sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Professor/formador de Português Língua Estrangeira


Escola certificada pela DGERT, sediada no centro de Lisboa, procura professor/formador de Português como língua estrangeira para 3/4 horas diárias de segunda a sexta para ministrar uma formação intensiva de 150 horas. 
Entrada imediata. 

Requisitos: 
Formação Superior na área da língua Portuguesa; 
Mestrado em Educação ou CCP; 
Pontualidade e assiduidade. 

Oferecemos: 
Remuneração por hora, de acordo com a experiência. 

Interessados devem responder por email para


com disponibilidade (período da manhã ou da tarde) anexado de CV e respetiva documentação, ou contactar via telefone.   

Colaborador de Matemática


Sala de Estudo em Matosinhos admite colaborador com experiência no ensino de Matemática do ensino secundário, entrada imediata.
Contactar para entrevista através de telefone.

Contactos - 933237117 / 914788032


    100porcentosaladeestudo@gmail.com

Colégios querem manuais gratuitos e quatro milhões de euros para financiar mais alunos


De acordo com um texto enviado à Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA) pela Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), as propostas dos colégios são uma resposta ao facto de considerarem que a proposta de OE2019 “não responde a algumas expectativas criadas junto das famílias no que à Educação diz respeito”. 

No que diz respeito a alterações em sede de IRS, os colégios defendem que os limites atuais são “muito penalizadores” para as famílias com crianças em escolas privadas, que suportam um “duplo pagamento” da educação dos filhos - pelos impostos e pelas mensalidades – e que “têm sofrido uma redução brutal da quantia que recuperam em sede fiscal”, pelo que apelam a alterações, “eliminando ou, no mínimo, aumentando, o limite da dedução das despesas de educação”. 

Pedem também a extensão da gratuitidade dos manuais escolares ao ensino particular e cooperativo, lembrando que no ano de arranque da medida não houve distinção entre alunos das escolas públicas e das privadas, afirmando que “os alunos do ensino particular e cooperativo não são cidadãos de segunda”. 

“A exclusão dos alunos das escolas particulares ou cooperativas é ilegal, inconstitucional e incompreensível. Mais, trata-se de uma exclusão dentro do ensino obrigatório. Propomos assim que os alunos do ensino particular sejam incluídos na medida de manuais escolares gratuitos já em 2019”, lê-se no documento.

Criticam ainda que a proposta do OE2019 continue “a não corrigir a grave injustiça de os encarregados de educação de baixos rendimentos só beneficiarem de contrato simples ou de desenvolvimento num número reduzido de estabelecimentos de ensino”.  

Estes contratos apoiam a frequência de crianças carenciadas no ensino particular e cooperativo e apoiam diretamente as famílias.

“Assim, propomos que o montante afeto a estes instrumentos no orçamento do Ministério da Educação seja aumentado em valor não inferior a 20% (aumento de cerca de quatro milhões de euros)”, segundo a proposta da AEEP.

Os colégios pedem ainda que os alunos do ensino particular possam ter acesso à ação social escolar, defendendo que é um “direito dos alunos e não há fundamento para lhes ser negado em função da sua escolha de escola”, pedindo a introdução no OE2019 de uma norma que “acabe com esta descriminação injustificada”.

A proposta do OE2019 está em fase de discussão na especialidade na Assembleia da República e a votação final está marcada para 29 de novembro.

Mais Informações - Link

Solução tecnológica ajuda a prevenir insucesso escolar


O Sistema de Alerta Precoce do Insucesso Escolar no Ensino Básico (SAPIE-EB) é a mais recente solução tecnológica ao serviço de professores e técnicos. Esta plataforma tem como função sinalizar comportamentos de risco de insucesso e abandono escolar, ao mesmo tempo que permite monitorizar e avaliar o impacto das intervenções preventivas. 
    
Fruto de um projeto de tese de doutoramento de Pedro Cordeiro, doutorado em Psicologia da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e apoiado pela Associação Mentes Brilhantes, o SAPIE-EB é o produto de uma reflexão sobre o sucesso escolar com recursos a métodos tecnológicos inovadores e preventivos. 

O SAPIE-EB é uma ferramenta digital que permite sinalizar, desde o jardim-de-infância, o risco de insucesso e abandono escolar de cada aluno. “A promoção do sucesso escolar e a prevenção do insucesso e abandono escolar precoce é assumido pelo Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE). É um esforço partilhado que privilegia a articulação dos vários agentes educativos, como as autarquias locais, as instituições da comunidade e as entidades formadoras. Mas é nas comunidades educativas que são identificadas as áreas de intervenção prioritária e desenvolvidos os planos de ação estratégica para a promoção de sucesso escolar” afirma Pedro Cordeiro, mentor deste projeto.

E acrescenta ainda que “só será possível responder ao atual quadro de insucesso com campanhas preventivas, inovadoras e impactantes, se os docentes forem capacitados para compreender as suas causas. Esta necessidade é urgente e prioritária em termos da política educativa nacional e está a ser feito um forte investimento neste domínio.”

Respeitando os procedimentos legais e normais de confidencialidade e proteção de dados, os agrupamentos escolares fornecem os dados dos alunos, que se se encontram nos sistemas de gestão administrativa e que, por sua vez, são encaminhados para as equipas de desenvolvimento do SAPIE-EB. É da responsabilidade de cada agrupamento manter atualizados todos os dados disponibilizados.

À medida que os dados são inseridos pelos docentes na plataforma SAPIE-EB, no que diz respeito a indicadores de aproveitamento escolar, assiduidade e comportamento, esta emite alertas, individuais ou de grupo, sugerindo intervenções preventivas de acordo com as dificuldades identificadas. A partir daqui cada aluno é alvo de avaliação, quer pela sua evolução, quer pelo impacto das intervenções sugeridas com monitorização constante e ajustada quando necessário, adequando estratégias em função do risco de cada aluno.

“O acesso à plataforma permite, em pouco tempo, obter as mais diversas análises em função das suas necessidades e interesses, quer a partir de relatórios que surgem por defeito no sistema, quer personalizando a pesquisa a partir dos filtros disponíveis. As análises produzidas pelo sistema são complexas, mas também muito intuitivas, graficamente apelativas e muito fáceis de obter”, conclui Pedro Cordeiro. 

“Pretendemos que o SAPIE-EB chegue, de forma gratuita a todos os agrupamentos de escolas que delem possam beneficiar. Para alcançar este objetivo temos seguido uma estratégia de apresentação do sistema às Autarquias que, generosamente, facultam o SAPIE-EB aos agrupamentos de escolas colaborantes dos respetivos concelhos. Esta estratégia tem dados frutos e estamos presentemente a fechar a contratualização do sistema junto de várias autarquias, de norte a sul do país”, afirma Pedro Cordeiro.

Com recurso à inteligência artificial, o objetivo é que o SAPIE-EB analise com rapidez e rigor o perfil de risco de qualquer aluno. O objetivo é que o tempo e o custo com processos de recolha de dados fiquem agilizados permitindo que os técnicos e professores disponham de mais tempo para intervenção direta com o aluno. 

No terreno desde fevereiro de 2018, a equipa liderada por Pedro Cordeiro tem vindo a apresentar este projeto aos agrupamentos de escolas nacionais, municípios, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas de norte a sul do país. Ainda que sem compromisso, o sistema é apresentado e são evidenciadas as suas funcionalidades bem como a sua implementação no terreno. A forma de apresentar o SAPIE-EB permite refletir sobre a sua credibilidade científica e utilidade para cada agente. 

Para além de Pedro Cordeiro, mentor e investigador principal do projeto, o SAPIE-EB é coordenado cientificamente pela professora Doutora Paula Paixão, professora associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, em estreita colaboração com a Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Instituto Politécnico de Leiria e o Instituto Politécnico de Santarém.

A colaboração da American Institutes for Research e de peritos de renome internacional asseguram igualmente a credibilidade científica do projeto.

A médio prazo, nos próximos três anos, pretende-se que o SAPIE-EB consiga implementar o sistema em 75 agrupamentos de escolas em todo o país. É ainda objetivo iniciar o processo de internacionalização do sistema em 2 países de língua portuguesa e 2 países da União Europeia.

Mais informações:
www.sapie.pt

sábado, 13 de outubro de 2018

Ensinar por paixão e vocação


Rosa Neves tem 56 anos e é professora contratada. Este ano, está a substituir uma colega, tem um horário de 18 horas. Ano após ano, foi alimentando a esperança de entrar no quadro. Ano após ano, acreditando que agora é que era, com mestrado e doutoramento no currículo, vários projetos educativos, e cinco contratos sucessivos numa mesma escola. Mas a cada ano, nunca chega. Os critérios mudam e os seus contratos não são considerados os mais adequados.

“Há três anos, ainda pensei, desta vez é que não escapo”, lembra. Mas escapou e este ano desceu 30 lugares na lista. Houve um ano que até foi considerada técnica especialista e não professora, quando teve turmas do 11.º e 12.º ano do secundário e deu aulas sobre gestão de organizações de saúde, entre outros temas, por ser doutorada em Medicina Preventiva e Saúde Pública. “Dei aulas, assinei sumários, fiz reuniões”, recorda. No final, de nada valeu, não contou para as contas do sistema. Noutro ano, um erro administrativo, assumido pela tutela, só lhe garantiu um lugar em novembro. “Todos os anos, os critérios mudam e são injustos”, refere. 

São muitos anos sem um lugar no quadro, desde 1990/1991, o ano letivo em que começou a dar aulas. Há desgaste, desencanto, desapontamento, mas há também muitas alegrias nesta caminhada. Apesar de tudo, há vontade e motivação porque ensinar sempre foi uma vocação sem reticências, sem vírgulas, sem qualquer sombra de dúvida. O que a move, na verdade, não é um lugar no quadro, são os seus alunos. “Ponho o pé na sala de aulas e tudo muda. É um feitiço”. Uma magia que compensa tudo o resto, os momentos mais complicados. 

Rosa Neves, professora de Português, Estudos Sociais e Economia, deixa marcas pelas escolas por onde passa. Na EB2,3 D. Dinis, em Leiria, desenvolveu um projeto com alunos de várias nacionalidades, alguns refugiados. Um italiano, uma chinesa, um russo e uma russa, um nepalês, um senegalense, dois sírios. “Implementei um projeto com base em histórias tradicionais”, recorda. Levava livros e livros de casa. “Tinha a sala toda a trabalhar com livros, com histórias, com música”. Batizou o projeto de “TAI – Turma de Acolhimento Internacional, Um Presente que me Calhou”. Resultado? A integração total destes alunos na escola, as suas famílias na escola, abraços, afetos, e memórias para o resto da vida. É por eles, alunos, e para eles, que continua no ensino. 

Repensar modelo de Escola 
Sérgio Lagoa, 46 anos, é professor de Filosofia. Começou a dar aulas no ano letivo de 1994/1995, esteve como contratado durante 20 anos, só em 2014/2015 entrou para o quadro de zona pedagógica 1, geograficamente enorme mas que corresponde à sua zona de residência. “Devo dizer que tive muita sorte nessa colocação, pois não tive necessidade, como quase todos os professores, de deambular de terra em terra, de passar semanas ou meses longe de casa, de deixar esposa e filhos a centenas de quilómetros de distância”, refere. 

A profissão é cada vez mais exigente e, em seu entender, o modelo de escola deve ser debatido. E há outras questões. “Há muitos problemas que têm de ser discutidos e resolvidos: a formação inicial e contínua de professores, o sistema de avaliação, a estrutura da carreira e as condições financeiras que se quer dar aos professores, a perceção social da classe docente, a importância das suas organizações associativas e as questões deontológicas específicas da profissão”. 

Os tempos evoluem, há as competências profissionais inerentes à profissão, agora há também as competências digitais que implicam conhecimentos técnicos e comportamentais na gestão da identidade digital docente. “Se a população escolar evoluiu, o mesmo não se poderá dizer de algumas das estruturas escolares. Temos salas de aulas próprias para um ‘ensino de massas’, abundam as práticas pedagógicas magistrais e tecnologicamente a Escola avança demasiado devagar”. E o atual modelo precisa ser repensado. “Portugal passou de um ‘ensino de elites’ para um ‘ensino de massas’ no espaço de duas ou três gerações, e esta alteração já tem duas ou três décadas”, acrescenta.

Para Sérgio Lagoa, é um mito considerar que há “nativos digitais” e “migrantes digitais”, todavia a realidade é que as escolas estão envolvidas num ambiente altamente tecnológico que, na sua opinião, “urge incorporar e não excluir”. Uma inclusão ponderada, fundamentada, “sob risco de se cair numa tecnologização baseada em gadgets pouco mais que inúteis”. “E os equipamentos tecnológicos são meios, instrumentos, e não fins em si mesmos”. O professor de Filosofia defende investimento na formação do pensamento crítico, Filosofia logo desde o 1.º Ciclo, e competências de literacia digital. Até porque vivemos uma era de fake news e cada vez mais são necessárias “ferramentas intelectuais” para ler o mundo. 

As maiores alegrias da profissão? É uma pergunta difícil. “Talvez a maior alegria seja reencontrar antigos alunos e ver como eles respeitam os seus antigos professores, vê-los já na universidade ou no mundo do trabalho e ouvi-los falar sobre algo que discutimos na aula de Filosofia. É como se um bocadinho de nós estivesse ali, como uma semente que germina e cresce”. Também há tristezas. “Têm sido muitas, principalmente a desvalorização do estatuto social da profissão, erro que já vimos acontecer noutros países e que os conduziu a um lugar onde nós, portugueses, seguramente não queremos estar”, revela. 

Respeitar as especificidades de cada região 
Belmiro Santos, 62 anos, é professor contratado, tem 15 anos para efeitos de concurso. Ser professor é uma paixão e uma vocação e as suas maiores alegrias são poder partilhar a sala de aula com os jovens seus alunos, “transmitir-lhes os conhecimentos e competências adquiridas ao longo da vida, proporcionando-lhes as ferramentas que lhes permitam encarar o futuro sem medos e com competências que lhes permitam evoluir enquanto profissionais e cidadãos”. As tristezas focam-se no “abandono e falta de reconhecimento por quem de direito da importância do ‘ser professor’ no desenvolvimento socioeconómico de um país”. 

É crente e otimista, por natureza, mas neste momento está apreensivo e preocupado com o caminho que está a ser seguido pelos sucessivos responsáveis do sistema de ensino deste século. “Verbalizam uma série de lugares comuns, demonstrando a sua ignorância da realidade das nossas escolas e da nossa sociedade”. O professor do Ensino Profissional merece-lhe alguns comentários. “A escola pública dispõe de meios materiais (instalações), meios humanos e técnicos capazes, e, qualificados com capacidade de resposta para as necessidades dos meios em que estão inseridas, seria assim muito mais vantajoso, criar condições técnicas, materiais, e, reconhecimento profissional aos profissionais que aí desempenham funções”, defende.

“Enquanto isto, assistimos a uma oferta formativa de cursos qualificantes desenquadrada das necessidades regionais e locais, sem ter em linha de conta a empregabilidade dos mesmos cursos na região em que se inserem. Assistimos à proliferação de escolas profissionais privadas, sem avaliarmos as reais necessidades da sua criação e da sua existência, havendo contudo verbas disponíveis para estas entidades que visam objetivos materiais em detrimento do ensino e qualificação dos seus alunos, ao mesmo tempo que se estrangulam cada vez mais, e, de forma mais acentuada o ensino qualificante das escolas públicas”, sublinha. Na sua opinião, é urgente mudar mentalidades, “de cedência aos lóbis dos diversos setores de atividade, respeitando a especificidade de cada região, atendendo às necessidades e anseios das suas populações”. 

Belmiro Santos iniciou a sua carreira como professor provisório em 1981/1982, na Escola Preparatória de Vale de Cambra, onde pouco depois é convidado para assumir a coordenação técnica e a lecionação das disciplinas técnicas de Desenho Técnico e de Tecnologia Mecânica aos Cursos Profissionais de 3.º Ciclo, onde esteve até setembro de 1988. Os 20 anos seguintes foram passados pela indústria metalomecânica, em cargos de chefia desde a direção comercial, direção de produção, logística, planeamento. Foi ainda formador de quadros de empresas do setor.

“Como a paixão pelo ensino se manteve viva ao longo destes 20 anos, surgiu a oportunidade de regressar ao ensino em outubro de 2008, para o Ensino Profissional, como docente da componente técnica na área da Metalurgia e metalomecânica”. É onde está hoje, tendo selecionado todas as disciplinas técnicas da área. Está no Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga. Apesar de apresentar 15 anos de serviço para efeitos de concurso, continua como contratado, na qualidade de técnico especializado, a auferir pelo Índice 151, apesar de exercer funções docentes e ser profissionalizado no Grupo de Recrutamento 530.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Mais de 90% dos professores preparam aulas com manuais escolares


Inquérito do Observatório dos Recursos Educativos revela que 92% dos professores utilizam livros escolares para preparar aulas, 97% usam os manuais em contexto de sala de aula, e 90% recomendam a sua utilização para preparar os testes.

Os manuais escolares são o recurso mais utilizado pelos professores do Ensino Básico e Secundário no nosso país. Um inquérito realizado a 4590 docentes dos níveis da escolaridade obrigatória, do 1.º ao 12.º ano, conclui que 92% dos professores utilizam os manuais escolares para a preparação das aulas, 97% usam os livros em contexto de sala de aula e 90% recomendam a sua utilização para a preparação para os testes. “Os manuais no quotidiano dos professores e alunos” é o nome do estudo levado a cabo pelo Observatório dos Recursos Educativos (ORE) junto de docentes de diferentes idades, géneros, disciplinas e regiões de Portugal. 

Mais de 95% dos professores inquiridos reconhecem que os manuais escolares ajudam a melhorar os resultados educacionais, que garantem a qualidade da aprendizagem e favorecem a sua própria atuação. Proporcionam uma abordagem rigorosa e coerente dos programas em vigor e acompanham os alunos na preparação para os testes e na promoção de um trabalho autónomo. 

O estudo, realizado em março e recentemente concluído, teve por base a sobrecarga de trabalho dos professores e 97% dos inquiridos dão nota de uma efetiva sobrecarga que compromete a atividade docente. Mais de 63% dos professores despendem mais de cinco horas por semana, além das legalmente atribuídas. Os manuais escolares são considerados um bom contributo para um tempo letivo de qualidade já que permite diversificar estratégias. 

“A relação do professor com o aluno, através do manual escolar, é bastante importante e significativa”, refere Adalberto Dias de Carvalho, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador do ORE, em declarações à Lusa. “É muito clara esta aposta dos professores nos manuais, sendo que a utilização do manual continua a ser maioritariamente usada em praticamente todas as gerações”, sublinha. 

Os resultados do estudo, as percentagens elevadas, demonstram que não se trata de um “fenómeno tipicamente português”, uma vez que Portugal está em concordância com outros países europeus que fazem “o mesmo uso deste recurso”, como a Finlândia. “A única diferença entre Portugal e outros países europeus é que nesses países os manuais são dados e não apenas emprestados. E o facto destes recursos serem dados permite ao aluno fazer uma utilização pessoal e construir uma relação com o livro”. 

“Na realidade, esta relação entre o professor e o aluno é muito importante porque permite introduzir este hábito de relação com o livro, que de outra forma ficaria perdido no seio de tantos outros recursos”, afirma o coordenador do ORE. 

O tempo é precioso sobretudo para quem trabalha além das horas legalmente estipuladas. Quanto vale o tempo para os professores? E que valor tem os manuais escolares ao economizar tempo aos docentes? Um estudo feito no Reino Unido indica que a preparação das aulas representa, para o Estado, um custo de 4,8 biliões de libras por ano (5,76 biliões de euros), enquanto o custo de todos os livros impressos, para o mesmo Governo, tem um custo de 196 milhões de libras por ano (220 milhões de euros). 

Feitas as contas, o valor anual suportado pela produção de livros escolares no Reino Unido quando comparado com o valor do tempo despendido pelos professores na preparação das aulas é de 4,1%. O que permite concluir que “o investimento em manuais escolares tem um excelente retorno para o funcionamento do sistema de ensino pois poupa tempo aos professores na preparação das aulas, permitindo-lhes dirigir mais atenção para as necessidades de cada um dos seus alunos, com óbvio impacto positivo nas aprendizagens”.

sábado, 22 de setembro de 2018

Um novo ano com novidades e negociações


Este ano, a colocação de professores foi tranquila, mas há queixas de falta de funcionários nas escolas. Há um novo ano letivo que começa para cerca de 1,5 milhões de alunos em todo o país. Há esperança e otimismo nas palavras dos responsáveis educativos. Mas há também contestação à vista devido à ausência de consenso quanto ao tempo a descongelar.

O ano letivo 2018/2019 arranca com algumas novidades nas escolas - flexibilidade curricular que permite aos estabelecimentos de ensino gerirem 25% dos seus currículos, turmas com menos alunos (24 no 1.º Ciclo e entre os 24 e os 28 no 2.º e 3.º ciclos), Educação Física a contar para a média do Secundário -, com cerca de 1,5 milhões de alunos matriculados, e um braço de ferro entre estruturas sindicais e Ministério da Educação (ME) por causa da contagem do tempo de serviço congelado à classe docente. Depois de meses de negociações e de várias reuniões, o Governo não aceita descongelar os nove anos, quatro meses e dois dias que as organizações sindicais exigem, contrapondo com dois anos, nove meses e 18 dias. Sem acordo, há greves anunciadas para a primeira semana de outubro, de 1 a 4, e uma manifestação nacional de professores a 5 de outubro, feriado nacional e Dia Mundial do Professor, em Lisboa. 

Esta segunda-feira, é dia de regresso às aulas. Carolina Teixeira, 13 anos, vai para o 8.º ano. “Vai ser um grande ano para subir as notas e aprender novas coisas, já que dizem que o 8.º é o ano mais difícil”, refere. Beatriz Couto, 16 anos, vai para o 12.º ano. É o último ano do Secundário. Está no curso de auxiliar de saúde e acredita que será “um ano tranquilo”. “Tenho de subir a média”, confessa. Sara Lopes, 13 anos, também espera um ano calmo no 8.º ano. “Vai ser um ano em que espero que corra tudo bem e que o 8.º não seja um ano tão difícil, como dizem, e ter boas notas”. Sílvia Silva, 14 anos, está no 10.º ano na área de Ciências e Tecnologias, e mudou de escola. De manhã, foi dia de apresentação. “Correu tudo normal”, diz a aluna que quer seguir alguma área ligada à Medicina, mas ainda não sabe bem qual. É boa aluna e é tempo de iniciar mais um ano na escola.

Durante meses, o ministro da Educação prometeu tranquilidade na abertura do ano letivo. Se não há problemas conhecidos na colocação de professores, prevê-se, no entanto, uma forte e dura contestação sindical devido à discordância relativamente à contagem do tempo de serviço. A partir desta segunda-feira, e durante toda a semana, serão dinamizados mais de 1 500 plenários nas escolas de todo o país. Seguem-se ações de luta como concentrações junto à Assembleia da República durante a apresentação, discussão e votação final do Orçamento do Estado para o próximo ano. 

No dia do arranque das aulas, esta segunda-feira, Tiago Brandão Rodrigues refere, numa entrevista ao jornal Público, que o Governo não enganou os professores na contagem do tempo de serviço e afirma que os sindicatos mantiveram-se “absolutamente inflexíveis” nessas negociações. “Não foi dito aos sindicatos que a variável tempo não iria ser negociada. O que se decidiu pôr na lei do Orçamento do Estado de 2018 foi que, da mesma forma que aconteceu com todos os outros funcionários públicos, os docentes e todos os outros trabalhadores da Educação iriam ter as carreiras descongeladas a partir do dia 1 de janeiro de 2018”, disse na entrevista. 

Mais um ano, mais expetativas. João Jaime Pires, diretor da Secundária de Camões, em Lisboa, referia, na SIC, que o início das aulas é sempre “um marco importante” para os alunos e que “esta calma e este sossego” são fundamentais nas escolas. Espera que haja acordo nas negociações entre tutela e sindicatos e que “há uma confiança nos professores”. “Vai haver algum entendimento”, sublinhou. 

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), acredita num arranque escolar sem problemas, insiste que são precisos mais assistentes operacionais e que há materiais a necessitar de substituição. “A excelente organização do ano letivo por parte das escolas repercutir-se-á num arranque bem positivo e, assim o desejamos, numa continuação a fazer jus ao que tem ocorrido nos últimos anos, mau grado, reitero críticas, a escassez de assistentes operacionais, a não substituição das centenas que estão de baixa médica há muitos meses ou até anos, a necessidade de substituição dos computadores (obsoletos em muitas escolas) e de um upgrade da rede de internet, como meros exemplos”.

Filinto Lima sabe que a contestação dos sindicatos não terminou, mas espera que essa agitação não perturbe o quotidiano das escolas. “Contudo, uma nuvem negra paira no horizonte educativo: a ausência de acordo entre o ME e os sindicatos na passada semana torna imprevisível o decurso de um ano que se pretende de paz. Estou seguro de que as desavenças entre estas duas entidades não se refletirão no trabalho quotidiano dos professores, que corresponderão em pleno aos seus alunos”. “O paradigma sindical na Educação alterou-se e ninguém previa um desfecho de ano letivo como o que sucedeu no ano findo. Avistam-se novas surpresas?”, questiona. 

Para Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), o ano letivo começa sob o signo da esperança e do otimismo que não havia há um ano. As colocações de professores foram ao encontro das expetativas. As escolas têm todos os professores colocados. “Isso é muito positivo e garante alguma tranquilidade, tão necessária”. Mas há também inquietações. “Não podemos deixar de estar, também, preocupados com algumas nuvens negras que se vislumbram no horizonte próximo e que poderão, de alguma forma, criar problemas acrescidos ao normal funcionamento das escolas. Referimo-nos à possibilidade de virem a acontecer greves sucessivas nos próximos tempos que, sem dúvida alguma, provocarão sérios desequilíbrios no normal decurso do ano letivo. Essa é uma preocupação séria que em termos de expectativas muito pode influenciar o sucesso do ano letivo que agora começa”.

O facto de algumas responsabilidades na Educação passarem para a esfera de competência das autarquias também faz parte das expetativas. Segundo o dirigente, é uma preocupação muito presente, na classe docente e nas escolas, já que, explica, “todos receiam que possam passar a existir interferências menos consentâneas com fatores de ordem pedagógica e mais com fatores de ordem político-partidária”.

E há os velhos problemas, apesar das permanentes chamadas de atenção à tutela e autarquias, ao longo dos anos. Manuel Pereira refere-se “à pouca importância dada aos assistentes operacionais e ao papel fulcral desempenhado pelos mesmos”. “De facto continuam a não ser suficientes em muitas escolas, menos ainda depois da redução do horário de trabalho para 35 horas”, sublinha o responsável que considera “incompreensível” que os agrupamentos não tenham mecanismos que permitam proceder às substituições de assistentes operacionais por doença, por gravidez ou licença de maternidade, ou até por morte ou aposentação, deixam de poder ir à escola. “É uma situação que claramente tem que ser resolvida até porque, a não acontecer, inviabiliza e faz perigar toda uma organização que tem por objetivo lutar por mais sucesso e melhor acompanhamento dos nossos alunos”.

Para Manuel Pereira, foi dado pouco tempo para assimilar as novidades na área da autonomia curricular. O presidente da ANDE considera a publicação tardia. “Efetivamente entraram em vigor durante o mês de julho, em véspera de férias e não permitiram que os atores tivessem oportunidade de debaterem, trocarem opiniões ou simplesmente a conhecerem com a profundidade necessária à preparação do ano letivo seguinte”. O mesmo aconteceu, na sua perspetiva, com o diploma da Educação Inclusiva que, de alguma forma, altera toda a filosofia inerente ao acompanhamento dos alunos com necessidades educativas especiais. “Foi publicado na mesma data e também não permitiu em tempo oportuno que todos os atores tomassem consciências das alterações propostas. Perante estas constatações estamos a começar um ano letivo, estudando diplomas que afinal, deviam ter estado na base de toda a preparação do mesmo”, alerta.

César Israel Paulo, da Associação Nacional dos Professores Contratados (ANVPC), destaca o alargamento do modelo de autonomia e flexibilidade curricular “para uma essencial transformação do sistema educativo português”. “As alterações operadas por este modelo apresentam novas modalidades de exercício profissional, por parte dos docentes, sendo, nessa medida, acompanhadas de novos desafios, assim como de um esforço suplementar a realizar por todos os atores envolvidos”.

Por outro lado, e depois dos avanços na vinculação de docentes contratados, nomeadamente pelo recente ajustamento do modelo da “norma-travão”, o dirigente do ANVPC refere que este é “o momento mais evidente para ser desenvolvido um mecanismo de estabilização profissional dos professores que desenvolvem há mais de 10, 15 e mais anos, funções nas escolas diretamente tuteladas pelo Ministério da Educação, umas vezes com horários anuais, outras com horários temporários, mas que ainda hoje se mantêm em total precariedade”. 

César Israel Paulo refere que é tempo, durante este ano letivo, de olhar para esta problemática, construindo “um modelo coerente, responsável e exequível, para a resolução definitiva da precariedade docente de longa duração, possibilitando a própria estabilização do sistema educativo”. “Veja-se que apesar de muitos já terem, até hoje, celebrado mais de 10, 15 ou mais contratos com o Estado português, não vislumbram qualquer solução para resolução da sua complexa situação laboral”. Esta questão é grave, na medida em que, todos os anos, tendo em conta esta instabilidade, colegas com grande experiência docente têm abandonado o sistema educativo”, acrescenta. 

A ANVPC analisou os números previstos para a aposentação de professores nos próximos anos, e tendo em conta a quebra de interesse na procura de cursos no âmbito da formação de professores, é previsível que a educação pública corra o sério risco de não ter disponível, a curto prazo, o número de docentes para assegurar, com a qualidade e experiência necessária, o funcionamento do sistema. “Sem a devida estabilidade profissional e com a recuperação da economia e o aumento da oferta de emprego noutros setores, continuaremos a ter uma expressiva saída de profissionais docentes (altamente qualificados e experientes) para outras áreas que oferecem melhores condições de trabalho, de estabilidade e de remuneração”, alerta César Israel Paulo. 

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e a Federação Nacional da Educação (FNE) estão preparadas para mais um ano letivo, depois de um ano de negociações e à falta de consenso quanto ao tempo a descongelar. Esta semana, as duas organizações sindicais andam em plenários pelas escolas “dada a urgência e importância de uma tomada de posição que vise concretizar as posições dos educadores e professores sobre matérias prementes da atividade docente que continuam sem resolução”. A FNE coloca na ordem de trabalhos vários assuntos como “as inaceitáveis posições do Governo sobre a carreira docente e o retomar das negociações” e “o incumprimento da declaração de compromisso: carreiras, horários e outras condições de trabalho, desgaste e exaustão dos professores, aposentação”. 

Um novo modelo de autonomia e flexibilidade curricular, turmas com menos alunos, manuais escolares gratuitos para os cerca de 500 mil alunos do 1.º ao 6.º ano das escolas públicas do país. Outra das novidades é a entrada em vigor do novo diploma de Educação Inclusiva, extensível a todos os alunos e não apenas aos que têm dificuldades de aprendizagem. Um novo paradigma que coloca as escolas a trabalhar para todos os estudantes. Outra alteração é que a nota de Educação Física volta a contar para a média do Secundário e, por conseguinte, para a entrada no Ensino Superior. E a tutela já autorizou a contratação de 500 assistentes operacionais, afetos às turmas de pré-escolar, e cuja contratação está agora a cargo das autarquias. 

São cerca de 1,5 milhões de alunos nas escolas públicas e privadas de todos os níveis de ensino. No Ensino Básico público estão matriculados mais de 730 mil alunos e no Ensino Secundário público mais de 170 mil. São cerca de 5 500 escolas públicas a funcionar, maioritariamente agregadas em 811 agrupamentos. As interrupções letivas acontecem de 17 de dezembro a 2 de janeiro, de 4 de março a 6 de março e de 8 de abril a 22 de abril. Uma vez mais, há uma grande diferença de duração entre os três períodos, com o último bastante mais curto.

Os alunos do 9.º, 11.º e 12.º ano são os primeiros a acabar as aulas, a 5 de junho. Os do 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º ano terminam a 14 de junho e os mais novos, do pré-escolar e 1.º Ciclo, terminam a 21 de junho. As provas de aferição do Ensino Básico decorrem entre 2 de maio e 19 de junho. As provas de finais de ciclo do 9.º ano são entre 18 de junho e 22 de junho e os exames finais nacionais do Secundário entre 17 de junho e 27 de junho, na primeira fase, e 18 de julho e 23 de julho, na segunda fase. 

A Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP) lamenta que o discurso não bata certo com a prática. “Sendo verdade que, muitas vezes, as escolas nos querem nas reuniões, nas festas, eventos, seminários, já não é tão verdade que gostem de nos ver discutir as questões de organização e pedagógicas. Também sabemos discutir isso. Deveria ser quase um orgulho e uma honra uma escola ter uma associação de pais, porque significaria que, efetivamente, a comunidade toda era interveniente e acompanhava a vida escolar. Esse é o caminho, mas as barreiras são muitas”, disse Jorge Ascenção, presidente da CONFAP, em declarações à Lusa. 

“São poucas as pessoas que efetivamente se envolvem e percebem o que é participar numa associação de pais nesta missão pelo coletivo e pelo bem das crianças todas. A falta de tempo dos pais não explica tudo. O que explica tudo é uma visão cultural da cidadania e do seu exercício, da nossa responsabilidade de participar para que as coisas sejam melhores e uma manifesta falta de vontade”, acrescenta o presidente da CONFAP, que defende que o material desportivo e os instrumentos musicais ou de disciplinas de artes deveriam ser dedutíveis em sede de IRS. 

O modelo de acesso ao Ensino Superior, muito assente em exames, também continua a merecer atenção. Pede-se discussão em torno deste processo que, para muitos, resume o trabalho de três anos do Secundário numa prova de hora e meia. “Há muita competição no Ensino Secundário. O que interessa é brilhar naquela hora e meia de exame. Como o modelo de acesso ao ensino superior ainda é à base de exames, [o Secundário] está refém deste modelo, alunos e professores trabalham só para os exames e não estão muito virados para este projeto que é bem interessante”, referiu Filinto Lima, presidente da ANDAEP, em declarações à Lusa, desafiando os reitores a pronunciarem-se sobre uma alteração do modelo de entrada no Ensino Superior. 

Jorge Ascenção partilha essa visão ao considerar o sistema avaliativo no Secundário e de entrada no superior “completamente castrador de um trabalho de qualidade que as escolas queiram fazer”. Manuel Pereira, presidente da ANDE, é mais otimista. “Não pretendemos mudar tudo de uma vez. Vai ser com calma. É verdade que enquanto houver exames nacionais e enquanto houver matrizes curriculares comuns, obviamente que por mais que se queira experimentar nas escolas não é possível, porque há objetivos curriculares que têm de ser cumpridos por causa dos exames nacionais. Mas não vale a pena estarmos desesperados. Vamos com calma. No próximo ano já teremos mais experiência e poderemos experimentar estratégias diferentes”, disse à Lusa.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Governo acredita que flexibilidade curricular poderá melhorar notas nos exames


O secretário de Estado da Educação afirmou hoje que a autonomia e flexibilidade curricular, medida que é agora disponibilizada a todas as escolas, poderá levar a uma melhoria dos resultados nos exames de acesso ao ensino superior.

João Costa sublinhou que é "preciso perceber onde é que os alunos têm maus resultados quando fazem exames", num país que tem "médias de exames bastante baixas", sendo que os resultados dos últimos dez anos revelam que os alunos falham mais nos itens de "raciocínio, na interpretação, na escrita e na aplicação de conhecimento. Não é nas rotinas de memorização".

Nesse sentido, o secretário de Estado acredita que, com a autonomia e flexibilidade curricular alargada neste ano letivo a todas as escolas e com um trabalho nessas competências, "o resultado dos exames até será melhor".

Apesar disso, reconheceu que o peso dos exames para o acesso ao ensino superior "é um debate que tem de ser tido".

João Costa falava aos jornalistas após a sua participação na Jornada de Educação "Autonomia e Flexibilidade Curricular e a Descentralização da Educação", promovida pela Câmara Municipal da Batalha, no distrito de Leiria.

Durante a sua intervenção, salientou o convite que o ministério fez para que haja uma diversificação dos instrumentos de avaliação.

"Não podemos ter uma rede de alunos críticos e analíticos e depois avaliá-los só na memória", vincou o membro do Governo, sublinhando que as escolas abrangidas no projeto-piloto de autonomia do ano letivo transato acabam por criar "novos instrumentos de avaliação", sem "matar os testes", mas garantindo um "equilíbrio muito maior".

Sobre o arranque do novo ano letivo e questionado sobre se os professores estão prontos para integrar a autonomia e flexibilidade curricular, João Costa referiu que, no ano piloto, os docentes mostraram que, quando lhes é dada liberdade para serem os construtores do currículo, "aparecem práticas absolutamente maravilhosas".

Segundo o secretário de Estado, a partir da próxima semana vai estar no terreno um instrumento de acompanhamento e de apoio às escolas que adotem o modelo de autonomia e flexibilidade curricular, que vai permitir esclarecer dúvidas, promover a formação e a partilha de práticas.

"Vai ser feito um investimento de 19 milhões de euros em formação", avançou.

https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=139986&langid=1

sábado, 15 de setembro de 2018

Ministro da Educação reitera meta de 50% dos alunos do secundário no ensino profissional


O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, visitou ontem a Escola Profissional de Almada, no distrito de Setúbal, onde reiterou o objetivo do Governo de que 50% dos alunos do secundário optem pelo ensino profissional.

“Nós temos apostado no ensino profissional, um ensino de corpo inteiro e temos apostado em não secundarizar, em não tornar periférico. O ensino profissional permite ter, por um lado, uma certificação académica e, por outro, uma certificação profissional. Hoje vimos aqui um belo exemplo do que fazem as nossas escolas profissionais e temos um grande objetivo: que 50% dos nossos alunos que terminem o ensino secundário o possam fazer por vias profissionais”, disse à agência Lusa o ministro da educação. 

A visita assinalou o arranque do novo ano letivo e o governante valorizou o ensino profissional. 

 “Sabemos que a nossa sociedade, a nossa economia e o nosso mercado de trabalho precisam de alunos que saiam do ensino profissional, mas sabemos também que as nossas universidades e o ensino politécnico precisam verdadeiramente de alunos que também saiam do ensino profissional”, frisou. 

De acordo com o ministro, desde 2012 havia discriminação para os alunos do ensino profissional que pretendessem ingressar num curso superior, mas com o atual governo essas barreiras foram esbatidas. 

“O acesso dos alunos do ensino profissional e do ensino artístico era diferenciado e havia uma discriminação marcada quando tentavam entrar no ensino superior, com barreiras sucessivas, tendo mesmo que fazer exames de disciplinas que não eram lecionadas nos seus currículos. Com entrada em vigor do novo decreto-lei, que legisla estas matérias, podemos novamente fazer com que os alunos do ensino artístico e profissional possam ver reconhecido o seu percurso curricular e eliminarmos barreiras no acesso ao ensino superior”, apontou. 

À margem deste evento, o governante falou das manifestações anunciadas pelos professores, devido à contabilização do tempo de serviço, considerando que as reivindicações são justas, mas que não acredita que perturbem o ano letivo. 

“Só quem não conhece verdadeiramente os docentes portugueses e as nossas comunidades educativas é que pode pensar que as reivindicações, que são justas, podem influenciar aquilo que são os projetos pedagógicos das escolas. Estou absolutamente convencido que o projeto pedagógico de cada uma das nossas escolas em todo o território nacional vai continuar a acontecer, porque a educação das nossas crianças e jovens é prioritária”, sublinhou.

Tiago Brandão Rodrigues referiu também que, é preciso “valorizar os profissionais” e que o Governo “vinculou sete mil docentes e integrou três mil assistentes operacionais”. 

“Sabemos que todos os assistentes operacionais são absolutamente fundamentais e temos feito um esforço significativo para termos cada vez mais profissionais que nos permitem dar uma atenção mais especial à educação pré-escolar e ao ensino inclusivo”, disse. 

O ministro acrescentou ainda que o Governo tem a “meta de universalizar o pré-escolar aos três anos, para que todas as crianças do país possam ter educação pré-escolar de qualidade na escola pública e gratuita”. 

Segundo o governante, para que este objetivo seja atingido, este ano, foram abertas 220 novas salas, o que corresponde a “mais cinco mil vagas na educação pré-escolar”.  

https://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=140306&langid=1

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Professor de matemática, geometria descritiva e física química

Procura-se professor/a de matemática, geometria descritiva e física química para centro de estudos em Vale de Cambra. 

Requisitos: 

- Formação académica pertinente; 
- Responsabilidade; 
- Gosto pelo ensino; 
- Experiência em ensino secundário 


Os interessados devem enviar a candidatura juntamente com currículo para o e-mail:

    mania_do_saber@hotmail.com

Professores de MATEMÁTICA e FQ para Centro de Estudos em Lisboa

Procuram-se Professores dinâmicos nas áreas de MATEMÁTICA e FÍSICA-QUÍMICA para colaboração em regime de prestação de serviços com o Centro de Explicações, quer em regime de part-time quer a tempo inteiro. Leccionamos todos os níveis de ensino desde o básico, passando pelo secundário até ao ensino superior. 

Respostas com CV, referindo disponibilidade, para o e-mail:

    aebenfica@gmail.com

O Centro localiza-se perto das Torres de Lisboa e Estádio da Luz, estando aberto das 08:30 às 20:30 de Segunda a Sexta e Sábados das 8:30 às 13:30.    

Professor de geometria descritiva

Precisa-se professor de geometria descritiva para Azeitão. 

Enviar currículo para: 

    profsilviacarpinha@gmail.com

domingo, 26 de agosto de 2018

Professor de matemática

Recrutamento de professor de matemática para explicações e/ou apoio ao estudos 

- disponibilidade de horário entre as 14h e as 20h 
- licenciatura em ensino de matemática 
- experiência no ensino e conhecimento dos programas e metas curriculares 
- residência no concelho de Barcelos, Esposende ou Braga. 

Enviar CV para

Braga - Professor/a Física e Química 2018-19

Ginásio da Educação Da Vinci, Unidade Braga, a abrir brevemente encontra-se em processo de recrutamento e seleção de professor/a de Física e/ou Química para apoio a alunos do ensino básico (3ºciclo) e secundário. 

Perfil: Licenciatura na área ou compatível com a função; experiência na área do ensino e/ou reforço escolar; experiência preparação exames nacionais. 

Candidatura: cv, indicação de outras disciplinas que se encontra apto a apoiar, níveis de ensino e disponibilidade. 


Braga - Professor/a Português 2018-19

Ginásio da Educação Da Vinci, Unidade Braga, a abrir brevemente encontra-se em processo de recrutamento e seleção de professor/a Português para apoio a alunos do ensino básico (3ºciclo) e secundário. 

Perfil: Licenciatura na área ou compatível com a função; experiência na área do ensino e/ou reforço escolar; experiência preparação exames nacionais. 

Candidatura: cv, indicação de outras disciplinas que se encontra apto a apoiar, níveis de ensino e disponibilidade. 

Professor de Alemão

A Kids.com:

A Kids.com é uma empresa especializada em aulas particulares nos nossos centros, ao domicílio e online. Desde 2003 que ajudamos os nossos alunos a melhorarem o seu desempenho e a atingirem o sucesso escolar! Prestamos serviços desde o 1º ciclo ao ensino superior e formação nas áreas de línguas e informática. 



Sabemos bem como a aposta no futuro é necessária. Assim sendo, a Kids.com é um centro de ensino que promove explicações, cursos de informática e cursos de línguas para pessoas de todas as idades. 

Pretendido: 

- Reforço de equipa docente com Professor(a)/ Formador(a) de Alemão 



Perfil do(a) Candidato(a): 

- Formação académica ao nível da licenciatura; 

- Experiência Profissional anterior na área do Apoio/ Acompanhamento Escolar; 

- Domínio da língua alemã bem como dos respetivos programas letivos; 

- Boa Capacidade de relação interpessoal e organização pessoal; 



Horário: 

Part time 

- Local de Trabalho: Odivelas e Loures; 



Os interessados deverão enviar CV atualizado c/ foto e carta de motivação para

    rhkids.com@gmail.com

, com a referência Alemao_pt no assunto do e-mail.   

Professor TIC (Oeiras)

Precisa-se professor de TIC (Grupo 550) para leccionar na modalidade de ensino profissional. 

Enviar CV para

Braga - Professor/a História 2018-19

Ginásio da Educação Da Vinci, Unidade Braga, a abrir brevemente encontra-se em processo de recrutamento e seleção de professor/a de História para apoio a alunos do ensino básico (3ºciclo) e secundário. 

Perfil: Licenciatura na área ou compatível com a função; experiência na área do ensino e/ou reforço escolar; experiência preparação exames nacionais. 

Candidatura: CV, indicação de outras disciplinas que se encontra apto a apoiar, níveis de ensino e disponibilidade. 


sábado, 25 de agosto de 2018

Professor Explicador Físico-Química Odivelas

Precisa-se de professor para dar apoio de Físico-Química a alunos de 3º ciclo e Secundário num Centro de Estudos em Odivelas. 


TM:965167788    

Braga - Professor/a Matemática 2018-19

Ginásio da Educação Da Vinci, Unidade Braga, a abrir brevemente encontra-se em processo de recrutamento e seleção de professor/a de matemática para apoio a alunos do ensino básico (3ºciclo) e secundário. 

Perfil: Licenciatura na área ou compatível com a função; experiência na área do ensino e/ou reforço escolar; experiência preparação exames nacionais. 

Candidatura: CV, indicação de outras disciplinas que se encontra apto a apoiar, níveis de ensino e disponibilidade. 


Explicador/ Professores de Físico-química (m/f)

Projeto na área da educação pretende professor(a) de cfq para centro de estudos em Tires/Oeiras, para dar explicações de secundário. 

Pretende-se Profissional licenciado , dinâmico e com gosto por ensinar. 

Oferece-se bom ambiente de trabalho numa equipa jovem e promissora. 


Enviar o curriculum vitae para:


Explicador de matemática e de físico-química

Centro de estudo perto das escolas de Santa Maria da Feira encontra-se, neste momento, a recrutar explicador de matemática e explicador de físico-química. 
Os interessados, devem enviar o seu currículo para o seguinte endereço:

Professores de Físico-Química

Centro de Estudos na Senhora da Hora, admite professores de Físico-Química, a recibo verde. Enviar curriculum para

    percentagemdarrasar@gmail.com

sábado, 21 de julho de 2018

Vamos Conseguir !!!



As reuniões de avaliação dos alunos só podem realizar-se com a presença de todos os professores

A FENPROF, em convergência com outras nove organizações sindicais, respeitando a posição manifestada pela esmagadora maioria dos professores, tanto em reuniões realizadas nas escolas, como participando numa consulta que envolveu mais de 50.000 docentes, decidiu não prolongar a greve às avaliações para além de 13 de julho, transferindo a continuação da luta para setembro, mês em que prosseguirá a negociação que foi retomada no passado dia 11. Para a FENPROF, esse será o momento adequado de retomar a luta, articulando-a com a negociação que decorrerá, com vista a estabelecer o prazo e o modo de recuperar os 9 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço cumprido durante o período de congelamento das carreiras.

Alguns professores, contudo, mantiveram-se em greve, levando a que ainda não tenha sido atribuída avaliação, segundo o ME, a 7% dos alunos dos anos em que não há exames. Por esse motivo, o ME, através da DGEstE, enviou uma nota aos diretores das escolas em que informa que às reuniões de conselho de turma se aplica, para efeitos de quórum, o disposto no Código de Procedimento Administrativo (CPA). Como a FENPROF já afirmou anteriormente, na sequência da nota informativa da DGEstE, datada de 11 de junho, de acordo com os normativos que vigoram, só há quórum nas reuniões de conselho de turma dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário quando estão presentes todos os seus membros. Assim, não se aplica o disposto no CPA, pois estas não são reuniões administrativas, mas de natureza pedagógica, sujeitas a normativos legais próprios.

Na próxima segunda-feira, a FENPROF contestará, junto do Ministério da Educação, a informação ilegal sobre o quórum das reuniões de conselho de turma, que, reiteradamente, a DGEstE enviou para as escolas.

O Secretariado Nacional

https://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=11624

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Há uma nova convenção de preços para os livros escolares


A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e o Governo, através dos ministérios da Educação e da Economia, conversaram, negociaram, e chegaram a acordo para uma nova convenção de preços dos manuais escolares - que a partir do próximo ano letivo não só serão gratuitos para os alunos do 1.º Ciclo como também para os estudantes do 2.º Ciclo. Os alunos destes dois níveis de ensino, segundo o acordo agora estabelecido, beneficiarão de uma licença digital que lhes dará acesso gratuito a uma série de materiais digitais complementares aos manuais em papel. 

A APEL, em comunicado, garante que o acordo foi possível porque os “editores são parte da solução e não do problema”. “Mais uma vez, os editores colocaram os melhores interesses de alunos, famílias e comunidade educativa acima dos seus próprios, conscientes de que os livros e demais recursos didáticos que desenvolvem são determinantes para o sucesso de alunos e professores”, sustenta, lembrando que a disponibilização de licenças digitais, para os alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, “só é possível graças ao trabalho que os editores têm desenvolvido ao longo dos anos, com base, exclusivamente, em investimento próprio em tecnologia e recursos altamente qualificados”. 

O acordo foi longo e complexo e, neste momento, os editores lutam contra o tempo de forma “a diminuir os impactos no abastecimento do mercado para o próximo ano letivo”. O acordo vigorará durante quatro anos, os preços serão atualizados de acordo com a inflação, o que significa que não haverá um aumento real nos livros escolares. O que, segundo a APEL, “traz enormes dificuldades acrescidas para os editores, considerando, por um lado, o decréscimo progressivo do número de alunos e o subsequente decréscimo nas vendas, agravado pelo sistema de reutilização obrigatório; e por outro, a exigência de aumentar o investimento no digital para assegurar a disponibilização dos conteúdos digitais do 1.º ao 6.º anos, em complemento aos manuais em papel, sendo que os custos de desenvolvimento nesta área são mais elevados”. 

A APEL prevê um “inevitável e difícil processo de reestruturação” das empresas editoriais, “cujo impacto se fará sentir nesta importante indústria cultural”, até tendo em conta a crise do setor livreiro que se arrasta desde o início desta década. “Foi um processo longo e complexo que vai implicar a reestruturação de empresas, o que terá impacto ao nível dos trabalhadores, sendo que ainda não é possível precisar as consequências concretas”, referiu o porta-voz da APEL, em declarações à Lusa.

Os editores estão a tentar perceber como podem fazer o seu trabalho. O porta-voz da APEL adianta que criar um manual escolar exige um investimento de risco muito elevado que “só começa a ter retorno depois de quatro ou cinco anos de vigência”. Impacto acrescido numa altura em que o número de alunos diminui, o que significa menos livros vendidos. Um livro escolar demora, em média, ano e meio a ser concebido e conta com o trabalho de dezenas de pessoas: autores, designers, fotógrafos, ilustradores, paginadores, equipas de consultores científicos e pedagógicos. “A disponibilidade das licenças digitais vai exigir um esforço financeiro tremendo dos editores”, avisa a APEL. 

O ministro da Educação está satisfeito com as negociações.“Chegámos a acordo para que nos próximos quatro anos não exista aumento dos preços, somente aquele indexado à inflação, como normalmente acontece”, referiu Tiago Brandão Rodrigues, à margem da Skills Summit Porto 2018, que teve lugar no Porto. Por outro lado, o governante destacou o facto de o acordo incluir uma licença digital para crianças e jovens. “Na negociação foi também conseguido que todos os jovens e crianças do 1.º e 2.º Ciclo, que vão ter os manuais gratuitos no próximo ano letivo, beneficiem de uma licença digital que lhes vai dar acesso gratuito a um conjunto de materiais digitais que vão complementar o manual escolar físico.”

quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Agora, os miúdos têm muito mais poder!"



Marc Prensky iniciou a sua carreira como professor do ensino elementar em Nova Iorque, EUA. No sistema educativo americano este é o primeiro nível de ensino para todas as crianças dos 4 aos 11 anos. Não admira, por isso, que Prensky seja um grande defensor de que se dê mais atenção às opiniões das crianças. 
Em 2001, as suas ideias sobre o ensino, educação e tecnologia tornaram-se virais, com a popularização dos seus conceitos de "nativos digitais" e "imigrantes digitais". Uma distinção entre os nascidos antes e depois da revolução digital. 

Prensky é ainda autor de vários livros sobre pedagogia e currículo e criador de jogos. Este americano, de 72 anos, tem viajado por todo o mundo a fazer o que mais gosta: ouvir o que as crianças têm para dizer sobre os mais variados temas. No dia 3 de julho esteve em Braga, como orador na NESTT International Conference 2018. O EDUCARE.PT esteve à conversa com Marc Prensky. 

EDUCARE.PT (E): A tecnologia está a mudar a infância. Como disse, agora, as crianças têm “cérebros extensíveis”. Acha que os professores compreendem inteiramente estas mudanças?
Marc Prensky (MP): Os professores estão conscientes de que há mudanças a acontecer, mas estão assustados. Não acho que compreendam o suficiente sobre os aspetos positivos dessas mudanças. Os professores veem muito claramente os aspetos negativos, como o bullying, e tantos outros. Mas não veem o empowerment que a tecnologia dá às crianças. E é por isso que digo aos professores que pensem nos seus alunos como tendo "cérebros extensíveis" que trabalham em conjunto. Se os professores virem os alunos dessa maneira, vão trabalhar com eles de forma muito diferente. 

E: Mencionou que muitos professores ainda usam a tecnologia de forma "trivial". Ou seja, para fazer coisas que poderiam fazer sem ela. Isto é uma oportunidade?
MP: Sim é. Não estamos a olhar para o poder que a tecnologia nos dá ao ponto de com ela podermos fazer coisas que nunca poderíamos antes. Podemos ter uma equipa composta por pessoas que estão a trabalhar em conjunto e ao mesmo tempo, mas estão localizadas em sítios muito diferentes do mundo. Sem tecnologia seria impossível. Antes, não podíamos criar uma simulação para tentar resolver um problema, agora podemos. E há muitas mais coisas poderosas que estão mesmo aí a chegar. A inteligência artificial está a chegar! Os hologramas estão a chegar! E a pergunta que se deve fazer não é: Como vou usar o holograma para fazer o que costumo fazer? Também não vamos olhar para o holograma e dizer, como a Princesa Leia no filme Guerra das Estrelas: "Ajuda-me Obi-wan Kenobi, és a minha única esperança!"

E: Mas é preciso tempo na escola para tirar partido da tecnologia...
MP: Os professores precisam de mais tempo para explorar estas potencialidades com as crianças. Por outro lado, gostava de ver mais as empresas de tecnologia a irem às escolas com as suas novas invenções tecnológicas e a perguntar às crianças: Como podemos usar isto? O que é que vocês acham que pode acontecer se usarmos isto?

Voltando às oportunidades perdidas, a possibilidade de usar ferramentas de tradução é uma delas! O meu filho, de 13 anos, está a estudar Espanhol e recentemente disse-me: "Sabes, o tradutor do Google é o meu melhor amigo!" Mas muitas pessoas ainda pensam que usar essas novas ferramentas é delegar nelas ou confiar-lhes tarefas que devíamos ser nós humanos a fazer. Eu acho que é apenas uma forma de nos estendermos, de nos ajudarmos. No fundo, até se pode argumentar que os livros são maus, porque confiamos conhecimento neles, mas não são eles apenas uma extensão do pensamento humano? 

E: Quando as crianças aprendem tantas coisas através de vídeos no Youtube, isto não deve deixar os professores com medo de serem substituídos pela tecnologia?
MP: [Risos] É por isso que os professores não devem pensar no seu trabalho apenas como uma forma de ajudar os alunos a aprender, mas sim como uma forma de ajudar os alunos a realizar as suas aprendizagens. Assim, o trabalho do professor será necessário enquanto coach [treinadores/formadores]. Mas, se é apenas uma questão de ensinar Matemática, é verdade que o aluno pode aprender na Khan Academy, ou noutros sítios, e isso acabou. Os professores devem ter medo se ainda pensam no seu trabalho desta forma, porque a tecnologia vai substituí-los. Já os substituiu! Mas a outra parte do seu trabalho, a de ser coach, a de ajudar as crianças a tornarem-se melhor adultos, essa não vai acabar nunca. E é isso que tem de ser feito.

E: Vê com "otimismo" a relação das crianças e dos jovens com as tecnologias. Mas vários estudos têm alertado de que eles são mais consumidores do que produtores, com tudo o que isto acarreta de negativo quanto à participação neste mundo digital...
MP: Os leitores são mais consumidores do que produtores. A maioria das pessoas não escreve livros, lê livros! Isso é uma coisa disparatada de se dizer. Alguém inventou essa ideia, mas não corresponde à verdade. Vai haver sempre pessoas que criam ou que produzem, mas a maioria de nós vai ser apenas consumidor.

E: E não há nada de errado nisso?
MP: Nada. Será que todas as crianças têm de fazer filmes? Não! Mas todas as crianças gostam, com certeza, de ir ao cinema. É assim que as coisas funcionam. O que é interessante é que as crianças possam explorar situações em que querem ser criadores. 

Apenas para dar um exemplo. Estava a viajar com o meu filho que tem 13 anos. Era a primeira vez que ele estava na Europa, estávamos em Estocolmo, e ele diz-me: Pai, tenho de ir dar uma volta! E eu respondo: Está bem, mas eu vou caminhar atrás de ti. Não queria deixá-lo sozinho, queria manter um olho nele. Quando percebi que ele estava a fazer um blog. Todos os dias ele publicava qualquer coisa para todos os amigos verem e todos os amigos faziam o mesmo. Estavam todos em sítios diferentes do mundo e estavam a partilhar toda aquela informação. Acho isso formidável. E, se no final decidirem fazer um filme com os melhores momentos das filmagens que fizeram, muito bem. Se não fizerem nada com aquilo, muito bem na mesma. Há muitas situações deste género que vão emergindo. E é isso que os adultos receiam. Agora, os miúdos têm muito mais poder!

E: Em Portugal, as crianças do 1.º ciclo podem aprender programação. É mesmo necessário que aprendam a programar, se a maioria não vai ser programador?
MP: Todas as crianças aprendem Matemática e a maioria não vai ser matemático. Existem coisas que é bom aprender. Ensinar sobre programação não é tanto ensinar a programar, é mais treinar o cérebro a pensar de uma certa maneira. Claro, existem muitas outras formas de fazer isso. Por exemplo, através do ensino das artes. Mas é sempre bom deixar o nosso cérebro trilhar outros caminhos. 

E: Programar será mais uma área que as crianças podem aprender como a Matemática ou a Leitura?
MP: Podem e devem aprender, porque é uma das áreas para o futuro. Pode-se argumentar que também era bom ensinar os alunos a navegar no mar guiando-se pelas estrelas. Seria bom mas não seria importante para o futuro, as crianças não vão precisar de saber isso. 

E: O foco do ensino deve ser o futuro?
MP: Sim. Temos de pensar cuidadosamente sobre o que queremos manter do passado. Algumas coisas serão para manter, mas não todas! Podemos querer continuar a ensinar Shakespeare, mas existem muitos outros escritores que já não vale a pena estudar. 

E: Será mais difícil fazer essa seleção do que manter e descartar?
MP: Não será assim tão difícil, se as pessoas quiserem mesmo fazê-la.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Contagem de todo o tempo congelado vai ao Parlamento


A Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), que parte de um grupo de docentes e que defende a contabilização de todo o tempo de serviço congelado aos professores, é formalmente entregue esta terça-feira à meia-noite. Esta entrega será feita, nos termos da lei, através da submissão eletrónica no site do Parlamento. Segundo os promotores, foram recolhidas as 20 mil assinaturas necessárias em 60 dias – e até superadas em 4% - que permitem que o assunto seja admitido para discussão e votação na Assembleia da República. 

“O projeto de lei prevê, sendo aprovado, que os nove anos, quatro meses e dois dias sejam contados com efeitos imediatos na carreira e remuneração, no dia 1 de janeiro de 2019, sem qualquer efeito de faseamento e anulando os obstáculos e atrasos criados pela existência de vagas em certos escalões da carreira”, sublinham os promotores da ILC, que querem entrar em contacto com os grupos parlamentares para marcar reuniões destinadas a analisar os termos deste projeto de lei. A comissão representativa já tinha contactado, em carta aberta, o ministro da Educação, solicitando uma audiência. A resposta do governante ainda não chegou. 

A esmagadora maioria das assinaturas, segundo os promotores, é de docentes. É uma iniciativa legislativa e não uma petição, ou seja, não é uma recomendação. Implica, isso sim, a abertura de um processo legislativo como se fosse um projeto apresentado por deputados. Após a admissão final do projeto de lei, os deputados podem apresentar projetos próprios sobre a mesma matéria. 

Esta quarta-feira, o Ministério da Educação e os sindicatos do setor retomam as negociações sobre esta matéria, que está na base das greves às avaliações que começaram no mês passado. “A relevância da ILC salienta-se no atual momento das negociações entre Governo e sindicatos. Vários partidos têm vindo a dizer que desejam solução para o problema dos nove anos, quatro meses e dois dias não contados e a ILC dá-lhes a oportunidade de, no sítio próprio para fazer leis, tomarem a iniciativa de produzir uma solução, aprovando a ILC ou produzindo normas alternativas”, referem em comunicado. 

É uma iniciativa de docentes, que fazem questão de salientar que “dão aulas todos os dias”, e que “é independente de partidos políticos e sindicatos”. “O facto de existir e estar a ser entregue na Assembleia da República é, por si só, um marco na democracia portuguesa, por consagrar uma forma de participação dos cidadãos de intensidade muito elevada (propor uma lei e iniciar processo legislativo na Assembleia). Outro facto pioneiro é ser a primeira integralmente realizada por via eletrónica, testando o funcionamento da nova plataforma do Parlamento”, sustentam.

O assunto continua a marcar a atualidade e os partidos políticos vão manifestando a sua posição sobre esta iniciativa liderada por docentes. O BE refere que a medida já está a ser legislada no Orçamento do Estado. O CDS-PP considera que será difícil concretizar. O PSD admite votar contra. O PCP insiste que o Governo já tem “as ferramentas” necessárias à resolução do problema.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Tribunal decide a favor do Governo sobre concurso de mobilidade dos professores


O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa decidiu "julgar totalmente improcedentes as pretensões" dos quase 200 professores que contestaram judicialmente os resultados do concurso de mobilidade interna de Agosto passado, segundo a sentença a que a agência Lusa teve acesso.

No ano passado, o Ministério da Educação abriu um concurso de mobilidade interna (destinado aos professores dos quadros que querem mudar de escola), que levou a forte contestação por parte dos docentes por terem sido disponibilizadas apenas vagas para horários completos.

Quando foram disponibilizados os horários incompletos, muitos professores queixaram-se de terem sido ultrapassados por colegas menos graduados.

A contestação chegou a tribunal, com centenas de acções a serem agregadas numa acção de massas que o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa considerou improcedente, decidindo a favor dos argumentos do Ministério da Educação (ME).

Em declarações à Lusa, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, sublinhou a concordância do tribunal com um dos principais argumentos que o ME tem utilizado, inclusivamente no pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional, ainda por decidir, e que vai no sentido da defesa de que pagar um salário completo por um horário incompleto representa uma violação do princípio da igualdade.

A governante referiu, no entanto, que a decisão não põe em causa a repetição do concurso de mobilidade interna este ano, tal como foi decidido pelo parlamento no início de Abril, estando o Governo a dar cumprimento à lei resultante dessa decisão da Assembleia da República.


quinta-feira, 14 de junho de 2018

Procura-se professor (a) de Estatística para Almada

A Sala K, centro de explicações em Almada, procura Professores para preparação de exames de ensino superior da cadeira supra-mencionada. 

Requisitos: 
-Licenciatura adequada à função; 
- Experiência; 


Enviar cv para:

Professor 3º ciclo - Matemática - substituição licença de maternidade

Centro de apoio escolar em Queluz precisa de professor(a) da área da matemática/ ciências e físico química para apoio ao estudo a começar em setembro de 2018. 
Os interessados deverão enviar o seu currículo para:

Precisa-se de formador/a de Inglês - formação Financiada

O Planeta Informático é uma entidade formadora certificada pela DGERT, que desde 1998 desenvolve a sua atividade exclusivamente no mercado da formação profissional, com incidência a nível nacional. 

Para o desenvolvimento de ações de formação financiada que pretendemos iniciar estamos nesta fase a proceder ao recrutamento e seleção de formadores(as) externos(as) a contratar em regime de prestação de serviços para formação na área das Línguas Estrangeiras. 

Pretendemos um(a) formador(a) para a(s) área(s): 
- Língua Inglesa. 

O/a(s) formador/a(s) a contratar deverão corresponder ao seguinte perfil: 
- Experiência na área 
- Formação base na área (preferencialmente) 
- CCP válido 
- Disponibilidade em horário Laboral e Pós-laboral 


Se julga reunir as condições indicadas e está interessado em colaborar no desenvolvimento deste projeto poderá candidatar-se através do seguinte email


Candidaturas que não respeitem o perfil enunciado e/ou não possuam dados de inscrição completos, não serão consideradas.    

Educadora/Animadora - Estágio Profissional (remunerado) - São Domingos de Rana (Cascais)

Os candidatos a esta oferta deverão corresponder ao seguinte perfil: 
- Mestrado na área da Educação 
- Experiência pedagógica (crianças com idades entre 4 e 10 anos) 
- Valorizamos experiência em AEC's / AAAF's / CAF 
- Pessoa empática, com boas competências de relacionamento interpessoal 
- Entusiasmo pelo trabalho com crianças 
- Gosto e capacidade para trabalhar em equipa 
- Ética de trabalho (responsabilidade, integridade, comprometimento, humildade e empenho) 
- Dinâmica e criativa 
- Domínio de diferentes técnicas artísticas e expressivas 
- Capacidade de organização 

Condições/Oferta: 
Integração numa equipa e Instituição com um projeto educativo de referência. 
Acompanhamento e formação em contexto de trabalho 
Entrada imediata 
Tipo de Contrato: Estágio profissional 9 meses (remunerado - bolsa nível 7) 
Horário: entre as 10h00-19h00 (7h/dia) 
Dias de descanso semanal: sábado e domingo 
Local de trabalho: São Domingos de Rana (concelho de Cascais). 
Refeição fornecida pela Instituição. 

Os interessados nesta oferta deverão enviar o seu Curriculum Vitae para o seguinte endereço de email:


com a ref.ª Educadora/Animadora - Estágio Profissional. 

Apenas serão contactados os candidatos que reúnam os requisitos mínimos exigidos.