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sábado, 7 de junho de 2014

Aulas terminam hoje para milhares de alunos

As aulas terminam hoje para os alunos do 6.º, 9.º, 11.º e 12.º ano, que, à exceção dos estudantes que concluem o 2.º ciclo, têm agora cerca de uma semana de interrupção letiva para se prepararem para os exames que começam a 17 de junho.
Até 13 de junho terminam as aulas para os restantes alunos, exceto para o pré-escolar e, para os alunos do 4.º e 6.º anos que não obtenham aproveitamento e precisem de frequentar o período de acompanhamento extraordinário que decorre até 04 de julho, para se prepararem para a segunda fase dos exames de Português e Matemática, a 09 e 14 de julho, respetivamente.
Para os alunos do 9.º ano os exames começam na terça-feira, 17 de junho, com a prova de Português, seguindo-se a de Matemática a 23 de junho. As pautas com os resultados deverão ser afixadas a 14 de julho.
No ensino secundário os exames iniciam-se com a prova de Filosofia do 10.º e 11.º anos, a 17 de junho. O exame de Português, o mais concorrido do ensino secundário, decorre no dia seguinte, quarta-feira, 18 de junho.
O calendário de exames de primeira fase no secundário termina a 27 de junho, com as provas e Geometria Descritiva e Literatura Portuguesa. No dia anterior, a 26 de junho, os alunos serão chamados a prestar provas a Matemática, uma das disciplinas que costuma apresentar notas médias mais baixas.
As pautas da 1.ª fase do ensino secundário são afixadas a 11 de julho.

Notícia retirada daqui

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Alunos do 9.º ano vão fazer prova nacional de Inglês


Os alunos do 9.º ano vão realizar já este ano lectivo, pela primeira vez, provas nacionais de Inglês, revela um despacho do Ministério da Educação e da Ciência (MEC), publicado na quarta-feira, ao final do dia, em Diário da República.

De acordo com o diploma, os alunos que terminem o 3.º ciclo vão passar a realizar anualmente “testes diagnóstico de Inglês, doravante designados por provas (…), que integram obrigatoriamente as componentes de compreensão e produção escritas e compreensão e produção orais”.

Não se trata de um exame nacional – no 9.º ano, os alunos fazem exame de Português e de Matemática –, mas de um teste diagnóstico. Actualmente, os estudantes deste ano de escolaridade fazem testes intermédios de várias disciplinas que são promovidos pelo MEC. A estes as escolas são livres de aderirem, mas não é o que vai acontecer com a prova de Inglês.

Neste caso, é nacional, feito em data a determinar pela tutela: no mesmo dia, à mesma hora, para todos os alunos do 9.º ano de escolaridade das escolas do ensino público, privado e cooperativo.

A prova integra "obrigatoriamente as componentes de compreensão e produção escritas e compreensão e produção orais”, diz o despacho.

Esta sexta-feira o MEC assina um protocolo entre o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE, I.P.) e entidades como o BPI, a GlobeStar Systems Inc, a Novabase e a Porto Editora para instituir o projecto KEY for Schools Portugal – trata-se de uma qualificação que comprova que um aluno sabe lidar com situações reais de comunicação do dia-a-dia em inglês em um nível básico, promovida pela Universidade de Cambridge. Este acordo, assinado durante a manhã, vai permitir a aplicação de um teste de língua inglesa concebido pelo Cambridge English Language Assessment da Universidade de Cambridge.

O MEC define ainda que "não há qualquer relação formal entre a classificação do teste de diagnóstico e a classificação interna", ou seja, o resultado não tem de contar para a avaliação dos estudos. "No entanto, as escolas podem utilizar a informação gerada por estes testes da forma que considerarem mais adequada para a promoção do sucesso dos alunos, à semelhança do que sucede com os testes intermédios", acrescenta. Portanto, caso a escola queira, essa nota poderá contar.


O diploma refere a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras para um “percurso formativo de qualidade”, sublinhando, no entanto, que existe “uma percentagem expressiva de alunos" que "não reúne ainda os requisitos mínimos de aprendizagem das línguas, nas suas diversas vertentes, nomeadamente, da compreensão e produção escritas e da compreensão e produção orais, pelo que se torna necessário um maior acompanhamento e avaliação do efectivo domínio de línguas estrangeiras, em especial da língua inglesa”.

Recordando a decisão de tornar obrigatório por um período de cinco anos a promoção do ensino do Inglês, o ministério define que é preciso impor a criação de mecanismos que permitam aferir os resultados da aprendizagem, "de modo sustentável e comparável".

"A valorização da aprendizagem do Inglês fundamenta, assim, o seu alargamento acompanhado através da realização de provas de avaliação diagnóstica, a nível nacional, dos conhecimentos e capacidades de proficiência linguística, de acordo com os níveis definidos pelo Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas", a todos os alunos, bem como a possibilidade da sua certificação.

Notícia retirada daqui

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alunos e pais em choque com alterações aos exames do 12.º ano


"Total desagrado." É assim que alunos do 12.º ano e pais reagiram quarta-feira à notícia de que, ao contrário do que tem sido norma desde 2007, os exames nacionais para a conclusão do ensino secundário irão incidir sobre os programas dos três anos deste nível de ensino. Os alunos já agendaram uma manifestação para o próximo dia 27, em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal. 

Nos últimos anos, os exames das chamadas "disciplinas trienais", entre os quais figuram os de Português e Matemática, só têm abrangido os programas do 12.º ano. Entre os alunos, a informação divulgada na terça-feira pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), o organismo responsável pela elaboração dos exames, assemelhou-se mesmo a uma bomba, com estragos ao retardador. "É-nos imposto mais um obstáculo ao ingresso no ensino superior", desabafa Miguel Moura, da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico. Miguel está no 12.º ano e sabe do que fala: "Estamos mal preparados para fazer face a esta mudança. Foi isso também que os nossos professores nos disseram hoje [ontem]. 

Que fomos mal preparados porque eles também não sabiam que ia acontecer esta mudança." A alteração às normas dos exames do 12.º ano, que consta de uma portaria publicada em Agosto, não foi anunciada e, por isso, passou praticamente despercebida. Na prática, diz Elsa Barbosa, presidente da Associação de Professores de Matemática, a informação só chegou às escolas quando, na terça-feira, o Gave publicou, na sua página da Internet, uma nota dando conta desta mudança. Mas, frisa esta docente, mesmo que a informação tivesse sido, de facto, recebida em Agosto, não resolveria o problema que agora se põe aos alunos e aos seus professores. 

Esta medida, explica, vai ser aplicada a alunos que fizeram os dois primeiros anos do secundário na convicção de que os exames do 12.º ano só incidiriam sobre os programas deste ano de escolaridade. "Os alunos e professores não estão preparados" para a alteração imposta pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), corrobora. "Uma vergonha" Miguel Moura lembra que, em 2012, as médias de exame já "desceram abruptamente", em parte devido a uma outra alteração das normas, já que os alunos passaram a ser obrigados a realizar todos os exames na 1.ª fase. 

Com esta nova medida, acrescenta, os resultados podem ainda ser piores, para além de resultar numa "nova sobrecarga financeira para as famílias", que terão de comprar "mais livros e pagar mais explicações". Miguel Moura conta que no Facebook já existem vários grupos de alunos a propor a organização de manifestações e até greves contra esta alteração. A primeira está já marcada para dia 27, em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal. "O aumento da matéria a estudar para os exames de Matemática e Português, após dois anos sem contar com tal, vai obrigar-me a repescar matérias de anos anteriores que foram esquecidas. 

Desconfio que resultará numa baixa tremenda nos resultados dos exames", testemunha Tiago Ferreira, que também está no 12.º ano "É uma vergonha", reage Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação. A CNIPE não tem dúvidas de que a entrada em vigor desta medida, já este ano lectivo, "prejudicará imenso os [seus] filhos e educandos que frequentam o 12.º ano". 

É uma medida que "revela grande irresponsabilidade", denuncia a confederação. "Não tenho memória de, num espaço tão curto, ter recebido tantos protestos dos pais como agora, com esta situação", conta Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais.

Autor: Clara Viana

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fotoprotesto contra exames nacionais vai estender-se a todo o país

Catarina Albuquerque, Beatriz Pinto, dois baldes de cola, uma escova de pelo grosso e 120 cartazes com estudantes de todo o país dispostos a “dar a cara contra os exames”, fizeram o fotoprotesto organizado esta segunda-feira, de manhã, no Porto, no dia em que decorre a prova nacional de Português do secundário. A organização espera chegar a todo o país.

As duas estudantes, envolvidas num movimento contra estas provas que funciona nas redes sociais como o Facebook, preencheram o muro situado em frente à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) com uma carta aberta ao ministro da Educação e fotografias com rostos de quem quer denunciar uma prova que aumenta as desigualdades e favorece os mais fortes no sistema de ensino.

“Não queremos facilitar nada. Não defendemos que o ensino seja facilitado. Queremos apenas uma avaliação mais justa que coloque os estudantes em pé de igualdade, uma avaliação contínua que tenha em conta factores como a progressão do aluno e a participação nas aulas”, explica Catarina Albuquerque, 18 anos, estudante do 12.º ano que também trabalha em part-time.

A desigualdade, explica, encontra-se de várias formas. Desde as condições dos estabelecimentos de ensino num cenário onde vemos “quem tenha tudo e mais alguma coisa” e também “escolas com tectos a cair, pragas de insectos, sem material adequado”. Está também nos alunos que vivem “este stress dos exames de forma diferente”, “alguns têm possibilidades de ter explicações por razões económicas enquanto outros não têm essa vantagem” e, no mundo das coisas desiguais, nota-se ainda que há quem tenha mais condições de preparação para os exames e quem não tenha sequer manuais de apoio para estudar. Depois, adianta Catarina, está nas provas que avaliam, em duas horas, um percurso de estudo de vários anos.

O fotoprotesto foi organizado com base numa recolha das fotos de estudantes de todo o país, através do Facebook. Os cartazes que foram colados em frente à DREN são a preto e branco, têm a foto do estudante com o nome e a escola a que pertence e a frase “Dá a cara contra os exames!”.

Hoje, Catarina e Beatriz vão deixar ali 120 fotografias num fotoprotesto que se deverá repetir noutras cidades. “Sabemos que somos muito mais do que 120”, diz Catarina que adianta que esta foi a forma encontrada para “dar vida ao protesto e às vozes de todos os colegas que estão contra os exames nacionais”.

“Os exames nacionais, desde que foram aplicados (em 1996), nunca fizeram mais pelo ensino que não elitizá-lo”, acredita Catarina Albuquerque. “Se colocarmos, lado a lado, os estudantes das escolas públicas e os das escolas privadas, essas diferenças são ainda mais evidentes, pelo que a injustiça ainda é maior. Podemos concluir, portanto, que os exames nacionais não colocam todos os estudantes em pé de igualdade, mas evidenciam as suas diferenças, dando prioridade a quem tem mais condições e recalcando aqueles não as têm”, refere a convocatória para o protesto.

No mesmo documento propõem: "Os estudantes deviam ser avaliados, apenas e só, de uma forma contínua e justa, que tenha em conta as características de cada aluno, os seus progressos e participações nas aulas. Por isso, defendemos que a escola deveria ser pública, gratuita e de qualidade para todos, para que essa mesma avaliação contínua seja possível e chegue a todos”.

Por fim, os estudantes avançam ainda uma explicação sobre os conhecidos maus resultados nos exames do 4.º e 9.º anos: “Se os resultados foram inferiores ao que era esperado, não será por os jovens de hoje terem menos apetência, mas sim porque o ensino está mais degradado. Mais uma vez, prova que as lacunas não podem ser preenchidas com exames, que simplesmente ‘tapam o sol com a peneira’; é necessária uma reestruturação no ensino, é necessário financiamento nas escolas, é necessário um real acompanhamento a este sector”.

Gave diz que imprecisões gráficas no exame de Biologia e Geologia não prejudicam resolução

O enunciado do exame de Biologia e Geologia, realizado esta tarde pelos alunos do 11.º ano, continha “imprecisões gráficas” em dois gráficos do último grupo, segundo informa o site do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).

Estas imprecisões, que já estão corrigidas na versão disponibilizada online pelo Gave, “não têm qualquer implicação na resolução dos itens deste grupo”, assegura o organismo do Ministério da Educação e Ciência responsável pelos exames.

O grupo IV, último do exame, parte de uma experiência destinada a promover a produção de B-caroteno em larga escala a partir de algas unicelulares. Alunos ouvidos pelo PÚBLICO consideraram que algumas questões deste grupo eram das mais difíceis do exame, sobretudo por serem um “pouco confusas”.

Para o exame de Biologia e Geologia, indispensável para os cursos da área da saúde, estavam inscritos 56063 alunos. Segundo dados do Júri Nacional de Exames faltaram à prova 5216.

Esta é uma das quatro provas mais concorridas dos exames nacionais do ensino secundário. Em 200 pontos, as questões de escolha múltipla valem 150.

Por o exame só ter terminado por volta das 16h30, a associação de professores da disciplina só divulgará amanhã um parecer sobre a prova. No ano passado, a média na 1.ª fase deste exame subiu para 10,7, a melhor dos últimos cinco anos.

Segundo um dos responsáveis da associação de professores da disciplina, tal ficou a dever-se ao facto de terem sido “introduzidas questões para diferenciar os alunos”. “Havia um grupo que era relativamente fácil, um conjunto de itens de dificuldade média e outro de dificuldade muito elevada. Esta estratificação permite a um aluno que tenha as competências básicas ficar com 10 valores no grupo mais fácil, o que antes não sucedia." A subida deve-se, provavelmente, ao facto de existirem "menos maus resultados", acrescentou.

Esta terça-feira realizaram-se também os exames de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (10204 inscritos), História da Cultura e das Artes (5748) e História B (1096), todos do 11.º ano. A percentagem de presenças oscilou entre 84% (História B) e 90% (MACS).

Ordem alfabética desapareceu do exame de Língua Portuguesa do 6.º ano

Os alunos do 6.º ano que esta terça-feira se estrearam em exames não tiveram que mostrar se sabiam ou não colocar palavras por ordem alfabética, porque esta pergunta não estava contemplada na prova que realizaram de manhã.

Este é um dos itens que tem tido piores resultados nas provas de aferição que até agora eram realizadas pelos alunos deste ano de escolaridade.

No ano passado, 45,4% não conseguiram colocar por ordem alfabética um conjunto de palavras começadas por "c". Em 2010, esta percentagem foi de 67,2%. Nas provas de aferição – que não contavam para a nota final –, os alunos do 6.º ano tiveram habitualmente piores resultados no grupo que testava o chamado conhecimento explícito da língua (gramática), onde se integrava aquele item.

Mas, segundo os relatórios nacionais elaborados pelo Gabinete de Avaliação Educacional, revelaram ainda maiores dificuldades em conjugar diferentes tempos verbais do modo indicativo. Na prova de aferição do ano passado, 51% deram outra resposta na pergunta em que se pedia que reescrevessem a frase “o feitor é dedicado” em quatro outros tempos do modo indicativo. No exame de hoje são apresentadas quatro frases diferentes, pedindo-se ao aluno que escreva os verbos entre parêntesis no tempo e modo indicados para cada uma.

Num parecer à prova, a Associação de Professores de Português (APP) considerou que no texto proposto para interpretação (um excerto de "A maior flor do mundo" de José saramago), a inclusão de uma sequência narrativa em verso "complexifica a interpretação da globalidade do texto, implicando um grau de abstracção que alguns alunos neste nível etário ainda não desenvolveram”. “Esta situação poderá suscitar dúvidas, fazendo prever que o exame vá premiar os bons alunos”.

No geral, a APP considera que a prova “está bem estruturada e respeita os conteúdos centrais do programa de Língua Portuguesa do 2.º ciclo”. Indica também que “o exame segue a matriz das provas de aferição de 6.º ano de amos anteriores”.

No grupo destinado à produção de texto narrativo, a associação afirma que “é de louvar a substituição do pedido de número de linhas, como nas provas de aferição, por número, máximo e mínimo, de palavras”. Neste grupo pede-se aos alunos que relate “um acontecimento inesquecível, real ou imaginado, passado nume espaço natural e agradável, na companhia de alguém importante para ti”.

O exame de Língua Portuguesa contará 25% para a nota final do aluno. A partir de 2013 o seu peso passará a ser de 30%, igual ao que valem os exames do 9.º ano e do ensino secundário. Para a prova de hoje estavam inscritos 121.198 alunos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Razia nos resultados de Matemática no 4.º e 9.º ano

O desastre anunciado está confirmado. A média dos alunos do 9.º ano no teste intermédio de Matemática, realizado em Maio passado, ficou-se nos 31,1%, segundo dados disponibilizados ontem pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), o organismo do Ministério da Educação e Ciência (MEC) responsável pela elaboração dos exames.

Ontem conheceram-se também os resultados das provas de aferição do 4.º ano: a média a Matemática desceu 14 pontos percentuais por comparação a 2011, situando-se agora nos 53,9%. A percentagem de negativas mais do que duplicou, passando de 19 para 43%.

Miguel Abreu, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, faz outras contas, mas todas apontam no mesmo sentido: o que estes resultados mostram é “extremamente preocupante para o ensino e para o futuro do nosso país”, alerta. “Para progredirem mais tarde é absolutamente fundamental que os alunos cheguem ao final do 1.º ciclo com tudo bem sabido, mas as provas de aferição do 4.º ano [que não contam para a nota final] só 25% conseguiu ter um nível A ou B”, que são os mais altos, frisa Miguel Abreu. “Isto quer dizer que só ¼ dos alunos sai do final do 1.º ciclo com preparação adequada para progredir com sucesso”, acrescenta.

A situação agrava-se ainda mais no final do 3.º ciclo. Segundo dados recebidos pela SPM, dos cerca de 90 mil alunos que realizaram o teste intermédio de Matemática em Maio passado, só 10% conseguiu ter um resultado superior a 60%. O que isto significa, realça Miguel Abreu, “é que só perto de 10 mi8l estão preparados para seguir Matemática A no ensino secundário”, o que também quer dizer que só uma ínfima minoria terá possibilidades de chegar aos cursos e profissões que não existem sem aquela disciplina. É este o problema para o futuro do país.

Elsa Barbosa, presidente da Associação de Professores de Matemática, estava à espera duma razia nos resultados do teste intermédio. O parecer da APM, divulgado no dia da prova, já alertava para tal. “Não foi um teste ajustado à realidade actual dos alunos”, confirmou ontem. No seu parecer, a APM considerou que o teste, por se apoiar muito no novo programa de Matemática, “prejudica claramente os alunos que ainda estão a trabalhar no programa antigo”. Ontem, o Gave contestou esta leitura: os resultados conhecidos mostram que “ a diferença da média das classificações nas escolas onde está em vigor o programa ‘antigo’ e nas escolas que estão a aplicar o programa ‘novo’ foi irrelevante – 0,5 em 100 pontos”, indicou. Quer dizer que o desastre foi total. A APM também já tinha alertado para essa possibilidade, ao considerar desadequada a exigência do teste. “É fundamental que o aumento do nível de exigência seja feito de forma gradual, o que não aconteceu de todo”, frisou no seu parecer.

Segundo o Gave, a descida dos resultados nos testes intermédios de Matemática, e também de Língua Portuguesa, “decorre, entre outras razões do ajustamento dos níveis de exigência adoptados”. No ano passado, os alunos do 9.º ano realizaram dois testes intermédios de Matemática, que servem de preparação para os exames. As médias foram de 40,7 e 44,2%. No teste de Português chegaram aos 55%, mas este ano desceram para 46,7%.

Também na prova de aferição de Língua Portuguesa a média desceu de 69,3% para 66,7% e a percentagem de negativas subiu de 12 para 20%. Ambos os resultados não surpreendem a presidente da Associação e Professores Português, Edviges Ferreira, que atribui a descida na aferição ao facto de a prova ser mais longa do que de costume e no teste intermédio à estrutura da prova e a perguntas que podiam “gerar alguma confusão”.

Miguel Abreu considera que o teste de matemática foi adequado ao nível de exigência que se deve ter no final do 3.º ciclo, mas os resultados mostram “que nem os alunos, nem os professores estavam à espera” daquele tipo de prova”. Desaconselha também por isso alterações. bruscas, embora espere que o caminho continue a ser o da “exigência” tanto ao nível dos exames, como do ensino e das aprendizagens. E lembra que os resultados reflectem também outra alteração, já anunciada há uns meses pelo MEC: o fim das perguntas simples, que valiam geralmente “15 a 20 pontos em 100”. “Os alunos que terminam o 9.º amo sem saberem nada, e são cerca de 1/3, nem esses pontos agora tiveram”, acrescenta.Mudar o ensino

Elsa Barbosa espera agora que os professores e as escolas façam o que lhes é permitido fazer e não utilizem esta nota para a avaliação final dos alunos. “Deve servir de base de reflexão, de correcção das aprendizagens, mas não deve traduzir-se numa nota que ajude a reprovar alunos”, apela. Falta ainda a prova final, o exame nacional de Matemática, marcado para o próximo dia 21. A pergunta que continua a ser feita é só uma: Será idêntico ao teste de Maio? Todos esperam que não. O exame conta com 30% para a nota final e a ser repetida a experiência, o impacto nos chumbos será atordoador.

Quanto à prova de aferição de Matemática, Elsa Barbosa lembra que a APM já estava à espera de uma descida dos resultados, mas que a dimensão da queda a surpreendeu. O mesmo sucedeu com Miguel Abreu. Elsa Barbosa atribuiu o resultado ao facto de “ a prova ser adequada ao novo programa” e de ainda existirem muitos dos alunos que fizeram a maior parte do 1.º ciclo ao abrigo do anterior currículo. “Foi a primeira vez que considerámos a prova adequada ao nível de exigência esperado para o final do 1.º ciclo”, lembra Miguel Abreu.

O futuro? “Mais formação contínua para os professores do 1.º ciclo (este ano não houve) e que o ministério pense numa alternativa para eventuais novos maus resultados no próximo ano, de modo a evitar que a estreia de exames no 4.º ano se salde em mais reprovações”, aconselha Elsa Barbosa.

Miguel Abreu também aconselha mais formação para professores, mas sobretudo insiste na “necessidade de recentrar o ensino da Matemática no que é fundamental aprender: insistir nos conceitos básicos, em exercícios e problemas variados”.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Alunos ajudados em provas de aferição

Uma professora do Colégio Bartolomeu Dias, em Santa Iria de Azóia (Loures), terá transmitido aos alunos as respostas correctas a algumas questões, durante as provas de aferição do 4º ano de Língua Portuguesa e Matemática, realizadas a 9 e 11 de Maio. A docente terá fornecido as respostas aos alunos porque estes não tinham dado a matéria em causa.
Foi pedido às crianças para não contarem nada aos pais, mas um encarregado de educação acabou por tomar conhecimento. Indignado com o mau exemplo dado às crianças pela professora, apresentou queixa na Inspecção-Geral da Educação e Ciência.
O colégio também está a averiguar o caso, confirmou o director pedagógico, Pedro Gomes Freire. "Foi aberto um processo de averiguações interno para tentar saber se houve esclarecimentos prestados aos alunos. Se houve incumprimento, quem incumpriu será chamado à responsabilidade", disse.
O director sublinhou que "as regras são para cumprir". "Caso se confirme, a professora em causa será exemplarmente punida", garantiu.
Pedro Gomes Freire não esclareceu se as suspeitas de transmitir informação aos alunos recaem sobre a própria professora da turma do 4º ano ou sobre a docente que fazia vigilância na sala.
As regras, definidas pelo Júri Nacional de Exames, impedem a presença do professor da turma dentro da sala durante a realização das provas de aferição.
O caso está a gerar no colégio uma onda de solidariedade para com a professora em causa.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Alunos não realizam exames se tiverem muitas faltas


A partir da próxima época de exames, que começa em Junho, os alunos do ensino secundário vão deixar de poder realizar exames ou provas de equivalência à frequência das disciplinas em que tenham excesso de faltas, estipula uma portaria ontem publicada em Diário da República.

Até agora, e apesar do novo Estatuto do Aluno aprovado em 2010 definir a retenção por falta de assiduidade, os alunos do secundário nesta situação podiam tentar concluir as disciplinas em que tinham faltas a mais na 2.ª fase dos exames ou das provas de equivalência à frequência. Com as alterações, que já estavam previstas no novo regulamento de exames, passarão a ficar obrigatoriamente retidos.

Nos termos deste regulamento, os estudantes do 3.º ciclo com excesso de faltas também ficarão automaticamente retidos, não podendo anular a matrícula para se candidatar a exame e tentar concluir assim o 9.º ano, conforme sucedeu no ano passado.

As provas de equivalência à frequência só existem nas disciplinas não sujeitas a exame nacional e destinam-se a alunos que anularam a matrícula ou que não se encontravam inscritos, os chamados autopropostos. Os estudantes que não tinham aproveitamento a uma ou duas disciplinas podiam realizar provas ou exames nacionais destas cadeiras na 2.ª fase.

Esta possibilidade foi transferida agora para a 1.ª fase, que se tornou obrigatória.

Segundo o Ministério da Educação e Ciência, a portaria ontem publicada "alarga o leque de alunos" do 11.º ano que podem realizar tanto as provas de equivalência à frequência como os exames nacionais, permitindo que sejam feitos também, por exemplo, para melhoria de nota e não só para efeitos de aprovação, conforme se encontrava estipulado na redacção anterior deste diploma.

A 1.ª fase dos exames decorre de 18 a 26 de Junho. A 2.ª fase de 13 a 18 de Julho.

Novidades nos Exames Nacionais



Quando começa a temporada de exames nacionais?

A 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário decorre entre 18 e 26 de Junho. Para este mesmo período estão também marcadas as provas finais do 6.º ano, que este ano se realizam, pela primeira vez: a prova de Língua Portuguesa será a 19 de Junho e a de Matemática a 22. Os exames de Língua Portuguesa e de Matemática do 9.º ano estão marcados, respectivamente, para 18 e 21 de Junho. As provas de aferição dos alunos do 4.º ano a estas duas disciplinas realizam-se a 9 e 11 de Maio. No próximo ano serão substituídas por provas finais que, ao contrário das de aferição, contarão para a nota do aluno.

Quais são as principais novidades dos exames que se realizam este ano lectivo?

Ao contrário do que tem sido a norma, os alunos do ensino secundário são obrigados a fazer todos os exames na 1.ª fase. Antes podiam distribuir as provas pelas duas fases. Agora quem faltar à 1.ª fase não poderá ir à segunda. Cumprido este requisito, os alunos poderão fazer exames na 1.ª fase se não tiverem obtido aprovação na primeira ou se pretenderem melhorar a nota obtida nas provas da 1.ª fase. Também podem fazer exames na 2.ª fase os alunos que pretenderem melhorar a nota que lhes foi dada pelos professores, na classificação interna.

Este ano, o exame de Filosofia volta a integrar o elenco das provas nacionais do ensino secundário, o que não sucedia desde 2007. Antes era realizado no 12.º ano, agora passa a ser no 11.º. É optativo. Até ao ano passado, os alunos do 11.º ano tinham de realizar exames nas duas disciplinas bienais específicas do curso que escolherem. A partir de agora poderão optar por realizar exame apenas numa dessas duas disciplinas, desde que façam a prova de Filosofia, que faz parte do tronco comum dos dois primeiros anos do secundário. Com esta fórmula, garante-se que o número de exames que os alunos do secundário têm obrigatoriamente de realizar continue a ser quatro.

Também este ano, os alunos que realizam provas de aferição no 6.º ano passam a fazer provas finais que contam para a nota final do aluno.

Qual é o peso dos exames na nota final?

No 9.º ano e no secundário os exames têm um peso de 30% na nota final do aluno. No secundário, para efeitos da média de acesso ao ensino superior, os exames que funcionam também como prova de ingresso têm um peso de 50%. Por ser o primeiro ano de aplicação, as provas finais do 6.º ano terão um peso de 25%, passando nos próximos anos a ser também de 30%.

Quem pode ir a exame?

Os alunos que tiverem faltas a mais não podem realizar os exames dos 2.º e do 3.º ciclos, ficando automaticamente retidos. Se estiverem no secundário não poderão realizar os exames nas disciplinas em que excederam o número de faltas. Antes podiam realizar provas na 2.ª fase.

No 2.º e 3.º ciclo não são admitidos a exame os alunos que na avaliação final do 3.º período tenham uma classificação de nível 1 (numa escala de 1 a 5) a Língua Portuguesa e Matemática ou classificação inferior a 3 em quatro disciplinas. Se nestas quatro figurarem em simultâneo Língua Portuguesa e Matemática também não poderão ir a exame.

Os alunos com 15 anos que chumbarem na avaliação dada pelos professores no final do 3.º período podem ir a exame como autopropostos. Se forem mais velhos só o poderão fazer anulando a matrícula, o que a partir deste ano só será possível a partir dos 18 anos.

Aos exames do ensino secundário são admitidos os alunos que na disciplina sujeita a prova tenham obtido uma classificação igual ou superior a 8valores no ano terminal e a 10 valores na classificação interna final, que é calculada com base nos anos em que foi leccionado essa disciplina no secundário. Para concluir um curso do secundário os alunos precisam de ter pelo menos uma média de 10 (numa escala de 0 a 20) a todas as disciplinas.

Os exames também podem ser realizados por alunos que anularam a matrícula e se apresentem como autopropostos para tentarem obter aprovação em disciplinas em que chumbaram na avaliação dada pelos professores. O prazo de anulação da matrícula foi prolongado até à penúltima semana do 3.º período.

Também podem apresentar-se como autopropostos os alunos do ensino recorrente, dos cursos tecnológicos e profissionais, que podem concluir o 12.º ano sem recurso a exames. As provas são obrigatórias caso queiram prosseguir estudos no ensino superior. Quem tiver concluído o 3.º ciclo, mesmo não tendo estado inscrito no secundário, também se pode apresentar a exame como autoproposto.

As notas dos alunos autopropostos são as que obtiveram nos exames.

Quando são conhecidos os resultados?

Os resultados da 1.ª fase dos exames do ensino secundário são divulgados a 9 de Julho. A primeira fase de candidatura ao ensino superior decorre entre 16 e 27 de Julho.

Nos dois úteis seguintes à afixação dos resultados dos exames os alunos podem pedir a consulta das provas para decidir se pedem a sua reapreciação. O que terá de ser feito também nos dois dias úteis a seguir à consulta da prova. Para o efeito têm de pagar 25 euros, mais 10 do que no ano passado. Este valor será devolvido no caso de a reapreciação resultar numa subida da nota. No ano passado, foram reavaliadas 6303 provas na 1ª fase. Em mais de metade foi melhorada a classificação.

Os resultados das provas finais do 6.º e 9.º ano serão conhecidos a 9 de Julho.

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