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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Mais de metade dos alunos dos 9.º e 12.º anos chumbam pelo menos uma vez


Mais de metade dos alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário chumbam pelo menos um ano até aos 9.º e 12.º anos de escolaridade, tendo também nota negativa nos exames nacionais.

Esta é apenas uma das conclusões que constam dos dados mais recentes divulgados ontem pelo Ministério da Educação, que avalia este indicador, o chamado percurso direto de sucesso.

No passado ano letivo (2016/2017), 46% dos alunos do 3.º ciclo chegou ao 9.º ano sem ter chumbado obtendo, cumulativamente, notas positivas nas provas nacionais de Português e Matemática. A percentagem traduz 91.954 alunos. Menos 2.520 alunos face ao ano letivo 2014/2015, o primeiro em que Tiago Brandão Rodrigues estava aos comandos do Ministério da Educação. Estes são alunos que três anos antes resolveram as extintas provas nacionais a Português e Matemática – em vigor durante o anterior governo – quando estavam no 6.º ano de escolaridade.

O mesmo cenário acontece entre os alunos do secundário. Em 2016/2017, 42% dos alunos chegaram ao 12.º ano de escolaridade sem terem ficado retidos desde o 10.º ano com notas positivas nos exames nacionais, cumulativamente. Eram 60.328 alunos que estavam nessa situação, tendo sido registado um pequeno aumento (1.778) no número de alunos com um percurso de sucesso: em 2014/2015 eram 58.550 os estudantes do 12.º ano que não tinham ficado retidos desde o 10.º ano.

Uma melhoria tímida no indicador de sucesso dos alunos para a qual o secretário de Estado da Educação, João Costa, diz que é preciso “olhar com alguma calma”, lembrando que houve uma melhoria nos resultados dos exames nacionais.

Os dados revelam ainda que os três distritos onde há mais alunos a chegar aos 9.º e 12.º anos sem chumbar são da região norte do país. No caso do 3.º ciclo, é nos distritos de Coimbra, Braga, Aveiro e Viana do Castelo que mais alunos chegam ao 9.º ano sem nunca terem ficado retidos desde o 7.º ano e com notas positivas às provas de Português e Matemática.

No caso do secundário, é nos distritos de Braga, Viana do Castelo e Aveiro que mais estudantes chegam ao 12.º ano cumprindo todos os requisitos do indicador de sucesso.

No entanto, olhando para os 18 distritos do país, em nenhum se regista uma taxa de percurso de sucesso acima dos 50%, no ensino secundário. Ou seja, mais de metade dos alunos de todas as regiões do país chumbam pelo menos uma vez e têm negativas nos exames secundários, entre o 10.º e o 12.º ano de escolaridade.

O indicador expõe ainda que as raparigas conseguem obter melhores resultados do que os rapazes e que os alunos cujo agregado familiar sofre de carências económicas têm mais dificuldades em conseguir fazer o seu percurso sem reprovações. No 3.º ciclo, mais de metade das raparigas (51%) teve um percurso de sucesso contra 41% dos rapazes. Diferença que se esbate ligeiramente no secundário, onde as mulheres continuam a ter melhores resultados (47% contra 37% dos homens).

Estes dados estão disponíveis no portal de estatísticas do Ministério da Educação, o InfoEscolas, tendo sido consideradas 5.350 escolas e mais de 1,2 milhões de alunos. Deste universo estão excluídas as escolas com menos de 20 alunos.

Informação retirada daqui

sábado, 27 de janeiro de 2018

Educação. O retrato dos professores portugueses


Ao contrário do que entende o ministro, que quer aumentar a formação contínua dos professores, os docentes portugueses têm “elevada” qualificação, são experientes e são dos que têm “mais horas de trabalho por semana”. Mas tudo isto não lhes garante reconhecimento tanto no local de trabalho como pela sociedade. Bem pelo contrário. Cerca de 26% dos docentes dizem nunca serem “reconhecidos” e 48% sentem-se “pouco respeitados pela sociedade”.    

Este é o retrato geral dos professores do básico e secundário traçado pelo último relatório do Estado da Educação 2016 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que é hoje divulgado - o primeiro assinado pela recém-empossada Maria Emília Santos.

Todos os professores ouvidos pelo i revêem-se neste perfil e alertam que estes são sentimentos que têm vindo a agudizar nos últimos anos. 

De acordo com o relatório, os professores portugueses “são os que mais acusam excesso de trabalho” com uma carga semanal “acima de 40 horas”. Mais do que os docentes dinamarqueses, irlandeses, polacos ou espanhóis. Mas este é apenas um dos motivos para que os professores se sintam “desmotivados e desgostosos” sendo um sentimento “muitas vezes provocado pelo próprio governo”, remata o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira. Reclamam, por isso, que o governo envie “com a máxima urgência sinais positivos para dentro das escolas”, alerta Manuel Pereira. 

“O não reconhecimento é uma realidade”, sustenta ainda o professor Paulo Guinote. 

No relatório do CNE lê-se que há três variáveis “cruciais” para que os docentes se sintam reconhecidos: “Sentir que os alunos aprendem e que fazem a diferença, ter um bom relacionamento com os alunos e conseguir controlar o comportamento em sala de aula”. 

Mas os docentes ouvidos pelo i apontam ainda que o descontentamento na classe tem também razões salariais tendo em conta que “há quase dez anos que têm as carreiras congeladas e há professores com quase 20 anos de serviço que estão no início de carreira”, sublinha Manuel Pereira. Mas também, continua o diretor, pelas “várias e sucessivas alterações feitas aos concursos e aos curriculos. Há metas que vão sendo definidas nas costas dos professores”. 

Os professores não vêem num horizonte próximo melhorias na sua carreira.

Por tudo isto avisam em uníssono: “Há uma boa parte dos professores que não obstante serem altamente qualificados se pudessem encontrar outra profissão, mesmo gostando desta, provavelmente saíam”. 

Este é o estado dos professores a dias do arranque de uma negociação entre os sindicatos e o ministério de Tiago Brandão Rodrigues - começa dia 15 - que promete ser um duro braço de ferro: o descongelamento das carreiras. Será esta a primeira prova de fogo do ministro desde que tomou posse.  

Com o descongelamento das carreiras para toda a função pública a partir de janeiro de 2018, os professores exigem que os nove anos e quatro meses em que viram estagnada a sua progressão e salários sejam contabilizados para efeitos de  carreira. O que não é intenção do governo. 

Caso os professores não vejam contabilizados os nove anos e quatro meses na sua carreira os sindicatos já prometeram voltar às ruas em força sem “verem melhorias na sua carreira num horizonte próximo”, sublinha Manuel Perreira.

Formação dos professores A “elevada” formação dos professores é outro dos pontos focados no relatório. De acordo com o documento “a vasta maioria” dos alunos do 1.º ciclo (do 1.º ao 4.º ano) são ensinados por docentes com grau de licenciatura e, nestes anos de escolaridade, há 7% com formação a nível de mestrado ou doutoramento. Cenário semelhante acontece entre os professores dos restantes anos de escolaridade sendo que do 7.º ao 12.º ano há 20% de docentes com mestrado ou doutoramento. A somar à sua formação académica há 80% de docentes que dizem “ter tido formação ao nível dos conteúdos e currículo”.  

Ainda assim, em outubro, o Ministério da Educação anunciou que vai avançar com um reforço à formação de professores. Isto porque os alunos dos 2.º, 5.º e 8.ºanos de escolaridades apresentaram fracas notas nas provas de aferição. 

Corpo docente envelhecido Outro alerta lançado no relatório passa pelo envelhecimento do corpo docente. Em 2015, “39% dos professores tinha mais de 50 anos” o que não só facilita questões de indisciplina dentro das salas de aula como também problemas na renovação do corpo docente. Esta é, aliás, uma das questões que o relatório diz ser necessário acompanhar com “muita atenção”. 

Desde 2013 que o anterior governo lançou concursos extraordinários que permitem a entrada de contratados nos quados do ministério. No entanto têm sido firmados critérios para estes concursos  - chamados vinculações extraordinárias - que permitem a passagem aos quadros de docentes com muitos anos de carreias. “Todos estamos mais envelhecidos e os que entraram agora para os quadros raramente são novos. É residual o número de professores que entra abaixo dos 40 anos”, avisa Paulo Guinote. 

 “Os professores apresentam uma média de 23 anos de serviço, sinalizando estabilidade, mas também uma tendência para o envelhecimento do corpo docente”, alerta o documento do Conselho Nacional da Educação. 

Sobre a “excessiva” carga burocrtárica dos docentes, Paulo Guinote diz que “numa era digital nada justifica”. O professor explicou ainda que “as escolas têm  trabalho duplicado”. Isto porque “quando temos de justificar uma nota, quando temos uma inspeção temos de ter todos os registos em papel e em formato digital”. Além disso, “a cada nova ideia ou medida do ministério não se subtrai nada ao que existia e adiciona-se trabalho”, remata. 

Informação retirada daqui

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O mapa educativo do país não é todo igual


O abandono escolar diminui, a escolarização aumenta, o sucesso dos alunos sobe, mas o fosso territorial agrava-se. Os professores dos quadros preferem escolas das áreas metropolitanas e do litoral norte e centro, as famílias procuram escolas com bons desempenhos. A autonomia das escolas é considerada “uma quimera” e há guetos nos locais de aprendizagem. O mais recente Atlas da Educação mostra um país a várias velocidades.

O Atlas da Educação 2017 – Contextos Sociais e Locais do Sucesso e Insucesso, coordenado por David Justino e Rui Santos, numa iniciativa da associação EPIS – Empresários Pela Inclusão Social que mantém uma parceria com o centro de investigação CICS.NOVA – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, olha para o país sob diversas perspetivas e continua a analisar o insucesso escolar. A escolarização da população aumentou e a desigualdade de género esbateu-se, embora os rapazes, sobretudo nos espaços menos urbanizados, continuem a revelar menor propensão do que as raparigas para prosseguirem os estudos. Em termos educativos, Portugal continua desigual em alguns aspetos e as variáveis organizacionais, como a dimensão das turmas, não têm assim tanto peso nas aprendizagens.

O mapa não é homogéneo, as desigualdades espaciais aumentaram, o fosso territorial acentuou-se. Há mais escolarização nas áreas metropolitanas, nas cidades capitais de distrito, e nas áreas litorais com maior densidade urbana. Há, contudo, uma grande diferenciação territorial: o litoral centro e norte destaca-se por níveis mais elevados de sucesso na transição de ano ou na conclusão de ciclo no Ensino Básico e, por outro lado, verifica-se baixo sucesso logo nos ciclos iniciais de escolaridade sobretudo no interior e no Sul do país. Mesmo assim, há escolas que contrariam os baixos indicadores socioeconómicos e as estimativas de resultados e que estão situadas nas periferias das grandes cidades. Ou seja, apesar dos contextos socialmente desfavoráveis, há escolas com bons desempenhos escolares que contrariam expectativas. 

A taxa de abandono escolar registou uma queda significativa durante a década de 90 do século passado, mas, nessa altura, esse valor ainda rondava os 12%. À entrada do século XXI, esse abandono andava pelos 2,8% e em 2011 estava em 1,7%. “Ambos os sexos acompanharam o movimento geral, sem grandes diferenças, apenas com uma ligeira dessimcronia: durante os anos 90, a redução do abandono foi ligeiramente mais acentuada entre as raparigas, recuperando depois os rapazes na década seguinte”, lê-se no mais recente Atlas da Educação.

Professores preferem áreas urbanas 
Quanto aos professores, não há indicadores que permitam avaliar a qualidade do corpo docente, mas sim a sua experiência. E quanto mais se avança nos níveis de ensino, maior é a concentração de professores do quadro nas áreas metropolitanas e na faixa litoral a norte do Tejo. No 1.º Ciclo, por exemplo, os docentes do quadro mais jovens tendem a concentrar-se nas áreas mais urbanizadas, enquanto nas zonas rurais predominam os docentes com mais idade e tempo de serviço “ancorados em contextos locais que não propiciam a renovação”. No 3.º Ciclo e no Secundário, os professores do quadro mais experientes tendem a concentrar-se nas áreas metropolitanas e na faixa litoral. “O mesmo padrão domina a distribuição espacial dos professores contratados, no que respeita ao seu tempo de serviço”, refere-se. 

Verifica-se, deste modo, “um duplo efeito de discriminação das escolas”. Por um lado, sobretudo nos ciclos de escolaridade mais elevados, os professores procuram zonas mais urbanizadas, mais próximas do litoral, onde estão as escolas com melhores desempenhos; e, por outro, as famílias seguem no mesmo sentido, ou seja, preferem escolas nas áreas urbanas e escolas mais reputadas, em detrimento das que se encontram em contextos sociais periféricos e mais desfavorecidos. 

“A partir desta constatação, diríamos que estamos perante frágeis culturas de escola – das que conseguem construir uma marca distintiva – e uma forte cultura escolar, comum à maior parte dos agrupamentos selecionados para a amostra, fortemente sustentada e condicionada pelo poder regulatório da administração educativa”. O que permite fazer observações. “Nesta perspetiva, a ideia de autonomia das escolas, assente no desenvolvimento de culturas organizacionais próprias, parece ainda uma quimera, que uma abundante retórica alimenta.” 

“Guetização escolar” 
A origem social dos alunos no desempenho escolar é um assunto descrito na literatura. Os resultados da investigação feita para o Atlas da Educação confirmam essa relação, particularmente no que respeita à variação dos resultados nos exames nacionais. “O poder explicativo das variáveis sociais é elevado, considerando a avaliação realizada para outros países, mas mais de metade da variância fica por explicar, o que afasta uma leitura fatalista dos efeitos de contexto social nos resultados escolares.” 

O percurso escolar das mães tem peso neste capítulo. “O capital escolar familiar (percentagem das mães dos alunos com habilitações de Ensino Superior) revela-se o mais forte preditor dos resultados. O seu poder explicativo é crescente à medida que subimos nos ciclos do Ensino Básico. Regista uma ligeira quebra no Ensino Secundário, o que levanta a hipótese de um processo de seleção crescente durante o Ensino Básico e o próprio Ensino Secundário, reduzindo tanto a heterogeneidade social como os seus efeitos entre os alunos que chegaram a prestar exames neste nível de ensino”, sublinha o relatório. 

As aprendizagens dos estudantes imigrantes são também analisadas. Esses alunos com origem imigrante, com dupla ou outra nacionalidade, estão sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve, e bastante concentrados. Ou seja, 28% desses alunos estão em apenas 5% das escolas, 71% em 25% das escolas, e 90% em 50%. “O efeito negativo sobre os resultados escolares é considerável, mesmo após controlados os efeitos dos outros fatores socioeconómicos, o que denuncia problemas de adaptação linguística, social e cultural destas crianças, frequentemente cumulativos com outros fatores de desvantagem, e a dificuldade do sistema educativo em lidar com esses problemas”, alerta-se. Maus resultados concentrados num número reduzido de escolas podem indicar “guetização escolar e social” desses estudantes. Por isso, qualquer intervenção a este nível deve centrar-se em encontrar respostas e delinear medidas específicas que evitem essa segregação. 

A carência económica familiar tem um impacto negativo nos resultados escolares, sendo mais relevante no Ensino Secundário. A segregação escolar das populações carenciadas é mais notória nos concelhos urbanos com maior número de agrupamentos e escolas. Continua a haver escolas que, apesar dos contextos socialmente desfavoráveis, alcançam bons resultados. “Há escolas que conseguem superar os constrangimentos sociais e acrescentar valor na aprendizagem dos alunos.” Essas escolas estão sobretudo nas periferias das grandes cidades, também no litoral norte, mas encontram-se dispersas um pouco por todo o país. 

A análise conclui que o peso das variáveis organizacionais é mais reduzido do que o das variáveis sociais. A dimensão das turmas tem um efeito residual em todos os ciclos, mas essa conclusão, como sublinham os autores, “não permite, entretanto, concluir que um aumento ou uma redução de alunos por turma possa contribuir para melhorar ou piorar os resultados”.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Medicina já não é tão procurada pelos melhores alunos


A média de entrada no curso de Medicina continua alta, mas agora não está sozinha no topo da lista das notas mais elevadas. Medicina continua a ser um dos cursos com uma das maiores taxas de empregabilidade no nosso país, mas já não é tão procurada pelos melhores alunos que saem do Secundário. Neste ano letivo, os três melhores alunos que entraram na Universidade do Porto não optaram por Medicina. Nuno Oliveira, de 17 anos, de São João da Madeira, é um desses estudantes. Entrou com a melhor nota, 19,88 valores, no curso de Bioengenharia. 

“Nunca tive aquela atração particular pela Medicina. Esse estigma de quem tira boas notas tem de ir para Medicina está a passar, espero eu”, diz ao EDUCARE.PT. Nuno Oliveira sempre gostou de Química, de Física, de Biologia. Estudou numa escola pública, na Secundária João da Silva Correia, em São João da Madeira, e foi no 12.º ano que decidiu candidatar-se ao curso de Bioengenharia, depois de ainda ter pensado em Engenharia Química numa vertente mais virada para a Biologia. 

Com média de quase 20 valores não foi problema entrar na universidade. A sua escolha foi pensada para não fechar possibilidades. “Não queria deixar assuntos de parte”, explica. Ou seja, não queria escolher apenas uma abordagem e assim optou por um curso abrangente que não o obrigasse já a decidir uma área específica. São cinco anos com mestrado integrado. Depois de terminar o curso, Nuno pretende dedicar-se à investigação numa área que lhe interesse, que entretanto lhe capte toda a atenção. Ainda não sabe bem qual é. 

“Gostaria de trabalhar em investigação e ter margem para o fazer de forma razoavelmente livre e digna”, adianta. No nosso país, se possível. “Queria trabalhar em Portugal, pelo menos no início, mas não fecho portas.” Nuno é um aluno de excelência, média de 19,88, e garante que não há mistérios à volta disso. Qual o segredo? “Não há um segredo escondido. É uma questão de gostar das coisas, estar atento, e trabalhar bastante tanto nas aulas como em casa. Gostar do que se está a estudar”, responde. Estudou Música na Academia de São João da Madeira, aprendeu a tocar piano, concluiu o 8.º grau de música. Gosta de estar com os amigos, não passa todos os minutos do dia a estudar, e é focado. “Fui tendo professores bons que me despertaram interesse para as coisas”, sublinha Nuno, filho de uma professora de Educação Visual e de um empresário do ramo da Segurança Alimentar. 

Além de Nuno Oliveira, os dois alunos com médias mais altas que este ano entraram na Universidade do Porto também não escolheram Medicina. Rodrigo Albuquerque, de 17 anos, do Porto, entrou com 19,85 valores no curso de Economia. Maria Teresa Teixeira, de 18 anos, de Braga, entrou com 19,83 no curso de Engenharia e Gestão Industrial. 

“Mentalidade absurda”
Pedro Escaleira, de Sátão, Viseu, entrou com 19,1 valores em Engenharia Informática na Universidade de Aveiro. Medicina nunca lhe passou pela cabeça na hora de decidir. “Não houve quaisquer dúvidas. Esta decisão estava tomada desde o meu 9.º ano.” Sempre se interessou pela forma como os aparelhos eletrónicos funcionam e porque trabalham de uma forma e não de outra. A decisão foi fácil, mas não ter optado por Medicina causou “algum espanto” em alguns seus conhecidos. 

“Infelizmente hoje em dia, em Portugal, quem é médico parece ter adquirido um estatuto social muito mais elevado do que as outras pessoas e, devido a esta mentalidade absurda, nos últimos anos a procura por este curso chegou a níveis surreais”, refere. Pedro sabe que há casos e casos, há quem siga Medicina por paixão e quem o faça por outras razões mais ligadas ao estatuto social. “Na realidade, é um curso no qual não me consigo imaginar e que não iria seguir pelo simples facto de alcançar esse referido mérito social.” 

“Tudo o que sobe demasiado, tem mais facilidade em cair. Neste momento, há ainda uma forte procura de Medicina, apesar da ascensão notória das engenharias, que, penso, dentro de poucos anos, serão também os cursos mais procurados. E tudo pode mudar em pouco tempo. “Toda esta sucessão de ‘subidas e descidas’ acontece consoante as necessidades da sociedade, e aí reside o facto do aumento da procura por cursos de Engenharia em detrimento de Medicina, neste momento”, acrescenta. 

Depois do curso, Pedro quer tirar o mestrado em Engenharia Informática, porque na Universidade de Aveiro não está integrado na licenciatura, e começar a trabalhar em part-time numa empresa da área. Admite que o curso não é fácil, mas está a gostar dos temas apresentados, dos colegas, da praxe e da universidade.

Marta Ferreira é colega de curso de Pedro Escaleira, em Aveiro. Entrou com 17,8 valores e sempre soube que não iria escolher um curso ligado à saúde. Sangue? Nem vê-lo. As seis opções na candidatura de acesso ao Ensino Superior foram todas preenchidas na área das informáticas. “Medicina nunca fez parte dos meus planos.” E, de qualquer forma, a média final do liceu não chegava para entrar nesse curso. 

Satisfeita com o seu desempenho escolar no Secundário, que fez em Oliveira do Bairro, Marta seguiu o seu caminho. “Estou contente com a escolha que fiz. As engenharias são altamente valorizadas.” Agora é um ano de cada vez. “O curso está a ser desafiante.” E as aplicações informáticas continuam a despertar-lhe bastante interesse. 

Informação retirada daqui

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Retenções e aulas expositivas ainda dominam nas escolas portuguesas


Menos alunos, menos turmas, professores que não se sentem respeitados na profissão, alunos satisfeitos com quem ensina. Portugal é dos países que mais utilizam a retenção, mas as negativas são difíceis de recuperar, e o abandono escolar subiu. O Conselho Nacional de Educação volta a traçar o estado da educação.

A taxa de abandono escolar precoce subiu para 14% em 2016, a quebra do número de alunos que entram na escola não deverá ser contrariada antes de 2020, as taxas de retenção e desistência baixaram, mas, ainda assim, há um desfasamento entre a idade normal e a idade real dos alunos em vários anos de escolaridade. E, apesar de algumas melhorias, a taxa de retenção é elevada logo no 2.º ano. Estas são algumas das conclusões do Estado da Educação 2016 , o relatório que o Conselho Nacional de Educação (CNE) acaba de divulgar. 

Portugal está no topo dos países que mais utilizam a retenção de alunos. Em 2015, mais de 30% dos alunos já tinham chumbado pelo menos uma vez. E é uma situação que se verifica logo no início do percurso escolar, cerca de 17% dos alunos já tinham chumbado até ao 6.º ano. Em 2016, a taxa de retenção e desistência do Ensino Básico regular e dos cursos científico-humanísticos baixou em todos os anos de escolaridade, exceto no 10.º ano. Portugal, França, e Espanha são os países com a maior diferença na probabilidade de repetição de ano entre os alunos de classes socioeconómicas e culturais favorecidas e os provenientes de classes desfavorecidas. 

Os alunos com negativas têm mais dificuldades em recuperar, sobretudo nas disciplinas de Matemática e Inglês. “Ou seja, a mera retenção não resolve dificuldades, mas a transição sem medidas específicas também não. Será conveniente estudar as possíveis razões desta situação e as formas de as ultrapassar sem esquecer que o CNE, na esteira da OCDE, tem defendido a intervenção ao primeiro sinal de dificuldade como uma das formas mais eficazes de combater a sua acumulação”, refere, no relatório, Maria Emília Brederode Santos, presidente do CNE. 

Segundo a responsável, o insucesso escolar não pode ser confinado a disciplinas como Matemática e Português. “Quereríamos que a educação básica proporcionasse também oportunidades de crescimento global da criança, de enriquecimento artístico e cultural e de participação cívica. A oferta das escolas deverá ser também apreciada sob esta perspetiva.” Por outro lado, há alunos que contrariam expectativas, que são resilientes, que ultrapassam desempenhos expectáveis em função do contexto socioeconómico e cultural em que se inserem. O CNE defende, neste campo, uma investigação mais próxima e que ouça alunos, professores e direções escolares. 

A prevalência excessiva da metodologia expositiva na sala de aula é um dos fatores que poderão explicar o insucesso escolar no nosso país. Não se privilegiam aulas práticas baseadas em metodologias de projeto. E isso tem vindo a suscitar algumas interrogações quanto à diversidade de metodologias pedagógicas utilizadas na sala de aula, adequação de programas, métodos e instrumentos de avaliação.

Os alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico com nota máxima de 5 a uma disciplina tendem a manter o nível de excelência no ano seguinte, o que não acontece na transição de ciclo em Português, Ciências Naturais e Educação Visual. A maioria das escolas apresentam resultados médios de classificação interna e externa que as colocam dentro de um intervalo-padrão de variabilidade em todos os ciclos e níveis de ensino. 

61% dos alunos do Secundário têm explicações a Matemática 
Os alunos do 4.º ano têm, em média, na Europa, 842 horas de aulas por ano. Portugal tem 864 horas, não se afasta da média. No entanto, o nosso país é, de longe, onde os alunos mais tempo dedicam à aprendizagem da Matemática, ou seja, 32% do tempo letivo total. Nenhum outro país se aproxima em proporção nem em valor absoluto. E também bate os recordes na percentagem de alunos do Secundário que recorrem a explicações fora do espaço escolar – 61% dos alunos desse nível de ensino têm aulas particulares a essa disciplina para tentarem ter boas notas nos exames. 

Portugal é dos países onde os alunos menos faltam: 87% nunca faltam, um padrão considerado benéfico para os resultados escolares. “É, no entanto, preocupante verificar que ainda existem 5% de alunos a faltarem semanalmente”, avança o relatório. E é na Dinamarca e na Eslováquia que mais se enfrenta o problema do absentismo, com percentagens superiores a 10% de alunos com faltas semanais. 

Os alunos do 4.º ano sentem-se bem na escola e 88% afirmam que o seu professor tem um grande sentido de envolvimento, conhece as suas necessidades, explica de forma clara e fácil de compreender, dá trabalhos interessantes, sabe ouvir e dá bom feedback para que todos possam melhorar. Na Dinamarca, apenas 53% dos alunos classificam os professores com nota tão elevada. Na Polónia e na Dinamarca, 9% dos alunos consideram que os professores são fracos nos atributos referidos. 

Nas avaliações internacionais, os resultados dos alunos portugueses têm vindo a revelar melhorias nas aprendizagens e um aumento da percentagem de escolas inseridas em meios socioeconómicos desfavorecidos que conseguem mitigar as desvantagens dos alunos. Todavia, verifica-se uma tendência de sobrevalorização nas disciplinas de Biologia e Geologia, História A, Filosofia e Economia A do Secundário. Em Geometria Descritiva A, nota-se uma tendência de subvalorização. “No Ensino Secundário, o impacto das classificações de exame no cálculo da classificação final de cada disciplina apresenta variações mais ou menos significativas consoante a disciplina analisada. No entanto, esse impacto é pouco relevante para a reprovação dos alunos”, lê-se no relatório. 

Professores pouco respeitados 
Os professores portugueses são muito qualificados mas sentem-se pouco reconhecidos e respeitados na sua profissão. Portugal até tem uma percentagem de professores muito satisfeitos, superior à média dos países europeus - Sérvia e a Espanha são os países onde os professores do 1.º ciclo do Ensino Básico estão mais satisfeitos, em contrapartida com a República Checa, França, Dinamarca e Inglaterra, em que os professores estão mais insatisfeitos. 

Há três aspetos essenciais que contribuem para a satisfação dos professores com a sua profissão: sentir que os alunos aprendem e que fazem a diferença, ter um bom relacionamento com os alunos, e conseguir controlar o comportamento na sala de aula. “Quanto mais os professores se sentem úteis aos alunos e consideram que os ajudam a aprender, mais se sentem satisfeitos e respeitados”, lê-se no Estado da Educação. 

Na última década, houve um decréscimo significativo do pessoal docente nas escolas do pré-escolar ao Secundário. No entanto, neste último ano houve um aumento de 1639 professores em comparação com o ano precedente, 2015, essencialmente atribuível ao 3.º ciclo e Secundário com mais 995 professores. O envelhecimento do corpo docente continua a ser um dado visível: 83,7% dos docentes das escolas de ensino não superior do continente têm mais de 40 anos. Essa percentagem baixa no ensino privado em que 75,4% dos professores têm entre 30 e 49 anos de idade. Na Madeira e nos Açores, as maiores percentagens estão nas faixas etárias dos 30 aos 39 e dos 40 aos 49 anos, quer no ensino público quer no privado. 

A dimensão média de alunos por turma, entre 21 e 23, não foge aos padrões europeus. Mas menos alunos, menos turmas. De 2013/2014 para 2015/2016, houve uma redução de 819 turmas do 1.º ciclo, de 695 turmas mistas e de 189 turmas mistas com mais de dois anos de escolaridade. Metade dos agrupamentos escolares do país tem, em média, entre cinco e nove estabelecimentos sob sua alçada. 

Desde o início da década e até 2015/2016, houve menos 25 795 entradas no 1.º Ciclo, nas escolas do continente, 4738 das quais contadas só no último ano. Nos últimos dois anos, registou-se uma diminuição de 1,8% no número de jovens matriculados no Secundário, o que contraria uma tendência de crescimento sistemático verificado entre 2007 e 2014. E em 2015/2016, relativamente ao ano anterior, havia menos 11 863 alunos nas vias de dupla certificação do Ensino Secundário, depois de uma evolução sentida até 2013/2014, no sentido de uma aproximação percentual entre a frequência das vias de dupla certificação e dos cursos científico-humanísticos. 

Mais despesa, menor autonomia 
A taxa de escolarização das crianças com cinco anos de idade sofreu uma retração nos últimos quatro anos, ficando nos 94,8% em 2015/2016, depois de ter alcançado os 97,9% em 2010/2011. E quanto a orçamentos, a despesa total com a educação do pré-escolar ao Secundário no ensino público e privado aumentou em 2016, embora com uma descida no 1.º ciclo. A despesa com o ensino profissional diminuiu e a despesa com a educação e formação de adultos aumentou. E gastou-se mais na ação social escolar no ensino público e menos no privado. 

Os pais têm uma opinião favorável em relação à escola, mais de 20% veem os professores como muito competentes e 4% como incompetentes. Quanto ao grau de exigência, quase 20% consideram que a escola não é suficientemente exigente e 8% não estão satisfeitos com os conteúdos. 

Portugal continua a ser um dos países com menor autonomia, quando se analisam decisões que os diretores escolares podem tomar em relação à contratação, despedimento e salários dos professores, estruturação e gestão de orçamentos, seleção, avaliação e medidas disciplinares, gestão curricular e escolha de materiais. Do lado oposto, estão a República Checa, Suécia e Holanda com bastante autonomia. 

Informação retirada daqui

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mais alunos continuam a estudar depois do 12.º e menos optam por trabalhar


Há mais jovens a prosseguir os estudos após terminarem o 12.º ano e menos a optar por trabalhar, segundo um inquérito do Ministério da Educação realizado a milhares de alunos de escolas do país.

Para saber o que acontece aos jovens durante e depois de terminarem o secundário, os serviços da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) criaram um projeto e, no ano passado, voltaram a entrevistar milhares de alunos: no total, 16 186 jovens de 726 escolas públicas e privadas do continente responderam ao inquérito “Jovens no Pós-Secundário em 2016”.

Este foi o último passo de um projeto que seguiu os alunos em três momentos distintos: primeiro à entrada do secundário, depois à saída do secundário e agora no pós-secundário.

Uma vez que esta é a 5ª edição do questionário “Jovens no Pós-Secundário em 2016” é possível perceber que há mais jovens a continuar os estudos depois de terminar o secundário.

No ano passado, 72,5% dos inquiridos continuava a estudar, o que revela um aumento de 5,2 pontos percentuais em relação ao inquérito feito em 2014, segundo os dados avançados pelo Observatório de Trajetos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTEES), o projeto que é coordenado pela DGEEC.

As principais razões para continuarem a estudar são com a possibilidade de encontrar um emprego (46,8%) e a de exercer a profissão desejada (43,8%).

“Destacam-se os casos dos jovens dos cursos profissionais que continuaram a estudar para facilitar a integração no mercado de trabalho e os dos cursos tecnológicos por quererem desempenhar a profissão desejada”, lê-se no relatório, que analisou os percursos dos alunos tendo em conta as opções de ensino que escolheram quando terminaram o 9.º ano, desde os clássicos cursos científico-humanísticos, aos cursos artísticos e aos profissionalizantes.

Comparando os dados agora divulgados com os resultados obtidos em 2014 percebe-se que há menos alunos a decidir trabalhar independentemente de continuarem a estudar: no ano passado, 23,2% dos alunos estava a trabalhar enquanto dois anos antes eram 30,2%.

No entanto, o inquérito mostra que os percursos de vida são diferentes tendo em conta a escolha feita no final do 9.º ano: a maioria dos alunos dos cursos científico-humanísticos continuou a estudar depois do secundário enquanto a maioria dos alunos dos cursos profissionais estava a trabalhar.

Catorze meses após terminar o secundário, data em que foram pela última vez inquiridos, 86,4% dos alunos dos cursos científico-humanístico encontravam-se apenas a estudar, sendo residuais os casos de trabalhadores-estudantes (5,7%) ou os que se encontravam apenas a trabalhar (4%).

Uma realidade diferente da vivida pelos jovens que optaram por seguir cursos profissionais quando terminaram o 9.º ano: 14 meses após terminar o secundário, mais de metade estava a trabalhar, 27,4% estavam apenas a estudar e 15,8% procuravam emprego.

O inquérito permitiu ainda perceber que 6,1% dos inquiridos continuavam inscritos no secundário apesar de ser expectável que já tivessem terminado a escolaridade obrigatória: 3,2% estavam nos cursos científico-humanísticos; 1,2% nas modalidades profissionalizantes qualificantes; 1,3% eram trabalhadores estudantes de cursos científico-humanísticos e 0.5% eram trabalhadores e estudantes de cursos profissionais.

As razões apontadas pelos estudantes para não terem terminado os estudos prenderam-se, principalmente, com terem reprovado (43,8%), estarem a repetir exames nacionais de acesso ao ensino superior (21,9%) e estarem a fazer melhorias de notas (17,5).

Informação retirada daqui

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Apenas 1,5% dos alunos admite vir a ser professor – e a maioria tem resultados abaixo da média



Um estudo realizado para a CNE refere que apenas 1,5% dos alunos admite vir a ser professor no futuro. O número é muito baixo e a maioria desses alunos tinha resultados abaixo da média.
O setor da educação em Portugal — e nomeadamente a renovação do corpo docente — pode estar em risco num futuro próximo. Isto porque apenas 1,5% dos estudantes de 15 anos admitem ser professores no futuro, segundo um estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), com base no relatório dos testes PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2015 da OCDE.

O resultado de apenas 1,5% de estudantes surpreendeu pela negativa os autores do estudo “Porque melhoraram os resultados do PISA em Portugal”, refere o DN, até porque a mesma investigação concluiu que os alunos portugueses têm uma imagem positiva dos seus professores. Além dessa fraca expressão, a maioria desses alunos tinha também desempenhos abaixo da média.

De acordo com alguns especialistas ouvidos por aquele jornal, o problema reside na imagem negativa que se tem da profissão de professor. O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, partilha dessa opinião e lembra que é uma profissão que está desqualificada e que os jovens se apercebem da fragilidade de se ser professor — e de todos os riscos e inconvenientes que lhe estão associados, como o desemprego de longa duração ou até as colocações longe da área de residência.

O estudo é apresentado esta quarta-feira, na Universidade do Algarve.

Informação retirada daqui

Menos 100 mil alunos nas escolas em 10 anos


Menos alunos, menos escolas, menos professores, menos abandono. Mais sucesso escolar e mais computadores nas salas de aula. Numa década, entre 2006 e 2016, muita coisa mudou no ensino e registou-se uma redução de 99 425 alunos, segundo uma publicação da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.
    
Se há menos alunos, há menos escolas abertas, menos professores a ensinar, menos abandono escolar nas estatísticas nacionais. Entre os anos letivos de 2006-2007 e 2015-2016, numa década as escolas receberam menos 99 425 alunos, uma descida de, em média, quase 10 mil alunos por ano. As escolas perderam 22 419 professores, apenas os docentes de Educação Especial e formadores das escolas profissionais aumentaram ligeiramente. Os edifícios escolares do sistema público em funcionamento reduziram-se a cerca de metade, de 10 071 em 2006 para 5781 em 2016. No ensino privado, aconteceu o contrário, abriram mais 130 escolas em 10 anos, num número que já ronda os 2 600 estabelecimentos. 

Há vários retratos descritos em muitos números reunidos na publicação Regiões em Números 2015/2016 da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Os números revelam também algumas exceções. Na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve registou-se um aumento de estudantes na última década, de 24 183 em Lisboa e de 1308 no Algarve. Mas apenas nessas regiões. 

Nas creches e escolas do Ensino Básico há menos 132 478 crianças e os dados mais recentes indicam um total de 1 201 356 alunos em todo o país nestes níveis de ensino. Só o Ensino Secundário escapa a esta descida, com um aumento de 33 053 alunos nesses dez anos, mais precisamente de 336 929 em 2005-2006 para 369 982 em 2015-2016. Neste ano letivo, o 1.º Ciclo é o que tem mais alunos, seguindo-se o Ensino Secundário, o 3.º Ciclo, o Pré-escolar e, em último, o 2.º Ciclo, com 217 423 alunos. 

No ano letivo de 2015-2016 havia, em todo o país, 1 571 338 alunos e 145 658 educadores de infância e professores. Numa década, o sistema ficou com menos 22 419 docentes e educadores. Nas escolas profissionais houve um aumento de 6987 formadores em 2005-2006 para 7214 em 2015-2016. Na Educação Especial houve igualmente uma subida de 3887 para 6473 profissionais nesse período de tempo. Nesses dez anos, as quebras são significativas para os restantes níveis de ensino. 

No 3.º Ciclo e Secundário, que têm mais docentes, a queda foi de 82 415 professores em 2006 para 69 286 em 2016, ou seja, menos 13 129. No 1.º Ciclo, menos 5170 professores de 31 371 para 26 201, no 2.º Ciclo menos 8835 de 30 597 para 21 762. E no Pré-escolar, menos 1985 educadores de 16 707 para 14 722. 

Embora com algumas oscilações, as escolas, ao longo da última década, foram tendo menos professores. No 1.º Ciclo, o número atingiu os 32 286 docentes em 2007-2008, descendo para os 25 471 em 2014-2015 e aumentando para os 26 201 no ano letivo seguinte. No 2.º Ciclo, o número mais alto, de 33 131 professores, foi registado em 2009-2010, e desde então foi sempre a descer até aos 21 762 de 2015-2016. No 3.º Ciclo e Secundário, o ano letivo de 2008-2009 foi o que teve mais docentes nas escolas, 85 863, diminuindo a partir daí até aos 69 286 em 2015-2016. No Pré-escolar, a redução foi igualmente sentida com algumas oscilações, mas a partir de 2011-2012 foi sempre a descer. 

As descidas continuam, mas há casos em que é por bons motivos. As taxas de retenção e desistência em todos os níveis de ensino desceram. Há dez anos, um em cada quatro alunos do Ensino Secundário acabava por chumbar ou desistir da escola, agora são 15,5%. No Ensino Básico, as taxas de retenção e desistência também desceram e passaram de 10% para 6,4%. A taxa real de escolarização do Ensino Secundário tem vindo a aumentar, de 60,5% em 2006 para 76% em 2016. 

Há números que diminuem e que mostram as repercussões de uma taxa de natalidade baixa, há outros que aumentam, como é o caso do número de computadores nas escolas, fruto da evolução dos tempos. As novas tecnologias não passam ao lado do ensino. Há mais computadores com acesso à Internet nas salas de aula. 

Há dez anos um computador tinha de ser partilhado por 11,7 alunos e agora existe um computador com net para cada quatro estudantes. É no Secundário que esta disponibilidade é maior, um computador com net para 3,2 alunos, seguindo-se o 3.º Ciclo com um rácio de 3,5, o 2.º Ciclo com 3,6 e, por último, o 1.º Ciclo com 6,6. Quanto mais sobem no nível de ensino, mais computadores com net têm à disposição.

Informação retirada daqui

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Escolaridade até aos 18 anos resultou numa subida de 3,4% de estudantes


No ano lectivo de 2014/2015 chegou ao final do ensino secundário a primeira vaga de alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Nesse ano, que é também o último com dados divulgados, estavam inscritos no secundário apenas mais 12.353 alunos do que em 2011/2012, o último em que naquele nível de ensino não havia alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória.

Nas estimativas do Ministério da Educação sobre o impacto desta medida já se previa que o acréscimo de alunos fosse reduzido, uma vez que o abandono escolar no final do ensino básico era já “muito circunstancial”.

As características do universo do antes e depois da escolaridade obrigatória até aos 18 anos também são muito semelhantes, com um grande excepção: o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais no secundário quase quadruplicou. Actualmente são 11.062. Em 2011/2012 eram 2792.

A chegada destes alunos ao ensino secundário, geralmente abandonavam os estudos antes, foi considerado um dos “grandes desafios” do alargamento da escolaridade obrigatória. O balanço está ainda por fazer, mas o Governo está a preparar um novo diploma sobre “educação inclusiva” destinado aos alunos com Necessidades Educativas Especiais. “O objectivo é trazer o aluno diferente para dentro do grupo”, indicou o secretário de Estado da Educação João Costa.

Com a obrigação de estarem mais anos na escola, o peso dos rapazes no secundário voltou a ser maioritário (50,7%)). Também aumentou a proporção dos alunos nos cursos profissionalizantes, dos quais a maioria não prosseguirá estudos no ensino superior. Dados recentes mostram que só 18% destes alunos o fizeram. Já a maioria dos alunos que frequentam o chamado ensino regular prosseguem depois estudos no superior.

Não é a única diferença entre estes dois grupos. Em 2014/2015, 71,3% dos alunos que estavam no ensino regular estavam na idade normal de frequência deste nível de ensino, não tendo por isso sido chumbados antes. No profissional aquela percentagem descia para 25,7% e quase 19% estavam com três ou mais anos de atraso.

O nível de escolaridade dominante na família dos estudantes também diverge. Entre os alunos do ensino regular, há 59,9% cujas famílias são detentoras do ensino secundário ou do ensino superior. No caso dos que frequentam cursos profissionalizantes essa percentagem reduz-se para 39,3%.

Com a escolaridade obrigatória aumentou também a percentagem de alunos beneficiários da Acção Social Escolar, que se destina a agregados com um rendimento igual ou inferior ao salário mínimo nacional.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

No 1º ano tem-se mais 456 minutos de aulas por semana do que no 12.º


Alexandre Henriques, autor do blogue de educação ComRegras, um dos mais respeitados nesta área, comparou os tempos letivos semanais que uma criança de seis anos passa nas aulas, com os tempos letivos semanais de um adolescente a frequentar o 12.º de escolaridade e a conclusão que destaca é que "um aluno de seis anos passa mais 465 minutos por semana na escola que um aluno de 18 anos".

Depois de comparar as matrizes curriculares do Ministério da Educação, Alexandre Henriques divulgou, nas últimas, o estudo comparado no seu blogue, revelando que um aluno no 1.º ano de escolaridade tem 1.500 horas de carga letiva, enquanto um estudante do 12.º ano tem 1.035 horas de carga letiva.

O estudo revela também que os anos com maior carga letiva em Portugal são o 3.º e 4.ºanos de escolaridade, com 1.620 horas.

No 2.º ciclo, que corresponde ao 5.º e 6.º ano, a carga horária letiva é de 1.350 horas e, no 7.º ano de escolaridade, volta a aumentar para as 1.530 horas, para voltar a baixar nos 8.º e 9.º anos, em que a carga horária está nas 1.485 horas.

No 10.º e 11.º anos dá-se um novo aumento da carga horária para 1.530 horas, para voltar a baixar no 12.º, com as 1.035 horas.

"A carga letiva atribuída aos alunos portugueses não tem a mínima consideração pela sua idade, não tem uma lógica progressiva, sendo vítima de múltiplos interesses exceto os dos próprios alunos", observa o autor do estudo, referindo que há situações de uma "incongruência difícil de explicar", como é o caso da atividade física praticada na escola que tem o seu "pico no ensino secundário".

Informação retirada daqui
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