domingo, 31 de janeiro de 2016

Salto no tempo

De Astr
   Como já sabes, a composição do nosso calendário sofreu várias alterações ao longo dos tempos, ainda que mantendo sempre a concepção inicial. Foi Julius Caesar (Júlio César) em 46 a.C., quem impôs novas regras restritas, criando o famoso calendário Juliano, com anos regulares de 365 dias. Este calendário (luni-solar) foi promulgado pelo decreto De Astris, substituindo o antigo calendário lunar romano do rei Numa Pompílio. (Quem realmente o desenvolveu foi um estudante de Astronomia graduado - Sosígenes - mas César impôs o seu nome). No entanto, nunca ninguém imaginou que um calendário assim fosse proporcionar um tão grandioso salto no tempo!...
 
pedra romana
pedra romana com a contagem dos dias dos meses

mais um dia
   O resultado dos cálculos efectuados para o calendário de então apresentou um ano com uma duração de 365,25 dias, i. e., 365 dias mais um quarto (1/4) de dia. Como não era possível introduzir apenas um quarto de dia em cada ano, foi decidido acrescentar mais um dia de quatro em quatro anos. Este dia extra foi posto imediatamente após o dia 23 de Fevereiro. A escolha desta posição foi ditada pela tradição (vigente desde os primórdios deste calendário), na qual dias extra seriam colocados após esta data. 
ano bissexto 


ou



sexto ante
calendas
martii
   Como na altura, Fevereiro tinha 29 dias em anos regulares (actualmente só 28, vide O ano foi rescrito), aquele dia especial era o sexto dia antes do princípio do mês seguinte, Março — sexto ante calendas martii. [1] O novo dia inserido após aquele, por ser na realidade um dia irregular, passou a ser o segundo sexto dia antes do princípio do mês seguinte (bis sexto ante calendas martii). Esta excentricidade definiu, então, o ano em que era colocado: o ano bissexto! Para os puristas, o dia bissexto é o dia 24, e não, o convencionado actual dia 29 de Fevereiro.
11 dias!!
   Infelizmente, os cálculos sobre a duração do ano não estavam completamente correctos. Aqueles indicavam um ano de 365,25 dias, diferindo do ano trópico em mais 11 minutos e 14 segundos. Para teres uma ideia deste erro, a diferença representa um excesso de 3 dias em 400 anos. No séc. XVI, este pequeno erro já se tinha acumulado em cerca de 11 dias, estando o calendário, por isso, demasiado adiantado relativamente ao ano trópico.
regras do
ano bissexto

   Para resolver este problema, Papa Gregório XIII decretou em 1582, na bula papal Inter Gravissimus, a modificação do calendário. Nesta, foi atribuído ao ano uma duração mais correcta de 365,2425 dias por ano, excedendo a realidade somente em cerca de 3 dias por cada 10 000 anos. Para corrigir novamente o problema das fracções de dias, as novas regras ditavam que os anos passariam a ser bissextos apenas quando divisíveis por 4, mas não por 100 (divisão inteira); no entanto, se fossem divisíveis por 400 já voltariam a ser bissextos (1996 e 2000 são bissextos, mas 1900 não é). [2]
gregoriano 
bula papal Inter Gravissimus

   Este calendário é designado por Calendário Gregoriano ou de Novo Estilo. A adopção deste calendário pelos diferentes países do Mundo foi estendida pelo tempo. Só alguns países da Europa, incluindo Portugal, o adoptaram imediatamente na data fixada por Gregório.
mistério...
   Mas a transição do calendário Juliano para o Gregoriano apresentava um grave problema: o que fazer aos dias acumulados em excesso? Gregório XIII resolveu este problema de um modo simples, decretando que, para garantir a continuação da semana, os onze dias do mês deveriam desaparecer misteriosamente!!
«C-Como??»
   Conforme o calendário abaixo, poderás verificar que entre 4 e 15 de Outubro de 1582, quinta-feira e sexta-feira respectivamente, existe uma falha de 11 dias para garantir a tal sequência certa dos dias da semana. Por causa desta falha, Santa Teresa D'Ávila, falecendo a 4 de Outubro, foi sepultada no dia seguinte a 15 de Outubro!!
 
Outubro de 1582
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb
 
1
2
3
4
15
16
17
18
19
20
21
22
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Rudolf Appel

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