quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um ano de 10 meses!...

Terra

Lua

Sol

...e o calendário!

O que é um 'calendário'?

    O principal motivo da criação de um calendário é o desejo de organizar, no tempo, os eventos de uma sociedade. Sempre teve um estatuto sagrado, além de servir de identidade cultural (porque culturas diferentes apresentam calendários diferentes, como a chinesa, a islâmica…). Porém, qualquer que seja a sua sofisticação científica, os calendários correspondem apenas a normas para uso da sociedade, mas nunca a resultados de tratados científicos.
    O calendário baseia-se em fenómenos astronómicos, sendo os mais importantes os ciclos da Terra, da Lua e do Sol. O dia é dado pela duração de uma volta completa da Terra sobre o seu eixo (cerca de 23h50min). O mês é o tempo que demora uma revolução da Lua à volta da Terra. Para os povos primitivos, era o tempo decorrido entre duas Lua Novas sucessivas (mês sideral). A lunação, ou revolução sinódica, dura cerca de 29,5 dias. Por fim, a revolução da Terra à volta do Sol define um ano tropical – intervalo entre equinócios vernais, cerca de 365,2422 dias. A sincronização destes três componentes, nenhum sendo comensurável a outro, enfatiza a complexidade do calendário.
Ovídio
e
Plutarco

A história do calendário

    Grande parte do conhecimento actual sobre os calendários baseia-se em estudos de referência de dois escritores da Antiguidade: Ovídio, poeta romano, 43 a.C. - 17/18 d.C.; e Plutarco, escritor grego, 50 d.C. - 120 d.C. . Ambos tiveram acesso a documentos históricos (hoje desaparecidos) que já na altura - assim relata Ovídio - eram muito antigos!! Acrescido a isso, o calendário foi sendo objecto, ao longo de sucessivos reinados, da aplicação errada das suas regras originais. Sofreu, assim, alterações contínuas na sua extensão e divisão, complicando largamente a sua história. A título de exemplo, quando Júlio César implementa um ano com novas regras, mais restritas, por volta de 46 a.C., surge o 'Ano da Confusão': um ano civil com mais 80 dias que o "normal", prefazendo 445 dias!
10  meses
    Somente após 8 d.C. é que a definição mais pormenorizada do calendário estabiliza totalmente.

O calendário de Rómulo

    O calendário original de Rómulo (por 738 a.C.) terá evoluído do calendário lunar grego (este já derivava do babilónio). Os cálculos efectuados naquela altura possivelmente terão apontado para um ano de 10 lunações, cada uma entre 30 e 31 dias. (Não se sabe bem o que acontecera aos restantes 61,25 dias que faltavam para completar um ano tropical.) Será talvez por isso, que o ano foi composto por 10 meses, seis de 30 dias, e quatro de 31 dias, perfazendo um total de 304 dias.
Placa de pedra com inscrição do calendário (restaurada)
    A cada um dos primeiros quatro meses foi atribuído carácter simbólico. Essa simbologia ainda é algo discutida, já que habitualmente são aplicados dois significados muito distintos a cada um dos meses. Aos restantes meses aplicaram-se nomes numerais. Os meses constituintes eram, então: Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quintilius, Sextilis, Septembris ou September, Octobris ou October, Novembris ou November, e Decembris ou December. Na tabela apresentada poderás ainda descobrir os significados de cada um dos meses.

N.º
mês
Mês actual (português) Mês Romano Derivação possível (i) Derivação possível (ii) N.º dias
1 Março Martius Representa Marte (filho de Juno e pai lendário de Rómulo e Remo) deus da guerra; achava-se que o início do ano era uma boa época para começar as guerras! Deriva de mas ou maris, palavras romanas que se podem interpretar como a força criadora juvenil. 31
2 Abril Aprilis Representa Afrodite, deusa da Beleza, como referência à chegada da Primavera. Significava "seguinte", "segundo"; ou, então, "abrir", "continuação" (notar a semelhança). 30
3 Maio Maius Representa Maia, a deusa do crescimento (permanece a dúvida se das plantas, devido à planta maia). Maia é a mãe de Mercúrio. Maius significava deus supremo, o deus dos deuses – Júpiter. 31
4 Junho Junius Representa Juno - deusa rainha suprema (irmã e esposa de Júpiter), também deusa dos casamentos. 30
5 Julho Quintilius quintus mensis= "quinto mês" em latim 31
6 Agosto Sextilis sextus mensis= "sexto mês" em latim 30
7 Setembro Septembris ou September septimus mensis= "sétimo mês" em latim 30
8 Outubro Octobris ou October octavus mensis= "oitavo mês" em latim 31
9 Novembro Novembris ou November nonus mensis= "nono mês" em latim 30
10 Dezembro Decembris ou December decimus mensis= "décimo mês" em latim 30

a evolução     Podes ainda depreender da tabela, que o ano começava em Março, não existindo os meses de Janeiro e Fevereiro. E acabava em Dezembro – o décimo mês, e não o décimo segundo, como, por vezes, se conclui. Além disso, o quinto e o sexto meses chamavam-se inicialmente Quintilius e Sextilis – os nomes em uso actualmente (Julho e Agosto) apareceram mais tarde, de uma forma bastante peculiar! Ficaste curioso com a evolução do calendário? :-) Então não percas a próxima edição em que aparece o deus Jano nesta confusão


Rudolf Appelt 

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