domingo, 28 de setembro de 2014

Professor de Biologia-Geologia

Sala de Estudo de Fafe está a recrutar Professor de Biologia-Geologia.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cientistas investigam papa-formigas-pigmeu

O tamanduá é uma espécie quase desconhecida. Sabe-se apenas que mede 20 centímetros e pesa cerca de 300 gramas.

Um grupo de cientistas brasileiros está na floresta da Amazónia em busca de novas informações sobre a menor espécie de tamanduá do mundo, o Cyclopes didactylus. Conhecido como tamanduá, o animal ainda foi pouco estudado, mas sabe-se que tem peso médio de 300 gramas e mede 20 centímetros, descontando a cauda, revela o Globo. A maior espécie de papa-formigas existente, o tamanduá-bandeira, pode pesar 50 kg e medir até 2 metros, contando a cauda, e está ameaçada de extinção. De acordo com Flávia Miranda, pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil (Projecto Tamanduá), ainda não é possível dizer se o tamanduá corre risco de desaparecer, devido à escassez de informações. Mas há relatos de que o animal é capturado para domesticação e suspeita-se de que é caçado como alimento em algumas comunidades da floresta. "Não há estatísticas sobre o tamanduá", explica, embora se pense que a população da espécie na Amazónia é vasta. A distribuição original abrange florestas tropicais na América Central e do Sul, em regiões abaixo de 1500 m de altitude. Esta nova pesquisa vai permitir fazer descrições sobre a ecologia, as doenças e a genética da espécie. "Pretendemos entender como vivem as populações do animal no Brasil e, a partir disso, identificar um plano de acção." Por enquanto, sabe-se que o tamanduá tem hábitos nocturnos e que se alimenta basicamente de formigas e térmitas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Águia com prótese no bico

Um dentista norte-americano colocou uma prótese no bico partido de uma águia.

A ave foi encontrada em Dezembro passado com a parte superior do bico partida e Kirk Johnson conseguiu colocar uma prótese feita com o mesmo material de que são feitas as coroas dentárias.

Em reportagem da emissora KTUU, o dentista sublinhou que, apesar de estar a recuperar bem, muito dificilmente a águia poderá voltar à vida selvagem.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Açores: monte submarino Condor vedado à pesca para permitir investigação científica


O monte submarino Condor, um dos mais importantes bancos de pesca dos Açores, está vedado a toda a actividade pesqueira durante dois anos para permitir a realização de um importante projecto de investigação científica.
A iniciativa do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores pretende criar um observatório para o estudo a longo prazo e monitorização dos ecossistemas dos montes submarinos nos mares do arquipélago.

“Os bancos e montes submarinos suportam uma elevada densidade biológica, mas o conhecimento da sua biodiversidade ainda é diminuto”, frisou Gui Menezes, investigador do DOP. Este desconhecimento resulta do facto de apenas terem sido estudados até agora cerca de 200 dos 100 mil montes submarinos que se estima existirem em todo o mundo.

Para conhecer melhor o Condor, este banco submarino foi fechado a toda a actividade pesqueira a 1 de Junho e assim se manterá durante dois anos para permitir o trabalho dos investigadores, num projecto em que o DOP tem como parceiros o Instituto Nacional de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e o Instituto de Recursos Marinhos da Noruega.

No mar dos Açores, os montes submarinos são estruturas muito comuns, onde se estima que existam 63 grandes montes submarinos e 398 pequenos montes ou estruturas afins.

“Nos Açores, cerca 60 por cento das pescas demersais e de profundidade são efectuadas em montes submarinos”, frisou Gui Menezes, para quem estes ecossistemas marinhos são “de extrema importância, tanto ao nível biológico como económico”.

Com a área fechada à pesca, os cientistas vão instalar vários equipamentos científicos e realizar campanhas de investigação que permitirão recolher dados sobre questões como a variabilidade espacial e temporal nas abundâncias de organismos, a recuperação do impacto das pescas e as migrações de algumas espécies.

Em Julho está prevista uma campanha de recolha de organismos na coluna de água e a colocação de uma sonda para a recolha permanente de imagens.

“O que se passar no Condor vai dar indicadores muito importantes para a gestão pesqueira”, frisou Gui Menezes, admitindo que, no final do projecto, “é natural que se observem algumas alterações na abundância das espécies”. Por isso, admitiu que esta medida de encerramento de um banco de pescas poderá vir a ser aplicada noutros locais.

O monte submarino Condor está localizado a 18,5 quilómetros a sudoeste do Faial, a uma profundidade que varia entre 180 e 1000 metros. Aos 800 metros de profundidade tem 26 quilómetros de extensão e 7,4 quilómetros de largura.

domingo, 21 de setembro de 2014

Professor(a) Biologia

Precisa-se professor(a) com habilitações e/ou formação específica para dar explicações, a alunos do ensino básico, secundário e universitário, a partir do mês de Setembro. 
Os interessados deverão mandar C.V. para posterior análise e eventual entrevista presencial. 

Requisitos: 
Proximidade de residência do centro de estudos (Lamego) 
Experiência 
Disponibilidade 

Respostas para:

sábado, 20 de setembro de 2014

Uma vida artificial

A revolução das criaturas sintéticas

Em Maio, um grupo de cientistas anunciou ter conseguido criar a primeira bactéria com ADN artificial. Trata-se de um passo de gigante na corrida para fabricar novos seres a partir do zero.

Imagine células sanguíneas a transportar pelas suas veias não apenas o oxigénio necessário para a sobrevivência como, também, fármacos. Imagine sangue desidratado e armazenado durante meses, ou anos, que fosse possível levar para qualquer parte, incluindo o espaço. Imagine transfusões feitas sem risco de contrair qualquer doença. É o que vende a promissora biologia sintética.

O termo foi criado, em 1974, pelo oncologista polaco Waclaw Szybalski: “Até agora, temos estado a trabalhar na fase descritiva da biologia molecular. Todavia, o verdadeiro desafio começará quando entrarmos na fase da biologia sintética. Nessa altura, desenvolveremos novos elementos de controlo para serem acrescentados a genomas já existentes, ou criaremos outros totalmente novos.” Esta combinação de bioquímica e genética colocava duas questões que estamos, actual­mente, muito perto de conseguir resolver: qual o número mínimo de genes necessário para poder haver vida? É possível criar um ser vivo ex novo?

Em Março de 2004, partia do porto de Halifax, no Canadá, o Sorcerer II, o iate privado do conhecido empresário e biólogo John Craig Venter, um dos “pais” do Projecto Genoma. A missão de dois anos consistia em circumnavegar a Terra para recolher espécimes das comunidades microbianas marinhas e avaliar a sua diversidade genética. A expedição Global Ocean Sampling (GOS) reuniu mais de seis milhões de genes e milhares de novas famílias de proteínas.

A energia do futuro, em ADN?

De todos os genes obtidos, Venter está particularmente interessado nas 20 mil que fabricam proteínas que podem metabolizar hidrogénio; o seu faro de homem de negócios diz-lhe que ganhará dinheiro se encontrar uma solução biológica para o problema das novas fontes de energia. Está também de olho no gene da proteína rodopsina, que os vertebrados possuem nas células da retina e que traduz a energia luminosa em impulsos nervosos. Por que será que este pigmento visual foi encontrado nas bactérias marinhas pescadas por Venter? Os microbiólogos pensam que funciona como bóia de sinalização: quando está muito escuro, a rodopsina não produz impulsos eléctricos e o micróbio sabe que se encontra a demasiada profundidade.

Na base do plano de trabalho do biólogo está a identificação da estrutura mínima do genoma necessária para uma bactéria poder subsistir exclusivamente em condições controladas em laboratório, a fim de se poder implantar-lhe genes sintéticos com capacidade para criar biocombustíveis. Depois, será preciso criar uma célula-zombie: retira-se o material genético ao microrganismo para ser substituído pelo ADN artificial. Na última década, foi essa a meta dos J. Craig Venter Institutes (http://www.jcvi.org), em Rockville e San Diego.

Em Junho de 2007, os seus cientistas conseguiam transformar a bactéria da espécie Mycoplasma capricolum noutra, Mycoplasma mycoides, ao substituir o cromossoma da segunda pelo da primeira. Em Janeiro do ano seguinte, Venter e o seu antigo colaborador Hamilton Smith (Prémio Nobel em 1978) anunciavam a criação do primeiro ADN sintético com base no Mycoplasma genitalium, uma bactéria que infecta o aparelho genital dos primatas.

Para não restarem dúvidas de que era artificial, os cientistas criaram um código semelhante ao Morse, mas em que o papel dos pontos e traços era desempenhado pelas quatro “letras” do ADN: timina (T), guanina (G), citosina (C) e adenina (A). Com as letras e os restantes componentes do ADN, formaram uma sequência que, adequadamente descodificada, revelava o nome dos 46 investigadores envolvidos no projecto, o endereço de uma página da internet para onde enviar uma mensagem de correio electrónico se alguém conseguisse decifrar o código, e três citações: uma de James Joyce, outra do físico Richard Feynman e uma outra do livro American Prometheus, a biografia de J. Robert Oppenheimer, um dos pais da bomba atómica.

Em Maio, deram o derradeiro passo: a criação inédita de um organismo sintético. Para fabricar o Mycoplasma mycoides JCVI-syn 1.0 (Synthia, como lhe chamam familiarmente os investigadores), sintetizaram ADN do genoma de M. mycoides e transplantaram-no para uma M. capricolum. Smith recorre a uma metáfora informática para explicar o processo: “O genoma é o sistema operativo, e o citoplasma (o recheio celular) é o equipamento necessário para o executar. Os dois juntos fazem que uma célula funcione.”

Os problemas de “Synthia”

Os problemas começaram quando se tentou “reiniciar” a criatura, pois muitos dos genes sintéticos não trabalham e os que funcionam não têm qualquer utilidade. As bactérias obtidas desta forma limitam-se a crescer e a reproduzir-se. Apesar disso, Venter declarou que se trata da “primeira célula sintética, pois contém um cromossoma fabricado com quatro frascos de produtos químicos, um sintetizador comercial e um computador”.

Embora, em termos conceptuais, Synthia não traga nada de novo, do ponto de vista tecnológico é um verdadeiro tour de force. Manipular grandes pedaços de ADN, sobretudo quando se pretende que encaixem e formem uma sequência com total precisão, é extremamente complexo. “A criação e inserção de um genoma sintético com mais de um milhão de pares de bases [as “letras”] é um autêntico feito”, diz a bioquímica Frances Arnold, do California Institute of Technology, em Pasadena.

Todavia, o mais importante é o conceito radical que implica: esbateu-se a linha de separação entre o vivo e o não-vivo, um caminho aberto pelo químico alemão Friedrich Whöler, em 1828, ao sintetizar um composto orgânico, a ureia, a partir de moléculas inorgânicas. Em meados do século XX, a biologia molecular demonstrou que as leis físico-químicas que regem o universo também governam os processos vivos. No início do século XXI, Venter constata que se pode manipular a matéria para criar uma forma de vida anteriormente inexistente. Apesar disso, as incógnitas da biologia ainda andam por aí, como adverte Arnold: “Podemos escrever o que quisermos. O problema é que não sabemos o que escrever.”

Há investigadores empenhados em ir ainda mais longe: criar vida a partir do zero para se poder, assim, compreendê-la. Que melhor do que engendrar sistemas que funcionem com uma química que não está presente nos seres vivos? Um desses espíritos radicais é Drew Endy: para este professor do Departamento de Engenharia Biológica do Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT), “nenhum perito inteligente teria fabricado os genomas dos organismos do modo como a evolução fez: algumas partes sobrepõem-se e outras perderam a sua função, mas não se podem suprimir; só ficaram a ocupar espaço”.

A explicação para esta confusão é simples: a Natureza trabalha com o que tem; não pode criar a partir do nada ou do zero, e é isso que Endy pretende tentar: “O principal objectivo da biologia sintética é facilitar a vida ao engenheiro.” Um dos seus colegas, Tom ­Knight, lembrou-se de uma maneira de resolver o problema ao reparar no sistema dos jogos Lego, onde todas as peças encaixam porque são compatíveis. Foi assim que nasceram os BioBricks, cadeias de ADN que possuem “conectores universais” nas extremidades e que se ligam entre si para formar componentes de nível mais elevado.

Por outro lado, a Natureza apenas utiliza uma vintena de aminoácidos para fabricar as proteínas de que os seres vivos necessitam, mas os cientistas conhecem milhares destas moléculas. Por que não utilizá-las? Lei Wang, do Laboratório de Biologia Química e Proteómica do Salk Institute, na Califórnia, está a trabalhar nisso. O livro da vida é escrito com 64 “palavras” (os codões) de três “letras” cada, retiradas das quatro que formam o ARN: A, G, C e U (de uracilo, que substitui a timina do ADN). Cada um destes tripletos corresponde a um aminoácido específico, excepto três de finalização que servem para assinalar aos ribossomas (as fábricas proteicas da célula) que a proteína está esgotada. Como temos mais codões do que aminoácidos, isso significa que um único aminoácido é codificado por mais de um tripleto. É por isso que os biólogos dizem que o código genético é defeituoso. Incomodado com esta redundância, Wang conseguiu atribuir uma nova missão a um dos três codões stop da bactéria Escherichia coli: agora, esta reconhece um aminoácido não-biológico e incorpora-o nas proteínas.

Genoma com capacidade de evoluir

Por sua vez, Peter Carr, do MIT, e Farren Isaacs, da Harvard Medical School, pretendem eliminar todas as instruções supérfluas do genoma da E. coli. Já o conseguiram com uma das três reiterações que indicam que a proteína está pronta. Se alcançarem o seu objectivo e a nova bactéria for viável, terão 43 tripletos aos quais atribuir outras tarefas.

É no mesmo sentido que se desenvolve um promissor estudo a decorrer num recipiente de precipitados de um laboratório da Foundation for Applied Molecular Evolution, na Florida. Designado por AEGIS, acrónimo de Artificially Expanded Genetic Information System, é, segundo o seu criador, Steven Benner, o primeiro sistema genético sintético capaz de evoluir. “Está a cumprir aquilo para que foi concebido”, assegura o bioquímico. O mais curioso do referido AEGIS é que se trata de um ADN fabricado com 12 bases diferentes, entre as quais se incluem as quatro que definem a vida terrestre. Tal como diria o Dr. McCoy de Star Trek: “É vida, Jim, mas não como a conhecemos.”

Esse poderia igualmente ser o lema do galego Antón Vila, que pretende, no seu laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley, acrescentar um bom número de genes à mitocôndria das nossas células, o organelo responsável pela respiração celular. Possui o seu próprio ADN porque, há 2000 milhões de anos, se tratava de uma bactéria autónoma que se uniu em simbiose a outras para formar a célula eucariota. Gradualmente, começou a desfazer-se do material genético de que não tinha necessidade para poder sobreviver. Actualmente, “consiste em apenas uma trintena de genes; estimamos que o complemento mínimo necessário seja de cerca de 300”, afirma Vila. O objectivo é apagar o caminho evolutivo percorrido pela mitocôndria e... voltar a torná-la autónoma.

Contudo, existe outra via para fabricar uma protocélula artificial com matéria-prima biológica: fazê-lo de baixo para cima ou, dito de outro modo, fabricá-la com base nos própios ingredientes químicos essenciais. Um dos mais destacados defensores desta ideia, o físico dinamarquês Steen Rasmussen, do Los Alamos National Laboratory, já anunciou que “estamos à beira de criar vida”. Segundo Giovanni Murtas, do Centro Enrico Fermi da Universidade de Roma 3, seria efectivamente possível, com uma soma de dez milhões de dólares.

Murtas tem motivos para se sentir optimista. Em 2007, conseguiu sintetizar proteínas dentro de umas gotinhas de gordura (vesículas) chamadas “lipossomas”. Algo de semelhante fora conseguido, três anos antes, pelo físico Albert Libchaber e pelo seu aluno Vincent Noireaux, da Universidade Rockefeller de Nova Iorque, com um extracto de E. coli injectado num lipossoma. Murtas fez o mesmo com um cocktail de 37 enzimas, algumas moléculas e o gene que produz uma proteína fluorescente. Durante algunas horas, os biorreactores vesiculares conseguiram produzir a proteína. Actualmente, procura incorporar novos genes, tendo como meta a principal característica da vida: a reprodução.

Todavia, criar um autêntico ser artificial exigiria desenvolver estruturas semelhantes com recurso à engenharia pura. Em 2009, George Church, da Universidade de Harvard, e Anthony Forster, da Universidade Vanderbilt, em Nashville (ambas nos Estadios Unidos), conseguiram obter, com um pouco de bioquímica e 115 genes, um ribossoma sintético viável em condições de laboratório. Por sua vez, Achim Muller, da universidade alemã de Bielefeld, fabricou uma membrana artificial a partir de uma macromolécula inorgânica: um agregado esférico de molibdato de polioxietileno.

A linha mais promissora

Todavia, a linha mais promissora é a que deriva de um projecto recentemente completado e em que participaram 13 grupos de investigação europeus: Programmable Artificial Cell Evolution (PACE). O objectivo era determinar as regras seguidas por qualquer ser vivo e, na posse delas, conceber uma criatura completamente distinta. “Não se parte de um genoma que já existe, mas de matéria inanimada, com recurso a sistemas químicos que não têm de ser forçosamente biológicos”, esclarece Ricard Solé, director do Laboratório de Sistemas Complexos da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) e um dos investigadores que participam no projecto. O seu grupo foi incumbido de elaborar os modelos teóricos que prevêem a dinâmica e a evolução das futuras protocélulas artificiais: os resultados mostram que é possível. Solé está convencido de que, dentro de pouco mais de uma década, teremos a primeira célula artificial.

Podemos imaginá-la como um nano-robô, a trabalhar à escala molecular, composto por três estruturas bioquímicas elementares: um tabique de contenção (a membrana que delimita o compartimento celular), um sistema de fabrico (o metabolismo) e um sistema capaz de armazenar informação. O problema não é conceber estes três componentes, mas conseguir que funcionem acoplados.

A empresa Protolife, associada à PACE e fundada em 2004 pelo pioneiro da teoria do caos Norman Packard e pelo filósofo Mark Bedau, espera fabricar o ente criado pelo seu sócio Steen Rasmussen, e já baptizado com o sugestivo nome de O Bicho. Bastará uma gotinha de gordura para desenvolver a molécula sintética da hereditariedade: o ANP, ou ácido nucleico peptídico, que desempenharia o papel de ADN. “Se queremos saber o que é a vida, nada como fabricá-la”, diz Rasmussen.

Claro que todas estas tentativas suscitam críticas e dão origem a acusações de estarem a “brincar a Deus” e às clássicas alusões a Frankenstein. Todavia, como recorda Arthur Caplan, director do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, “a dignidade da vida nunca esteve no seu mistério, mas na diversidade, complexidade e capacidade para se manifestar em todo o tipo de condições e circunstâncias”. Seguramente, se há algum mistério na criação de seres vivos, reside em saber se seremos capazes de o fazer.

Patentear a vida?

O britânico John Sulston, Prémio Nobel da Medicina, lançou um verdadeiro ataque mediático contra Craig Venter e o seu indisfarçável desejo de patentear todos os resultados que saem do seu laboratório. Sulston está sobretudo preocupado com a possibilidade de Venter registar comercialmente as técnicas utilizadas para fabricar a sua bactéria sintética, tendo afirmado: “Espero que muitas dessas patentes não sejam concedidas, pois isso deixaria toda a engenharia genética sob o controlo do J. Craig Venter Institute.”

Não é a primeira vez que os dois cientistas entram em rota de colisão. Há dez anos, lideravam equipas rivais na corrida para ler a sequência do genoma humano. Venter procurava patentear sequências particularmente utéis do genoma. A trabalhar no projecto para o consórcio público, Sulston criticou duramente a sua visão empresarial. Para desvalorizar comercialmente o trabalho do norte-americano, tornou públicos todos os seus dados. Após a algazarra mediática em ambos os lados do Atlântico, a empresa Celera, de Venter, renunciou aos seus direitos.

Um exemplo do perigo para o qual nos alerta é o da empresa Myriad Genetics. Há alguns anos, conseguiu obter os direitos sobre dois genes do cancro da mama, pelo que qualquer tratamento baseado neles devia pagar royalties à Myriad. Contudo, graças à acção de grupos de defesa dos direitos civis, essa parte das patentes foi retirada.

M.A.S.
SUPER 149 - Setembro 2010

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Fungo é sentença de morte para morcegos na América do Norte


Primeiro foram os anfíbios, depois o diabo da Tasmânia, agora é a vez dos morcegos da América do Norte serem dizimados por uma doença. Um estudo publicado na revista científica Science mostra que a população regional de Myotis lucifugus pode desaparecer em 16 anos devido a um fungo que infecta estes mamíferos.

A epidemia começou no estado de Nova Iorque. A primeira gruta identificada com a doença foi em Albany, em Fevereiro de 2006. Em quatro anos o fungo já alcançou 114 esconderijos e percorreu 1200 quilómetros atingindo regiões desde o Canadá até o Missuri. A mortalidade em cada abrigo de morcegos varia entre os 30 e os 99 por cento. O artigo avança que a média de mortes a nível regional é de 73 por cento.

“Esta é uma das piores crises na vida selvagem que enfrentamos na América do Norte”, disse Winifred Frick, do Centro para a Ecologia e Conservação Biológica da Universidade de Boston, e a primeira autora do artigo.

As fotografias mostram centenas de cadáveres de morcegos empilhados no chão das grutas. A doença tem o nome de white-nose syndrome (sindroma do nariz branco) porque aparece uma mancha branca nas regiões afectadas pelo fungo. O agente patogénico, Geomyces destructans, foi descoberto há pouco tempo, gosta de ambientes frios e ataca as partes expostas dos morcegos como o nariz, as orelhas e as membranas das asas.

A doença aparece durante a hibernação, tornando os morcegos irrequietos e com comportamentos bizarros. Os animais acordam várias vezes, gastando as reservas de gordura que têm para hibernar, o que os impede de sobreviver durante o Inverno.

O fungo afectou mais espécies desta ordem de mamíferos, mas o estudo só analisou o Myotis lucifugus. A equipa avaliou a variação populacional desta espécie nos últimos 30 anos e fizeram várias projecções sobre o seu futuro.

O M. lucifugus existe do México ao Alasca. A nível regional a população é de 6,5 milhões de indivíduos. Segundo a projecção da equipa, há 99 por cento de probabilidade de acontecer uma extinção regional nos próximos 16 anos. Mesmo que a mortalidade da doença abrande, em menos de 20 anos a população ficará reduzida a 65 mil indivíduos.

“Cada espécie de morcego afectado pelo sindroma é um insectívoro obrigatório – muitos deles alimentam-se de espécies que são pestes para a agricultura, jardins, florestas, e que algumas vezes incomodam e são um risco para a saúde humana”, explicou Thomas Kunz, último autor do artigo, também da Universidade de Boston. “O myotis castanho [pesa entre as cinco e 14 gramas, atinge os dez centímetros de comprimento] é conhecido por consumir em cada noite cem por cento do seu peso em insectos. Este nível de consumo proporciona um importante serviço do ecossistema à humanidade, que reduz a utilização de pesticidas para matar os insectos”.

Apesar do fungo aparecer durante a hibernação dos morcegos pensa-se que haja um contágio cá fora, entre os indivíduos. Segundo os autores, o agente poderá ser proveniente da Europa através do comércio ou viagens.

Existem “provas recentes que o G. destructans foi observado em pelo menos uma espécie europeia de morcegos que hibernam”, diz o artigo. Acrescentando que a “poluição patogénica” – quando espécies invasoras e causadoras de doenças são espalhados devido à actividade humana – “coloca em perigo a biodiversidade e a integridade do ecossistema”.

Na mesma revista, um artigo de opinião de Peter Daszak, presidente da Wildilfe Trust, uma organização internacional de cientistas dedicada à preservação da biodiversidade, elogia o trabalho da equipa. Segundo o cientista, a rapidez com que identificaram a doença foi enorme quando se compara com as duas décadas que foram necessárias para identificar o fungo que está a dizimar os anfíbios.

Daszak insiste na defesa destas espécies. Não só devido à sua importância no ecossistema, mas porque são um bom modelo para o estudo e compreensão da transmissão de epidemias entre espécies. A opinião do cientista deve-se a outro estudo científico sobre morcegos publicado na mesma revista.

Uma equipa liderada por Daniel Streicker, da Escola de Ecologia da Universidade da Georgia, analisou a forma como a raiva é transmitida entre 23 espécies de morcegos norte-americanos. A doença, causada por um vírus, também afecta os humanos na maior parte dos continentes.

Segundo o estudo, a probabilidade da passagem do vírus da raiva é maior quanto mais próximo duas espécies são a nível evolutivo. A capacidade de adaptação do vírus é secundária.

O artigo diz que um morcego infectado com raiva passa a doença entre 0 a 2 morcegos de outra espécie, consoante o grau de proximidade. Em média, a probabilidade de transmissão para outra espécie é de uma em 73 transmissões entre indivíduos da mesma espécie.

“A descoberta da equipa de Streicker pode definir melhor a vigilância de espécies que provavelmente serão as hospedeiras de novas doenças emergentes que afectam as pessoas”, conclui Peter Daszak.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Reacção imediata

A nossa sobrevivência depende, em primeira instância, de uma infinidade de reflexos, esses gestos automáticos que podemos treinar para torná-los mais eficazes e evitar que se deteriorem à medida que a idade avança.

Final de uma importante competição futebolística. O desafio saldou-se por um empate. As equipas disputam a vitória num tenso duelo de grandes penalidades. Um dos guarda-redes resiste melhor à pressão, adivinha a trajectória de quatro remates e consegue evitar dois golos, averbando o título para a sua equipa. Intuição, sorte? Na opinião dos neurologistas, é tudo uma questão de reflexos, um fenómeno abrangido pela capacidade motora de reacção do indivíduo.

Embora com origem no córtex cerebral, pois requer uma percepção a esse nível e um processamento relativamente complexo, este tipo de reacção é quase inconsciente quando a actividade é repetida, estereotipada e treinada. É por isso que podemos conduzir de forma automática, ou que o guarda-redes consegue chegar à bola e defender o penalty quase sem ter consciência do que está a fazer.

Por outro lado, é habitual associar-se o reflexo ao tempo de reacção perante um estímulo. É claro que tem de haver uma percepção, visual ou auditiva, uma decisão e uma resposta, mas, de acordo com os especialistas em medicina do desporto, embora a antecipação seja importante, é possível melhorar essa capacidade ao trabalhar a força explosiva do atleta e através de treinos específicos, destinados a avaliar as suas reacções aos estímulos. No caso de estar relacionado com a visão, treina-se o sentido da vista para o atleta se concentrar nos objectivos importantes.

Recentemente, comprovou-se, por exemplo, que a capacidade visual dos jogadores de ténis está muito desenvolvida. Roger Federer ou Rafael Nadal são extremamente rápidos e certeiros a processar imagens, o que lhes permite maior precisão quando necessitam de reconhecer objectos em movimento e tomar decisões sob pressão. "São muito mais rápidos a detectar a velocidade de um objecto móvel e, também, a decidir quando o tempo urge", explica Leila Overney, do Laboratório de Neurociência Cognitiva da Escola Politécnica Federal de Lausana (Suiça).

O melhor será, sem dúvida, que se possa exercitá-los. Um guarda-redes terá tanto mais reflexos, no sentido da rapidez de reacção motriz, quanto mais treinar. De igual modo, não conseguimos pontuar tanto num jogo de vídeo da primeira vez do que acontece quando já o conhecemos de cor e salteado.

Todavia, a prática não só permite melhorar os reflexos em geral como, sobretudo, aquele que foi treinado específica e sucessivamente. Por outras palavras, um guarda-redes de um clube de futebol não tem de possuir os reflexos indispensáveis para brilhar no ténis, nem um tenista saber defender grandes penalidades: como é evidente, cada pessoa possui determinada capacidade para um desporto, e não para outro.

Por serem decisões conscientes que requerem uma percepção cortical (do nosso córtex cerebral) e posterior processamento, considera-se que a actividade motora complexa se torna semi-automática ou inconsciente quando os gânglios basais (massa cerebral situada na zona profunda dos hemisférios) assumem o respectivo comando.

No entanto, a capacidade de reacção não é apenas importante no desporto. Os neurologistas recordam que os reflexos são fundamentais para a nossa sobrevivência no quotidiano, podendo ser definidos como "movimentos involuntários, rápidos e estereotipados, provocados por um estímulo"; consoante a natureza deste último, podem ser visuais, vestibulares, auditivos, posturais... Por outro lado, as vias reflexas possuem uma componente sensorial que se encarrega de receber a informação e transportá-la até à medula espinal, e um componente efector, que a transmite da medula ao músculo adequado.

Os reflexos são padrões hereditários de comportamentos comuns a toda uma espécie. Através deles, obtemos respostas simples, rápidas e automáticas para a defesa de uma parte ou de todo o corpo diante de um estímulo potencialmente lesivo", explica a dra. Victoria González, uma neurofisióloga espanhola cujos estudos sobre o chamado "reflexo auditivo de sobressalto" (que consiste na contracção generalizada de amplos grupos musculares perante um estímulo sonoro intenso e inesperado) confirmam como são indispensáveis. "Esse abalo brusco, ou susto, é rapidíssimo (ocorre em milésimos de segundo) e é acompanhado de uma reacção do sistema nervoso autónomo: uma descarga de adrenalina e um começo de hiperventilação. Depois, pode produzir-se uma reacção defensiva ou orientativa", explica a especialista.

O reflexo localiza a fonte acústica; se for intensa, os pequenos ossos do aparelho auditivo retesam-se automaticamente para que entre menos som no ouvido interno. Deste modo, protegem-se as células ciliadas, que transformam as vibrações em impulsos eléctricos; distingue-se melhor a acústica de intensidade elevada e ficamos em alerta.

O reflexo auditivo de sobressalto já se pode observar no início da vida. Por exemplo, os bebés com dois meses, que se assustam com o próprio choro, reagem aos ruídos estendendo os braços para a frente, com as palmas das mãos voltadas para cima e os polegares flectidos. Aliás, quando se bate com a mão suavemente junto da cabeça, o bebé abre e fecha os braços. A verdade é que os actos reflexos são considerados um sinal de evolução do próprio feto, nomeadamente no último trimestre de gestação, altura em que o sistema nervoso se torna maduro. São designados por "reflexos arcaicos" e desaparecem dois ou três meses depois do parto. Esses reflexos primitivos que podemos observar no recém-nascido (como o de sucção, da marcha automática, da preensão palmar e plantar, do abraço, etc.) são de origem cerebral e inatos.

As reacções do neonato traduzem-se em movimentos automáticos, que partem do tronco encefálico (a parte mais primitiva do cérebro) e não envolvem qualquer participação cortical, ou seja, não são controlados voluntariamente. Alguns gestos, como chupar o dedo ou dar pequenos pontapés, surgem ainda no ventre materno; quando decidem abandoná-lo, os reflexos ajudam o feto a colocar-se na posição adequada, dar a volta e descer pelo canal do parto.

Todavia, isto é só o começo. Pouco depois de nascer, o bebé já consegue mamar, graças ao reflexos de sucção e deglutição. Em seguida, os gestos primitivos são gradualmente substituídos por outros posturais, como o reflexo tónico assimétrico do pescoço, que relaciona o movimento da cabeça para um lado com o do braço equivalente, o qual se estica, o que se revela muito útil quando se está voltado de barriga para baixo.

A ausência de reflexos primitivos no recém-nascido pode ser indício de alterações neurológicas ou do sistema nervoso. A fim de comprovar o seu correcto funcionamento, o pediatra recorre a uma série de testes, como pô-lo de pé sobre uma superfície dura: o reflexo será inclinar-se e dar alguns passos. Outro teste será meter-lhe o dedo na boca para comprovar se tem o reflexo de sucção, se engole saliva e se volta a cabeça na sua direcção.

Embora estas reacções desapareçam passado algumas semanas, podem voltar a surgir na idade adulta, devido a doenças ou acidentes. Existe um teste (conhecido por "sinal de Babinski") para detectar uma eventual lesão mental ou uma paralisia cerebral: se se estimular a planta do pé e o dedo grande se separar dos outros e flectir para cima (o que é normal em crianças até aos dois anos), constitui um indício de lesão nas vias nervosas que ligam a medula espinal ao cérebro.

Por outro lado, alguns distúrbios neurológicos que produzem lesões no lóbulo frontal, como os acidentes vasculares cerebrais ou a demência frontotemporal, têm como consequência o aparecimento dos referidos reflexos primitivos, indício de que se está a gerar uma doença neurodegenerativa.

Seja como for, os reflexos mais estudados são os osteotendinosos, detectados através da percussão, com um pequeno martelo, de um tendão como o patelar ou rotuliano (no joelho), ou o bicipital (na prega do cotovelo). Com a extensão brusca do músculo, os receptores sensitivos activam-se e enviam um sinal à medula espinal, onde o neurónio-receptor entra em contacto com o neurónio-motor. É desta forma que evitamos esticar bruscamente os músculos para manter o equilíbrio; ou seja, quando estamos de pé, os nossos músculos impedem automaticamente a perda de postura, contraindo-se para evitar a descompensação.

Assim, o teste aos reflexos osteotendinosos destina-se a fornecer-nos informação sobre o funcionamento dos nervos periféricos sensitivos, a medula espinal e o controlo desses reflexos pelo córtex. Através do teste, fica-se a saber, entre outras coisas, que o nível quatro lombar está bem, isto é, que nem os neurónios sensitivos nem os motores desta região da medula sofreram qualquer alteração.

Do mesmo modo que os reflexos arcaicos podem ressurgir por causa de alguma doença, os osteotendinosos podem desaparecer devido a um problema que afecte os nervos periféricos, como a neuropatia diabética. Por sua vez, uma lesão no córtex cerebral pode provocar, em determinados casos, hiperreflexia ou reflexos exagerados. Todavia, mesmo que não haja qualquer problema de saúde, é normal que, com a idade (a partir dos 40 anos, segundo os especialistas), os reflexos comecem a tornar-se progressivamente mais lentos, embora sem afectar a qualidade de vida.

Na velhice, a situação muda. Os idosos têm, naturalmente, uma actividade motora mais lenta, mas certos sintomas, como quedas frequentes, movimentos desajeitados, lentidão em falar, dificuldade em tomar decisões ou inexpressividade facial podem constituir indícios de uma doença degenerativa. Alguns reflexos, como os que controlam a postura, começam a perder-se com a idade, o que favorece as quedas. A verdade é que, na história destes mecanismos automáticos, alguns vão ficando irremediavelmente para trás.

Os reflexos são a resposta do organismo para proteger os sentidos das agressões do meio. Eis alguns dos mais importantes:

Posturais e tónicos. Mantêm a cabeça direita e o corpo na vertical. Utilizam informação do aparelho vestibular, que indica a posição da cabeça no espaço (reflexos vestibulares), e dos receptores nos músculos do pescoço, os quais indicam se estiver flectido (cervicais).

Superficiais ou cutâneos. São desencadeados por estimulação da pele, das mucosas e da córnea. Incluem o reflexo pupilar (dilatação da pupila perante uma dor).

Fotomotor. Contracção da pupila devido a um estímulo luminoso.

Corporais visuais. Movimentos exploratórios dos olhos e da cabeça para ler, por exemplo; e dos olhos, da cabeça e do pescoço perante um estímulo visual. Incluem ainda o reflexo do pestanejo diante de um eventual perigo.

Auditivo. Perante um ruído demasiado forte, favorece a rigidez automática dos pequenos ossos do ouvido, de forma a passar menos som para o ouvido interno

Tussígeno. A irritação da laringe, da traqueia ou dos brônquios produz tosse para eliminar secreções e corpos estranhos.

Nauseoso. Produz vómitos quando se estimula a garganta ou a parte posterior da boca.

Do espirro. Ajuda a expulsar ar e partículas quando as vias nasais ficam irritadas.

Do bocejo. Surge quando o organismo precisa de oxigénio suplementar.

J.M.D.super interessante 148

domingo, 14 de setembro de 2014

O umbigo é um mundo de bactérias novas para a ciência

Quantas espécies de bactérias tem o seu umbigo? No caso do escritor e divulgador de ciência Carl Zimmer são 53, mas varia consoante a pessoa. O projecto Biodiversidade do Umbigo já descobriu ao todo 1400 variedades, das 95 amostras que já foram analisadas. Em 662 casos, os investigadores nem sequer conseguiram classificá-las dentro de uma família, o que é uma indicação muito forte de que estas bactérias são completamente novas para a ciência.

Apenas 40 espécies perfazem 80 por cento da população de bactérias que existem nos nossos umbigos (Sérgio Azenha (arquivo))

“Você sabe mais sobre as espécies que vivem na Austrália do que as que vivem no seu próprio umbigo”, diz uma frase no sítio de internet do projecto feito pela equipa de Jiri Hulcr, da Universidade de Raleigh do Estado da Carolina, Estados Unidos.

A ideia era divulgar a ciência de uma forma leve e atrair as pessoas para a microbiologia do corpo humano. “Cada pessoa é uma selva de micróbios tão rica, colorida e dinâmica que há uma probabilidade enorme de o seu corpo hospedar espécies que os cientistas nunca estudaram”, refere o site. E assim foi, o que começou por ser um projecto divertido, está a contribuir para a descoberta de uma flora completamente nova.

A equipa analisou o gene para o ARN ribossomal 16S das bactérias de 95 amostras. Este gene é muito utilizado para estudar as relações evolucionárias entre as bactérias, e comparou os resultados com os bancos genéticos que existem.

Ao todo, os cientistas já recolheram mais de 500 amostras. Entre as quais, está a “selva” do umbigo do divulgador de ciência Carl Zimmer, que escreveu um texto sobre esta experiência no seu blogue “The Loom”. A amostra tinha 53 espécies diferentes.

“Não tenho a certeza se devo sentir-me bem ou mal por esta revelação. Pelo lado positivo, sei que a diversidade faz com que os ecossistemas trabalhem melhor”, disse Zimmer, que escreve sobre ciência para o New York Times e tem vários livros publicados. Das 53 espécies, 35 só aparecerem em 10 ou menos voluntários, as outras 17 espécies Zimmer não partilha com ninguém.

Apesar das 1400 espécies encontradas ao todo ser um número grande, estes primeiros resultados indicam que apenas um pequeno grupo de 40 espécies perfaz 80 por cento da população de bactérias que existem nos nossos umbigos.

“É tentador pensar que as espécies abundantes são as boas, e que as raras são passageiras, à espera de tomar o lugar, o que por vezes pode ser feito às nossas custas”, disse citado pelo Washington Post Rob Dunn, chefe do laboratório onde a equipa trabalha e autor do livro “A vida selvagem dos nossos corpos”.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Nova espécie de macaco foi descoberta na Amazónia Colombiana



Uma expedição científica à Amazónia Colombiana descobriu uma nova espécie de macaco zogue-zogue (Callicebus caquetensis), anunciou a organização Conservation International. Mas a destruição da floresta onde vive ameaça de extinção os 250 animais que ainda restam.

A descoberta - a cargo dos professores Thomas Defler e Marta Bueno e do estudante Javier García, da Universidade Nacional da Colômbia - foi anunciada esta quinta-feira na revista científica “Primate Conservation”.

Segundo a organização, a expedição foi realizada em 2008 no estado colombiano de Caquetá, perto da fronteira com o Equador e o Peru, 30 anos depois do especialista em comportamento animal Martin Moynhian ter visitado a região e ter feito os primeiros relatos da espécie, do tamanho de um gato.

“Durante muitos anos foi impossível viajar a Caquetá devido à presença de guerrilhas armadas”, conta a organização em comunicado. Mas quando a violência diminuiu, Javier García, nativo da região, viajou até ao rio Caquetá e encontrou 13 grupos da nova espécie.

“Esta descoberta é extremamente empolgante porque tínhamos ouvido falar deste animal, mas por muito tempo não podíamos confirmar se era diferente dos outros zogue-zogue”, explicou Thomas Defler. “Agora sabemos que é uma espécie única, e isso mostra a rica variedade de vida que ainda está por ser descoberta na Amazónia”.

Mas nem tudo são boas notícias. Estima-se que existam apenas menos de 250 zogue-zogue de Caquetá; uma população saudável deveria ter milhares de indivíduos, considera a Conservation International.

“A principal razão para esse número reduzido é a destruição das florestas da região que têm sido abertas para plantios agrícolas. Isso diminui drasticamente as áreas para esses animais se reproduzirem, encontrarem alimentos e sobreviverem”.

Por isso, a espécie foi classificada como espécie Criticamente em Perigo (CR), segundo o critério da União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN). Isto quer dizer que o animal enfrenta um risco extremamente alto de extinção no futuro muito próximo.

“A descoberta é especialmente importante porque nos lembra que devemos comemorar a diversidade de vida na Terra, mas que também precisamos agir agora para salvá-la”, alertou José Vicente Rodríguez, director da unidade de ciência da Conservação Internacional na Colômbia e presidente da Associação Colombiana de Zoologia. “Quando os líderes mundiais se reunirem na Convenção de Diversidade Biológica no Japão no final do ano, eles precisam se comprometer com a criação de mais áreas protegidas se quisermos garantir a sobrevivência de criaturas ameaçadas como esta na Amazónia e no mundo”.

A pesquisa liderada por Defler foi financiada pela Conservation International, pelo Fondo para la Acción Ambiental y la Niñez e pela Fundación Omacha.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Foram publicadas as listas de colocação 2014/2015

Publicitação das listas definitivas de Ordenação, Exclusão, Colocação, Não Colocação, Retirados e Colocações Administrativas - Mobilidade Interna e das listas definitivas de Ordenação, Exclusão, Colocação, Não Colocação, Desistências, Renovação e Retirados - Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento


Mobilidade Interna - ano escolar de 2014/2015










Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento - ano escolar de 2014/2015








segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Procuramos Professores de Biologia e Geologia do Ensino Secundário - (M/F)

A Academia do Parque é um conceito inovador com um espaço multidiversificado vocacionado para o apoio ao estudo e o desenvolvimento de actividades. 

Neste momento procuramos Professores de Biologia e Geologia doSecundário. 

- Local: Academia do Parque(Oeiras) 
- Regime de Prestação de Serviços. 

Caso tenha interesse e disponibilidade para este projecto, contacte-nos através do email:


colocando como referência a designação: BIO_GEO_ACAD. 

domingo, 7 de setembro de 2014

Precisa-se de professor(a) de Biologia e Geologia do Secundário

Precisa-se de professor(a) de Biologia e Geologia para dar explicações num centro de apoio escolar e de explicações, localizado em Faro. 

Aos interessados, pede-se que enviem o Curriculum Vitae para:

    tocaasaber@gmail.com

Lista dos Candidatos que entraram na Universidade / Ensino Superior 2014/2015

sábado, 6 de setembro de 2014

Precisa-se de explicador(a) Biologia/Geologia

O NOSSO CENTRO COM INSTALAÇÕES EM ODIVELAS E NOS OLIVAIS - LISBOA, RECRUTA NESTE MOMENTO PROFESSORES DE BIOLOGIA/GEOLOGIA COM EXPERIÊNCIA PARA COLABORAR CONNOSCO EM EXPLICAÇÕES NOS VÁRIOS NÍVEIS DE ENSINO. 
COM RECIBO VERDE. 

AGRADECEMOS QUE ENVIE CURRÍCULO PARA O CENTRO QUE SEJA DO SEU INTERESSE, A NÍVEL DO LOCAL, OU PARA AMBOS CASO TENHA ESSA DISPONIBILIDADE. 


 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Corpo humano-translúcido


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Vamos ver os ninhos?





segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Coincidências ... Será???


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