sábado, 29 de outubro de 2016

Educação Física vai voltar a contar para a média de acesso ao superior


A disciplina de Educação Física vai voltar a contar para a média no acesso ao ensino superior. O anúncio foi feito, segundo a Lusa, na sexta-feira, pelo secretário de Estado da Educação, João Costa. Nesta segunda-feira, fonte do Ministério da Educação (ME) preferiu não se comprometer com datas, até porque esta alteração se insere “no quadro mais amplo de trabalho que se encontra em curso com as associações de professores sobre a gestão do currículo”.

A nota de Educação Física deixou de contar para a média no ano lectivo de 2012/13, para os alunos que iniciaram então o 10.º ano. Em 2014/15, deixou de contar para todos os alunos, por iniciativa do então ministro da Educação, Nuno Crato. Desde então, a nota a essa disciplina é considerada apenas nos casos dos estudantes que escolhem cursos relacionados com o desporto quando se candidatam ao superior.

“Os alunos vão beneficiar com esta mudança, porque a Educação Física é importantíssima e transversal à formação escolar geral, desde o pré-escolar até ao 12.º ano. Aliás, nunca compreendemos por que é que a disciplina deixou de contar para a nota”, congratulou-se o presidente do Conselho Nacional de Associações de Professores e Profissionais de Educação Física, Avelino Azevedo.

Porque “o exercício físico pode melhorar as funções executivas e cognitivas que estão na base do sucesso escolar de cada aluno”, aquele responsável garante que os directores das escolas e os professores das restantes disciplinas aplaudem também a mudança. “Quando a Educação Física deixou de contar para a nota, e passou a integrar a área de Expressões, houve uma diminuição de 20% no número de aulas dedicadas ao desporto e isso contribuiu muito para o aumento da indisciplina no 3.º ciclo. Os próprios professores de Português e Matemática têm vindo a reclamar mais actividade física porque os miúdos destas idades não conseguem estar tanto tempo parados numa sala de aula”, acrescentou Avelino Azevedo.

O ME explicou que esta mudança se enquadra na reflexão que tem vindo a fazer, juntamente com as associações de professores, a propósito da definição das competências tidas como essenciais nas diferentes disciplinas. “Depois desta ampla discussão sobre a gestão do currículo no seu todo, qualquer alteração que eventualmente se possa produzir só terá efeito – para os alunos que entrarem no 10.º ano – após a publicação da legislação relevante”, ressalvou o ME numa resposta escrita, evitando assim comprometer-se com datas.

Informação retirada daqui

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Governo compromete-se a incluir livros para invisuais no Plano Nacional de Leitura


A secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, comprometeu-se nesta sexta-feira, em Coimbra, a incluir livros em braille e de leitura táctil no Plano Nacional de Leitura (PNL), embora sem assumir datas.

"Comprometi-me a começar agora a reunir para ver como vamos incluir [aqueles livros no PNL] e havemos de conseguir", disse a governante, no final da sessão solene das V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção Precoce, que decorreram no Hospital Pediátrico de Coimbra.

A promessa de Ana Sofia Antunes acabou por ir ao encontro do desafio lançado pelo presidente da Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP), Luís Borges, que apontou duas falhas no PNL: o facto de não abranger crianças invisuais e de não abranger as crianças em idade pré-escolar. 

Informação retirada daqui

   

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Faz 100 anos a única escola do país com um sistema de ensino à distância


Rafael vive com os pais no Moxico, província de Angola, para onde o pai emigrou em 2010 à procura de trabalho. Dois anos depois de o pai ter ido, Rafael, a mãe e a irmã mais nova foram ter com ele. O pai arranjou trabalho como montador de estruturas metálicas e a mãe como assessora da administração de uma empresa de construção civil. Foi o desemprego em Portugal que lhes forçou a partida.

O primeiro ano de aulas de Rafael foi no colégio Salesianos, mas não correu bem. “Era um programa muito denso e as turmas tinham cerca de 50 alunos”, conta a mãe, Ana Catarina Valente, através de videochamada, ao lado do filho, a partir de Angola. Os maus resultados na escola levaram-na a pensar em alternativas e uma delas era regressar, mas “a pior coisa era ter de voltar ao sufoco de não ter trabalho em Portugal”.

Um dia, ouviu um casal alemão falar sobre o ensino à distância disponível na Alemanha. Quis saber se o mesmo existia em Portugal, procurou na Internet e encontrou o Ensino à Distância para a Itinerância (EDI), um projecto único no país, existente desde 2010 na Escola Secundária de Fonseca Benevides, em Lisboa, que comemora hoje o centésimo aniversário.

O requisito era ter um computador e ligação à Internet, para além da impossibilidade comprovada de não poder frequentar a escola presencialmente. Cumpridos os requisitos, Rafael, 12 anos, entrou numa turma do 6º ano e aprendeu a lidar com a forma como as aulas se organizam: uma plataforma virtual, um chat para falar com os colegas e os professores, as vídeochamadas para aulas específicas e um fórum para recolher os materiais das disciplinas.

Sobre a rotina do dia-a-dia, Rafael é claro: “Levanto-me de manhã, tomo banho, como o pequeno-almoço e vou para a escola”. Só que a escola, esclarece a mãe, é no escritório onde ela trabalha. “Ele vai ter comigo e fica numa secretária, com o computador, ao meu lado. Com ele ali eu consigo controlar-lhe o estudo.”

O alívio que Ana Catarina sentiu ao encontrar o ensino à distância é partilhado por João Vincent Salazar, 42 anos, pai de dois filhos. Emigrado no Dubai, é lá que trabalha durante nove meses, todos os anos, como operador de vídeo e de câmara freelancer, garantindo a cobertura televisiva da época futebolística. Divorciado e com a tutela dos filhos, João diz ter sempre lutado para os ter consigo no Dubai, em vez de os deixar em Portugal. “Havia o entrave da língua porque já tinham iniciado o ensino básico, e o ensino neste país é muito caro”, conta, numa entrevista por email.

Quando soube do projecto, inscreveu os filhos, Vasco e Tomás, de 14 e 10 anos. “Foi com alguma expectativa, mas há coisas que não há nada que as pague, como o nosso bem-estar psicológico. Hoje estamos juntos os três.” Como pai, defende que este sistema de ensino lhe permite ter mais proximidade dos filhos e que se tornou essencial nos dias de hoje, “principalmente para os emigrantes”.

Rafael, Tomás e Vasco são três dos sete alunos filhos de pais emigrantes, inscritos no sistema de Ensino à Distância para a Itinerância, criado inicialmente para os filhos de profissionais circenses e feirantes, assim como para as jovens da instituição Ajuda de Mãe, que, em conjunto, continuam a estar em maioria (são cerca de 90% do total de alunos inscritos).

Se no início do projecto havia cerca de 80 alunos inscritos, hoje são 170, no total, divididos por 11 turmas entre o 5º e o 12º ano. Nos últimos tempos, como sublinha Patrícia Alves, coordenadora do projecto, “para além de ter crescido, o público também se diversificou”. Hoje inclui meninas de etnia cigana, jovens de centros de reinserção social e alunos que, por motivo de doença, não conseguem frequentar a escola.

“Acho que se não fosse o ensino à distância, eu teria desistido da escola quando fui mãe”, conta Cíntia Pereira, 20 anos. Frequentava o 10º ano do ensino regular quando engravidou. Chumbou esse ano e só depois do nascimento do bebé, hoje com quase dois anos e meio, é que soube da existência do ensino à distância através da Ajuda de Mãe, entidade parceira do projecto desde o início. Agora está a acabar o 12º ano, pronta para começar um estágio em Marketing.

A colega de turma Tatiana Mendes também é mãe: tem 19 anos e engravidou quando estava no 9º ano. “Estive de repouso absoluto para conseguir fazer os exames nacionais, mas fiz tudo ainda grávida.” Também a terminar o 12º ano, o objectivo é entrar na faculdade, em Relações Públicas. Quanto aos últimos três anos, garante que lhe deu “mais jeito” não ter aulas presencialmente, porque assim pôde ter a bebé consigo na instituição, onde assistia às aulas. A outra vantagem que ambas as alunas lembram era poder passar na escola, uma ou duas vezes por semana, para tirar dúvidas pessoalmente com os professores.

Ana Paula Silva é uma das 25 professoras do projecto. Há 14 anos que lecciona Matemática e em 2012 lançou-se no ensino à distância quando foi colocada, ainda como professora contratada, na escola Fonseca Benevides. Foi-lhe atribuído um horário para as turmas não-presenciais e assim deu início ao que hoje considera ser o projecto “mais desafiador” da sua carreira.

"É muito diferente. Temos de lidar com a ausência. No ensino presencial percebemos as reacções dos alunos e temos um feedback imediato, aqui não.” Apesar de não ser fácil e de ser preciso mais tempo para preparar as aulas, a professora acabou por escolher ficar no ensino à distância. “Queria continuar com o projecto e é gratificante ver o esforço recompensado.”

A Escola Secundária de Fonseca Benevides, única a ter este sistema de ensino, modernizou-se ao longo dos últimos 100 anos e o Ensino à Distância para a Itinerância “é um exemplo disso”, aponta João Santos, director da escola. Tradicionalmente de formação técnica, e dedicada a áreas como a Química e a Electricidade, a escola continua em paralelo a apostar no ensino profissional no regime presencial. “Os nossos alunos são os miúdos que querem ser electricistas, técnicos de informática, técnicos de análise laboratorial, técnicos de energias renováveis.” Só que há uma ressalva a fazer, aponta João Santos: “O ensino profissional nem sempre é visto como um caminho para a faculdade, mas pode ser.”

Há seis anos a escola deixou as instalações antigas, fundadas em 1888, e mudou-se para Alcântara, para o espaço pertencente à Escola Secundária D. João de Castro, que sofreu uma intervenção da Parque Escolar, garantindo hoje as condições estruturais e materiais dos vários laboratórios. “A nível de escola não nos falta nada. A nossa dificuldade é passar a mensagem de que há escola públicas a fazer um ensino de excelência, dando um nível de preparação técnica que outros alunos não têm.”

São cerca de 700 alunos matriculados na escola. Já foram mais, mas o decréscimo populacional na zona central de Lisboa afectou esse número. “As escolas das periferias estão cheias”, aponta o director, e por isso os pais trazem os filhos para perto dos locais de trabalho. “Temos miúdos do Seixal, Odivelas e Loures. Metade deles não moram aqui e levam horas a chegar cá. Isso tem consequências no rendimento escolar deles.”

O sucesso escolar é um dos temas discutidos. A posição da escola no último lugar do ranking do ensino secundário, de 2013, é motivo de debate, porque os únicos alunos a fazer exames nacionais na Fonseca Benevides – e, por isso, a contribuir para os rankings – são precisamente os alunos do ensino à distância, apesar de todas as diferenças que os distinguem de outros sistemas de ensino.

São desafios como este, associados a outras especificidades da escola, como os cursos de educação e formação (CEF) ou o ensino nocturno que estarão esta quinta-feira em debate na escola, às 14 horas, numa palestra que contará com a presença do professor Marcelo Rebelo de Sousa, com o tema “Educação em Portugal: que futuro?”.

Quanto ao centenário da escola, o director, João Santos, diz ter dois grandes objectivos: conseguir mais alunos e contrariar uma percepção actual errada. “A escola pública, hoje em dia, nem sempre tem uma boa imagem. Queremos mostrar o que pode ter de bom.”

Informação retirada daqui

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Professores mais velhos são os que mais se queixam da indisciplina

Quanto mais velhos os docentes, mais são as queixas de indisciplina em sala de aula que relatam. Esta é uma das particularidades de Portugal em relação a outros países europeus revelada por um novo estudo do projecto aQeduto, uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que é apresentado hoje em Lisboa.

O estudo foi realizado com base num inquérito internacional aos professores e directores, realizado em 2012 no âmbito do projecto TALIS (Teaching and Learning International Survey).  

Apenas a Irlanda acompanha Portugal nesta particularidade, mas os docentes portugueses com mais de 50 anos conseguem ultrapassar os irlandeses.

“Esta questão deve ser encarada com muita atenção, dado o envelhecimento do corpo docente em Portugal”, frisa-se no estudo em que se lembra que, em 2015, 39% dos docentes do ensino básico e secundário tinham 50 anos ou mais.

Isabel Flores, uma das investigadoras do aQeduto, chama a atenção para outro dos campos em que Portugal se destaca, pela negativa, neste domínio: os níveis de indisciplina de que dão conta os docentes, independentemente da idade, são sempre mais elevados do que nos outros países estudados. 

A investigadora não avança razões que o justifiquem, nem o facto de os professores portugueses serem os que mais relatam situações de indisciplina, nem que esta situação aumente com a idade, ao contrário do que se passa, por exemplo, em Espanha, na Dinamarca ou na Polónia.

Mas deixa esta questão que pode ajudar a uma reflexão: “Serão os alunos portugueses mais malcomportados ou haverá uma maior intolerância dos professores em relação a determinados comportamentos dos alunos?” O fenómeno poderá ter que ver também com as suas práticas pedagógicas, como se verá adiante.

Alexandre Henrique, autor do blogue ComRegras, que tem dedicado particular atenção aos assuntos relacionados com a indisciplina, considera, pelo seu lado, que, sendo este fenómeno transversal, “restringir a questão à idade mais avançada dos professores é centrarmo-nos num aspecto muito parcelar”.

“No próprio estudo é possível verificar que os professores em início de carreira também revelam algumas dificuldades quanto às questões disciplinares”, destaca, para acrescentar que “a falta de preparação específica na sua formação inicial, somada à sua inexperiência em lidar com situações novas e imprevisíveis, podem causar algumas dificuldades em lidar com certas situações de indisciplina”.

Quanto aos professores mais velhos, refere que se está perante um sector em que “muitos sofrem de burnout [exaustão] educativo, em que a falta de reconhecimento e estagnação profissional, o aumento da idade da reforma, o desgaste em lidar com alunos cada vez mais problemáticos, o distanciamento geracional, o choque cultural e tecnológico entre estes, podem originar fortes conflitos em sala de aula”.

Isabel Flores adianta que a questão de como se percepciona a indisciplina terá também muito a ver com as práticas pedagógicas dominantes seguidas pelos docentes e, segundo este estudo revela, a dos professores portugueses, independentemente da idade, continuam a privilegiar as aulas expositivas em detrimento de sessões práticas, com base em projectos apresentados pelos alunos

Mais uma vez Portugal só é acompanhado pela Irlanda no domínio das aulas expositivas.

“Quando as aulas são mais expositivas, os professores têm a expectativa de que haja mais silêncio do que quando se avança para sessões práticas. Portanto, a percepção da indisciplina pode também ter que ver com o tipo de expectativas que o professor tem à partida em função das aulas que vai dar”, diz a investigadora.

Para Isabel Flores, este domínio de práticas pedagógicas em que o professor fala e o aluno absorve conteúdos tem em Portugal um forte alimento: a extensão dos currículos escolares.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Olimpíadas Portuguesas de Geologia 2017


A Sociedade Geológica de Portugal, com o apoio do Ministério de Educação, da generalidade das Universidades Portuguesas, da Agência e Rede Ciência Viva, do Geoparque Açores e da International Geoscience Educational Organization, tem o prazer de anunciar que, no ano letivo de 2016/17, terá lugar a terceira edição das “Olimpíadas Portuguesas de Geologia” (OPG 2017), na sequência do enorme êxito das duas edições anteriores, quer quanto ao número de participantes, quer quanto aos resultados obtidos pelos nossos “estudantes olímpicos” nas International Earth Science Olympiads (IESO) – uma medalha de ouro e outra de bronze no Brasil, em 2015, e duas medalhas de prata e uma de bronze no Japão, em 2016.

As “Olimpíadas Portuguesas de Geologia” são dirigidas aos alunos do 11º ano de escolaridade. Os traços principais desta iniciativa encontram-se resumidos na apresentação power point e no flyer eletrónico em anexo. As datas de realização das provas das três fases da competição - escolar, regional e final – serão, este ano, as seguintes: 27 de janeiro, 1 de abril e 20-21 de maio de 2017, respetivamente

Informação mais detalhada poderá ser consultada no “Regulamento das Olimpíadas Portuguesas de Geologia”, disponível em http://www.socgeol.org/olimpiadas_1, ou ser obtida por contacto com o Secretariado Nacional das Olimpíadas de Geologia – Centro Ciência Viva do Lousal (e-mail:olimpiadasgeologia@lousal.cienciaviva.pt; Tel.: 269 750 522).

Pedimos que promova esta iniciativa fazendo chegar esta mensagem ao coordenador/a e colegas do Grupo 520 - Biologia e Geologia, no sentido de garantir que até dia 31 de dezembro, a vossa Escola se poderá inscrever e indicar um professor-responsável que será o elemento de ligação à organização.

Segue em anexo a ficha de inscrição nas OPG 2016. Agradecemos o seu preenchimento eletrónico e envio on-line  ou devolução por e-mail para o endereço electrónico das OPG 2016: olimpiadasgeologia@lousal.cienciaviva.pt



No 1º ano tem-se mais 456 minutos de aulas por semana do que no 12.º


Alexandre Henriques, autor do blogue de educação ComRegras, um dos mais respeitados nesta área, comparou os tempos letivos semanais que uma criança de seis anos passa nas aulas, com os tempos letivos semanais de um adolescente a frequentar o 12.º de escolaridade e a conclusão que destaca é que "um aluno de seis anos passa mais 465 minutos por semana na escola que um aluno de 18 anos".

Depois de comparar as matrizes curriculares do Ministério da Educação, Alexandre Henriques divulgou, nas últimas, o estudo comparado no seu blogue, revelando que um aluno no 1.º ano de escolaridade tem 1.500 horas de carga letiva, enquanto um estudante do 12.º ano tem 1.035 horas de carga letiva.

O estudo revela também que os anos com maior carga letiva em Portugal são o 3.º e 4.ºanos de escolaridade, com 1.620 horas.

No 2.º ciclo, que corresponde ao 5.º e 6.º ano, a carga horária letiva é de 1.350 horas e, no 7.º ano de escolaridade, volta a aumentar para as 1.530 horas, para voltar a baixar nos 8.º e 9.º anos, em que a carga horária está nas 1.485 horas.

No 10.º e 11.º anos dá-se um novo aumento da carga horária para 1.530 horas, para voltar a baixar no 12.º, com as 1.035 horas.

"A carga letiva atribuída aos alunos portugueses não tem a mínima consideração pela sua idade, não tem uma lógica progressiva, sendo vítima de múltiplos interesses exceto os dos próprios alunos", observa o autor do estudo, referindo que há situações de uma "incongruência difícil de explicar", como é o caso da atividade física praticada na escola que tem o seu "pico no ensino secundário".

Informação retirada daqui

domingo, 9 de outubro de 2016

Fenprof diz que está ameaçado "princípio da escola inclusiva"



A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou nesta terça-feira para a falta de professores qualificados e a sobrelotação de turmas na educação especial, salientando que tais carências ameaçam o princípio da escola inclusiva.

Segundo o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, as escolas da rede pública têm metade dos professores de educação especial que seriam desejáveis - 5000 e não 10.000 - e apenas 21% das turmas com alunos com necessidades educativas especiais (crianças ou jovens, por exemplo, portadores de deficiência) "é que cumprem as normas" estabelecidas quanto à redução do número de alunos. Recentemente, com base num inquérito aos directores, a Fenprof avaliou em oito mil o número de turmas que não cumprem aqueles requisitos.

Mário Nogueira, que falava aos jornalistas, em Lisboa, após a reunião do Conselho Nacional da Fenprof, apontou, além da sobrelotação de turmas e da "grande falta de professores qualificados", a ausência de técnicos, terapeutas, psicólogos e assistentes operacionais.

As escolas, disse, estão "a desenrascar-se, a adaptar-se, a encontrar respostas que não são as adequadas", uma situação que, a perpetuar-se, assinalou, ameaça o "princípio da escola inclusiva".

O líder da maior estrutura sindical de docentes precisou que, erradamente, os professores de Língua Gestual continuam a ser considerados técnicos. Casos há, acrescentou, em que professores de educação especial dão apoio a 30 a 40 alunos, e que esse apoio, segmentado, é apenas de meia hora por semana.

A Fenprof voltou hoje a enumerar outros problemas nas escolas públicas: a falta de pessoal não-docente (4000 a 5000 funcionários) e o excesso de alunos por turma no 1.ºciclo de ensino. 

Informação retirada daqui

"Faltam professores com boa disposição e alegria"


As mulheres, hoje em maioria no ensino português, tiveram um percurso de conquista no século XX. A partir de 1950 iniciou-se uma participação mais efetiva das mulheres no ensino básico nacional

Maioria de docentes são mulheres, com mais de 40 anos e licenciatura. No dia do professor, traçamos o perfil, com a ajuda de um. Que, aos 59 anos, diz ser preciso "sangue novo" nas escolas

"Tenho 36 anos de serviço, e 59 de idade, feitos ontem". E um sorriso na voz enérgica, mesmo se a maioria do que tem para dizer é pouco prazenteiro. Teresa Santos Costa é docente do primeiro ciclo do ensino básico no agrupamento de escolas Eugénio de Castro, em Coimbra, está há quatro anos como "professora de apoio", por achar a função mais adequada à sua idade e por se sentir "muito cética, muito desencantada com o momento presente. Acho que a escola se tornou numa coisa pouco interessante."

Admite que a disposição possa ser fruto da idade e da energia decrescente que o tempo quase sempre implica, nesta profissão como noutras. "Pode suceder em todas mas com os professores quem sai prejudicado são os alunos. É aborrecido quando há um número significativo de professores que não estão satisfeitos, estão aborrecidos... "

Num grau de ensino no qual, de acordo com O Perfil dos Professor 2014/2015, do ministério da Educação, 86,6% dos docentes são mulheres (o que ainda assim nos coloca abaixo da média da OCDE) - só há mais na pré-primária, em que são uns impressionantes 99,1%, contra 72,3% nos segundo ciclo e 71,6% no terceiro ciclo e secundário - Teresa é parte dos 33,1% mais velhos; só 1,4% têm menos de 30 anos, 30,4% têm entre 30 e 39 e 35,2% entre 40 e 49. Um valor um pouco acima da média da OCDE (31% dos professores primários têm mais de 50 anos), em contraste com o facto de sermos o segundo país, depois de Itália, com menos docentes neste grau menores de trinta. "Os professores do primeiro ciclo estão envelhecidos. Se calhar não era normal a reforma ser aos 52, como era até há 10 anos. Mas ensinar até aos 66? Acho que não faz sentido." O que faria sentido, então? "Até aos 60, talvez. As pessoas a partir de uma certa idade perdem uma série de capacidades para estar perante crianças. Até em termos físicos. São cinco horas consecutivas com alunos na sala de aula: ó professora isto, ó professora aquilo..." Suspira. "Quando assinei o meu contrato tinha de dar 32 ou 34, já nem sei, anos de serviço... Precisamos de injetar sangue novo no sistema, boa disposição, alegria."

Com um salário líquido de cerca de 2000 euros, Teresa está no topo de uma carreira em que não existem, ao contrário do que passa na generalidade dos países da OCDE, diferenças de vencimento entre níveis de ensino (exceção feita aos professores universitários) mas sim em termos de tempo de serviço e na qual os docentes portugueses com mais anos de profissão se encontram entre os mais bem pagos (55 mil euros/ano), enquanto os que a iniciam (27 mil euros/ano) e os dos graus seguintes (aos 10 e 15 anos) se encontram numa posição contrária ou média. Sendo, aparentemente, os que menos protestam: "Os mais novos, que têm a situação mais periclitante, não falam. Cumprem, e cumprem bem. Mas é muito diferente do que era o ambiente de quando eu comecei, em que havia mais discussão, mais troca de ideias." É justa uma diferença de salário tão acentuada entre os novos e os mais velhos? A professora do primeiro ciclo hesita. "Provavelmente não deveria haver uma discrepância tão grande entre o princípio e o final da carreira. Mas não acho que um professor ganhe assim tão bem. Claro, poder-se-á considerar que sou uma privilegiada, porque as carreiras estão muito difíceis para os mais novos, que passando muitos anos como contratados terão muita dificuldade em chegar ao topo."

A comparação entre os salários dos professores e dos trabalhadores com o mesmo nível de habilitações - neste caso, licenciatura, já que mas de 80% dos docentes, da pré-primária ao secundário, tem-na - efetuada pelo mais recente relatório Education at a glance (Um olhar sobre a Educação) da OCDE, publicado no mês passado, não inclui Portugal: o país não terá disponibilizado dados. O que se sabe a partir do relatório é que, enquanto na generalidade dos países retratados os salários dos professores até ao secundário aumentaram entre 2005 e 2014, em Portugal, como no Reino Unido, desceram mais de 10% (e 30% na Grécia).

Teresa, que nasceu em Moçambique e veio para Portugal em 1974, aos 16 anos, tirou primeiro o curso do magistério primário. "Era o que equivale a um bacharelato, era de três anos. Depois, mais tarde, fiz licenciatura e mestrado. A ideia era arranjar trabalho o mais depressa possível e consegui. O meu primeiro posto foi numa escola num concelho rural, Góis, no interior do distrito de Coimbra. Tive uma má experiência no primeiro ano, porque os professores mais velhos deixavam para os mais novos as turmas piores e havia nessa altura estudantes de 13 e 14 anos, retidos, na primária. Tinha oito ou nove desses problemáticos, filhos de gente alcoolizada, agressivos, e foi muito difícil, até porque estava na mesma aula que os miúdos que tinham passado com sucesso para o terceiro ano." Como compara a escola de hoje com a desse tempo? "O que se verifica hoje é que há um número excessivo de alunos na mesma sala, incluindo crianças com dificuldades de aprendizagem, com autismo, até trissomia e sem o apoio necessário. Na minha escola entraram agora três crianças autistas. Temos uma unidade de autismo mas é insuficiente. Precisamos de mais pessoal especializado. Claro que quando comecei a trabalhar estas crianças não estavam nas escolas públicas, havia escolas vocacionadas para crianças com deficiência. Mas temos também em cada vez maior número crianças com dificuldades de aprendizagem. Porquê? Se calhar há uma grande diferença entre o que a escola ensina e oferece e o que os miúdos desejam aprender - acho que há um desfasamento cada vez mais profundo."

Os dados da OCDE referem um aumento do tamanho das turmas da primária em 14% entre 2005 e 2014, mas Portugal surge como estando, em 2014, abaixo da média de alunos por turma da OCDE quer no ensino primário (21) quer no segundo ciclo (23).

Falamos dos alunos. E os professores, como evoluíram? "Acho que há muita gente que teria vocação para ser professor, e que agora..."

Informação retirada daqui

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sindicato quer que professores tenham redução de horas de aulas a partir dos 40 anos



O Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) decidiu nesta segunda-feira lançar uma petição para que os professores tenham redução do tempo de aulas logo a partir dos 40 anos de idade e 10 anos de serviço, e não dos 50, como actualmente está consagrado no Estatuto da Carreira Docente (ECD). A concretizar-se, 80% dos professores teriam actualmente direito a esta redução.

No texto da petição o SIPE justifica esta posição com o facto de a profissão docente ser “uma actividade de enorme desgaste físico, psicológico e emocional”. “Não foi por acaso que, em 1981, a Organização Internacional do Trabalho considerou a profissão docente como uma profissão de risco físico e mental”, frisa.

Com base em dados da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, mais de metade dos professores do 3.º ciclo e secundário têm horário reduzido, a maior parte dos quais por terem 50 ou mais anos de idade, situação em que se encontram hoje quase 40% daqueles docentes.

A proposta do SIPE é assim que seja alterado o modo como se estipula a redução da componente lectiva no actual ECD e que se retome a redacção do diploma de 1990, que esteve em vigor até 2007 e onde se previa uma redução de duas horas do tempo de aulas aos 40 anos, a ser revista de cinco em cinco até ao máximo de oito horas.

A chamada componente lectiva dos docentes (o tempo de aulas) é de 22 horas antes de começarem a serem válidas estas reduções, mas o horário dos professores mantém-se sempre o mesmo: 35 horas por semana.

Segundo o ECD, o número de aulas a menos passa a ser contabilizado na chamada componente não lectiva, devendo ser ocupado pelos professores em trabalho na escola, por exemplo nas bibliotecas ou no apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem. E esta é também a outra vertente que o SIPE pretende ver alterada, defendendo que o trabalho de apoio os alunos deve ser sempre contabilizado como tempo de aulas e não, como sucede agora, integrar também a chamada componente não lectiva 

A petição será lançada online nesta terça-feira. “Estamos à espera de receber milhares de assinaturas”, disse a presidente do SIPE, Júlia Azevedo. Esta dirigente sindical justifica a iniciativa com as queixas que têm recebido de muitos professores por causa do seu horário de trabalho. "Mesmo com redução de horários, os professores fazem substituição de aulas, estaão nas salas em apoio a outros docentes, trabalham com grupos de 10 ou mais alunos", especifica.

Júlia Azevedo acrescenta ainda que "o horário dos professores não se esgota nas aulas"." Há sempre muito trabalho na escola para fazer e este vai muito para além do que se encontra legalmente estipulado”, frisa, para acrescentar que actualmente os docentes “estão esmagados por reuniões intermináveis e montanhas de papéis para preencher, todo uma burocracia que lhe tira o tempo para a partilha, para a reflexão e para a formação que, por causa disso, é feita geralmente aos sábados”. 

Informação retirada daqui

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Humor - Tipos de Professores

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