vendeu mais de seis milhões de exemplares. O sucesso de ‘Uma aventura’ chegou entretanto à televisão, com a adaptação das histórias para uma série televisiva e em breve vai chegar ao grande ecrã. Em Dezembro estreia nos cinemas o filme ‘Uma Aventura na Casa Assombrada’.

Dos 24 ministros que desde 1974 tiveram a pasta da Educação, 18 eram professores universitários, três militares e outros três licenciados, mas ninguém como Isabel Alçada contava com experiência de ensino no Secundário. Pelo Ministério passaram, em tempo de República, históricos como Magalhães Lima, António Sérgio, Ricardo Jorge e Duarte Pacheco. Isabel Alçada fez Filosofia na Faculdade de Letras da Clássica de Lisboa, tal como Sottomayor Cardia, que foi ministro no 1º Governo Constitucional e se doutorou muito depois, em 1992. Em termos femininos é a 4ª e terceira consecutiva na lista aberta por Manuela Ferreira Leite em 1993.

Quatro livros da colecção ‘Uma Aventura’ são recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.

Em Março do próximo ano, será lançado o 52.º livro, com a publicação de ‘Uma Aventura no Pulo do Lobo’.

Cada livro da colecção ‘Uma Aventura’ custa 5,50 euros.

"VAMOS CONTINUAR A ESCREVER": Ana Maria Magalhães Co-autora de ‘Uma Aventura’
Correio da Manhã – Como vê a nomeação de Isabel Alçada para ministra da Educação?

Ana Maria Magalhães – O eng.º José Sócrates não poderia ter escolhido melhor. Ela é uma pessoa que conhece bem a escola, é inteligente, muito calma e corajosa. Aposta sempre no diálogo.

– Com a entrada de Isabel Alçada para o Governo, as aventuras ficarão suspensas?

– Não. Os leitores podem estar descansados, porque não vamos deixar de escrever. A partir de Janeiro vamos começar a trabalhar.

– Os fãs podem esperar ‘Uma Aventura no Governo’?

– No Governo não... coitadas das crianças. Na semana passada, entregámos o livro ‘Uma Aventura no Pulo do Lobo’, que será lançado em Março. Ainda temos de definir o próximo.

Artista entre pares, aplaudido por praticamente todos, o nome de Gabriela Canavilhas à frente do Ministério da Cultura é visto como uma lufada de ar fresco num sector que, legislatura após legislatura, tem vindo a ser esquecido. É a própria pianista quem acredita agora que aquele que foi sempre o parente pobre do Governo poderá passar a receber mais verbas.

Ana Patrícia Dias/Janete Frazão/J.V./D.

sábado, 29 de agosto de 2009

Quadro de Referência do Ensino do Português como Língua Estrangeira

O Ministério da Educação aprovou o Quadro de Referência do Ensino do Português como Língua Estrangeira (QuaREPE) para vigorar a partir do ano lectivo de 2009/2010, após um período de funcionamento a título experimental.

O QuaREPE é um documento que apresenta linhas de orientação para a elaboração de conteúdos de ensino e de aprendizagem numa perspectiva de abertura e de flexibilidade suficientemente abrangentes para que a grande diversidade de públicos e de contextos possa ser contemplada.

O quadro de referência aplica-se, fundamentalmente, aos alunos do ensino não superior, a viver em países cuja língua oficial não é o português, servidos ou não pela actual rede de cursos de língua e cultura portuguesas.

Este documento privilegia um conceito de currículo construído por etapas, assente num plano que inclui as competências e as aprendizagens consideradas essenciais para os alunos.

O QuaREPE tem como objectivos desenvolver competências gerais em língua portuguesa, contribuir para a promoção da cidadania democrática, dotar a rede do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) de um instrumento que permita a reflexão sobre práticas pedagógicas e educativas, para além de desenvolver a identidade plurilingue e pluricultural dos alunos.

A Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC), em articulação com o Gabinete de Estatística e de Planeamento da Educação, promove o acompanhamento da aplicação do QuaREPE, apresentando, até Agosto de 2010, o respectivo relatório de avaliação, acompanhado de propostas de revisão do mesmo.

A bibliografia, incluindo dicionários, gramáticas e outros auxiliares, a legislação e as páginas electrónicas de referência, para além de outros materiais, são disponibilizadas na página electrónica da DGIDC.

Para mais informações, consultar a portaria publicada no Diário da República.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sócrates promete bolsas de estudo no Secundário

José Sócrates assumiu, no Porto, dois compromissos eleitorais no âmbito da política social: bolsas de estudo para os alunos do Secundário cujo rendimento per capita do agregado familiar seja inferior ao valor do limiar da pobreza, ou seja, menos de 400 euros.

'Queremos apoiar as famílias que querem ter os filhos a estudar até ao 12º no e não têm possibilidades económicas', disse o líder do PS no Fórum Novas Fronteiras.

Sócrates assumiu ainda o compromisso de aumentar o salário mínimo nacional, reforçar a relação com as instituições particulares de solidariedade social, nomeadamente no alargamento da rede de cuidados continuados para idosos. ' A redução do risco de pobreza resulta de alguém que está no Governo e que quer ajudar os pobres', afirmou José Sócrates.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Jurista defende que novo estatuto da carreira docente é inconstitucional

Um estudo elaborado pelo professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) Pedro Barbas Homem conclui que os novos estatutos da carreira docente do Ensino Universitário e Politécnico, já enviados para a Presidência da República para promulgação, contêm artigos "inconstitucionais".

Este trabalho jurídico, que defende que o Governo legislou sobre matérias que são da "competência da Assembleia da República" (PR), faz parte de uma exposição enviada esta semana pelo Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup) a Cavaco Silva, na qual a estrutura sindical alerta para as "ilegalidades" dos diplomas.

O sindicato já solicitou também uma audiência ao PR, para que Cavaco Silva tome conhecimento de "vários aspectos problemáticos dos novos estatutos" antes de decidir promulgar ou não os decretos-lei. "Queremos que verifique a situação constitucional dos diplomas para que, se se confirmarem as ilegalidades, possam ser rejeitados", afirma Gonçalo Xufre, dirigente do Snesup, estrutura que tem promovido a greve dos docentes do ensino politécnico.

Para Pedro Barbas Homem, que é também coordenador do Centro de Investigação Científica da FDUL, as normas dos estatutos da carreira docente que suscitam mais dúvidas dizem respeito às regras de contratação, vínculos, período experimental e avaliação de desempenho dos docentes. Barbas Homem sustenta que estas normas estão relacionadas com "os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores" identificados na Constituição, tratando-se de matérias sobre as quais "apenas a Assembleia da República pode legislar" ou o Governo, se para tal for mandatado pela AR.

Aprovado só pelo Governo

Neste caso, a aprovação dos decretos-lei foi feita em Conselho de Ministros, sendo que, afirma Barbas Homem, a AR não participou no processo legislativo. "A AR tinha obrigatoriamente que se pronunciar sobre esta matéria. Ou através do normal processo legislativo ou através de uma autorização legislativa que permitisse ao Governo legislar sobre esta matéria", afirma o docente, que é também presidente da direcção da Associação Portuguesa de Direito da Educação.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior tem recusado prestar esclarecimentos sobre a questão e, de acordo com Gonçalo Xufre, o Governo não deu ainda a conhecer a versão final dos decretos-lei dos novos estatutos da carreira docente do Ensino Politécnico, aprovados em Conselho de Ministros a 1 de Julho. "Neste momento, não sabemos que versão dos diplomas está no Palácio de Belém para promulgação do PR", afirma.

Pedro Barbas Homem também é crítico da forma como o Governo conduziu este processo legislativo, afirmando que não é a primeira vez na actual legislatura que o executivo vai para além das suas competências legislativas. "Na minha opinião, existe da parte deste Governo uma visão estrutural deturpada em relação às suas próprias competências legislativas. O Governo age com um primado sobre a AR no campo legislativo que já foi visível noutras situações", sustenta.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1394065&idCanal=58

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Passaporte Cultural

O Programa Passaporte Cultural visa contribuir para a generalização da presença da cultura e das actividades artísticas no sistema educativo, de uma forma faseada, desde a educação pré-escolar até ao término do ensino secundário e consiste no desenvolvimento de percursos culturais por ano escolar em que cada criança, adolescente ou jovem participa durante o seu processo educativo, entre os 3 e os 18 anos.


Estes percursos, que são mobilizados de forma diferenciada pelas estabelecimentos/docentes, correspondem a seis programas por ano.


Cada percurso cultural anual será registado e validado num passaporte que acumulará, durante todo o percurso escolar/formativo, experiências enquadradas num itinerário global coerente e projectadas numa óptica de enriquecimento cultural que será reconhecido por um diploma anual.


É objectivo que cada turma determine um percurso colectivo que inclua, nomeadamente, as áreas da música, do teatro, da dança, das artes visuais, das artes audiovisuais, das artes digitais, da museologia e do património cultural material e imaterial.


O Passaporte Cultural terá como suporte uma plataforma electrónica onde serão registados o conjunto de acções e projectos culturais em que cada aluno participa, incluindo simultaneamente espaço para a partilha de experiências com colegas na escola, sendo os professores e encarregados de educação actores importantes no sistema.


O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, participou na conferência de Imprensa de apresentação do Passaporte Cultural, no Centro Cultural de Belém. A iniciativa contou também com a presença do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, do secretário de Estado da Formação Profissional, Fernando Medina, do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, do coordenador do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho e do director-geral das Artes, Jorge Barreto Xavier.


Este evento enquadrou-se no âmbito do Ano Europeu da Criatividade e Inovação.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Gripe A: ministérios da Educação e da Saúde elaboram plano para as escolas

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou que está a elaborar com o Ministério da Saúde um plano de prevenção para as escolas para responder a eventuais casos de gripe A H1N1.

Maria de Lurdes Rodrigues comentava o alerta do presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, divulgado pelo “Diário de Notícias”, de que "muitas escolas não reunirão as condições básicas" de higiene para cumprir as orientações dadas pelo Ministério da Educação para a prevenção da Gripe A H1N1. Segundo Albino Almeida, "há escolas em que não há dispensador de sabão e toalhas ou aquecedor de mãos nas casas de banho".

"Estamos a trabalhar com o Ministério da Saúde justamente nesse sentido de ter um plano de prevenção e de preparação das escolas para o mês de Setembro", avançou a ministra, à margem das Jornadas sobre a autonomia das escolas públicas em Portugal, que está a decorrer em Lisboa. A ministra lembrou que as escolas estão encerradas, mas que os dois ministérios estão a trabalhar em conjunto em muitas áreas de intervenção para que no início do ano lectivo o plano esteja concluído.

Foi publicado ontem no site da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular um conjunto de recomendações e orientações às escolas por causa da nova estirpe da gripe. A circular da Direcção-Geral de Saúde recomenda, entre outras medidas, que sempre que um aluno apresente febre durante a permanência na escola, deve promover-se o seu afastamento das restantes crianças e contactados os pais, no sentido de se promover a observação da criança por um profissional de saúde.

Deverá ser promovido o isolamento em casa de profissionais da escola ou alunos que manifestem febre superior a 38º C e outros sintomas de gripe, até que a situação seja devidamente esclarecida pelos serviços de saúde. No caso de se confirmar a doença num profissional da escola ou num aluno, estes não devem frequentar a escola por um período mínimo de sete dias, ou até que lhes seja dada alta clínica.

O encerramento da escola poderá estar indicado, se existir o risco de propagação da doença, devido à existência de diagnósticos confirmados entre funcionários ou alunos. Esta decisão, no entanto, só deverá ser tomada após uma adequada avaliação epidemiológica, por parte dos serviços de saúde locais, do risco de transmissão da doença à comunidade educativa.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Curriculum Vitae de Maria de Lurdes Rodrigues‏



"CURRICULUM VITAE" DE MARIA DE LOURDES RODRIGUES

Interessante é ver como, em Portugal, um Professor que NUNCA FOI AVALIADO chega ao topo da Carreira Docente (Ministra da Educação!) e se põe a disparar em todos os sentidos contra os Professores-não-avaliados.


Vejamos, a Dr.ª Maria de Lurdes tirou o antigo 5.º ano (actual 9.º ano) e ingressou no Magistério Primário (naquele tempo eram dois anos de curso). Deu aulas na Primária até se inscrever no ISCTE (com o 5ºano + 2 anos de Magistério Primário!).

No ISCTE, ao fim de 5 (CINCO) anos de estudos em curso nocturno (ou seja...tinha o 9º ano, mais 3 anos corresponde ao 12º e com mais 2 anos...), saiu com um DOUTORAMENTO que lhe permitiu dar aulas (?!) nesse ISCTE, por acaso onde o Sr. Engenheiro fez uma pós-graduação (mestrado?) a seguir à "licenciatura" da Universidade Independente.
Digam lá que não lhe deu um certo jeito nunca ser PROFESSORA AVALIADA!

Mais recentemente, indo ao site do governo:

(http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Composicao/Perfil/MariaLurdesRodrigues.htm),

podemos comprovar a extensa "obra" desta senhora....

... A menos que eu esteja ceguinho, não vi nenhuma publicação relacionada com a Educação!!! No entanto, esta senhora é "perita" em matéria de educação. Além disso, dá para verificar que a senhora é um ver-se-te-avias a escrever ou co-escrever coisas (de engenharia, tecnologia, industria e afins...), mas fico a pensar, que tempo dedicava aos alunos do ISCTE... se é que realmente chegou a dar aulas a sério...

ATT. SENHORES PROFESSORES DOUTORES UNIVERSITÁRIOS:


NO SITE DO GOVERNO É CLARAMENTE DEMONSTRADA UMA ILEGALIDADE NO PERCURSO ACADÉMICO DA SENHORA MINISTRA.



Além do facto de se desconhecer o título da Tese de Doutoramento, não existem evidências de ter realizado nenhuma dissertação de Mestrado. Refere-se uma passagem directa da Licenciatura para o Doutoramento.

Partindo do pressuposto que o curriculum estará cronologicamente bem elaborado, como é possível

"Coordenou projectos de investigação e grandes operações de inquérito e orientou teses de mestrado e doutoramento" antes do seu próprio Doutoramento???



AFINAL QUEM É QUE DEVIA SER AVALIADO!?

...e já agora qual é o modelo de avaliação dos nossos Governantes??????






domingo, 17 de maio de 2009

Ministra quer aumentar a escolaridade

A Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, destacou o aumento da escolaridade e maior tempo de permanência nas escolas como metas a atingir, na abertura da XIX Conferência Ibero-Americana de Educação, que decorre em Lisboa e que serve de preparação para uma cimeira a realizar em Portugal no final do ano. Os objectivos específicos a atingir ficarão definidos hoje, ao final do dia, após concluída a discussão, num documento que para Lurdes Rodrigues representa "uma ambição sem paralelo". Portugal e Espanha já têm metas definidas no âmbito da União Europeia e o mesmo será agora aplicado aos países da comunidade ibero-americana para o ano 2021.


A ministra lembrou que os novos tempos colocam 'três desafios essenciais' aos Governos na área da Educação, nomeadamente, 'a necessidade de lidar com a diversidade', 'a exigência de qualidade' e 'o desafio da globalização'. A governante defendeu que 'a crise veio criar oportunidades de investimento na Educação'. Já ao final da manhã, a ministra revelou que estava em estudo a 'criação de um fundo para dispor de recursos adicionais'.

Participam na conferência, a nível de ministros da Educação ou embaixadores, representantes de Andorra, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Porto Rico, este com estatuto de observador.

Bernardo Esteves

sábado, 16 de maio de 2009

Escolas mudam outra vez mas isso pode não mudar os jovens

Maria de Lurdes Rodrigues admitiu que vai ser difícil, mas confia no trabalho dos professores. Há quem diga que vai ser preciso muito mais


Mais 30 mil alunos no secundário em 2013 e 12 anos de escola obrigatória, um tempo superior ao da maior parte dos países da União Europeia e da OCDE, não significa necessariamente uma maior qualificação para os jovens e poderá até transformar as escolas em "contentores mais explosivos" do que já são hoje, alertam especialistas e professores contactados pelo PÚBLICO. O Conselho de Ministros aprovou ontem a proposta de lei que aumenta a escolaridade obrigatória em três anos, uma medida anunciada na véspera por José Sócrates.
Em conferência de imprensa, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues explicou que os alunos irão frequentar a escola até aos 18 anos, independentemente do ano escolar em que se encontrem. Depois disso, "são maiores de idade e ninguém os pode obrigar" a continuar. "O que é obrigatório é andar 12 anos na escola", e o "que se espera é que, em condições normais, e se o sistema educativo for eficiente, todos os alunos possam concluir o 12.º ano", esclareceu na ocasião o secretário de Estado da Educação Válter Lemos. Em 2007, 36,3 por cento dos jovens entre os 18 e os 24 anos não tinham ido mais longe do que o 9.º ano. Na UE, só Malta está pior.
"Confio no trabalho dos professores", disse ontem Maria de Lurdes Rodrigues. Para a ministra, o aumento do número de alunos não equivale a uma diminuição da qualidade do ensino: "Produzimos Jaguares que são de óptima qualidade e não é por produzirmos mais uns que baixa a qualidade". A governante admitiu, contudo, que "é muito difícil quando se decide a escolaridade obrigatória para todos". "Ter todos os alunos na escola traz o problema da diversidade e de novos desafios à escola", explicou, acrescentando que o alargamento da escolaridade "exige muito da sociedade, das escolas, dos professores em primeiro lugar, mas também das famílias dos alunos".
A ministra garantiu também que há escolas e recursos humanos suficientes para comportar o acréscimo de alunos. A capacidade destes estabelecimentos de ensino é de 330 mil estudantes e actualmente frequentam-nos cerca de 307 mil, referiu.
Ouvir as escolas
"Esta é a parte fácil, fazer o decreto", comenta Joaquim de Azevedo, ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário e membro do Conselho Nacional da Educação. "A questão não é como obrigamos, mas como é que criamos condições para que todos possam ter um percurso educacional de qualidade", frisa. Trata-se de deslocar o foco de partida da "obrigatoriedade" para a "universalidade", o que só se conseguirá através de "formações muito flexíveis e abertas". "Os actuais cursos profissionais [onde estão 35,4 por cento dos mais de 300 mil estudantes do secundário] não chegam. São apenas um ponto de partida. É necessário criarem-se percursos individuais" que possam conduzir ao sucesso. Joaquim Azevedo não tem dúvidas de que este "é um caminho muito exigente", que só será possível com o envolvimento das instituições locais e uma maior autonomia, mas alerta que se não for feito o secundário transformar-se-á, também ele, num "contentor explosivo".
"Vão-se obrigar jovens, entre os 16 e os 18 anos, a estar contra a sua vontade numa escola que é completamente alheia aos seus interesses e motivações", lembra. E quando é feito assim o que se está a fazer também é "descartar a responsabilidade das instituições e colocar a pressão sobre o cidadão, obrigando-o a estar no contentor". É uma "mudança radical", considera a socióloga Maria Madalena Matos, que deveria tornar imperiosa a "necessidade de ouvir as escolas". Vão entrar "novos públicos" no secundário, que consideram que "estar na escola não compensa o que teriam se não estivessem lá" e que vão sobretudo "sobrecarregar" os estabelecimentos que "já estão sobrecarregados", as grandes escolas dos meios urbanos. E acrescentar problemas pedagógicos, organizacionais e relacionais.
Ana Nunes, que é professora de Português numa escola dos arredores de Lisboa, lembra que é a "separação de águas" que hoje acontece à entrada do 10.º ano que continua a garantir "alguma qualidade ao secundário". Descreve o que vê no 3.º ciclo, onde por agora termina a escolaridade obrigatória: "Um grande sofrimento". "Há muitos jovens que não acompanham, uns porque não conseguem, outros porque não querem". Aos 15 anos, os novos cursos de Educação e Formação já os apanham muito tarde, com um historial de insucesso muito marcado, quase pré-marginais, relata. A aposta, segundo ela, deverá passar por uma muito maior diversificação do ensino, em todos os níveis, e também pelo apoio "à formação das famílias. Jorge Ramos do Ó, historiador da Educação, considera que o aumento da escolaridade não responde ao que considera essencial: mudar o paradigma, substituindo um modelo que vem directo do século XIX, e que assenta na repetição e conhecimentos, por outro que aposte na criação e que seja mais deste século. Para motivar, a escola tem de estar organizada em torno de "um modelo credível para quem vive lá dentro".

Clara Viana e Bárbara Wong