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terça-feira, 8 de julho de 2008

Cábulas nas calculadoras dos alunos sem controlo


Uma falha nas regras sobre utilização de calculadoras permite aos alunos do secundário levarem para os exames de Matemática e Física e Química todos os 'auxiliares de memória' que considerem necessários, como fórmulas que não constem dos enunciados e até descrições "passo a passo" de como resolver diferentes problemas.

Os recursos são diversos: desde activar a função alfanumérica, presente na generalidade das calculadoras gráficas autorizadas pelo Ministério da Educação, e escrever as cábulas desejadas para consulta posterior, às páginas da internet que fornecem formulários e pistas em formatos já adaptados às calculadoras mais populares, da Casio e da Texas Instruments.

Longe de ser um segredo bem guardado, verificou o DN, o método é conhecido por alunos e professores, e tolerado como normal. Para o impedir, seria aliás necessário eliminar das calculadoras a informação para lá descarregada, algo que o próprio Ministério proíbe: "Aos alunos é permitida a utilização de todas as potencialidades da máquina, não sendo por isso permitida qualquer intervenção no sentido de fazer reset à mesma", diz um ofício de Janeiro da Direcção-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular e do Júri Nacional de Exames.

"Habitualmente, o que os professores fazem no início das provas é verificar se as calculadoras estão na lista permitida. E mesmo que não estejam os alunos podem usá-las, desde que assinem um documento assumindo esse facto", explicou ao DN Teresa Caissotti, da Sociedade Portuguesa de Matemática. "Verificar os conteúdos das máquinas, mesmo que fosse permitido, seria fisicamente impossível, porque estamos a falar de centenas de alunos, que chegam aos exames 15 minutos antes".

Para esta professora, não há dúvida de que estamos a falar de "auxiliares de memória" e que, objectivamente pode haver "desigualdade" entre os alunos nas provas , em função do volume de informação descarregado para as calculadoras. No entanto, é "discutível" que se possa considerar estarmos perante uma forma de maus alunos chegarem às respostas certas: "A matemática não se presta muito a isso", diz. "Não basta consultar uma fórmula para se conseguir resolver o problema".

Mas, sendo assim, poderá questionar-se porque se dá o Ministério ao trabalho de dizer que as calculadoras não podem ter funcionalidades como o "cálculo simbólico (CAS)" ou "teclado QWERTY" (aquele que é utilizado nos computadores), quando essas limitações são facilmente contornadas pelos estudantes.

A verdade é que até os próprios alunos parecem ter dúvidas: "Recebemos muitos e-mails de estudantes a perguntar se isto é mesmo assim. Se podem fazer isto", disse ao DN Bruno Teixeira, da Aexames, uma associação que gere um site dedicado a estudantes do secundário e do superior.

O DN contactou o Ministério da Educação, solicitando uma posição sobre esta situação, mas não obteve resposta em tempo útil.

PEDRO SOUSA TAVARES E RITA CARVALHO
GONÇALO BORGES DIAS

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Perfil dos estudantes à entrada do Secundário

O Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES) elaborou o relatório Estudantes à Entrada do Nível Secundário de Ensino, que pretende traçar o perfil dos alunos que frequentam o ensino secundário.

Este estudo contou com a colaboração de 11 estabelecimentos de ensino e a participação de 1806 alunos do 10.º ano ou equivalente, através de um questionário on-line.

As vertentes de análise dos dados recolhidos incidem sobre questões como os perfis sociais dos públicos do ensino secundário, os seus trajectos e as expectativas escolares.

O relatório apresenta um conjunto de resultados que, embora não sejam representativos da realidade do ensino secundário em Portugal, interessa revelar.

Assim, o estudo revela que uma grande parte dos alunos que chegam ao secundário advém de estratos socioeconómicos onde as habilitações escolares são iguais ou superiores ao ensino secundário, nomeadamente, os estudantes que seguem cursos científico-humanísticos ou de ensino artístico especializado (Artes Visuais e Audiovisuais).

As disciplinas com maior dificuldade de aprendizagem são a Matemática e a língua estrangeira, sendo que o sexo feminino tem um desempenho escolar ligeiramente superior ao sexo masculino.

A escolha da escola tende estar associada à escolha do curso, ao prestígio da escola e à proximidade de casa.

A razão mais apontada para a mudança de escola é a inexistência do curso pretendido no estabelecimento de ensino inicial, enquanto o motivo apresentado para a mudança de curso se prende com as dificuldades sentidas durante a leccionação do curso ou a inadequabilidade do mesmo à profissão pretendida.

Uma percentagem bastante significativa dos estudantes planeia prosseguir os estudos depois do ensino secundário, independentemente do tipo de certificação do curso que frequentam, sendo que estas expectativas são mais frequentes entre os alunos dos cursos científico-humanísticos do que entre os alunos dos cursos profissionalmente qualificantes que tendem a atribuir maior valor à qualidade da inserção no mercado de trabalho proporcionada pela obtenção deste grau de ensino.

Após o período experimental, entrou em curso o processo de generalização a todos os estabelecimentos com ensino secundário do questionário Estudantes à Entrada do Nível Secundário de Ensino, encontrando-se na recta final um processo de inquirição que envolve milhares de alunos, centenas de escolas e de professores que aceitaram participar nesta iniciativa.

O OTES é um dispositivo de recolha e análise de informação sobre os trajectos dos estudantes do ensino secundário, constituído em 2006 no Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), que tem por objectivo produzir informação de apoio à tomada de decisão de diferentes agentes educativos (Ministério da Educação, escolas, direcções regionais de educação, autarquias, associações de pais e outros organismos), contribuindo para um maior enriquecimento das práticas de monitorização e avaliação deste subsistema de ensino.

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Número de alunos a aprender Latim diminuiu 80%

O número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento nos últimos dois anos lectivos. Perante os números, professores e investigadores temem o desaparecimento de uma disciplina que desenvolve o raciocínio e facilita a aprendizagem de todas as línguas.
Este ano estão inscritos para realizar o exame nacional de Latim 313 alunos. Em 2006 eram 1651. Em todo o país, só quatro por cento das escolas secundárias oferece aos estudantes a possibilidade de aprender a disciplina conhecida como a Matemática das Letras.

«O ensino das Humanidades está cada vez mais desvalorizado e o caso do Latim, em vias de desaparecimento, reflecte esse problema. O discurso político passa a ideia de que letras são tretas e o que é preciso são as tecnologias e as ciências exactas», lamenta Paula Dias, investigadora do Instituto de Estudos Clássicos, da Universidade de Coimbra.

O problema, assegura, é quase exclusivamente português. Em Espanha e França, por exemplo, não tem havido redução do número de estudantes a aprender os clássicos e em países como a Inglaterra e a Alemanha, cujos idiomas nem sequer têm origem latina, o ensino «tem sido muito divulgado e incentivado pelo Estado».

Os dados do Reino Unido não deixam dúvidas: entre 2004 e 2007 mais do que duplicou o número de secundárias a leccionar a disciplina e há mesmo 2500 escolas do primeiro ciclo que dão às crianças introdução ao Latim para as ajudar na aprendizagem da gramática inglesa.

«Nós andamos sempre ao contrário dos outros. Lá fora percebem a importância do ensino da cultura clássica. Cá, os nossos governantes acham que só as tecnologias são importantes», corrobora Isaltina Martins, presidente da Associação de Professores de Latim e Grego (APLG). Já o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, entende que o problema não está nas políticas educativas, mas nos estudantes, que simplesmente «não estão interessados».

«Temos professores para ensinar Latim, mas não há procura. O problema existe nas línguas clássicas no geral e até em algumas línguas modernas. Tem a ver com as expectativas e os interesses das famílias», explica.

Para a investigadora do Instituto de Estudos Clássicos, o desinteresse só revela «a falta de apreço geral dos portugueses pelo seu património cultural e literário».

Paula Dias lamenta que o Ministério da Educação não tente combater esta realidade, promovendo o ensino de Latim, e questiona: «Como podem os alunos escolher o que não conhecem?».

Talvez muitos optassem de forma diferente, afirma, se soubessem que a disciplina «facilita imenso a aprendizagem de todas as línguas, por ser matriz de muitos idiomas, ajudando a compreender melhor a etimologia e o vocabulário».

Mas as vantagens não são apenas ao nível das línguas e do conhecimento da história e cultura clássica, em que se baseia a Europa. Os especialistas garantem que o Latim é uma «verdadeira ginástica mental, como a Matemática», desenvolvendo o raciocínio lógico, a memorização e a capacidade de concentração.

Por isso, o Scholastic Achievemente Test, uma prova de aferição realizada em 2007 nos Estados Unidos da América, concluiu que os alunos que estudaram a disciplina «tiveram notas mais altas ao nível das competências linguísticas e também em exercícios de raciocínio», revela a professora Isaltina Martins.

Apesar disso, para muitos estudantes portugueses o Latim ainda é apenas sinónimo de aulas difíceis e sem utilidade prática, implicando «competências habitualmente definidas como chatas, como a memorização».

Diário Digital / Lusa

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Portuguesa premiada por "apanhar" estrelas

Uma estudante portuguesa do 12º ano e a sua professora da área de projecto foram distinguidas com o segundo prémio de um concurso internacional, na área da astronomia - "Catch a Star".

A competição internacional é organizada anualmente pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) e pela Associação Europeia para a Educação em Astronomia e destina-se a motivar os jovens para esta área científica.

Andreia Nascimento e a sua professora Leonor Cabral, da Escola Secundária da Cidadela de Cascais, foram informadas há pouco mais de uma semana pela instituição internacional da distinção do seu trabalho.

Mas, afinal, em que consistiu o projecto da jovem portuguesa? Simples: na observação, através de dados do Telescópio Faulkes, situado no Havai, de enxames de estrelas abertos em redor de estrelas tipo O. Estas são muito jovens e brilhantes. Segundo Andreia Nascimento, de 19 anos e a frequentar o 12º ano da área de ciências e tecnologia, "por essas estrelas serem jovens há a possibilidade de estarem no enxame aberto que lhes deu origem; e por serem muito brilhantes, é bastante difícil estudar o que está à volta delas". Andreia já concorre desde o 7º ano ao "Catch a Star".

Em 2007 viu o trabalho que apresentou merecer referências de mérito. Alguns outros alunos têm também participado em projectos enquadrados pela professora Leonor Cabral, cuja formação é precisamente na área das ciências físico-químicas.

Há três anos, os alunos receberam como prémio a visita de um astrónomo do Observatório Europeu do Sul, que a Europa mantém no deserto do Paranal, no Chile. A estudante agora distinguida não decidiu ainda qual o curso a seguir - talvez Engenharia de Reabilitação e Acessibilidades Humanas, diz ao JN. Na astronomia, o que a seduz realmente "é descobrir coisas novas sobre o Universo", remata a premiada.

terça-feira, 3 de junho de 2008

I Fórum Estudante em Braga


Os alunos do 3.º ciclo e do secundário são chamados a pronunciar-se sobre o actual estado do sistema educativo.

A cidade de Braga acolhe na próxima quarta-feira o I Fórum Estudante. Organizado pelo investigador José Precioso, do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, o encontro pretende "dar voz aos alunos e auscultar as suas sugestões".

Baseando-se nas estatísticas sobre o insucesso escolar no 3.º ciclo e secundário, José Precioso defende que "grande parte da responsabilidade por este estado de coisas é do Ministério da Educação". No passado ano lectivo, a percentagem de reprovações no 3.º ciclo foi de 21%. O investigador acredita que este "é um fenómeno em expansão".

Pôr os alunos a dar a opinião sobre o actual estado do ensino, propondo soluções concretas para o melhorar, é o objectivo do I Fórum Estudante, que se realizará no Instituto Português da Juventude, em Braga. No encontro, serão apresentados alguns dados sobre as questões relacionadas com o insucesso escolar, que servirão de ponto de partida para a discussão entre os alunos.

Baseando-se na experiência colhida junto de associações de professores e investigadores na área, José Precioso faz o diagnóstico e avança com uma série de propostas para baixar a taxa de insucesso. São vários os factores que o investigador aponta como causas para o insucesso: elevada quantidade de disciplinas, excesso da carga horária, peso de conteúdos relacionados com a memorização, falta de relação entre os conteúdos e a vida, provas de avaliação mal elaboradas.

Por isso, José Precisoso sugere, entre outras medidas, o fim dos exames do 9.º ano, uma aposta nos trabalhos práticos e a redução do número de disciplinas.

Os alunos são chamados a pronunciar-se sobre esta abordagem, numa reunião cujas conclusões serão endereçadas ao Ministério da Educação

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cursos profissionais aumentam 60 por cento das vagas no 10º ano em 2008/2009

O Governo espera ter no próximo ano lectivo 80 mil estudantes a frequentar os cursos profissionais no ensino secundário, aumentando em 18 mil o número de vagas no 10º ano, o que significa um crescimento de quase 60 por cento.

Num encontro com jornalistas, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues revelou hoje que as escolas profissionais, públicas e particulares com contrato de associação vão abrir em 2008/09 48672 vagas no 10º ano para estes cursos, mais 18036 do que no presente ano, o que representa uma taxa de crecimento na ordem dos 58,9 por cento.

"Serão mais de 48 mil alunos a entrar no 10º ano para os cursos profissionais, portanto mais 18 mil lugares do que este ano. Cumpre-se assim a meta de que metade dos alunos à entrada do secundário optam pelos cursos profissionais ou vocacionais", congratulou-se a ministra.

Publico

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Câmara de Évora Promove Trabalhos de Alunos do Secundário em “Montra Jovem”

A Câmara Municipal de Évora, numa iniciativa a que chamou “Montra Jovem”, vai promover, nos próximos dias 31 de Maio e 1 de Junho, uma mostra de trabalhos dos alunos das escolas secundárias do concelho, por estes realizados no âmbito da disciplina de Área Projecto.
A “Montra Jovem” é um evento justificado pela elevada qualidade destes trabalhos e pela intenção da Câmara Municipal de Évora em dar continuidade aos seus compromissos, assumidos na condição de Cidade Educadora e enquanto Autarquia empenhada na prossecução de uma estratégia activa para a juventude.

Ao todo vão estar representados na “Montra Jovem” 23 projectos e vão estar envolvidos cerca de 250 alunos, das escolas secundárias André de Gouveia, Gabriel Pereira e Severim de Faria.
No dia 31 de Maio, o Peddy Paper “Évora Cultural”, que começa às 10h00 na Praça do Giraldo e termina no Palácio de D. Manuel, abre a “Montra Jovem” e, nesse mesmo dia, também no Palácio de D. Manuel, e a partir das 10h00, vão decorrer vários jogos, workshops, colóquios e projecções de filmes. Estas actividades têm por base temas tão variados como a segurança pública, a criação de empresas ou a marginalidade juvenil.
Entre as 11h30 e as 13h00, do dia 31 de Maio, realiza-se a “Feira da Imagem e Som”, que é dedicada à fotografia e à guitarra eléctrica, e às 19h00 é passado um filme, resultante de um projecto cinematográfico. A noite deste dia é preenchida com dois desfiles de moda, o primeiro tem lugar às 21h30 e intitula-se “A natureza da Moda” e o segundo, que começa às 22h30, chama-se “Flores Guloseimas Pássaros e Rendas”.

No domingo, dia 1 Junho, o Palácio de D. Manuel volta a abrir as portas da “Montra Jovem”, às 10h00, com a “1.ª Mostra de Teatro Escolar”, que leva a palco várias peças de teatro; às 14h30 segue-se a apresentação dos projectos do concurso nacional “Cidades Criativas”: Futur Évora, Idosos@tecnologia e Évora Liberalitas Julia. À noite, a partir das 21h30 o teatro volta à cena, desta vez no Teatro Garcia de Resende, com as peças “Histórias do Valentim”, pelo grupo “Gatapum” da Escola Secundária André de Gouveia, e “Aldeia da Roupa Branca”, pelo grupo “Temporal” da Escola Secundária Gabriel Pereira.

Em ambos os dias, 31 de Maio e 1 de Junho, a “Montra Jovem” tem patentes, no Palácio de D. Manuel, exposições permanentes de vários projectos de alunos do secundário, sobre temas tão diversos como a enologia e os vinhos do Alentejo, o turismo na Região de Évora, o voluntariado e a solidariedade, a saúde no mundo, ou o design gráfico nos objectos do quotidiano.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Fórum Qualificação 2008: Escolhas com Futuro

O Fórum Qualificação 2008: Escolhas com Futuro, organizado no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades, destina-se preferencialmente aos jovens que estão a concluir o 9.º ano e decorre no Centro de Congressos de Lisboa, nos dias 4, 5 e 6 de Junho.

Destinado preferencialmente aos jovens que estão a concluir o 9.º ano de escolaridade e a todos os que pretendam redireccionar o seu percurso escolar, este fórum consiste numa grande mostra de cursos de dupla certificação (escolar e profissional), de cariz eminentemente interactivo.



Durante os dias 4, 5 e 6 de Junho, os jovens de todo o país que pretendam encontrar um curso profissionalizante à sua medida vão poder experimentar, no Pavilhão do Rio do Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL), o que é ser-se um profissional qualificado.



Assim, todas as mostras são asseguradas por jovens que optaram em anos lectivos anteriores por cursos profissionalizantes.



Para além da mostra, o evento integra muita animação, proporcionada igualmente pelos alunos que, de uma forma lúdica, irão revelar as competências adquiridas nestes cursos.



De acordo com a arquitectura do evento, o mesmo é apresentado como uma pequena vila, onde cada praça diz respeito a uma área profissional. O visitante é convidado a percorrê-la, entrando em diferentes praças e descobrindo, através das mostras e das actividades apresentadas, as saídas profissionais proporcionadas por cada curso.



Dada a multiplicidade de cursos existentes (mais de 100 cursos profissionalizantes), este evento será rico em experiências diferenciadas. De entre os atractivos, destacam-se vários concertos, muita animação de rua, desfiles de moda, espectáculos com robôs, actuações musicais, espectáculos teatrais, degustações, sessões de massagens, cuidados de beleza, reportagens e impressão de T-shirts, entre outros.



Com entrada livre, o Fórum Qualificação 2008: Escolhas com Futuro é organizado e promovido pela Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), em articulação com as Direcções Regionais de Educação e o Instituto do Emprego e da Formação Profissional.



O fórum integra ainda um seminário intitulado "Qualificação de Jovens: Políticas, experiências e testemunhos", que terá lugar no dia 4 de Junho, das 10h00 às 17h30, no Auditório VIII do Centro de Congressos de Lisboa.



O seminário, que terá como destinatários directos os profissionais de educação e formação, incluindo profissionais de orientação escolar e profissional, os pais e os encarregados de educação e ainda as entidades empregadoras, incidirá no balanço dos 20 anos de políticas nacionais nos domínios da educação e formação, atendendo ao contexto europeu.



Do leque de intervenções previstas, salientam-se uma reflexão sobre o ensino profissional e o sistema de aprendizagem, uma comunicação sobre a gestão integrada dos diferentes sistemas de qualificação e uma abordagem à relevância do financiamento proporcionado pelo Fundo Social Europeu na concretização destes sistemas.



O seminário encerrará com o relato de experiências consideradas inovadoras na formação, testemunhos de jovens que optaram por um percurso qualificante, e a visão dos empregadores sobre a importância e a pertinência dos cursos profissionalizantes.



Com este evento, a ANQ assegura a divulgação e a promoção dos cursos que conferem uma dupla certificação (escolar e profissional), contribui para a consciencialização das vantagens inerentes à escolha destes percursos formativos, promove a sua procura, divulga o trabalho efectuado ao longo de 20 anos no âmbito da dupla certificação de jovens e contribui para o reconhecimento público da importância dos apoios comunitários na consolidação dos sistemas educativo e formativo.



A promoção dos percursos qualificantes insere-se na iniciativa Novas Oportunidades que, relativamente ao público-alvo jovem, se traduz na diversificação e na valorização dos percursos de nível secundário de educação associados à aprendizagem de competências do domínio profissional.

domingo, 18 de maio de 2008

Obras de leitura obrigatória afastam alunos do Secundário

Há uma contestação generalizada às obras de leitura obrigatória na disciplina de Português por parte dos alunos do ensino secundário. A denúncia não seria uma total novidade se uma docente da Escola D. Pedro V, em Lisboa, não se tivesse dado ao trabalho de ir saber porquê.

Maria Gabriela Silva fez um estudo de campo, entre 2000 e 2004, e concluiu que há muito de errado nas escolhas das leituras para a disciplina de Língua Portuguesa. E por isso recomenda ao ministério da Educação que reformule tudo, ou quase tudo, o que diz respeito à definição dos programas de leitura para os adolescentes.

"Sabíamos há muito das reais dificuldades dos adolescentes perante o acto de ler, mas esta pesquisa veio esclarecer-nos sobre a situação. Concluímos que num razoável número de casos a leitura precária se deve ao facto de não existir, antecipadamente, uma correcta selecção dos livros que chegam à mão das crianças e dos adolescentes", refere Maria Gabriela Silva na obra "Ler e Amar na Adolescência", lançada no passado mês de Abril pela Livros Horizonte.

Ao JN, a professora de Português, doutorada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, salienta "Apercebi-me do descontentamento dos alunos em face de grande parte das leituras, porque as consideravam completamente desfasadas dos seus objectivos e interesses".

"Penso que é necessário constituir-se um grupo de estudo neste domínio que parta de uma avaliação baseada na sensibilidade e na cultura geral dos adolescentes, que englobe professores, pediatras, sociólogos, psicólogos e ou psiquiatras", sublinha. Ou seja, a escolha das obras de leitura obrigatória não pode ser deixada apenas aos professores de Português.

O estudo, refere por seu lado o psiquiatra Daniel Sampaio no prefácio ao livro, "propõe uma ruptura com o modelo tradicional de encarar as leituras obrigatórias - tantas vezes apenas um exercício apressado de consulta a resumos de má qualidade".

Por isso, Gabriela Silva vai ao ponto de equacionar mesmo a hipótese de o ministério da Educação implementar uma nova disciplina nos currículos escolares - a Literatura de Afectos. "Tratar-se-á de uma área de trabalho específica, vocacionada para o tratamento dos afectos, a partir da literatura". O objectivo é "antes de mais que eles tenham o gosto pelo livro, a partir de uma relação de afecto, por via de histórias em que haja uma ligação ao "Eu" de cada um".

Para o trabalho, a docente releu os programas de Português dos 10º, 11º e 12º anos, em particular as obras de leitura obrigatória, em vigor desde 1993 (algumas modificações foram, entretanto, introduzidas) e elaborou inquéritos à população estudantil do ensino secundário nas escolas do continente.
JN

sábado, 17 de maio de 2008

Secretário de Estado da Educação assegurou que nenhum CEPI será encerrado

O secretário de Estado da Educação garantiu hoje que nenhum Centro de Educação e Protecção para a Infância (CEPI) será encerrado sem ser encontrada uma alternativa e negou orientações para que sejam recusadas matrículas.

Os CEPI, que incluem as valências de creche e pré-escolar, eram administrados pelos Serviços Sociais do Ministério da Educação e foram extintos no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE).

Estes centros passaram então a ser geridos pelas Direcções Regionais de Educação até à sua passagem para a rede pública ou solidária.

"Não está de todo em causa encerrar estes centros sem encontrar uma solução para as crianças e para as famílias. Nos casos em que a transição não esteja feita até ao final deste ano (lectivo),os centros continuarão em funcionamento no próximo", afirmou Valter Lemos.

Pais de alunos do CEPI de Oeiras têm questionado a Direcção Regional de Educação de Lisboa sobre o futuro dos filhos. Segundo uma encarregada de educação, a DREL disse-lhe que o centro não iria abrir vagas para bebés para o ano lectivo de 2008/09, apesar de se manter aberto mais um ano.

No entanto, o secretário de Estado da Educação garantiu que não foi dada "nenhuma orientação" nesse sentido, excepto se a responsabilidade pela creche já tiver passado para outra identidade. Valter Lemos afirmou ainda que esta questão será esclarecida com a DREL durante a próxima semana, até porque no caso de Oeiras ainda estão a decorrer negociações com a autarquia.

"Estamos numa fase de reestruturação de forma a transferir as creches para a rede solidária ou autárquica e os jardins de infância para a rede pública. Em alguns casos já há soluções organizadas, noutros estamos a negociar com as autarquias", explicou o governante. Por outro lado, Valter Lemos garantiu que até ao final do próximo ano lectivo todas as CEPI estarão integradas na rede pública ou na rede solidária, reiterando que se este ano não houver uma alternativa, "mantém-se a situação actual".

"Não vamos diminuir a capacidade de acolhimento das crianças. As regras de inscrição e aceitação é que passam a ser as da rede pública", afirmou.Os CEPI aceitavam apenas candidaturas de sócios dos serviços sociais da tutela. Com a sua integração na rede pública isso deixa de acontecer.

P

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Os ‘nervos’ de crianças de nove anos pela ‘pressão’ de pais e professores

É o primeiro «grande teste» das vidas escolares de Mariana e Rafael, de nove anos, que sexta-feira realizam a prova de aferição de Língua Portuguesa. Os pais notam «nervosismo» nos filhos. Um especialista diz que são os professores e os encarregados de educação que colocam pressão nas crianças.

Durante noventa minutos, vão estar numa sala de aula que não é a sua, com uma professora que mal conhecem. Apesar da prova não contar para a avaliação, Helena, mãe de Mariana, diz que a filha tem sentido nas últimas semanas «o peso da responsabilidade».

«Já se notam muitos nervos e algum stress. Já me disse que mal acabe a prova de Português temos de ir para casa estudar para a de Matemática» , afirmou a mãe, admitindo que acaba por pressionar Mariana para que «dê o seu melhor».

Segundo Raquel, também o filho Rafa anda «um pouco nervoso» dada a importância que deu às provas do 4.º ano. «Eles não olham para isto como um teste normal. Sentem-no como muito importante, também porque têm sido preparados na escola para a prova».

Para acalmar o filho, a mãe tem dado alguns conselhos durante esta semana: fazer o teste com calma, «porque os 90 minutos são suficientes», rever a prova no fim, não ficar nervoso e, sobretudo, melhorar a letra.

«É que ele tem uma letra horrível» , conta, sorridente.

Na escola de Mariana, a professora está a preparar os alunos desde há mês e meio. Todas as semanas realizam pelo menos uma prova modelo na sala de aula, o que obriga a um sacrifício maior da mãe, que tem passado «horas» a estudar com a filha.

«Noto que há uma grande preocupação da professora com os resultados, talvez por sentir que também vai ser avaliada. Acho que os pais e os professores influenciam muito a pressão que as crianças sentem» , afirmou.

Na opinião do psicólogo Eduardo Sá, os pais vêem nestas provas uma espécie de primeiro «certificado de qualidade dos filhos» e dão-lhes uma importância que elas não têm, tal a «ansiedade» de sucesso escolar das crianças.

«Às vezes, sem se darem conta, acabam por transformar o desempenho escolar dos filhos numa espécie de troféu para eles próprios e isso acaba por pesar muito sobre as crianças. Uma prova de aferição não é mais do que um teste que os alunos estão constantemente a fazer na escola» , afirmou.

Para o psicólogo, é importante sublinhar que estes testes não têm nenhuma consequência para a avaliação das crianças. São os professores e os pais que se sentem testados com as provas de aferição, acabando por colocar uma pressão desnecessária sobre alunos e filhos.

«A escola esquece que nem sempre cumpre da melhor maneira a sua função e coloca a responsabilidade sobre as crianças. Os pais às vezes esquecem que gerem mal o dia a dia dos filhos e estão a exigir-lhes um bom desempenho» , explicou.

Assim, «no meio deste ataque de nervos», as crianças ficam «ansiosas» porque começam a entrar num «filme onde são argumentistas, protagonistas e realizadoras».

Se Mariana e Rafael aparentam nervosismo, o mesmo não se passa com Beatriz, quase a fazer dez anos. A mãe, Grabriela, garante que a filha não se encontra «nada nervosa» na véspera da prova de Língua Portuguesa, sentindo apenas um «entusiasmo» pela novidade de alguns aspectos práticos.

«Está sobretudo excitada por ter de mudar de sala, com o tempo para a realização do teste, por ter de levar o bilhete de identidade. Ela não deu grande importância por saber que não conta para a nota» , contou, reconhecendo que gostava que Beatriz se tivesse empenhado mais na preparação.

«Não a vejo particularmente preocupada» , acrescentou.

Depois de imprimir algumas das provas realizadas em anos anteriores para hoje as fazer com o filho Rafael, Raquel constata perguntas «demasiado fáceis» para alunos do 4.º ano.

«É uma forma dos alunos brilharem para as estatísticas do Ministério da Educação» , criticou a mãe.

Já Mariana, filha de Helena, disse à mãe que sexta-feira quer ir vestida de branco. «Porquê», pergunta a mãe. «Porque uma amiga minha diz que dá sorte», responde a filha.

S

Preservativos infantis

O Movimento ‘Algarve Pela Vida’ insurgiu-se contra a forma como foi realizada uma acção de prevenção na área do planeamento familiar, na escola EB 2,3 Dr. António Sousa Agostinho, de Almancil (Loulé). Em causa está a distribuição de preservativos a crianças de 11 e 12 anos.




"O Centro de Saúde enviou à escola uma enfermeira, com o beneplácito do Conselho Executivo, para uma acção de formação sumária, efectuada em breves minutos, nas várias salas de aula, e que terminou com a entrega, a cada um dos alunos, de um conjunto de três preservativos", explica Reis Cunha, do ‘Algarve Pela Vida’, que se insurge contra o facto de "a distribuição ter sido efectuada a miúdos com 11 e 12 anos".

O Conselho Executivo da escola refuta as acusações e explica que "cumpre a legislação em vigor, no que respeita ao Programa Nacional de Saúde Escolar, onde se insere aquela acção". Os docentes explicam que as sessões, a alunos dos 8.º e 9º anos, foram previamente agendadas com a enfermeira do Centro de Saúde, o coordenador do Projecto de Educação para a Saúde e directores de turma. "Foram, efectivamente, distribuídos preservativos aos alunos, por solicitação destes, numa perspectiva de prevenção e promoção da saúde", explicam os responsáveis escolares.

As explicações não são suficientes para o dirigente da ‘Algarve Pela Vida’. Reis Cunha diz concordar com a Educação Sexual junto da população estudantil, mas reclama que "deve acontecer, primordialmente, dentro e a partir das famílias" e, no caso das escolas, "em clara sintonia e com prévia autorização dos pais, o que não aconteceu". O responsável do Movimento mostra-se chocado com o facto de os pais só terem sabido da acção quando, ao chegarem à escola, viram os filhos a brincar com os preservativos, transformando-os em balões e em luvas. "A escola pede autorização aos pais para fazer, por exemplo, rastreios de obesidade infantil, mas distribui preservativos a menores, sem a prévia autorização dos pais, ou pelo menos da respectiva associação", conclui.

Dulce Costa, presidente da Associação de Pais, embora confirme não ter recebido a informação da realização da acção, não concorda com o protesto, "porque a sessão foi bem feita e por uma profissional de saúde, que utilizou palavras adequadas aos jovens". A dirigente associativa lembra as quatro adolescentes da escola que se encontram grávidas, considerando as acções muito positivas.

CM

Intoxicação leva 20 crianças ao hospital

Vinte crianças da escola EB 2+3 do Viso, em Ramalde, no Porto, foram esta quarta-feira atendidas em três unidades de saúde da cidade, após terem manifestado reacções alérgicas, disse à Lusa fonte do Instituto nacional de Emergência Médica (INEM).

A fonte referiu que o alerta foi dado às 15:40, tendo comparecido no local várias ambulâncias do INEM e de várias corporações de bombeiros.

A fonte referiu que, das vinte crianças que manifestavam reacções alérgicas, dez foram levadas para o Hospital de Santo António, cinco para o Hospital de São João e seis foram atendidas no Centro de Saúde de Ramalde.

«A decisão foi tomada por descargo de consciência, já que a situação não parecia ser de gravidade, tendo quatro crianças sido levadas às unidades de saúde pelos seus próprios pais», disse à Lusa a fonte do INEM.

Uma fonte do hospital de S. João disse que as crianças que ali foram atendidas apresentavam ligeiros sintomas, tendo todas tido alta, regressando a casa.

A Lusa tentou obter informações sobre o estado das crianças nas outras duas unidades de saúde, mas tal não foi possível em tempo útil.

sábado, 10 de maio de 2008

Alunos contra Estatuto

A revogação do Estatuto do Aluno, o fim dos exames nacionais e a existência de aulas de Educação Sexual são os temas do abaixo-assinado com quatro mil assinaturas entregue ontem no Ministério da Educação.


A representante do Encontro Nacional das Associações de Estudantes da Educação Básica e Secundária, Diana Simões, disse que a recolha, iniciada em Lisboa e Porto, continuará em todo o País. "Queremos a revogação do Estatuto do Aluno, que nos trata como criminosos. Também esperamos que aumente a participação dos estudantes nos órgãos de gestão das escolas", sublinhou a dirigente.

domingo, 4 de maio de 2008

Turma angaria dinheiro para ajudar professor

A turma do 10.º F da Escola Secundária Conde de Monsaraz, de Reguengos de Monsaraz, decidiu unir esforços para minimizar os estragos provocados na viatura particular do professor José Luís Bicho, durante uma actividade escolar. O jipe emprestado pelo docente esteve envolvido num acidente, que não causou feridos, mas deixou um prejuízo estimado em 26 mil euros.


Jantares, abertura de uma conta bancária, venda de rifas e recolha de produtos em várias empresas locais são algumas das iniciativas que já estão em marcha.

"O professor emprestou o jipe, pelo qual tinha muita estima, mas correu mal. Os acidentes acontecem. Achámos que devíamos ajudar nesta situação difícil. Ele não tem como pagar o arranjo", disse ao CM Carina Cardoso, uma das alunas da turma do Curso Profissional de Turismo.

O grupo assegura que a ideia "já está a contagiar a comunidade" e que mesmo que não consiga angariar todo o dinheiro, espera "contribuir significativamente para o arranjo" do Land Rover Defender, uma vez que o seguro escolar só cobre danos pessoais, que neste caso não se verificaram.

"Estou muito sensibilizado pela forma como decidiram ajudar. Mais do que isso, a iniciativa contribui certamente para o crescimento destes jovens enquanto cidadãos", disse ao CM o professor José Bicho.

O "azar", forma como o docente caracteriza o episódio, aconteceu no passado dia 1 de Abril durante a iniciativa ‘Mega Aventura’, que todos os anos leva os alunos da escola para o espaço exterior para uma série de actividades relacionadas com as várias áreas disciplinares. Sem orçamento que assegurasse viaturas suficientes para a assistência técnica e logística, José Luís Bicho, que lecciona Geografia na escola há cerca de uma década, decidiu emprestar o seu jipe particular para a actividade que decorreu na zona do grande lago de Alqueva.

"Uma saída do caminho de terra fez o jipe embater numa rocha. Depois capotou duas vezes e ficou destruído. Só o avançado sistema de segurança permitiu que ninguém ficasse ferido", acrescentou o professor de Geografia.

Contacta pelo CM, a direcção da Escola SecundáriaConde de Monsaraz disse estar solidária com os esforços que estão a ser desenvolvidos pelos alunos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

743 milhões em chumbos

A retenção e desistência de alunos do Ensino Básico e Secundário custa mais de dois milhões de euros por dia aos portugueses.


O Ministério da Educação (ME) não tem estimativas do custo financeiro que representa ‘chumbar’ os alunos, mas, cruzando os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Gabinete de Estatística do ME, chega-se a um total de 743 milhões de euros anuais. Isto porque, segundo o relatório ‘Education at a Glance 2007’, da OCDE, cada aluno do Ensino Não Superior custa, em Portugal, cinco mil euros ao ano. Segundo o ME, em 2006/2007 estavam matriculados no ensino público 1 168 307 alunos: 950 473 no Básico e 217 834 no Secundário.

A taxa de retenção/desistência no Básico foi de dez por cento (95 047 casos), enquanto no Secundário foi de 24,6 por cento (53 587 alunos). Feitas as contas, os 148 634 estudantes do 2.º ao 12.º anos que ficaram retidos ou abandonaram a escola custaram mais de 743 milhões de euros aos bolsos dos portugueses, sem quaisquer resultados.

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse ontem que 'o custo [dos chumbos] é sempre insignificante em relação ao custo social de ter pessoas sem qualificação no mundo do trabalho'. Na apresentação da Conferência Internacional Sobre o Ensino da Matemática (ver caixa), considerou o chumbo de alunos um 'mecanismo retrógrado e antigo', defendendo a sua substituição. 'Facilitismo é chumbar, rigor e exigência é trabalhar', defendeu.

Para justificar o seu discurso antichumbos escolares, Maria de Lurdes Rodrigues deu um exemplo: 'Por cada chumbo, o aluno, no ano seguinte, custa o dobro. Se um aluno custar três mil euros por ano e não passar, significa que, para terminar esse ano escolar, já vai custar o dobro dos outros. Se chegar ao 9.º ano com três repetências, custou três vezes mais do que os restantes. É mais compensador investir no aluno logo que haja uma negativa', explicou. Partindo do exemplo do Plano de Acção para a Matemática, onde o mais positivo foi a 'adesão e entusiasmo de escolas e professores na vontade de melhorar os resultados', a governante frisou que os problemas quotidianos 'são resolvidos ao nível da escola e não ao nível da sala de aula', visto que 'os alunos chegam ao professor com um passado, um histórico, e não é o professor sozinho que tem de resolver'.

Segundo os últimos dados do Gabinete de Estatística do ME, a taxa de retenção/desistência baixou nos últimos anos lectivos. Em 2005/06, era de 10,6 por cento no Básico e 30,6 por cento no Secundário. Ainda assim, no ano lectivo de 2006/07, mais de um terço dos estudantes do 12.º ano não concluiu o ano com sucesso, enquanto um quinto dos alunos que frequentavam o 9.º ano não obteve aprovação.

MAIS MATEMÁTICA POR DEZ ANOS

Não quer louvores, mas espera que os netos possam usufruir do Plano de Acção para a Matemática. Maria de Lurdes Rodrigues acredita que a iniciativa 'deve manter-se por dez anos', de modo a abranger todos os alunos do sistema. 'Tem de haver resultados todos os anos. Deve haver exigência, mas também paciência, porque a situação não é fácil, mas não é impossível', considerou a ministra. Até agora, o Plano de Acção para a Matemática envolveu 395 mil alunos e 9036 professores de Matemática. A 7 e 8 de Maio realiza-se a Conferência Internacional sobre o Ensino da Matemática, em Lisboa, com a participação de vários peritos estrangeiros e onde mais de cem escolas vão apresentar posters com boas práticas no combate ao insucesso na disciplina.

MEDIA SMART EM 1168 ESCOLAS

Quase uma em cada cinco escolas do Ensino Básico conta já com o Media Smart, programa de ensino de publicidade, dois meses depois de o módulo ter sido introduzido. O primeiro módulo está a ser ensinado em 1101 escolas públicas e 67 privadas. De acordo com a Associação Portuguesa de Anunciantes, os pedidos para os dossiês pedagógicos Media Smart abrangem a totalidade do território nacional, destacando-se os distritos do Porto, com 135 pedidos, Lisboa (112 pedidos), Aveiro (104) e Viseu (93). O programa Media Smart destina-se a desenvolver as competências das crianças para interpretar mensagens publicitárias, sendo constituído por três módulos que abordam diferentes vertentes: Introdução à Publicidade, Publicidade Dirigida a Crianças e Publicidade Não Comercial. A iniciativa da APAN e do Ministério da Educação visa dotar os alunos de ferramentas que lhes permitam compreender e interpretar a publicidade, para poderem 'fazer escolhas mais conscientes'

terça-feira, 29 de abril de 2008

Especialistas debatem em Lisboa insucesso de alunos na Matemática

Vários especialistas internacionais vêm a Lisboa na próxima semana, a convite do Governo, para analisar as dificuldades que os alunos portugueses sentem na Matemática e fazer um balanço das estratégias adoptadas para ultrapassar o insucesso na disciplina. Os peritos de quatro países - Brasil, EUA, Holanda e Reino Unido - estarão numa conferência, a 08 e 09 de Maio, para apresentar as suas perspectivas e para contar as experiências dos seus países.

Na mesma conferência também serão expostas experiências de escolas portuguesas que adoptaram estratégias de combate ao insucesso da matemática. "A conferência procura criar um momento de balanço, de avaliação deste conjunto de medidas e também um momento introspectivo para avaliar que outras medidas será preciso lançar para vencer este desafio", disse hoje a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, numa conferência de imprensa para apresentar o evento.

"São peritos que tem experiência ou na formação de professores ou no desenvolvimento curricular ou em planos de intervenção para a melhoria dos resultados em diferentes países e que vêm dar o seu testemunho", salientou.

O Governo lançou em 2005 o Plano de Acção para a Matemática estabelecendo, segundo a ministra da Educação, uma série de medidas "para dotar as escolas de meios e recursos para poderem desenvolver as estratégias de diversificação dos instrumentos de ensino, a diversidade de estratégias pedagógicas que as escolas precisam de desenvolver para a recuperação dos alunos". As estratégias de acção para melhorar os resultados dos alunos a matemática são definidas pelas próprias escolas de acordo com as "dificuldades diversificadas" que identificaram.

Dificuldades só se ultrapassam com mais recursos e estudo

"Acredito que mais recursos se traduzem em mais trabalho. Não há outra forma de ultrapassar as dificuldades de aprendizagem e a dificuldade de ensino sem ser fazendo mais, estudando mais, trabalhando mais", disse a ministra, salientando que "aquilo que as experiências internacionais mostram é que a diversidade de recursos e a diversidade de estratégias é o elemento decisivo no aumento dos resultados".

O Plano de Acção para a Matemática tem uma dotação de nove milhões de euros para apoios directos às escolas durante os três anos do programa. O plano envolve ainda mais de 10 mil horas lectivas adicionais de tempo de trabalho para a matemática em cerca de mil escolas, abrangendo 395 mil alunos por ano, mais de nove mil professores de matemática e mais de 68.500 docentes de outras áreas.

Uma das primeiras dificuldades identificadas com o ensino da matemática foi a débil preparação dos professores, de forma que estão neste momento a receber formação contínua nesta matéria cinco mil docentes do primeiro ciclo e ainda 1700 professores do segundo ciclo e 1500 no terceiro ciclo. Desde 2005/06 já receberam formação 12 mil professores do primeiro ciclo.

sábado, 29 de março de 2008

Vazio legal não permite que crianças sobredotadas possam matricular-se no 1.º ano

António (nome fictício) sabe ler desde os quatro anos. É também desde essa idade que efectua operações matemáticas que não se aprendem no jardim-de-infância. António tem cinco anos e só faz os seis em 2009, mas poderia entrar no 1.º ciclo já no próximo ano lectivo, não fosse o vazio legal que o Decreto-Lei n.º 3/2008 criou para as crianças sobredotadas.Actualmente, não existe legislação que possibilite a antecipação da entrada no 1.º ciclo às crianças que revelam ter capacidades acima da média. Só que, até agora, era possível fazê-lo, desde que a criança revelasse maturidade e que essa fosse tecnicamente comprovada por um psicólogo.
A legislação que entrou em vigor deixou os sobredotados de fora. "As situações de precocidade excepcional ficaram sem enquadramento legal", confirma a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DREL) aos pais de uma criança sobredotada, que colocaram a questão a este serviço do Ministério da Educação.
Nesta situação estão algumas centenas de crianças, calcula Helena Serra, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS), do Porto. Mensalmente, cinco em cada 40 casos que acompanha na associação são de meninos nestas circunstâncias, revela.Para os pais de António, "não é concebível" mantê-lo mais um ano no jardim-de-infância. "Ele lê e interpreta o que lê. Por isso, desinteressa-se do que os outros fazem. Diz que são bebés porque não sabem ler como ele e a educadora", conta a mãe, considera que, se não fosse tão pequeno, estaria apto para o 2.º ano.Perante a resposta da DREL, a deputada independente Luísa Mesquita pergunta ao ministério qual é a solução que propõe; se estão previstas alterações legislativas que prevejam a sua inscrição antecipada e para quando.
Também a APCS e o Centro Português para a Criatividade, Inovação e Liderança (CPCIL), de Lisboa, já colocaram a mesma questão à tutela. E acusam-na de "retrocesso".Em carta dirigida a Maria de Lurdes Rodrigues, a fundadora do CPCIL, Manuela Freitas, lembra que habitualmente, entre Fevereiro e Março, é enviado às direcções regionais uma circular para regulamentar o ingresso antecipado. "Pensamos que às crianças não devem ser retirados os direitos de aprender com o seu ritmo individual e não apenas segundo normas arbitrárias e reguladas pelo calendário", escreve Manuela Freitas.Helena Serra, da APCS, diz que é uma "dor de alma" ver crianças com maturidade permanecerem no pré-escolar. Manuela Freitas refere o "sofrimento dos pais e das crianças por serem obrigadas a estar inseridas em grupos cujas actividades já nada lhes dizem". Algum do insucesso escolar dos sobredotados justifica-se por estarem desenquadrados na escola, explicam.
A lei esqueceu os sobredotados "de propósito" porque "dão mais trabalho na sala de aula", diz Helena Serra. Também Manuela Freitas aponta que "os professores do 1.º ciclo têm medo das crianças de cinco anos". Para Luísa Mesquita, o "vazio da lei não é intencional, é mesmo incompetência". A deputada lembra que esta questão foi colocada no Parlamento, aquando da discussão da lei, e que "o PS disse que se resolveria de outra forma".