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terça-feira, 29 de julho de 2008

Provas de 20 estudantes desapareceram da mala do automóvel de professora

Cerca de 20 alunos da Secundária da Maia vão ter de repetir o exame de Biologia. Motivo: as provas foram furtadas do carro de uma professora. O Ministério da Educação garante que não serão prejudicados no acesso ao Ensino Superior.

A solução não agrada a pais e alunos, que já sonhavam com férias, quando foram confrontados com este imprevisto. Ontem de manhã, a insólita situação foi relatada aos encarregados de educação. O automóvel de uma professora, encarregada de corrigir cerca de 20 exames, foi assaltado, na semana passada, e uma pasta, que continha um computador portátil e as provas, desapareceu. O crime, que terá ocorrido num parque de estacionamento vigiado na cidade do Porto, foi comunicado às autoridades policiais, que ainda diligenciaram no sentido de encontrar os testes em recipientes de lixo. Em vão.

As provas em causa referem-se à 2.ª chamada do exame nacional da disciplina de Biologia e foram realizadas no passado dia 15. Os resultados deveriam ser afixados amanhã. Como as notas ainda não estavam lançadas e os testes se encontram extraviadas, a escola decidiu ordenar a repetição da prova no próximo dia 11.

Ou seja, quatro dias depois de acabar o prazo de candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, que decorre de 31 de Julho a 7 de Agosto, para os alunos que fizeram os exames nacionais na 2.ª chamada.

O Ministério da Educação garante, porém, que os interesses dos alunos serão acautelados. "Perante esta situação, que é acidental, foi encontrada uma solução que não prejudica os alunos no objectivo principal, que é a candidatura ao Ensino Superior", assegurou, ao JN, fonte do Ministério da Educação, que não esclareceu, para já, outros pormenores.

Não obstante esta garantia, os pais, obrigados a alterar planos de férias, não estão satisfeitos. E os alunos, que terão de submeter-se a nova prova, por um motivo que lhes é completamente alheio, também não.

"O meu filho contava ter 17 valores, de acordo com a correcção disponibilizada. Agora, vai ter de passar mais 15 dias a estudar e pode não correr tão bem", criticou um encarregado de educação, ouvido pelo JN.

Segundo o Ministério da Educação, este foi o único caso de extravio de exames nacionais.


HELENA NORTE

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Segunda fase de matemática com menos 5654 presenças

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou o exame da 2.ª fase de Matemática A do 12.º ano, que se realizou esta terça-feira, fácil mas "com um grau de dificuldade francamente superior ao da 1.ª".

Os alunos parecem ter adivinhado, uma vez que compareceram apenas 16 583 ao exame - menos 5654 do que em 2007. Ou, então, muitos ficaram contentes com a primeira nota já que houve quase 6 mil inscrições a menos.

A SPM foi bastante dura na avaliação da prova. Mesmo considerando que era "equilibrado em termos de matéria abrangida", os professores afirmaram, através de comunicado, que "não parece que o exame tenha atingido ainda o objectivo de avaliar devidamente os conhecimentos matemáticos que os alunos devem ter".

O comunicado prossegue com as críticas. "Apesar de pensarmos que esta prova não é difícil, apresenta um grau de dificuldade francamente superior ao da prova da primeira fase" e "coloca em desigualdade os alunos que fizeram provas diferentes e que este ano concorrem na mesma fase de candidatura".

Por último, a SPM responsabiliza o Ministério da Educação por "mais uma vez, não conseguir, não querer ou não saber produzir exames de graus de dificuldade semelhante e que permitissem comparar os resultados", tanto de ano para ano como, neste caso, entre fases.

Pela manhã, à saída da Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, os alunos antecipavam as considerações da SPM. "Foi mais difícil do que a da 1.ª fase mas muito mais fácil do que as dos anos anteriores", era a resposta mais ouvida.

Muitos recorreram à 2.ª fase para melhorar a nota como Jorge Mendes que, apesar de ainda não saber que curso vai seguir e ter tirado 16,6 na 1.ª fase, decidiu ir novamente a exame para recuperar "uns pontinhos que podia ter feito e não fiz". Outros, como Hélder Cunha - que quer Medicina - não foram à 1.ª "para ter mais tempo para estudar".
jn

terça-feira, 15 de julho de 2008

Prova de Português "beneficia" alunos da segunda fase

Os alunos que ontem realizaram prova de Português do 12º ano, na segunda fase, ficaram "claramente beneficiados face aos que a prestaram na primeira fase". A constatação é da Associação de Professores de Português, cuja vice-presidente apontou, em declarações ao DN, uma "desigualdade enorme" entre as provas da primeira e da segunda fase. "Esta prova foi extremamente clara, não há perguntas ambíguas, ou seja, totalmente o oposto daquela realizada a 17 de Junho, extremamente confusa e com questões mal formuladas", disse Edviges Ferreira. Por isso mesmo, a vice-presidente daquela associação afirmou não ter dúvidas de que "as notas médias vão subir" face às da primeira fase, que foram desastrosas. Naquele período de exames, a média a Português desceu sete décimas em relação às de outros anos, para níveis negativos, em torno dos nove valores. Agora, acredita a Associação dos Professores de Português (APP), "os resultados dos alunos que fizeram o último exame deverão ser significativamente melhores, aproximando-os das médias dos últimos anos".A disparidade no nível de acessibilidade e legibilidade das provas é vista pela associação como algo que deveria ser evitado a todo o custo pelo Ministério da Educação, sob pena de colocar os alunos em situação de grande desigualdade. O DN tentou contactar o Ministério da Educação para obter um comentário às críticas lançadas por aquela associação de professores, mas tal não foi possível até à hora de fecho desta edição.A análise feita pela APP ao exame conclui tratar-se de uma "prova acessível e que avalia as competências mínimas de um aluno do final do 12º ano". No comentário formal à prova lamenta-se, contudo, o facto de até ao fim do dia de ontem o Ministério da Educação não ter disponibilizado àquela associação os correspondentes critérios de correcção. As grelhas de correcção da prova não estavam ainda acessíveis no site do Ministério da Educação no final do dia, várias horas após o exame.
DN

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Secundário: segunda fase dos exames nacionais arranca hoje

A segunda fase dos exames nacionais do secundário arranca hoje, com a prova de português do 12º ano, e termina no próximo dia 18, sendo os resultados afixados a 30 de Julho.
Segundo dados avançados pelo Ministério da Educação, 157.718 alunos do secundário (menos 11.849 do que em 2007) inscreveram-se este ano para fazer exames, dos quais 96.953 são candidatos ao Ensino Superior.

Seguindo uma tendência recorrente nos anos anteriores, inscreveram-se mais quase 20.000 raparigas (19.956) do que rapazes.

Diário Digital / Lusa

sábado, 12 de julho de 2008

Exames 9º ano: Resultados «na realidade são piores» - SPM

A Sociedade Portuguesa de Matemática considerou hoje que os resultados dos alunos do 9º ano à disciplina «na realidade, são piores» do que revelam as notas do exame nacional, porque as perguntas da prova, «na maioria dos casos, eram demasiado elementares».
As negativas da Matemática no exame nacional do 9º ano caíram quase 30 pontos percentuais este ano, face a 2007, segundo dados revelados quinta-feira à noite pelo Ministério da Educação.

Somadas, as notas negativas totalizam 44,9 por cento, quando em 2007 esse total tinha sido de 72,2 por cento (25 por cento com nível 1 e 47,2 por cento com nível 2).

«Estes resultados não nos espantam nada», disse à Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Nuno Crato, reafirmando o que já tinha dito aquando da realização da prova: «este exame de Matemática foi talvez o mais fácil de sempre realizado no básico».

Para Nuno Crato, os resultados dos alunos do 9º ano a Matemática, «na realidade, são piores do que os exames revelam, porque as perguntas da prova, na maioria dos casos, eram demasiado elementares».

O matemático considerou ainda que os resultados deste ano «mostram que os exames não são comparáveis» e lamentou que «Ministério da Educação produza exames não fiáveis, porque não são comparáveis».

Nuno Crato disse ainda concordar com o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, que hoje disse que os resultados no exame nacional de matemática do 9º ano são «maus», atendendo a que quase metade dos alunos teve negativa.

«É verdade que os resultados são maus, atendendo a que o nível do exame era tao baixo», afirmou.

Para Nuno Crato, só se podem inverter os maus resultados dos alunos portugueses a Matemática sendo «honesto na avaliação».

«Não conseguiremos inverter os maus resultados se não soubermos exactamente o estado em que estão os alunos de ano para ano. E com as provas de aferição e os exames que o Minsitério da Educação tem produzido isso não é possível», sublinhou.

Para Nuno Crato, «o que se está a passar com os exames nacionais é extremamente grave e pode criar um quase irreversível abaixamento do nível dos alunos a matemática no básio e secundário».

«Os exames balizam o nível do ensino, mas em vez de seguirem o nível patente nos currículos, que seguem os professores e os manuais escolares, alinham por níveis de exigência muito inferiores», afirmou, destacando que «para o ano pode existir na escola a tendência para respeitar e seguir níveis inferiores de exigência».

Também a Associação de Professores de Matemática considerou hoje que as notas conseguidas pelos alunos do 9º ano não comparáveis com as de 2007, «porque os resultados dependem muito também das próprias provas».

«Ninguém acredita que os alunos do ano passado eram um desastre e que os deste ano ano são muito melhores. Não se pode acreditar que esta diferença corresponde só a uma melhoria de aprendizagens», disse à Lusa a presidente da APP, Rita Bastos.

A professora acredita que, no entanto, «é natural que o investimento que o Ministério da Educação tem feito ao nível do Plano da Acção para a Matemática esteja a dar frutos e que esteja a contibuir para uma mudança positiva no ensino da metemática. Mas não lhe digo que a mudança seja igual à percentagem de positivas deste ano. Não acredito nisso até porque as mudanças na educação são lentas, não acontecem de um momento para o outro», destacou.

Rita Bastos sublinhou que, no entanto, os professores de Matemática «estão satifeitos» com os resultados deste ano, porque «os alunos melhoraram as notas». «Gostamos que os nossos alunos tenham sucesso, apesar de haver ainda muito insucesso. Não é completamente satisfatório, mas comparativamente a anos anteriores, já é bastante satisfatório», afirmou.

Diário Digital / Lusa

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Negativas na prova de Matemática do nono ano caem quase 40 por cento num ano

 Depois do sucesso no exame nacional de Matemática do 12.º ano, com a média nacional dos alunos internos a disparar para os 14 valores (em 20), agora foram os alunos do 9.º que revelaram uma melhoria muito significativa em relação à prova de 2007. A percentagem de negativas caiu de 72,8 por cento para 44,9 por cento, o que significa que há menos 38,3 por cento de notas negativas face à prova de 2007.

Em comunicado, o Ministério da Educação (ME) sugere algumas explicações para esta evolução. A saber: o “esforço dos professores e alunos” e os “instrumentos de apoio”. “Os alunos que agora fizeram exames trabalharam pelo segundo ano consecutivo no contexto do Plano de Acção para a Matemática”, lembra o ME.

Este programa, estreado em 2006 nas escolas básicas com 2.º e 3.º ciclo, não deu quaisquer frutos em termos de resultados nos exames nacionais no ano passado. Em 2007 aconteceu mesmo o pior resultado de sempre, com quase três em cada quatro alunos a chumbar na prova.

Mas para os professores da disciplina existem outras razões que podem explicar o sucesso deste ano, que se traduz numa duplicação das positivas. Tanto a Associação de Professores de Matemática (APM) como a Sociedade de Professores de Matemática (SPM) consideraram, no dia em que foi conhecida a prova, que o exame tinha sido o mais fácil de sempre (foram estreados em 2005).

“Em todos os casos os conceitos avaliados são simples e testados com exemplos demasiado elementares”, apontou a SPM em comunicado, acrescentando que havia questões que podiam ser resolvidas por alunos do 2.º ciclo e até do 1.º (até ao 4.º ano) e que de fora tinham ficado tópicos “importantes do 9.º”, como equações e polígonos. A APM fez um comentário semelhante e escreveu que, sendo muito provável que os resultados venham a ser melhores face aos dos anos anteriores, tal não significará necessariamente que “existiu uma melhoria nas aprendizagens dos alunos”.

Esta alegada maior facilidade poderá ajudar a explicar o facto de a percentagem de notas de nível 5 (a mais alta) ter subido de 1,4 por cento para 8,3 por cento. As classificações equivalentes a Bom (nível 4) dispararam de oito por cento para 21,4. A que se juntam 25,5 por cento de Satisfaz. Tudo somado, houve mais alunos a ter positiva do que negativa a Matemática. A classificação mais baixa de todas (nível 1), por exemplo, foi atribuída a apenas 3,3 por cento. Em 2007, foram 25 por cento a ter esta nota.

O director do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), organismo responsável pela elaboração das provas, sempre rejeitou estas críticas e alegou que o exame tinha sido “muito claro”, o que fez com que “a leitura fosse mais simples, mesmo quando as questões eram mais complexas”. Além disso, a prova contou com mais meia hora de duração em relação aos anos anteriores.

Em relação ao Português, o número de positivas foi semelhante ao do ano passado: 83,4 por cento contra 86,4 em 2007, com a grande maioria dos alunos a ter notas de 3 e 4.

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Fila de alunos que se querem inscrever dá volta ao quarteirão da escola Eugénio dos Santos

A fila de alunos, que hoje aguardavam para fazer a inscrição de acesso ao Ensino Superior, dava a volta ao quarteirão da escola, onde as candidaturas da região de Lisboa podem ser apresentadas presencialmente.
Alguns dos estudantes, que preferiram não recorrer à candidatura por meios informáticos, estão no exterior da Escola Eugénio dos Santos desde a meia-noite.
Apesar de para hoje estarem apenas previstas as inscrições para os alunos com nomes iniciados pelas primeiras duas letras do alfabeto, muitos outros compareceram já, tentando a inscrição.
É o caso de Cátia, da escola secundária Mães de Água na Falagueira, que ocupa um dos primeiros lugares da fila, apesar de saber que só será atendida depois das duas letras prioritárias para hoje.
«Estou aqui desde a meia-noite, sei que o meu nome não começa por A ou B mas tenho esperança de poder fazer a inscrição ainda hoje», disse à agência Lusa.
Explicou que decidiu vir no primeiro dia de inscrições para «ficar despachada» e para garantir que não há papéis perdidos no seu processo de candidatura a Direito.
A estudante justificou que não recorreu à Internet para se inscrever por recear o bloqueio provocado pela sobrecarga de acessos.
Quanto à possibilidade de entrada no curso que pretende, Cátia mostra-se confiante de que a sua média de 16 valores seja suficiente para lhe garantir o acesso, uma vez que na Universidade Clássica de Lisboa a média de entrada é de 12,55 valores.
A maioria dos alunos que se vai inscrever hoje já tem consigo os impressos necessários à candidatura, contudo algumas centenas aguardam numa outra fila para adquirir os documentos necessários.
A candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público iniciou-se hoje, prolongando-se até 23 de Julho para os alunos que concluíram os exames do 12º ano na primeira fase.
Para os que completarem o 12º ano na 2ª fase, o prazo de candidatura decorre de 31 de Julho a 07 de Agosto.
Para a 2ª fase do acesso ao Ensino Superior o prazo da candidatura está fixado para entre 15 e 19 de Setembro.
As vagas abertas no ensino superior público para o próximo ano lectivo totalizam 50.777, mais 1.505 lugares face ao ano anterior.
Lusa / SOL

Ensino Superior: Mais de 500 senhas distribuidas numa hora

Mais de 500 senhas para inscrição no ensino superior foram hoje distribuídas no espaço de uma hora na Escola Eugénio dos Santos, o único local onde as candidaturas da região de Lisboa podem ser apresentadas presencialmente.
As candidaturas ao ensino superior podem ser feitas presencialmente ou através da Internet, mas alguns alunos ouvidos pela Lusa mostraram-se cépticos quanto à entrega das candidaturas no site criado para o efeito.
No ano passado registaram-se vários problemas na entrega das candidaturas pela Internet, nomeadamente no acesso ao site, que levaram ao alargamento do prazo para entrega por via electrónica.
O portão abriu às 09:00, altura em que a fila de alunos que aguardavam para fazer a inscrição no ensino superior dava a volta ao quarteirão da escola.
«Numa hora distribuímos 503» para a apresentação de candidaturas, disse à agência Lusa a funcionária da escola responsável pelas senhas que hoje possibilitam apenas a inscrição dos alunos com nomes iniciados pelas primeiras duas letras do alfabeto.
A estes juntaram-se ainda os alunos que se deslocaram à escola apenas para comprar os impressos, que não precisam de senha, e os alunos que apesar de não terem nomes começados por A ou B vieram por falta de informação ou para tentar a sorte, num total de várias centenas de estudantes à procura de um lugar na universidade.
Armanda Fragoso, da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), disse à agência Lusa que «notou neste primeiro dia menos gente que no ano passado».
Ainda assim, ressalvou que a diminuição das pessoas neste primeiro dia não encontra tradução na venda de impressos de candidatura.
«Nos últimos dois dias vendemos entre 1.400 e 1.500 impressos», disse.
Sublinhou que apesar de na altura da compra dos documentos se fazer a sensibilização para que as candidaturas sejam entregues pela Internet por ser «mais rápido e haver menos probabilidades de erro», os alunos continuam a vir presencialmente.
«Acho que por um lado gostam de sentir o papel e, por outro, o apoio no preenchimento dos papéis e, claro, também porque é divertido estar aqui com os colegas», explicou.
A falta de confiança na Internet para fazer a inscrição no ensino superior foi apontada à agência Lusa por vários alunos para justificar horas de espera na fila para entregar presencialmente a candidatura.
«Estive nove horas à espera para entregar a candidatura em três minutos, mas valeu a pena», disse à agência Lusa Andreia Pinto, da Escola Secundária Luís de Camões, em Lisboa.
Andreia, que acredita ter a entrada no curso de Direito assegurada, diz que optou por entregar a candidatura na escola «para ter certeza que está tudo ok».
Também Ana Filipa, da Secundária Alves Redol, de Vila Franca de Xira, se mostrou «céptica» em relação as inscrições on-line.
«No ano passado inscrevi-me on-line e o meu processo perdeu-se, por isso este ano aproveitei o meu dia de folga no trabalho e vim fazer a inscrição», disse à Lusa.
A falta de informação sobre a forma como decorrem as inscrições - por ordem alfabética - foi também apontada por vários alunos.
Filipe e Samuel, da escola Frei Gonçalo de Azevedo, no concelho de Cascais, queixaram-se à Lusa da falta de indicações relativamente a ordem alfabética das inscrições.
«No site do acesso ao ensino superior não havia informação e na escola também não», disseram.
Apesar de poderem apenas inscrever-se nos dias 14 e 21 de Julho respectivamente, Filipe e Samuel mostraram-se firmes em deixar as instalações da escola apenas com a candidatura feita.
«A Internet é uma grande treta, está sempre a bloquear», sustentaram.
No plano oposto, Andreia Alves da escola Secundária Ferreira Dias, do Cacém, elogiou a organização da escola, adiantando que esteve à espera cerca de duas horas para entregar o processo de candidatura ao curso de Geografia e Planeamento, ao qual espera que a sua média de 15,7 lhe dê acesso.
Até às 16:00 de hoje serão distribuídas senhas para os candidatos com nomes começados por A e B, sexta-feira para os C e D, 14 de Julho E e F, 15 de Julho G a I, 16 de Julho J e L, dia 17 M, dia 18 N a P, 21 Q a S, 22 T a V e 23 X e Z.
A candidatura à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público iniciou-se hoje, prolongando-se até 23 de Julho para os alunos que concluíram os exames do 12º ano na primeira fase.
Para os que completarem o 12º ano na 2ª fase, o prazo de candidatura decorre de 31 de Julho a 07 de Agosto.
Para a 2ª fase do acesso ao Ensino Superior o prazo da candidatura está fixado para entre 15 e 19 de Setembro.
As vagas abertas no ensino superior público para o próximo ano lectivo totalizam 50.777, mais 1.505 lugares face ao ano anterior.
Diário Digital / Lusa

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exame Biologia: tribunal dá razão a ministério


O Tribunal Central Administrativo do Norte declarou «improcedente» a queixa de uma aluna contra o Ministério da Educação, considerando que a nota que obteve no exame de Biologia do 12º do ano passado não foi prejudicada por eventuais incorrecções na prova, noticia a Lusa.

A aluna já tinha visto a 07 de Fevereiro deste ano o Tribunal Administrativo de Coimbra (TAC) dar-lhe «parcialmente» razão, e recorreu da sentença, tal como o réu Ministério da Educação (ME).

A estudante Maria José de Almeida reclamava contra três questões do exame de Biologia de 2007 por considerar «existirem erros nas perguntas e nos tópicos de correcção», salientando que «o acto impugnado foi a classificação obtida na disciplina em causa».

O ministério apresentou, entre outros argumentos, que os tópicos de correcção estavam de acordo com a matéria proposta aos alunos de 12º ano e que a prova produzida nos autos «não é suficiente para concluir que existe erro científico».

Aluna estuda medicina dentária em Coimbra

A queixosa tinha feito exame de Biologia a 19 de Junho do ano passado, tendo obtido a classificação de 16,9 valores, o que se revelou insuficiente para ingressar no curso de medicina no ensino superior.

No acórdão de decisão acerca dos recursos, a que a Agência Lusa teve acesso, o Tribunal Central Administrativo Norte (TCAN) salienta que a aluna não pediu então a reapreciação da prova para alteração da classificação e entrou para o curso de Medicina Dentária em Coimbra, procedendo «à sua matrícula e inscrição no mesmo, declarando, no entanto, fazê-lo sob reserva».

Depois de apurados os factos e de ouvidas testemunhas sobre as questões postas em causa, assim como os respectivos tópicos de correcção, o TCAN decidiu «conceder provimento ao recurso interposto pelo réu Ministério da Educação; negar provimento ao recurso interposto pela recorrente Maria José de Almeida; Revogar a sentença recorrida; e julgar improcedente a acção principal que havia sido intentada pela recorrente», que terá ainda de pagar as custas judiciais relativas a ambas as instâncias.

Exame polémico

O exame nacional de Biologia de 2007 foi uma das provas que no ano passado desencadeou alguma polémica por conter uma incorrecção. O Ministério da Educação (ME) acabou mesmo por anular uma questão da prova, alegando que uma incorrecção na pergunta «inviabilizava a concretização de uma resposta correcta».

Para não prejudicar os alunos na classificação final da prova, o ME decidiu que a nota de cada um dos estudantes que realizou o exame seria multiplicada por 1,0309.

iol

terça-feira, 8 de julho de 2008

Associações de professores reagem a resultados nos exames de matemática e de português


A Associação de Professores de Matemática (APM) congratulou-se hoje com a melhoria dos resultados no exame de Matemática A do 12º, mas considerou que não revelam necessariamente uma melhor aprendizagem, porque as provas não são comparáveis às dos anos anteriores. De igual modo, a Associação de Professores de Português (APP) entende que a quebra de resultados nos exames de Português do 12º ano deveu-se "exclusivamente" a uma prova "duvidosa e mal formulada" e não à falta de preparação dos alunos.

Para a APM, o trabalho que se tem vindo a desenvolver com os alunos nas escolas, os testes intermédios, o tempo da prova e as suas características, nomeadamente "a alteração da estrutura no caso da Matemática A e a inclusão de algumas questões bastante acessíveis" foram alguns dos factores que, segundo a Associação de Professores de Matemática (APM), contribuíram para uma melhoria dos resultados nas provas deste ano.

A Associação de Professores de Matemática afirmou ainda discordar da análise feita pelo Ministério da Educação quanto "aos factores que contribuíram para a melhoria dos resultados dos exames de Matemática do ensino secundário". A associação salienta que "nenhuma das medidas do Plano de Acção para a Matemática (PAM) se dirigiu aos alunos do secundário", lembrando que este ano não houve alunos abrangidos pelo PAM a realizar tais exames, uma vez que aquele Plano "só se iniciou no 9º ano em 2006/07".

Porém, a associação sublinha, em comunicado, que a subida de notas "não revela que as aprendizagens dos alunos tenham melhorado relativamente a anos anteriores", uma vez que os exames "não podem medir todas as aprendizagens" e porque as provas foram "diferentes a vários níveis, sobretudo no tempo de realização e no número de perguntas que exigem raciocínios mais complexos".

Para a APM, o "investimento na formação contínua dos professores e no equipamento das escolas", aliada a outras medidas como "a redução do número de alunos em algumas turmas ou o desdobramento das turmas maiores" são medidas que, a médio prazo, produzirão "melhorias nos resultados não só nos exames, mas também das aprendizagens dos alunos na disciplina de Matemática".

A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), segundo dados do Ministério da Educação (ME).

Prova de português “duvidosa e confusa”

Nos exames de português, a Associação de Professores de Português (APP) culpa a má formulação da prova pelos piores resultados dos últimos anos.

"Os maus resultados [a português] não surpreenderam porque a prova apresentava toda uma série de questões mal formuladas que levaram os alunos à confusão. Esta quebra não se deve a falta do bom ensino de Português ou falta de preparação, mas sim exclusivamente à prova que os alunos tiveram à frente", afirmou hoje à Agência Lusa a vice-presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira.

A responsável lembrou que tanto o primeiro como o segundo grupo do exame de Português do 12º ano "suscitaram várias dúvidas" à APP e a inúmeros professores, salientando que "nem os alunos nem os docentes podem ser responsabilizados pelos fracos resultados".

"Os professores leccionaram e preparam os alunos este ano como sempre o fizeram nos anos anteriores. Há uma coisa que está mal nisto tudo e de certeza que não é a forma como os professores leccionam o Português", reiterou.

A média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores (numa escala até 20) pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.

Edviges Antunes Ferreira afirmou ver "com bons olhos" o reforço das medidas de apoio da disciplina no Secundário anunciado pelo Ministério da Educação na sexta-feira passada.

"Qualquer reforço a nível da carga horária em Português é fundamental para melhorar o desempenho dos alunos. Mas não tenho dúvidas de que se os alunos no próximo ano forem confrontados outra vez com uma prova deste calibre os resultados não vão melhorar, vão ser os mesmos", considerou.

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Resultados na prova de Português geram desilusão

Terminou a angústia para milhares de jovens, com a afixação dos resultados dos exames nacionais. Importantes para a passagem de ano mas fundamentais para a entrada na universidade, as notas deixaram algum descontentamento.
A noite anterior não tinha sido bem dormida, isso notava-se nas olheiras de grande parte dos alunos que chegavam à Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto. Ansiosos por saber os resultados que iriam ditar o seu futuro para o próximo ano lectivo, os jovens rapidamente subiam os degraus de pedra. Depois vinha a parte mais difícil.
Com o dedo a tremer de nervosismo, não era fácil traçar uma linha recta entre o nome e a correspondente nota. Entre alguns empurrões e "chega para lá" confirmavam-se e reconfirmavam-se as notas. Na sua maioria eram boas, mas isso não era suficiente para muitos. Para entrar na universidade tinham de ser excelentes. Por isso, os sentimentos dominantes eram um pouco ambíguos: alguma alegria mas também alguma frustração. No Rodrigues, a fila para comprar os impressos de revisão de prova e inscrição na segunda fase denunciava que muitos não tinham atingido os objectivos.
Já na Secundária de Penafiel, imperava a revolta, principalmente por causa dos resultados do exame de Língua Portuguesa. A explicação para a derrapagem assentava em dois argumentos: os critérios rigorosos e as perguntas ambíguas. Além disso, a matéria escolhida, especialmente os Lusíadas, supreendeu. A desilusão era colectiva com fortes críticas ao sistema de ensino: "Desta vez, facilitaram em Matemática e toda a gente tirou boas notas. Em Português foi mesmo para chumbar".

Do 20 a Matemática ao nove a Português


Para Maria Raquel, estudante de 19 anos, as notícias não podiam ser melhores: teve vinte valores a Matemática B e considera que o exame do 12º ano foi "super facilitador". Com uma média final que ronda os 18 valores, espera-a o curso superior de Arquitectura, ao qual vai concorrer. Do lado oposto está Aparício Rodrigues, com 22 anos, que teve nove valores no exame de Português. "Acho que foi fácil, mas a maior parte dos alunos não estava à espera de ‘Os Lusíadas’", confessa. Para Aparício, as expectativas não passam pelo Ensino Superior, porque prefere um curso profissional.


António Monsanto, professor de Português na Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, tem uma opinião contrária. "Não achei o exame de Português nada fácil, porque havia questões com alguma dificuldade de critérios. A prova poderia ter sido mais elaborada e isso prejudicou os alunos". Leonilde Pilar, também docente de Português, subscreve: "A prova deixou muito a desejar, bem como os critérios. Talvez em Matemática, sim, as coisas tenham sido mais fáceis". E vai mais longe: "Não tenho dúvidas de que este é um sucesso fabricado", reportando-se à melhoria a nível nacional das notas das provas de Matemática do 12º ano.

No Alentejo, o cenário não era muito diferente. Na Escola Secundária Gabriel de Pereira,Inês de Castro, de 17a nos, mostrava-secontente com os resultados. "Tive valores acima daquilo que estava à espera. Consegui um 15 a Português. Ainda não sei bem que curso vou seguir, mas estou a pensar em alguma coisa ligada com relações públicas". Com o sentimento generalizado de que o exame de Matemática foi bem mais fácil do que era esperado, houve no entanto outras notas que ficaram aquém das expectativas. "Estava à espera que o exame de Biologia fosse pior, mas mesmo assim tive negativa", disse Ana Sofia Aldeã, que na pauta viu também negativa a Física e Química.

ÉPOCA DECISIVA

PROVA "DUVIDOSA"

A Associação de Professores de Português diz que os maus resultados devem-se a uma prova "duvidosa e mal formulada".

CANDIDATURAS NA 5.ª

As candidaturas para a 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior começam quinta-feira.

Susana Chambel/ Tiago Esteves

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Educação: "Melhorias estatísticas não vão ajudar o país"

"Qual o perfil de cidadão que desejamos para Portugal?". A resposta a esta questão devia edificar o sistema educativo, defende um sociólogo ao JN. Os docentes não falam em facilitismo, mas estão preocupados.

São hoje afixadas nas escolas as notas dos exames de 12º ano. Na sexta-feira, o Ministério da Educação revelou as médias das classificações: houve uma melhoria generalizada, principalmente a Matemática. Esses resultados são fruto do investimento no processo de aprendizagem ou de um sistema facilitista? O JN fez esta pergunta a presidentes de associações de professores e docentes universitários. Nenhum classificou o sistema de facilitista, a palavra nem sequer foi mencionada, mas todos criticaram a focalização para os resultados estatísticos.

"O país vai pagar caro por esta política educativa. As estatísticas não vão ajudar o desenvolvimento" do país, considera Mário de Carvalho. Professor universitário, ex-dirigente da Fenprof, foi o único a reconhecer ao JN que os alunos lhes estão a chegar pior preparados. "Nos Estados Unidos e noutros países europeus quem chumba no Ensino Superior "é convidado a sair por desprestigiar os estabelecimentos", a exigência devia ser regra, considera.

"O nosso sistema de ensino está longe de favorecer o desenvolvimento do país", concorda Ivo Domingos. O sociólogo de Educação da Universidade do Minho defende o maior envolvimento e responsabilização dos agentes formativos, nomeadamente as famílias. "Qual é o perfil do cidadão que desejamos para Portugal?" - a resposta a esta questão deveria edificar o sistema educativo alega. Os pais não podem "fazer trabalhos de casa" aos filhos ou incentivá-los a "copiar" só porque é mais simples.

"Vivemos uma preocupante laicização do ensino e da avaliação escolar", alerta, criticando a preocupação excessiva não só deste Ministério como dos anteriores com "uma certificação de sucesso". Dois indicadores deste sistema são "a quantidade de alunos com várias negativas no 1.º e 2.º período que depois passam de ano" e o facto de haver, "cada vez mais, predisposição para copiar". Se os alunos não aprenderem além dos conteúdos curriculares "competências racionais, morais e éticas não terão problemas, quando forem adultos, em desrespeitar o código da estrada ou fugirem ao fisco. Um sistema que não é planeado irá sempre favorecer os interesses corporativos, por vezes ilegítimos", concluiu.

"O problema não está nos alunos bem sucedidos mas nos que perdemos". Rui Trindade também critica um sistema focalizado para as notas: há mais escola além dos exames. Esses resultados não revelam o nível de aprendizagem. O professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto defende - tal como todos os outros docentes ouvidos pelo JN - um sistema que não facilite os chumbos mas a recuperação dos alunos. É o recomendado pela OCDE e pela UNESCO. Entre 2005 e 2007 a taxa de reprovação em Portugal desceu dos 10,2 para os 5,5% nos primeiros seis anos de escolaridade. O problema, alertam, é a falta de meios e planeamento.

"Ainda estamos a muitas décadas da Finlândia", sublinha Rita Bastos, presidente da Associação de Professores de Matemática. "A investigação mostra que a reprovação não resolve nenhum problema nem para os alunos nem para as escolas mas os finlandeses não têm os nossos problemas económicos, sociais e culturais e todos eles entram na escola".

Quem tem 19 valores a Português?


Mariana tem 17 anos, é aluna da Escola Secundária de Monserrate, em Viana do Castelo, e «tirou» 19 valores no exame de Português do 12º ano, muito acima da média nacional, que se ficou pelos 9,7 valores, escreve a Lusa.

«Uma prova mal formulada? Mas mal formulada porquê? Tinha algumas ratoeiras, é verdade mas, para mim, a prova é clarinha como a água», disse, à agência Lusa, Mariana Martins, contrariando assim as críticas da Associação de Professores de Português (APP).

Esta associação considerou esta segunda-feira que a quebra de resultados nos exames de Português do 12º ano se deveu «exclusivamente» a uma prova «duvidosa e mal
formulada» e não à falta de preparação dos alunos.

Português abaixo dos 10 valores
Português: más notas por culpa do exame

Para Mariana, que já tinha concluído o ano com 18 valores, a única coisa de que os alunos se podem queixar é de no exame ter saído «Os Lusíadas», uma obra «que nem sequer fazia parte do programa» do 12º ano.

«Demos "Os Lusíadas" no 9º ano e, no 12º, voltámos a falar da obra mas nem sequer lhe demos muita importância, porque estávamos convencidos de que, se saísse no exame, seria apenas para comparar a mensagem com a de Fernando Pessoa. Acabámos por ser surpreendidos mas essa foi mesmo a única surpresa da prova», garantiu.

A média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores (numa escala até 20) pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.

Dos 60.281 alunos que este ano fizeram a prova de Português «chumbaram» oito por cento (um acréscimo face aos 5 por cento verificados em 2007 e 2006).

Piores resultados a Português devido a prova duvidosa e confusa

A quebra de resultados nos exames de Português do 12º ano deveu-se "exclusivamente" a uma prova "duvidosa e mal formulada" e não à falta de preparação dos alunos, considerou hoje a Associação de Professores de Português.
"Os maus resultados não surpreenderam porque a prova apresentava toda uma série de questões mal formuladas que levaram os alunos à confusão. Esta quebra não se deve a falta do bom ensino de Português ou falta de preparação, mas sim exclusivamente à prova que os alunos tiveram à frente", afirmou hoje à Agência Lusa a vice-presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira.
A responsável lembrou que tanto o primeiro como o segundo grupo do exame de Português do 12º ano "suscitaram várias dúvidas" à APP e a inúmeros professores, salientando que "nem os alunos nem os docentes podem ser responsabilizados pelos fracos resultados".
"Os professores leccionaram e preparam os alunos este ano como sempre o fizeram nos anos anteriores. Há uma coisa que está mal nisto tudo e de certeza que não é a forma como os professores leccionam o Português", reiterou.
A média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores (numa escala até 20) pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.
Dos 60.281 alunos que este ano fizeram a prova de Português "chumbaram" 08 por cento (um acréscimo face aos 05 por cento verificados em 2007 e 2006).
A média de notas tem vindo a decrescer: dos 11,6 valores de 2006 passou-se para 10,8 valores no ano passado e para os 9,7 valores deste ano.
Edviges Antunes Ferreira afirmou ver "com bons olhos" o reforço das medidas de apoio da disciplina no Secundário anunciado pelo Ministério da Educação na sexta-feira passada.
"Qualquer reforço a nível da carga horária em Português é fundamental para melhorar o desempenho dos alunos. Mas não tenho dúvidas de que se os alunos no próximo ano forem confrontados outra vez com uma prova deste calibre os resultados não vão melhorar, vão ser os mesmos", considerou.
O secretário de Estado Valter Lemos disse na sexta-feira à Lusa que "esta pequena quebra" nos resultados dos exames nacionais de Português do 12º ano "não é muito significativa", mas é suficiente para "preocupar" o Governo, pelo que serão adoptadas "algumas medidas de apoio e de reforço no ensino de português no secundário".
Ainda que o resultado final não seja "um resultado muito mau", uma vez que "está no limiar da positiva", o secretário de Estado da Educação reconheceu que a baixa dos resultados a Português causa preocupação.
"Isto deixa-nos alguma preocupação para eventualmente ter que implementar algumas medidas de apoio e de reforço" da disciplina no Secundário, reiterou, lembrando que os indicadores que o Ministério da Educação tinha apontavam para existência de "mais problemas" no ensino básico.
"Provavelmente o facto de os resultados no secundário ser historicamente nos últimos anos um resultado razoável não nos deixava tanta preocupação", afirmou Valter Lemos.
"Teremos agora que fazer alguma revisão em alta desta nossa preocupação. Vamos trabalhar para que no próximo ano possamos ter algumas medidas de apoio e reforço ao ensino português no ensino secundário para evitar que isto não seja uma tendência, mas sim meramente uma oscilação natural, e para manter um resultado em Português, que historicamente é positivo", acrescentou.
Diário Digital / Lusa

sábado, 5 de julho de 2008

Alunos internos chegam aos 14 valores de média na Matemática

Uma melhoria astronómica. Esta é a única forma de qualificar os resultados da Matemática A nos exames nacionais do secundário, onde a disciplina atingiu uns imprevisíveis 12,5 valores de média, chegando ao 14 entre os alunos internos, e contabilizou apenas 7% de negativas. Para o Ministério da Educação, não restam dúvidas: na origem dos resultados está muito suor. Mas a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) garante que tal progresso é "impossível" e até o gabinete ministerial responsável pelas provas reconhece não se poder assegurar que os ganhos se devem apenas ao trabalho.

Comparando os resultados da Matemática A, feita por 36674 alunos, com anos anteriores, verifica-se que, em 2007, a mesma prova contabilizou 9,4 valores de média e 18% de reprovações. Em 2006, os valores não foram além dos 7,3 e os chumbos à disciplina chegaram aos 29%. Por outras palavras, em apenas dois anos, os valores globais quase duplicaram e as negativas caíram para menos de um quarto.

Em comunicado, o Ministério elencou os factores cujo "efeito combinado" terá contribuído para tão dramática subida: "Mais tempo de trabalho e de estudo", "provas de exame correctamente elaboradas, sem erros e com mais tempo para a sua realização [30 minutos extras]", e ainda um "maior alinhamento entre o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores" - o diferencial entre as classificações internas e as provas é de apenas 0,76 valores, lembrou a tutela.

Autores das provas cautelosos

Porém, foi o próprio director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), responsável pelos exames, quem num encontro com jornalistas ontem à tarde, antes da divulgação dos resultados, evitou fazer este tipo de associações .

"Nas provas de aferição empenho as minhas barbas quando digo que os resultados melhoraram. Nos exames, se houve melhorias, terão a ver com uma confluência de factores. Não posso garantir que os resultados correspondam a melhorias nas qualidades das aprendizagens", disse Carlos Pinto Ferreira.

Na altura, o director do GAVE explicou que as provas de aferição são sujeitas a mecanismos de controlo prévio com amostras de estudantes (ver texto nesta página), o que permite "congelar" a dificuldade média dos testes, precisamente por se destinarem a analisar o sistema educativo. Já em relação aos exames, tal não acontece, não só por questões de "segurança", mas também porque a meta é saber se os alunos têm conhecimentos para aprovar ou reprovar.

Porém, Pinto Ferreira rejeitou qualquer interferência externa no sentido de condicionar os exames: "Nunca nenhum ministro ousou dar instruções ao GAVE para fazer as provas mais fáceis ou mais difíceis", afirmou, acrescentando que, da sua parte, a única recomendação dada às equipas que produzem as provas foi para que estas fossem "justas", reflectissem os "programas" e não contivessem "minas e armadilhas" que poderiam atrapalhar os alunos.

Resultados "impossíveis"

Já a Sociedade Portuguesa de Matemática, que tem criticado as provas desde a divulgação dos enunciados, não hesita em considerar que os exames foram "demasiado simples" para poderem sequer ser comparáveis com anos anteriores.

"Nós somos uma sociedade científica. Não julgamos intenções ministeriais", disse ao DN Nuno Crato. "O que dizemos é que os exames foram demasiado simples para que se possa perceber o eventual impacto das medidas referidas pelo Ministério. Resultados tão espectaculares são impossíveis em tão pouco tempo. As pessoas que tirem as suas ilações".

Nuno Crato não deixou, no entanto, de considerar que "o sinal dado aos alunos por estes exames é de que não vale a pena trabalhar".

DN

“Dei orientação para os exames não terem rasteira”

Carlos Pinto Ferreira, director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), responsável pela elaboração dos exames, assumiu ontem que mandou fazer provas sem ‘rasteiras’.




"Dei orientação para os exames não terem rasteiras. Acho que não deve haver ‘perguntas diabólicas’, é aleatório e não mede competências. Um aluno pode estar num dia mau", disse, negando ter recebido indicações do Governo: "Nunca um ministro ousou dar orientações para um exame ser mais fácil. Sinto-me ofendido com insinuações que põem em causa a minha seriedade."

Pinto Ferreira explicou todo o processo de elaboração dos exames, admitiu que "há sempre variação" no grau de dificuldade. E criticou a Sociedade Portuguesa de Matemática: "Têm uma visão da matemática que tem 50 anos."

CM

“Foi um descalabro, mas não nos surpreende”


Edviges Ferreira, Vice da Associação Professores de Português, falou ao 'CM' sobre os resultados dos exames de Português do 12.º ano.


Correio da Manhã – Como avalia os resultados dos exames de Português do 12.º ano, em que a média desceu para 9,7 valores?

Edviges Ferreira – Estes resultados são um descalabro mas não surpreendem a Associação de Professores de Português (APP). Logo na altura da prova apontámos algumas coisas que podiam levar a uma queda de resultados, nomeadamente a formulação pouco clara da pergunta 2 do I Grupo e o facto de no III grupo, no tema para desenvolvimento, ter sido escolhido um texto do Padre António Vieira, que era do programa do 11.º, provocando confusão e levando muitos alunos a falar só do Padre António Vieira.

– A grande maioria dos agentes educativos acusou o Ministério de elaborar exames demasiado fáceis...

– Mas esse não foi o nosso caso, nunca dissemos que o exame de Português era acessível e até apontámos aspectos que podiam levar a uma classificação mais baixa. O resultado está à vista e a média foi negativa.

– Quem são os responsáveis?

– É lógico que há sempre responsáveis mas não queremos acusar ninguém. Se a prova tivesse sido feita em termos mais claros os resultados seriam melhores. Esta apresentava perguntas dúbias.

– Os professores de Português não são também responsáveis pelos resultados?

– Os professores são os mesmos do ano passado e centenas deles contactaram-nos logo na altura do exame indignados com o seu teor. Estes resultados são maus mas não é culpa dos professores nem dos alunos.

– A APP foi convidada pelo Ministério da Educação a participar na elaboração dos exames?

– Houve de facto um convite mas não quisemos entrar nessa revisão de prova. Sabíamos que mesmo que contestássemos o exame dificilmente seríamos ouvidos.
CM

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Resultados da 1.ª fase dos exames do Ensino Secundário revelam uma melhoria global

Os resultados da 1.ª fase dos exames do Ensino Secundário revelam uma melhoria global, verificando-se o aumento do número de disciplinas com média positiva, a subida das médias e a diminuição das reprovações.

O número de exames com médias de resultado abaixo dos 10 valores continua a descer: enquanto neste ano lectivo houve seis exames com médias abaixo dos 10 valores, no ano anterior foram sete e em 2006 treze.



Considerando apenas disciplinas homólogas, este ano a média mais baixa foi de 9,2 valores em História B, enquanto em 2007 foi de 7,1 em Física e Química.



Registam-se oito disciplinas com mais de 10 por cento de reprovações, enquanto em 2007 esta situação se verificou em 12 disciplinas. Particularmente, na disciplina de Físico Química a percentagem de reprovações desceu de 31 por cento para 22 por cento no mesmo período de tempo.



Matemática



Apesar do decréscimo na média da Matemática Aplicada às Ciências Sociais (passa de 11,3 valores para 9,6 valores), regista-se uma melhoria global de resultados, em particular na Matemática A (cuja média passa de 9,4 valores para 12,5 valores) e na Matemática B (cuja média passa de 7,5 valores para 11,4 valores), tendo diminuído a percentagem de reprovações.



Esta melhoria, que se verifica, pelo terceiro ano consecutivo, é seguramente o efeito combinado de três factores:



. mais tempo de trabalho e de estudo por parte dos alunos, acompanhado pelos professores, no quadro das actividades das escolas no âmbito do Plano de Acção para a Matemática;



. provas de exame correctamente elaboradas, sem erros e com mais tempo para a sua realização;



. maior alinhamento entre o exame, o programa e o trabalho desenvolvido pelos professores, designadamente através dos vários testes intermédios realizados nas escolas e da utilização do banco de itens disponibilizado pelo Gabinete de Avaliação Educacional por alunos e professores.



De salientar a elevada correlação (0,71) entre as classificações internas e as do exame nacional.













Português



Regista-se um decréscimo nos resultados do exame de Português (cuja média passa de 10,8 para 9,7), aumentando ligeiramente o número de reprovações na disciplina, que passa de 5 por cento para 8 por cento, não obstante o acréscimo de tempo para a realização da prova.



Este é o exame que abrange o maior número de alunos, sendo realizado pela quase totalidade dos estudantes que terminam o ensino secundário nos cursos científico-humanísticos.



Importa equacionar medidas de reforço do trabalho dos alunos nesta disciplina, designadamente estendendo ao ensino secundário as dinâmicas do Plano Nacional de Leitura.





Disciplinas de Ciências



Verificou-se uma melhoria nas disciplinas de Biologia e Geologia (cuja média passa de 9,1 valores para 10,5 valores) e de Física e Química (cuja média passa de 7,2 valores para 9,3 valores).



É de salientar que em Biologia e Geologia a média atingiu valores positivos, enquanto em Física e Química, apesar da melhoria registada, ainda apresenta um valor ligeiramente negativo.



Estas duas disciplinas são as que apresentam as mais elevadas correlações entre as classificações internas e externas (respectivamente 0,75 e 0,76).



Também nestas disciplinas se concretizou um esforço de alinhamento do exame com o programa e o trabalho dos professores, através dos testes intermédios, bem como do aumento do tempo para a realização da prova.



Registou-se, ainda, durante o ano lectivo que agora termina, um reforço dos tempos de leccionação destas disciplinas e das condições para a realização do trabalho experimental.



Os resultados indicam a necessidade de continuar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos professores e pelas escolas, com vista a consolidar esta tendência de melhoria.


quarta-feira, 25 de junho de 2008

“Eu não faço os exames”


Aministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues rejeitou ontem no Parlamento as acusações de facilitismo nos exames nacionais. "A ministra não faz exames", acentuou.


Na Comissão de Educação, Pedro Duarte, do PSD, acusou o Governo de "fazer batota e adulterar os resultados" pois está "muito preocupado com as eleições". Maria de Lurdes Rodrigues respondeu de forma dura, considerando que o PSD passou "um atestado de incompetência ao trabalho de escolas e professores" e negou qualquer intervenção nos exames. "Conheço as provas muitas vezes depois dos peritos, quando chegam à minha secretária no final do período em que a prova ocorre. Não sei quem faz os exames e acho que nunca fui ao serviço que os faz", assinalou.

Quanto ao alargamento, em meia hora, do tempo para os exames, a ministra explicou que a tutela não pretende que o tempo "seja uma razão para os maus resultados" dos alunos. Na óptica da governante, os maus resultados só podem ser justificados "pela falta de conhecimento".

No final da audiência de três horas, a ministra afirmou aos jornalistas que as medidas do Governo e o trabalho de professores e alunos contribuíram para melhorar os resultados. "Tudo o resto são suspeições e até insultos. Chegámos a este nível, inaceitável no combate político. Há pessoas que acordam de manhã e dizem que os testes são fáceis, criando alarmismo e desconfiança nos pais e alunos, criando a ideia de que tudo é uma enorme facilidade. Alguns peritos não aceitam que o País mude para melhor", disse.

Ao CM, o director do Gabinete de Avaliação Educacional, Pinto Ferreira, acusou a SociedadePortuguesa de Matemática de ter feito uma análise das provas "simplista". O facto de os estudantes terem considerado os exames demasiado fáceis explica-se com o aumento do número de testes intermédios, que criou uma "pedalada nos alunos".

NOTAS

FAROLEIROS

A deputada independente Luísa Mesquita criticou que os conhecimentos de Português dos professores sejam avaliados, quando tentam aceder à profissão. A ministra da Educação recordou que até os faroleiros fazem um teste de Português para aceder à profissão.

CURSO DE FUTEBOL

Pedro Duarte, do PSD, acusou o actual Governo de ter criado um curso de jogador de futebol, que dá equivalência ao 9.º ano. A ministra assegurou que o curso foi criado pelo anterior executivo, formado por PSD e CDS/PP, e que este Governo acabou com ele.

O AVÔ DA MINISTRA

A ministra da Educação defendeu o bónus de meia hora dado este ano nos exames: "Até vi quem se queixasse por não poder comparar os resultados com os de 1929. Nessa altura o meu avô não foi à escola, como a maioria não ia, e não é comparável", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.



CM