sexta-feira, 29 de abril de 2016

Fotografias Macro

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Macrofotografias

sábado, 23 de abril de 2016

Instantes mágicos

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Um ano de 10 meses!...

Terra

Lua

Sol

...e o calendário!

O que é um 'calendário'?

    O principal motivo da criação de um calendário é o desejo de organizar, no tempo, os eventos de uma sociedade. Sempre teve um estatuto sagrado, além de servir de identidade cultural (porque culturas diferentes apresentam calendários diferentes, como a chinesa, a islâmica…). Porém, qualquer que seja a sua sofisticação científica, os calendários correspondem apenas a normas para uso da sociedade, mas nunca a resultados de tratados científicos.
    O calendário baseia-se em fenómenos astronómicos, sendo os mais importantes os ciclos da Terra, da Lua e do Sol. O dia é dado pela duração de uma volta completa da Terra sobre o seu eixo (cerca de 23h50min). O mês é o tempo que demora uma revolução da Lua à volta da Terra. Para os povos primitivos, era o tempo decorrido entre duas Lua Novas sucessivas (mês sideral). A lunação, ou revolução sinódica, dura cerca de 29,5 dias. Por fim, a revolução da Terra à volta do Sol define um ano tropical – intervalo entre equinócios vernais, cerca de 365,2422 dias. A sincronização destes três componentes, nenhum sendo comensurável a outro, enfatiza a complexidade do calendário.
Ovídio
e
Plutarco

A história do calendário

    Grande parte do conhecimento actual sobre os calendários baseia-se em estudos de referência de dois escritores da Antiguidade: Ovídio, poeta romano, 43 a.C. - 17/18 d.C.; e Plutarco, escritor grego, 50 d.C. - 120 d.C. . Ambos tiveram acesso a documentos históricos (hoje desaparecidos) que já na altura - assim relata Ovídio - eram muito antigos!! Acrescido a isso, o calendário foi sendo objecto, ao longo de sucessivos reinados, da aplicação errada das suas regras originais. Sofreu, assim, alterações contínuas na sua extensão e divisão, complicando largamente a sua história. A título de exemplo, quando Júlio César implementa um ano com novas regras, mais restritas, por volta de 46 a.C., surge o 'Ano da Confusão': um ano civil com mais 80 dias que o "normal", prefazendo 445 dias!
10  meses
    Somente após 8 d.C. é que a definição mais pormenorizada do calendário estabiliza totalmente.

O calendário de Rómulo

    O calendário original de Rómulo (por 738 a.C.) terá evoluído do calendário lunar grego (este já derivava do babilónio). Os cálculos efectuados naquela altura possivelmente terão apontado para um ano de 10 lunações, cada uma entre 30 e 31 dias. (Não se sabe bem o que acontecera aos restantes 61,25 dias que faltavam para completar um ano tropical.) Será talvez por isso, que o ano foi composto por 10 meses, seis de 30 dias, e quatro de 31 dias, perfazendo um total de 304 dias.
Placa de pedra com inscrição do calendário (restaurada)
    A cada um dos primeiros quatro meses foi atribuído carácter simbólico. Essa simbologia ainda é algo discutida, já que habitualmente são aplicados dois significados muito distintos a cada um dos meses. Aos restantes meses aplicaram-se nomes numerais. Os meses constituintes eram, então: Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quintilius, Sextilis, Septembris ou September, Octobris ou October, Novembris ou November, e Decembris ou December. Na tabela apresentada poderás ainda descobrir os significados de cada um dos meses.

N.º
mês
Mês actual (português) Mês Romano Derivação possível (i) Derivação possível (ii) N.º dias
1 Março Martius Representa Marte (filho de Juno e pai lendário de Rómulo e Remo) deus da guerra; achava-se que o início do ano era uma boa época para começar as guerras! Deriva de mas ou maris, palavras romanas que se podem interpretar como a força criadora juvenil. 31
2 Abril Aprilis Representa Afrodite, deusa da Beleza, como referência à chegada da Primavera. Significava "seguinte", "segundo"; ou, então, "abrir", "continuação" (notar a semelhança). 30
3 Maio Maius Representa Maia, a deusa do crescimento (permanece a dúvida se das plantas, devido à planta maia). Maia é a mãe de Mercúrio. Maius significava deus supremo, o deus dos deuses – Júpiter. 31
4 Junho Junius Representa Juno - deusa rainha suprema (irmã e esposa de Júpiter), também deusa dos casamentos. 30
5 Julho Quintilius quintus mensis= "quinto mês" em latim 31
6 Agosto Sextilis sextus mensis= "sexto mês" em latim 30
7 Setembro Septembris ou September septimus mensis= "sétimo mês" em latim 30
8 Outubro Octobris ou October octavus mensis= "oitavo mês" em latim 31
9 Novembro Novembris ou November nonus mensis= "nono mês" em latim 30
10 Dezembro Decembris ou December decimus mensis= "décimo mês" em latim 30

a evolução     Podes ainda depreender da tabela, que o ano começava em Março, não existindo os meses de Janeiro e Fevereiro. E acabava em Dezembro – o décimo mês, e não o décimo segundo, como, por vezes, se conclui. Além disso, o quinto e o sexto meses chamavam-se inicialmente Quintilius e Sextilis – os nomes em uso actualmente (Julho e Agosto) apareceram mais tarde, de uma forma bastante peculiar! Ficaste curioso com a evolução do calendário? :-) Então não percas a próxima edição em que aparece o deus Jano nesta confusão


Rudolf Appelt 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Fotografias Macro

domingo, 17 de abril de 2016

10 pedidos de um cão

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Macrofotografias

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Criptografia - Parte II

Durante séculos, a cifra simples de substituição monoalfabetica — apresentada na edição anterior — foi suficiente para garantir o sigilo. Porém, o desenvolvimento continuado da análise de frequências destruiu a sua segurança. Era necessário, então, desenvolver uma nova cifra e mais forte.
Quadrado de Vigenère
Tratado ViginèreBlaise de Vigenère (1523 - 1596), um diplomata francês, interessou-se pela Criptografia durante uma missão a Roma, onde encontrara trabalhos de criptólogos. Em 1570 dedica-se a tempo inteiro a este seu novo passatempo, publicando, dez anos mais tarde, o livro intitulado Traictè de Chiffres (Tratado de Cifras). Neste, Vigenère apresenta vários temas; em especial, a encriptação através do seu Quadrado de Vigenère, (quadro 1) — a nova geração de cifras por substituição polialfabética. Este método utiliza 26 alfabetos de cifra para codificar uma mensagem: o emissor encripta a primeira letra de acordo com um alfabeto, a segunda letra por outro alfabeto, e assim em diante. Para descodificar a mensagem é necessária a mesma palavra-chave de encriptação.
Eis um exemplo, para melhor percepção:
Mensagem a encriptar: A sua bela espada é ferrugem.
Palavra-chave: cavaleiro
Palavra-chave:
Texto simples:
Texto cifra:
C A V A L E I R O C A V A L E I R O C A V A L E I R
a s u a b e l a e s p a d a e f e r r u g e m
C S P A M I T R S U P V D L I N V F T U B E X
Para encriptares a primeira letra a, começas por identificar a letra-chave (da palavra-chave) correspondente: C. Esta letra define o alfabeto cifra a ser utilizado — este encontra-se na linha 2 do Quadrado de Vigenère. Assim, seguindo a coluna a, encontras a letra cifrada C. A letra-chave de s é A, definindo a linha 26. Na coluna s encontras S. Se continuares, obténs a mensagem cifrada.
Quadro 1 – Quadrado de Vigenère
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z
1 B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A
2 C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B
3 D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C
4 E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D
5 F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E
6 G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F
7 H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G
8 I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H
9 J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I
10 K L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J
11 L M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K
12 M N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L
13 N O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M
14 O P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N
15 P Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O
16 Q R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P
17 R S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q
18 S T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R
19 T U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S
20 U V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T
21 V W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U
22 W X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V
23 X Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W
24 Y Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W V
25 Z A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W V Y
26 A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W V Y Z
Como a palavra-chave do exemplo é composta por nove letras, sendo oito diferentes, durante a encriptação saltas por entre oito linhas diferentes. A vantagem desta cifra é ser impenetrável pela análise de frequências (descrita no artigo anterior). Mas também é bastante mais complicada de utilizar, o que levou a ser ignorada durante mais de dois séculos.
 
Homem da Máscara de Ferro
Durante este período eram utilizadas cifras monoalfabéticas melhoradas, nas quais as letras eram substituídas por números, por exemplo, de 1 a 100. Dependendo da frequência da letra (em percentagem), esta poderia ter mais do que um número a codificá-la; tratavam-se das cifras homófonas. Um exemplo fantástico é a Grande Cifra de Luis XIV; ele utilizou-a para transmitir mensagens sobre uma das mais intrigantes figuras da época — o Homem da Máscara de Ferro. A cifra fora inventada no séc. XVII por Antoine e Bonaventura Rossignol, pai e filho. Após as suas mortes, perderam-se os pormenores da cifra, impossibilitando o seu estudo.
BazeriesEm 1890, foram encontradas, durante umas escavações, cartas cifradas baseadas nesse método e entregues ao criptoanalista Étienne Bazeries (1846 - 1931). Após 3 anos de insucessos e frustrações, concluiu que os números da cifra representavam sílabas. Mas não era tão simples assim, pois a cifra continha rasteiras; por exemplo, havia números que eliminavam a última sílaba. Algumas dessas cartas continham informações sobre o Homem da Máscara de Ferro… Aparentemente tratou-se de um desertor que comprometera toda a campanha militar, obrigado a ocultar a sua face fora da sua cela, com uma máscara de ferro. (Porém, outras teorias persistem sobre ser um irmão bastardo de Luís XIV…)
 
Câmaras Negras
No século XVIII, as cifras monoalfabéticas melhoradas deixaram de ser seguras, pois cada governo tinha uma equipe que se dedicava a decifrar mensagens nas câmaras negras. A mais famosa era a de Viena, Áustria, onde todas as cartas suspeitas enviadas para ou a partir de uma embaixada em Viena eram copiadas, sem ser necessário interromper o seu percurso normal. As cartas forneciam informações importantes aos imperadores da Áustria, e estas eram vendidas a outros países. Só então os criptógrafos adoptaram a cifra de Vigenère.
 
Telégrafo
A propagação pela Europa em 1851 do telégrafo e o seu código Morse veio revolucionar a Criptografia. Mas os operadores de telégrafo liam sempre a mensagem original, o qual significava muitos problemas de sigilo. A cifra de Vigenère enquadrava-se na perfeição nesta questão, já que a mensagem encriptada não era compreendida pelo operador. Nesta época, esta cifra era considerada inquebrável.
 
Decifração do Quadrado de Vigenère
O sistema polialfabético de Vigenère resistiu durante 3 séculos, até ao momento em que o matemático britânico Charles Babbage — notavelmente conhecido pelas suas máquinas de diferenças (primitivas máquinas de calcular) — elaborou a teoria de descodificação, em 1854. Mas dado nunca ter publicado a sua descoberta, esta caiu no esquecimento. A descoberta de Babbage foi reconhecida apenas no século XX, quando os seus escritos foram analisados. Mais tarde, Friedrich Kasiski, um oficial reformado do exército prussiano, dedica-se igualmente ao tema, publicando em 1863 no seu livro Die Geheimschriften und die Dechiffrierkunst (As escritas secretas e a arte de decifração) o Teste Kasiski de descodificação das respectivas cifras.
 
Mas como foi que eles decifraram a técnica de Vigenère?
Tomemos, como exemplo, um texto encriptado com aquela cifra, do qual apenas se conhece o método:
OUPCM EGOEV EYROE OUPCM EGAEX OZVAP GSYWD MUEAU EDOUP
CSQCC APFUC NOCTA FOAOU ZFOQE OYROE VOPGM GFAZE AFQMM
PDAUE YRRQP OHCSC WAXKD MFEEE OZVIZ WAYGN FGVQO OEPOH
KDMFE EFIRG RQPTQ UEYVU PQDMG SBGRM PCMFO YCLRK CMOAE
OASQA EPAXG MNTAZ EAQFO NGMEG AXIUY JOGXE MUSMW DMFEE
QTQOP AEONT EAEHM QDQXE DFEYC NFQQG GJMEO NGRFQ FAKDQ
PEHGF DKAQG MYKMO QNHGR FGEYE HATOA FOOGC MPTAG ARQRM
GSFGM GFADU EOCDM FIMQU FTAYW DMPCM HALFE YQRQU PMPTA
SUQPA AUEYW DMLAO QMAUO UC
Primeiro passo — Descobrir o tamanho da palavra-chave. Para tal, é necessário procurar sequências de letras que apareçam mais do que uma vez no texto em cifra, e a distância entre elas.
Existem duas formas de aparecerem estas sequências: a mesma palavra cifrada várias vezes pela mesma parte da palavra-chave; e duas palavras distintas cifradas utilizando duas partes diferentes da palavra-chave e as quais, por coincidência, têm a mesma sequência de letras no texto em cifra. Se forem procuradas sequências longas, ou seja, com quatro ou mais letras, é aumentada a probabilidade da primeira forma.
O quadro seguinte apresenta grupos de 4 a 6 letras repetidos no texto. Para cada grupo é indicada a sua frequência no texto, assim como a distância entre duas presenças do mesmo grupo. Os restantes valores identificam os factores de espaçamento — os factores multiplicativos dessas distâncias. Por exemplo, a sequência UPCM aparece 2 vezes, separado por 15 letras (contar desde a 1ª letra à 1ª letra seguinte). Os valores de 3, 5 e 15 são os múltiplos dessa distância: (3 x 5) ou (1 x 15).
Quadro 2
Grupos freq dist 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
OUPC 3 42 * * * * *
UPCM 2 15   *   *                   *          
PCME 2 15   *   *                   *          
MEG 2 15   *   *                   *          
YROE 2 60 * * * * *       *   *     *         *
MEGA 2 183   *                                  
YWDM 3 336 * * *   * * *       *   *   *        
GMGF 2 240 * * * * * * * * * * *
MGFA 2 240 * * * * * * * * * * *
AZEA 2 111 *
AUEY 2 273   *       *           *              
KDMF 2 27   *           *                      
DMFE 3 111   *                                  
MFEE 3 111   *                                  
MPCM 2 177   *                                  
MPTA 2 51   *                           *      
OUPCM 2 15   *   *                   *          
UPCME 2 15       *                   *          
PCMEG 2 15   *   *                   *          
GMGFA 2 240 * * * * *   *   *   *     * *       *
KDMFE 2 27   *           *                      
DMFEE 3 111   *                                  
OUPCME 2 15   *   *                   *          
UPCMEG 2 15   *   *                   *          
KDMFEE 2 27   *           *                      
Total     6 25 5 12 6 3 4 3 4 0 5 1 2 12 4 1 0 0 4
Como facilmente se observa no quadro, o factor multiplicativo mais repetitivo é 3. Logo, assume-se que a palavra-chave é composta por 3 letras.
Segundo passo — Descobrir quais são as letras da palavra-chave. As letras são dadas por L1-L2-L3. Lembra-te que a encriptação começa com a cifra da primeira letra do texto simples, de acordo com a primeira letra da palavra-chave (L1). Para a segunda letra do texto simples foi utilizada L2; para a terceira letra L3. L1, L2 e L3 definem igualmente a linha do Quadrado de Vigenère. Mas atenção: a quarta letra do texto simples é codificada por L1 novamente! Seguindo esta sequência, pode-se considerar que esta cifra polialfabética é constituída por três cifras monoalfabéticas, em que cada uma destas cifras cripta apenas 1/3 mensagem total. Assim, L1 indica o alfabeto a usar para cifrar as 1ª, 4ª, 7ª, 10ª... letras da mensagem. Com esta decomposição, é possível aplicar a análise de frequências ao sistema, mas letra a letra (da palavra-chave), e comparando-as com a frequência do alfabeto português.
O gráfico LP, apresenta a distribuição de frequências-padrão das várias letras na Língua Portuguesa.
grafico LP
Gráfico LP - Frequências-padrão no Português
Comparando este gráfico com o gráfico L1, este de distribuição de frequências referente a L1, i. é., a frequência de cada letra relativamente às posições 1, 4, 7, etc., é possível prever uma deslocação.
grafico L1
Gráfico L1 - Distribuição de frequências para L1
Assim, as letras R-S-T-U-V no gráfico L1 parecem ter o mesmo comportamento que o P-Q-R-S-T da frequência-padrão (gráfico LP). Também as letras E a K têm aspecto semelhante às C a I da frequência-padrão. Nem todas as letras apresentam um comportamento igual à frequência-padrão: além do texto ser algo curto, não te esqueças que se trata de uma análise estatística.
A análise sugere que todas as letras encriptadas de acordo com L1 foram deslocadas dois lugares. Assim L1 define um alfabeto que começa por C, D, E, F, G… ou seja, L1 será provavelmente C.
grafico L2
Gráfico L2 - Distribuição de frequências para L2.
grafico L3
Gráfico L3 - Distribuição de frequências para L3.
A mesma análise aplica-se a L2 e L3 (vide gráficos L2 e L3). Para L2 não se obtém qualquer deslocação; logo L2 será A. Em L3, o comportamento de M a R é muito semelhante ao de A a F da frequência-padrão. Assim, L3 corresponderá a M.
A potencial palavra-chave está completa: CAM. O Terceiro Passo é agora possível: uma cripto-análise do texto cifra com esta chave, utilizando o Quadrado de Vigenère. Será que a chave está correcta? Ora vamos ver:
Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo écomposto de mudança,
Tomando sempre novasqualidades,

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto,

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões
Queres aprofundar?
Livro: O livro dos códigos - Simon Singh – Temas e Debates (1999)
Internet: http://www.numaboa.com.br

Glória Almeida e Rudolf Appelt 
e

sábado, 9 de abril de 2016

Fotografias Macro

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pasme-se Com Estas Fotos!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Macrofotografias

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Criptografia - Parte I

Criptografia é a Ciência ou Arte de escrever em cifra ou em códigos, de forma a permitir somente ao destinatário que a decifre e compreenda. Este étimo deriva do grego, em que Kriptós = escondido, oculto e Grápho = grafia.
A criptografia pode ser dividida em dois ramos: transposição e substituição.
Na transposição as letras originais do texto são preservadas, existindo apenas uma troca das suas posições. Por exemplo, a palavra raposa passa a PARASO. (Repara que as letras da cifra são sempre representadas em maiúsculas para a diferenciar da chave.) Porém, para mensagens demasiado curtas, este método torna-se pouco seguro, já que há um número limitado de formas para reordenar as poucas letras existentes. Uma das estratégias de transposição sistemática é a cifra "em grade", em que a mensagem é escrita com letras alternadas em linhas separadas. Por exemplo:
Mudam-se os tempos M D M E S E P S
U A S O T M O
MDMESEPSUASOTMO
Outro método de transposição desenvolvido pelos Espartanos pelo século 5 a.C., é o Scytale. O Scytale era um bastão de madeira, onde se enrolava uma tira de couro. O emissor escrevia a todo o comprimento do bastão, desenrolando em seguida a tira. O receptor da mensagem, tendo um bastão do mesmo diâmetro, enrolava a tira de couro e lia a mensagem. Esta faixa facilmente passava despercebida como um cinto, com a mensagem virada para dentro.
Scytale
Na substituição as letras do texto são trocadas por outras letras, números ou símbolos. Por exemplo, a palavra raposa passa a OVLMCV. Um dos primeiros exemplos da substituição acha-se no Kama-Sutra, recomendando às mulheres que aprendam escrita secreta, de forma a ocultarem as suas relações. Um dos métodos seria fazer pares de letras do alfabeto ao acaso e substituir cada letra da mensagem original pelo seu par.
Caio Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.)
Cada cifra por substituição tem um algoritmo e uma chave, sendo o algoritmo o método de cifragem (transposição ou substituição). A chave define o alfabeto de cifra exacto a ser usado para uma dada cifragem. Segundo o linguista Auguste Kerckhoffs, a segurança deve depender da chave e não do algoritmo!
Outro exemplo é a cifra de César, onde o imperador se limitava a substituir cada letra da mensagem pela terceira à sua frente no alfabeto. Partindo deste método é possível criar mais de 426 cifras distintas.
O método de deslocação permite ainda criar uma outra cifra usando uma palavra-chave ou frase-chave. A título de exemplo, se utilizarmos ORNITORRINCO como palavra-chave, e retirando todas as letras repetidas, fica ORNITC. O restante alfabeto de cifra é composto pelas letras seguintes do alfabeto — ORNITCDEFGHJKLMPQSUVWXYZAB. A vantagem desta cifra é que a palavra-chave é fácil de memorizar, e assim dispensa aos emissor e receptor terem o alfabeto de cifra escrito. Mas, a chave também se torna muito mais fácil de descobrir.
Durante o primeiro milénio da nossa era os códigos de substituição dominaram a escrita-secreta. Devido à sua simplicidade e como nunca tinham sido quebrados, não havia necessidade de inventar novos códigos. Até que...
Al-Kindi (800? - 873)
Os árabes utilizavam com bastante frequência a cifra de substituição e isto permitiu-lhes desenvolver a cripto-análise (ciência que permite descodificar uma mensagem sem conhecer a chave). O filósofo al-Kindi descreveu, num dos seus muitos livros, a técnica de cripto-análise que permitia quebrar a cifra de substituição. Esta técnica baseava-se no estudo da frequência de cada letra do alfabeto, para determinada língua. Seguia-se o estudo da frequência de cada letra no texto encriptado. E por final substituía-se a letra do alfabeto em cifra pela letra do alfabeto com a mesma frequência. A frequência das letras para a língua portuguesa é a seguinte:
A - 14
E - 13
O - 12
R, S - 8
I, N - 6
D, M, T - 5
U, C, L - 4
P - 3
Q, V - 2
B, F, G, H, J, K, W, X, Y, Z <>
Este método é principalmente falível em textos curtos, pois a média de uma letra no alfabeto pode não corresponder à frequência de cada texto. Por exemplo: O rato roeu a rolha do rei da Rússia. Nesta frase o r tem uma frequência muito superior do que seria de esperar pela tabela de frequências. Para realizar este método de cripto-análise é necessário uma certa flexibilidade e raciocínio lógico. Eis um bom exemplo de um texto encriptado, para análise:
JO VOPGTN EJSJN BJNGTN NOZXLTCTN BXPGJN CJ JNGPX, EPTRX TG J T VPBIT RTBJFT UTDT EJD OVT BJNAOPGT CJ GJRX HOJ JNGT BX ZPV CT DOT, J VJ JBATBTD LXV OBN EJDCJN CJ TDEXDJN HOJ TFP EJATGTV NOT FTMXDPXNT PBZTBLPT BXN JBGOGIXNCX LTPN CX NXCDJ.
Sabemos que foi escrito em Português, e foi utilizada uma cifra de substituição. Mas não temos ideia da chave. Comecemos pela análise da tabela de frequências. As duas letras mais comuns no texto, que se distinguem bastante das outras letras pela sua frequência são T (28 vezes) J (24 vezes). Correspondem respectivamente a a e e, as letras mais frequentes do alfabeto português. Assim, T = a e J = e.
Na língua portuguesa as letras 'a' e 'e' têm comportamentos muito semelhantes, com excepção que podem aparecer dois 'e' seguidos na mesma palavra e o mesmo não se passa com 'a'. Como neste texto não aparecem duas letras iguais seguidas, não é possível distingui-los desta forma. Assim optei por seguir a regra das frequências, não sendo porém seguro que funcione sempre, dado poderem dar-se pequenas variações nas frequências.
As letras que normalmente terminam uma palavra em português são: a, e, o, s. Pela análise do texto podemos verificar que, no final de várias palavras após T e J, aparece muitas vezes N. Conclui-se então que N = s, obtendo-se a confirmação por várias palavras seguidas acabarem em N, indicando que estão no plural.
Viagens na minha Terra
Outro truque de decifração é analisar as pequenas palavras do texto, com uma ou duas letras. Como as palavras com uma só letra do texto já se encontram decifradas, passemos à análise das palavras com duas letras. Apenas um exemplo: CJ, CT e CX são 3 palavras que aparecem no texto. C apenas poderá ser d, obtendo-se assim de, da e do. Daqui ficamos a saber que X representa O; logo C = d e X = o. Como já entendeste, a lógica para descobrir novas letras consiste em estudar todas as possibilidades de letras nas palavras mais pequenas, até se encontrar a letra que encaixa. Assim, se vai passando das palavras pequenas às maiores, até se chegar ao texto final:
Visconde de Almeida Garrett (1799 — 1854)
Eu muitas vezes, nestas sufocadas noites de Estio, viajo até à minha janela para ver uma nesguita de Tejo que está no fim da rua, e me enganar com uns verdes de árvores que ali vegetam sua laboriosa infância nos entulhos do Cais do Sodré.
Viagens na minha terra, Almeida Garrett
Se quiseres, podes tentar descobrir as outras letras seguindo este raciocínio; apesar de ter sido a autora da cifra, tentei e consegui.

Esteganografia

No decorrer da história, o desenvolvimento da criptografia deu-se paralelamente ao da esteganografia. O objectivo da esteganografia é esconder a existência da mensagem, mas encontrando-se esta sempre no estado original. Eis alguns exemplos de esteganografia.
Ruínas de Mileto
Histaiæus queria convencer Aristágoras de Mileto a revoltar-se contra o rei Persa. Para passar a mensagem, aquele rapou a cabeça do mensageiro, escreveu a mensagem no couro cabeludo e esperou que o cabelo crescesse. O mensageiro pôde viajar sem problemas e, quando chegou ao destinatário, rapou a cabeça. Óbvio que, nesta época, o tempo "corria mais lentamente".
O cientista italiano Giovanni Porta descreveu como passar uma mensagem dentro de uma casca de ovo cozido. Para isso escrevia a mensagem com uma mistura de alúmen e vinagre. A solução penetrava nos poros da casca e deixava a mensagem na superfície da clara do ovo cozido.
A esteganografia inclui a escrita com tinta invisível. A tinta pode ser feita a partir de algumas plantas ou de fluidos orgânicos (como a urina). Depois de secar a tinta torna-se transparente e com um leve aquecimento a tinta torna-se castanha.
O microponto tornou-se popular na 2ª Guerra Mundial. Os agentes alemães na América Latina diminuíam fotograficamente uma página para um ponto menor que um milímetro de diâmetro. E escondiam o microponto por cima de um ponto final numa carta aparentemente vulgar. O primeiro foi descoberto pelo FBI em 1941, após uma indicação para procurarem numa carta um relevo diferente.
Glória Almeida 
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