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quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Agora, os miúdos têm muito mais poder!"



Marc Prensky iniciou a sua carreira como professor do ensino elementar em Nova Iorque, EUA. No sistema educativo americano este é o primeiro nível de ensino para todas as crianças dos 4 aos 11 anos. Não admira, por isso, que Prensky seja um grande defensor de que se dê mais atenção às opiniões das crianças. 
Em 2001, as suas ideias sobre o ensino, educação e tecnologia tornaram-se virais, com a popularização dos seus conceitos de "nativos digitais" e "imigrantes digitais". Uma distinção entre os nascidos antes e depois da revolução digital. 

Prensky é ainda autor de vários livros sobre pedagogia e currículo e criador de jogos. Este americano, de 72 anos, tem viajado por todo o mundo a fazer o que mais gosta: ouvir o que as crianças têm para dizer sobre os mais variados temas. No dia 3 de julho esteve em Braga, como orador na NESTT International Conference 2018. O EDUCARE.PT esteve à conversa com Marc Prensky. 

EDUCARE.PT (E): A tecnologia está a mudar a infância. Como disse, agora, as crianças têm “cérebros extensíveis”. Acha que os professores compreendem inteiramente estas mudanças?
Marc Prensky (MP): Os professores estão conscientes de que há mudanças a acontecer, mas estão assustados. Não acho que compreendam o suficiente sobre os aspetos positivos dessas mudanças. Os professores veem muito claramente os aspetos negativos, como o bullying, e tantos outros. Mas não veem o empowerment que a tecnologia dá às crianças. E é por isso que digo aos professores que pensem nos seus alunos como tendo "cérebros extensíveis" que trabalham em conjunto. Se os professores virem os alunos dessa maneira, vão trabalhar com eles de forma muito diferente. 

E: Mencionou que muitos professores ainda usam a tecnologia de forma "trivial". Ou seja, para fazer coisas que poderiam fazer sem ela. Isto é uma oportunidade?
MP: Sim é. Não estamos a olhar para o poder que a tecnologia nos dá ao ponto de com ela podermos fazer coisas que nunca poderíamos antes. Podemos ter uma equipa composta por pessoas que estão a trabalhar em conjunto e ao mesmo tempo, mas estão localizadas em sítios muito diferentes do mundo. Sem tecnologia seria impossível. Antes, não podíamos criar uma simulação para tentar resolver um problema, agora podemos. E há muitas mais coisas poderosas que estão mesmo aí a chegar. A inteligência artificial está a chegar! Os hologramas estão a chegar! E a pergunta que se deve fazer não é: Como vou usar o holograma para fazer o que costumo fazer? Também não vamos olhar para o holograma e dizer, como a Princesa Leia no filme Guerra das Estrelas: "Ajuda-me Obi-wan Kenobi, és a minha única esperança!"

E: Mas é preciso tempo na escola para tirar partido da tecnologia...
MP: Os professores precisam de mais tempo para explorar estas potencialidades com as crianças. Por outro lado, gostava de ver mais as empresas de tecnologia a irem às escolas com as suas novas invenções tecnológicas e a perguntar às crianças: Como podemos usar isto? O que é que vocês acham que pode acontecer se usarmos isto?

Voltando às oportunidades perdidas, a possibilidade de usar ferramentas de tradução é uma delas! O meu filho, de 13 anos, está a estudar Espanhol e recentemente disse-me: "Sabes, o tradutor do Google é o meu melhor amigo!" Mas muitas pessoas ainda pensam que usar essas novas ferramentas é delegar nelas ou confiar-lhes tarefas que devíamos ser nós humanos a fazer. Eu acho que é apenas uma forma de nos estendermos, de nos ajudarmos. No fundo, até se pode argumentar que os livros são maus, porque confiamos conhecimento neles, mas não são eles apenas uma extensão do pensamento humano? 

E: Quando as crianças aprendem tantas coisas através de vídeos no Youtube, isto não deve deixar os professores com medo de serem substituídos pela tecnologia?
MP: [Risos] É por isso que os professores não devem pensar no seu trabalho apenas como uma forma de ajudar os alunos a aprender, mas sim como uma forma de ajudar os alunos a realizar as suas aprendizagens. Assim, o trabalho do professor será necessário enquanto coach [treinadores/formadores]. Mas, se é apenas uma questão de ensinar Matemática, é verdade que o aluno pode aprender na Khan Academy, ou noutros sítios, e isso acabou. Os professores devem ter medo se ainda pensam no seu trabalho desta forma, porque a tecnologia vai substituí-los. Já os substituiu! Mas a outra parte do seu trabalho, a de ser coach, a de ajudar as crianças a tornarem-se melhor adultos, essa não vai acabar nunca. E é isso que tem de ser feito.

E: Vê com "otimismo" a relação das crianças e dos jovens com as tecnologias. Mas vários estudos têm alertado de que eles são mais consumidores do que produtores, com tudo o que isto acarreta de negativo quanto à participação neste mundo digital...
MP: Os leitores são mais consumidores do que produtores. A maioria das pessoas não escreve livros, lê livros! Isso é uma coisa disparatada de se dizer. Alguém inventou essa ideia, mas não corresponde à verdade. Vai haver sempre pessoas que criam ou que produzem, mas a maioria de nós vai ser apenas consumidor.

E: E não há nada de errado nisso?
MP: Nada. Será que todas as crianças têm de fazer filmes? Não! Mas todas as crianças gostam, com certeza, de ir ao cinema. É assim que as coisas funcionam. O que é interessante é que as crianças possam explorar situações em que querem ser criadores. 

Apenas para dar um exemplo. Estava a viajar com o meu filho que tem 13 anos. Era a primeira vez que ele estava na Europa, estávamos em Estocolmo, e ele diz-me: Pai, tenho de ir dar uma volta! E eu respondo: Está bem, mas eu vou caminhar atrás de ti. Não queria deixá-lo sozinho, queria manter um olho nele. Quando percebi que ele estava a fazer um blog. Todos os dias ele publicava qualquer coisa para todos os amigos verem e todos os amigos faziam o mesmo. Estavam todos em sítios diferentes do mundo e estavam a partilhar toda aquela informação. Acho isso formidável. E, se no final decidirem fazer um filme com os melhores momentos das filmagens que fizeram, muito bem. Se não fizerem nada com aquilo, muito bem na mesma. Há muitas situações deste género que vão emergindo. E é isso que os adultos receiam. Agora, os miúdos têm muito mais poder!

E: Em Portugal, as crianças do 1.º ciclo podem aprender programação. É mesmo necessário que aprendam a programar, se a maioria não vai ser programador?
MP: Todas as crianças aprendem Matemática e a maioria não vai ser matemático. Existem coisas que é bom aprender. Ensinar sobre programação não é tanto ensinar a programar, é mais treinar o cérebro a pensar de uma certa maneira. Claro, existem muitas outras formas de fazer isso. Por exemplo, através do ensino das artes. Mas é sempre bom deixar o nosso cérebro trilhar outros caminhos. 

E: Programar será mais uma área que as crianças podem aprender como a Matemática ou a Leitura?
MP: Podem e devem aprender, porque é uma das áreas para o futuro. Pode-se argumentar que também era bom ensinar os alunos a navegar no mar guiando-se pelas estrelas. Seria bom mas não seria importante para o futuro, as crianças não vão precisar de saber isso. 

E: O foco do ensino deve ser o futuro?
MP: Sim. Temos de pensar cuidadosamente sobre o que queremos manter do passado. Algumas coisas serão para manter, mas não todas! Podemos querer continuar a ensinar Shakespeare, mas existem muitos outros escritores que já não vale a pena estudar. 

E: Será mais difícil fazer essa seleção do que manter e descartar?
MP: Não será assim tão difícil, se as pessoas quiserem mesmo fazê-la.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

“A educação não pode estar sujeita a períodos legislativos”


A comunidade educativa há muito que pede um “acordo supra partidário”, entre os partidos que mais alternam na governação, para criar a estabilidade necessária que professores e educadores asseguram ser vital no sistema educativo português. O último apelo para que a educação seja objeto de um debate com vista ao estabelecimento de “pacto de estabilidade” surgiu este sábado, proferido por Vasco Teixeira, administrador do Grupo Porto Editora. “Um pacto que permita definir políticas educativas de médio-longo prazo, que reflitam uma visão estratégica para o país, para o futuro das novas gerações, para uma sociedade mais desenvolvida e equilibrada.”

Sem esquecer a importância da diversidade ideológica partidária, Vasco Teixeira defendeu durante o lançamento do livro Salvar o SNS da autoria de António Arnaud e de João Semedo, que “a educação não pode estar sujeita a períodos legislativos, em que cada novo ministro altera os currículos e os programas”. E lembrou que o “incompreensível” e “permanente estado de instabilidade” em que vivem todos os agentes educativo, também atinge os editores e que o “prejuízo que daí advém para o desenvolvimento do país é incalculável”.

“Este pacto é tanto ou mais urgente porquanto testemunhamos o aprofundar de desigualdades de oportunidades nas aprendizagens que poderão prejudicar precisamente os que mais apoio merecem por parte do Estado. Uma desigualdade que se adivinha ainda mais gritante quando se equaciona a introdução do digital.”

Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), lembrou ao EDUCARE.PT que o movimento que representa “há muito” que pede um compromisso nas principais diretrizes do sistema educacional. No entanto, constata: “A maior parte das medidas educativas, ao longo de todos os governos, as grandes reformas curriculares, a reorganização da rede de escolas, não têm tido uma maioria parlamentar que, independentemente de se alterar o espetro partidário possam manter sustentáveis essas políticas nacionais.”

A realidade difere consoante o lugar que os partidos ocupam na Assembleia da República. “Quem está no poder, com responsabilidades governativas, acha sempre interessante que haja esse compromisso, quando está na Oposição já não acha”, reflete Jorge Ascenção.

Em dez anos, 40 reformas
Em março de 2017, o blog ComRegras, especializado no lançamento de inquéritos aos professores e com mais de 24 mil subscritores, perguntava: “Concorda com um pacto de estabilidade para a Educação entre os diferentes partidos políticos?”, de 1317 respostas, 67% diziam que sim, 12%, que não e para 21%, era indiferente.

Divulgado na mesma altura, um estudo do Conselho Nacional da Educação (CNE) mostrava que nos últimos dez anos houve 40 reformas curriculares no Ensino Básico e Secundário. O que mudou? Desde 2006, sucessivos governos alteraram os programas das disciplinas, metas curriculares, mas também nos tempos das aulas e a avaliação dos alunos. É o que se lia no relatório técnico do CNE que acompanhava o projeto de parecer deste órgão consultivo do Ministério da Educação sobre o “Perfil do Aluno no final da escolaridade obrigatória”.

Relativamente à mudança nos programas das disciplinas, o blogger Paulo Guinote, professor e doutorado em História da Educação, comentava ao jornal i que no caso do Português e da Matemática os programas e metas mudaram sempre cada vez que mudaram os ciclos políticos. No mesmo artigo, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, mostrava-se descontente: “Esta instabilidade constante não é boa para o sistema.”

As constantes reformas no ensino português são há muito objeto de contestação, por várias instituições e associações do setor da educação. São conhecidos os vários apelos a um “pacto alargado” entre os partidos em alternância no poder, de modo que reformas de fundo no ensino se mantenham em vigor além do prazo de uma legislatura.

Em declarações ao EDUCARE.PT, José Eduardo Lemos, presidente do Conselho das Escolas (CE), diz que “há muitas pessoas a pedirem consensos e pactos educativos e muito poucas a trabalharem para os alcançar”. “Até já vi algumas das que exigem consensos e pactos educativos a aplaudir as mudanças que os novos governos implementam nos primeiros dias de exercício do poder”, critica.

Ainda assim, o presidente do CE também reconhece que já existem exemplos de grandes consensos suprapartidários, fala na Constituição e na Lei de Bases do Sistema Educativo. “A questão que talvez se comece a colocar hoje é a de saber se as atuais Constituição e Lei de Bases ainda mantêm o consenso que granjearam aquando da respetiva aprovação. Talvez não, todavia também não vejo formarem-se outros consensos que sejam suficientes para as alterar.”

Autonomia para superar instabilidade
Ignoradas as críticas do CNE, expressas no relatório técnico sobre o “Perfil do Aluno” onde o Governo acabou por fixar as competências-chave que os estudantes devem dominar no final do 12.º ano, lembravam que as reformas curriculares foram “sucessivamente inscritas em regulamentação”, muitas vezes “condicionada” por razões financeiras, ideológicas ou contingentes. O CNE alertava ainda para uma nova reforma que então se afigurava. A que Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, batizava de “flexibilização curricular”, mas que para os peritos do CNE era vista como “necessariamente associada a uma revisão curricular”, lia-se no documento.

Contra a instabilidade das políticas, os diretores das escolas pediam mais autonomia. “Deem espaço à educação para que as escolas possam fazer o seu trabalho sem entraves. Exijam-nos mais, sim, mas deem-nos mais autonomia e mais estabilidade”, foi o apelo que se ouviu pela voz de Manuel António Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), num encontro nacional entre as principais associações de escolas públicas e privadas em novembro de 2017. A mensagem teve como destinatário não só o atual como os futuros ministros da Educação.

O primeiro Congresso das Escolas – A Pedagogia da Educação, realizado na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, terminava com o reforçar de posições das escolas para exigirem compromissos de futuro. "As escolas transformaram-se em espaços com muito valor acrescentado, com muita competência. Já não temos um Ministério da Educação que sabe tudo e que diz às escolas o que devem fazer", dizia António Sarmento, presidente da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), em declarações ao Diário de Notícias. “Por isso, entendemos que mais do que ninguém, seria interessante pôr professores, diretores a refletirem em conjunto sobre a escola que queremos e a forma de a pôr em prática."

Lembrando que a educação é palco de frequentes “clivagens ideológicas” entre governos de esquerda e de direita, António Sarmento defendia a autonomia como forma de superar essa instabilidade no setor: “As escolas têm uma palavra a dizer em termos de estabilidade. Temos a experiência. E cada escola deve ter a autonomia de que precisa para se adaptar à sua realidade. Precisamos de autonomia e de variedade.”

Consenso para alterar a LBSE
Do lado dos partidos, também se reconhece a necessidade de fazer perdurar algumas políticas educativas. Em setembro de 2016, o CDS pedia um pacto de estabilidade na educação para seis anos. A ideia dos centristas seria aplicar as mesmas medidas durante ciclos de seis anos, garantindo deste modo a estabilidade num setor em que, dizia a deputada Ana Rita Bessa, em declarações ao jornal i, “cada vez que muda um ministro mudam todas as políticas”.

Um pacto de estabilidade “é necessário e é maior que a vontade dos partidos políticos”, defendia a deputada, acrescentando que “a queixa mais forte” ouvida nas escolas dizia respeito às constantes alterações. Mas esta foi apelas uma das sugestões entregues pelo CDS no Parlamento, num conjunto de propostas para a revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo.

Em vigor há 30 anos, a revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo tem sido muitas vezes apresentada como urgente e necessária. No entanto, várias vozes sindicais e de associações do setor têm alertado que qualquer alteração implicaria, precisamente, um consenso alargado entre as forças partidárias. Que não existe.

Mudanças só com “uma base sólida de consenso", reforçava, em outubro de 2016, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira. Numa declaração à imprensa, em resposta à proposta de alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo do CDS-PP rejeitada nesse mês pelo Parlamento, o dirigente sindical admitia, no entanto, que as novas realidades da educação e formação pudessem justificar alterações à lei que orienta as políticas de educação. Mas nunca antes “de uma avaliação séria e profunda das potencialidades da que ainda vigora, mas também dos seus constrangimentos e das necessidades de adaptação” à realidade das escolas. A discussão em torno do esperado consenso para as alterações segue ainda sem fim à vista.

Marcelo Rebelo de Sousa juntava a sua voz a tantas outras e pedia também uma “aproximação de pontos de vista entre partidos políticos e parceiros sociais no domínio educativo”, no discurso durante a sessão solene de abertura do ano letivo de 2016/2017 no Conselho Nacional de Educação (CNE), em Lisboa. Lembrando a dificuldade em estabelecer um pacto de regime sobre as políticas educativas, o presidente da República apelava a um mínimo de estabilidade e diálogo institucional e à valorização de instituições como o CNE, um órgão independente, com funções consultivas, “onde se encontram todos para poderem dialogar”.

“Na dificuldade de se caminhar para um natural acordo de regime na educação, ao menos que se valorize quem pode, fora dos calores da luta parlamentar ou das solidões governativas, aplanar obstáculos, promover pontes, proporcionar entendimentos.”  No seu discurso, o Presidente da República dizia ainda que as mudanças na educação devem ser feitas "com o mínimo de estabilidade e previsibilidade no sistema" e criticou os governos e maiorias que chegam ao poder e querem "num ápice rever ou reformar tudo o que se lhes afigure contradizer posturas doutrinárias ou promessas eleitorais, a maior das vezes sem avaliação prévia dos regimes vigentes".

“Há espaço de enorme consenso”, diz Costa
Em junho de 2016 era a vez do Primeiro-Ministro, António Costa, defender que “em matéria de educação há um espaço de enorme consenso quanto aos objetivos principais”. Objetivos esses, explicou, que seriam “tornar o pré-escolar universal para todas as crianças, entre os 3 e os 5 anos; garantir o retomar da educação de adultos e a formação ao longo da vida como algo de essencial para enfrentarmos e vencermos o desemprego de longa duração, para conseguirmos alcançar as metas de redução do abandono escolar precoce no Ensino Secundário”. Reagindo aos apelos a mais consensos por parte do Presidente da República, António Costa dizia ser preciso dar tempo ao partido de Pedro Passos Coelho. “É preciso dar tempo e respeitar as diferenças dos outros. Temos que conseguir ir superando e vencendo essas diferenças”, apelava o primeiro-ministro durante uma deslocação a França.

Mas para Jorge Ascenção, não se trata apenas de uma questão de “dar tempo”. “Não há confiança partidária para assumir um acordo de regime na educação”, lamenta, em declarações ao EDUCARE.PT. Se houvesse, acrescenta, “com tantas pessoas a passar pelas funções governativas, como investigadores com experiência na educação e funções docentes no Ensino Superior, já se teriam posto em prática as melhores políticas para o setor”. E assim, conclui, “vamos percebendo que outros interesses se vão opondo ao principal”.

Reconhecida a necessidade de que as principais políticas subsistam à mudança de governos, resta a questão: Porque não se atinge tal objetivo? José Eduardo Lemos, presidente do Conselho das Escolas, avança com outra explicação: “Desde 2011, a agenda política tem estado preenchida com problemas mais prementes que os problemas educativos.” “Têm sido outras as preocupações dos governos e da própria população, pelo que também não é de admirar que não tenham surgido condições políticas e sociais geradoras de ambiente propício à discussão de ideias e à procura de consensos nestas matérias”, conclui.

Informação retirada daqui

sábado, 4 de novembro de 2017

Marcelo alerta contra "situação cinzenta" na descentralização de competências educativas


O Presidente da República pediu hoje que o processo de descentralização de competências educativas seja feito com clareza na definição de princípios e recursos, para evitar equívocos e não se criar uma "situação cinzenta".
"Sem uma definição que, por um lado, fique clara à partida e, por outro lado, seja reajustável em função de um processo avaliativo constante, entraremos numa situação cinzenta em que a bondade da descentralização, que é indiscutível, será ultrapassada pelos efeitos negativos de decisões precipitadas ou de posições prematuras", alertou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava no encerramento do 1.º Congresso das Escolas, que juntou dirigentes do ensino público, do ensino particular e cooperativo e do ensino profissional, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Numa intervenção de perto de quarenta minutos, o Presidente da República considerou que "os processos de transferência e delegação de competências exigem definição clara de objetivos e a instituição de mecanismos de acompanhamento e de avaliação de resultados, sob pena de perderem sentido e eficácia".

"Sendo um pouco mais explícito, a descentralização - digo-o com a experiência de quem dirigiu já estabelecimentos de ensino, e de quem foi ao longo da vida várias vezes autarca - supõe princípios muito claros, definição consensual em matéria de transferência de atribuições e de fixação de competências, e também idêntica clareza quanto aos recursos envolvidos", prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Segundo o chefe de Estado, é preciso assegurar "que não haja equívocos que significam uns alijarem responsabilidade para outros não poderem cumprir aquilo que se lhes é exigido à míngua de recursos para o efeito".

Informação retirada daqui

sábado, 11 de março de 2017

Comissão Mista – RAEM: II Reunião da Subcomissão da Língua Portuguesa e Educação


Nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2017, ocorreu, em Lisboa, a II Reunião da Subcomissão da Língua Portuguesa e Educação entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), criada no âmbito da Comissão Mista Portugal – RAEM, com a seguinte ordem de trabalhos: i) Cooperação nas áreas do Ensino e da Investigação ao nível do ensino superior e não superior; ii) Reconhecimento de habilitações e graus e iii) Língua Portuguesa.

Em representação desta Direção-Geral esteve presente a Dr.ª Paula Teixeira, Diretora de Serviços do Ensino e das Escolas Portuguesas no Estrangeiro.

Esta subcomissão, que se constitui como um fórum privilegiado de debate e consulta, reiterou o propósito de aprofundar a cooperação, reconhecendo a sua importância no contexto das relações bilaterais e as vantagens mútuas que dela decorrem para as instituições e para os cidadãos de Portugal e da RAEM.

Informação retirada daqui

sábado, 17 de setembro de 2016

Egas Moniz: 60 anos do Nobel assinalados por especialistas

Neurocientistas, neurocirurgiões e historiadores juntam-se amanhã em Coimbra para debater o que significam actualmente as descobertas de Egas Moniz, que recebeu o Prémio Nobel da Medicina há 60 anos.

O colóquio "Egas Moniz. 60 anos do Nobel", iniciativa do Centro de Neurociências e Biologia Celular do Museu da Universidade de Coimbra e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, procura ajudar a conhecer e compreender a importância das descobertas de Egas Moniz, os meandros da sua investigação e ainda as consequências sociais da atribuição do Prémio Nobel.

Os oradores deste colóquio serão Catarina Resende de Oliveira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular, Alexandre Castro Caldas, da Universidade Católica Portuguesa, Miguel Castelo Branco, do IBILI, Fernando Gomes, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, e Manuel Correia, do Instituto Superior Técnico.

O colóquio vai decorrer no Museu da Ciência, das 10h00 às 18h00, sendo a entrada gratuita e a inscrição obrigatória.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ministro Nuno Crato provoca dano inqualificável no sistema educativo


O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, acusou hoje o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, de estar "alheado da realidade" e de estar a provocar "um dano inqualificável" no sistema educativo do país.
"Como brilhante matemático que é, Nuno Crato é mais um convertido ao Excel. Vive dos gráficos e está alheado da realidade. Está a provocar um dano inqualificável no nosso sistema educativo", criticou.

Segundo Zorrinho, "podem até os indicadores económicos abrandar a sua queda", mas "o desinvestimento no conhecimento empobrece de forma estrutural" o país.

"Jamais haverá recuperação séria da economia e da sociedade portuguesa sem investimento nas pessoas e nas suas competências", defendeu.

Ao discursar na sessão de abertura da Universidade de Verão do PS, em Évora, o líder do grupo parlamentar socialista dirigiu particular atenção ao ensino superior público, lembrando que, "neste momento, as universidades e os politécnicos lutam desesperadamente contra a sanha do Ministério das Finanças".

Este ministério, continuou, "pretende, imagine-se, limitar a capacidade" de as universidades e os politécnicos "se financiarem com receitas próprias", o que "põe em causa a autonomia universitária" e "mostra sobretudo uma escolha política".

"A escolha de asfixiar o ensino superior público, para deixar o ensino superior também nas mãos do mercado", frisou, questionando por "onde anda o ministro Nuno Crato" e ironizando, a esse propósito: "Eventualmente, no Festival do Crato [festival de música que começou hoje naquela vila alentejana]".

O Ministério da Educação tem demonstrado, "também neste domínio" do ensino superior, a "sua profunda insensibilidade" e, até agora, criticou Zorrinho, "não se ouviu ainda uma palavra do ministro Nuno Crato".

"As universidades, os professores, as famílias e, sobretudo, os alunos, não têm o ministro da Educação do seu lado", argumentou.

Na intervenção que proferiu em Évora, o líder parlamentar socialista lembrou também que a Universidade de Verão do partido marca a 'rentrée' política do PS, ou seja, "um começo" de um novo ano político, que "define uma estratégia".

"Nós acreditamos num novo rumo para Portugal", salientou, defendendo que "é à esquerda da crise", em sentido de projecto político, que o país encontrará "as soluções para a ultrapassar".

Isto porque, sublinhou, todos sabem que "à direita da crise só" se encontra "mais crise".

Zorrinho deixou ainda "recados" aos partidos à esquerda dos socialistas, afirmando que "é preciso ter lata" para os porta-vozes desses partidos insinuarem que "o PS é também responsável pelo desgoverno" do país.

"É preciso ter lata para insinuar isto, quando são porta-vozes das esquerdas de protesto que ajudaram a derrubar a nossa governação e estenderam a passadeira do poder ao Governo PSD/CDS-PP", criticou.

Lusa/SOL

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Câmara de Leiria invoca interesse público para violar Lei dos Compromissos


A Câmara de Leiria invocou esta segunda-feira interesse público para violar a Lei dos Compromissos de forma a garantir refeições, transportes, componente de apoio à família e actividades extracurriculares a milhares de crianças do pré-escolar e 1.º ciclo.
O vice-presidente da autarquia, Gonçalo Lopes, explicou às Lusa que "a decisão não foi tomada de ânimo leve", mas que teve o apoio de juristas e técnicos de educação, adiantando que os compromissos assumidos ascendem a 5,5 milhões de euros.
Os agrupamentos de escolas do concelho, associações de pais e juntas de freguesia já receberam na sexta-feira um ofício, no qual se assegura a contratação do serviço de fornecimento de 2675 refeições diárias para 26 jardins-de-infância e 25 escolas do 1.º Ciclo (792.181 euros) e a contratação de serviço de acompanhamento de refeições e componente de apoio à família do pré-escolar em cinco jardins-de-infância e três escolas do 1.º ciclo (145.393 euros).

O município assegura ainda a contratação de Transportes Escolares, que abrange 4914 crianças e alunos dos diferentes níveis de ensino (1.614.070 euros), de serviços de Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) para o ensino do Inglês, da Música, da Actividade Física e Desportiva, bem como outras actividades (1.007.069 euros).

Em comunicado, a autarquia indica que serão celebrados protocolos de colaboração com entidades parceiras para fornecimento de duas mil refeições escolares diárias (822.112 euros); para cedências de espaços para servir refeições (57.544 euros); para concretização da Componente de Apoio à Família, que abrange o fornecimento de 1122 refeições diárias e o acompanhamento nos prolongamentos de horário a 1113 alunos de 64 jardins-de-infância (894.384 euros) e protocolos de apoio ao funcionamento do programa das AEC (144.545 euros).

A 14 de Agosto, o presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro (PS), já frisara que não existiam condições para assegurar refeições escolares a 5933 crianças do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo, devido às exigências da Lei dos Compromissos.

Texto: Correio da Manhã

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Autarquia sem dinheiro para a educação


A Câmara do Bombarral não tem dinheiro para refeições, transportes e outras actividades das crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo devido à Lei dos Compromissos e acusa o Governo de não resolver o problema.

Nuno Mota, vereador da autarquia, garantiu ontem que em Julho reuniu com o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar e que "até agora" não obteve resposta.

"A menos de um mês do início do ano lectivo o município não lançou qualquer concurso para as refeições, transportes, actividades de enriquecimento curricular e componente de apoio à família, porque não tem fundo, à luz da Lei dos Compromissos", explica Nuno Mota.

O autarca reconhece que é uma "situação delicada" que "está a deixar apreensivos osencarregados de educação", frisando que o Governo deve 300 mil euros à autarquia.

Texto: L.O.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Governo deve poupar 380 milhões na Educação

A redução de custos na Educação, com o objectivo de poupar 380 milhões de euros, racionalizando a rede escolar e criando agrupamentos, diminuindo ao mesmo tempo as necessidades de pessoal, estão nas metas do memorando revisto da troika. Na primeira revisão, este valor era de 195 milhões de euros.
O documento aponta para uma centralização da oferta, redução e racionalização das transferências para as escolas privadas com contratos de associação e uma maior utilização de fundos comunitários para financiar actividades na área da Educação.
O texto aponta que o Governo vai continuar a trabalhar para combater a baixa escolaridade e o abandono escolar precoce, melhorando a qualidade do ensino secundário, a via vocacional e a formação, com vista a aumentar a eficiência no sector, a qualidade do capital humano e a entrada no mercado de trabalho.
Para estes objectivos, o Governo vai estabelecer um sistema de análise, monitorização, avaliação e informação para apurar a evolução dos resultados e impactos das políticas de educação e formação, nomeadamente os planos já existentes.
As acções para melhorar a qualidade do ensino passam por generalizar acordos de confiança entre o Governo e as escolas públicas, no sentido de uma ampla autonomia, um quadro de financiamento simples, baseado em critérios de desempenho, evolução e prestação de contas.
Preconiza-se também para as escolas profissionais e particulares com contratos de associação um quadro claro de financiamento fixo por turma e mais incentivos ligados ao desempenho. O reforço do papel de supervisão da Inspecção-Geral está igualmente previsto.
O Governo deve ainda apresentar um plano de acção destinado a assegurar a qualidade, atractividade e relevância da educação no mercado de trabalho e formação profissional, através de parcerias com 60 empresas ou outros parceiros interessados.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Operação 10 Milhões de Estrelas




Operação 10 Milhões de Estrelas – Um Gesto Pela Paz 2011

Seja Portador da Luz e Mensageiro da Justiça,
da Solidariedade e da Paz.


Apoie a Operação 10 Milhões de Estrelas - Um Gesto Pela Paz 2011 da Cáritas Portuguesa.


“10 Milhões de Estrelas- Um Gesto Pela Paz” teve a sua origem em Annecy (França) em 1984, durante o tempo do Advento. Em 1991, a campanha tornou-se nacional e passou para o período do Natal.

No ano de 2002, “10 Milhões de Estrelas” atinge dimensão europeia quando cerca de 60 Cáritas, por toda a Europa, levam por diante acções conjuntas de iluminação de diversos espaços públicos.

Em 2003, a operação ganha expressão mundial, dando visibilidade ao empenho da rede Cáritas a favor da paz e da solidariedade. Portugal adere pela primeira vez.


Em 2011, pelo nono ano consecutivo, a Cáritas Portuguesa organiza, em parceria com todas as Cáritas Diocesanas de Portugal Continental, Madeira e Açores, a Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz' e, contrariando uma visão meramente consumista do Natal, quer relembrar o seu verdadeiro sentido. O nascimento de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz.

Com esta operação, a Cáritas, quer motivar cada português a adquirir uma vela que, quando acesa, quer em manifestações públicas, em cada uma das Dioceses de Portugal, quer na noite de 24 de Dezembro, por iniciativa de cada pessoa ou família, simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz.

Cada vela da Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” , constitui um sinal e o meio, através do qual prestamos a nossa ajuda àqueles que mais precisam.

O preço de cada vela é de 1 euro. Sendo que existe um pack com 4 velas de cores distintas para quem desejar e ao preço de 4 euros.

A venda das velas está a ser efectuada pelas Cáritas Diocesanas em vários locais identificados.

A Cáritas conseguiu a autorização do Ministério da Educação para a venda das velas nas escolas, sendo que são os professores de Educação Moral e Religiosa Católica que estão com essa responsabilidade.

Este ano conta também com a parceria do PINGO DOCE que tem à venda as velas, revertendo a totalidade das vendas para a Cáritas Portuguesa.

Só unidos e com gestos concretos teremos capacidade para nos opormos à violência, à injustiça e à exclusão.

Dos lucros obtidos com esta campanha, 65% reverterão para cada uma das Cáritas Diocesanas, sendo canalizados para projectos destinados a apoiar as famílias portuguesas em situação de carência. Os restantes 35% reverterão para a Cáritas Portuguesa e destinam-se a apoiar as vítimas dos conflitos na Somália.


VAMOS, JUNTOS, ACENDER UMA VELA, SÍMBOLO DO NOSSO
DESEJO DE JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE E PAZ PARA O MUNDO


Colabore com a Cáritas Portuguesa e, no dia 24 de Dezembro, acenda uma vela pela PAZ.

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