quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os 12 erros mais comuns


Debitar uma resposta memorizada, em vez de apostar na capacidade de pensar pela própria cabeça, não é uma boa solução.

Peça-se num exame que os alunos identifiquem com um "v" de "verdadeiro" as afirmações, entre várias apresentadas numa lista, que sustentem uma determinada hipótese. E é quase certo que vários identificarão com um "v" todas as afirmações que consideram verdadeiras - independentemente de apoiarem ou não a hipótese apresentada. E assim se falha uma resposta. O exemplo serve para ilustrar um dos erros frequentes dos estudantes quando fazem exames: não lêem a pergunta até ao fim. Ganham minutos, mas perdem pontos.

A duas semanas de começarem os exames nacionais do básico e do secundário, pedimos a professores de diferentes áreas que nos ajudassem a fazer uma lista de erros frequentes. Alguns são fáceis de adivinhar. Outros, mais surpreendentes. Há quem aconselhe umas boas horas de desporto vigoroso na véspera da prova.

1. Não estudar com tempo
É bom que cada um encontre a sua própria forma de optimizar o tempo de estudo e de ser eficaz, nota José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Mas a verdade é que o tempo que os alunos dedicam a preparar-se para as provas é, muitas vezes, insuficiente.

"Uma parte significativa não se prepara com a antecedência devida", diz Miguel Barros, vice-presidente da Associação de Professores de História (APH). Muitos deixam para a véspera das provas o estudo das matérias obrigatórias, continua Paula Gonçalves, professora de Filosofia e coordenadora do centro de explicações Ás de Saber. "Revelam um estudo pouco sistemático, mal organizado, sem a elaboração prévia de resumos, os quais, quando realizados ao longo do ano lectivo, simplificam muito a preparação mais específica e intensiva que antecede os exames", afirma.

O local de estudo também pode fazer a diferença. Miguel Barros nota que "muitos alunos não estudam em ambientes propícios à concentração - não desligam a televisão, a Internet ou os telemóveis, por exemplo".

2. Stress a mais
"Quando iniciam o estudo, é frequente entrarem em pânico face à enormidade da tarefa, o que os leva a situações de stress e, no limite, ao uso de fármacos que, supostamente, os auxiliarão a concluir com sucesso o que se pretende", diz o dirigente da APH. Eis outro erro frequente. José Morgado sublinha a importância de se tentar "lidar de forma serena com a pressão ou expectativas que, muitas vezes, pais, professores ou os próprios colocam - e que, para alguns alunos, podem tornar-se parte do problema". 

À medida que o exame se aproxima, os nervos aumentam. E, no dia da prova, ainda pior - sendo que, tendencialmente, os mais pequeninos são mais sensíveis, explica Fernando Nunes, ex-presidente da Associação de Professores de Matemática.

O excesso de tensão, diz este professor, é um grande inimigo. Leva os alunos a cometer erros, sobretudo se no exame se confrontam com algo "novo", uma pergunta feita de forma diferente daquela que é habitual, por exemplo. O último relatório disponível do Gabinete de Avaliação Educacional, sobre os exames, confirma esta ideia: em 2011, nos exames de Matemática do 9.º e do 12.º ano, por exemplo, os alunos revelaram dificuldades na interpretação de algumas questões, sobretudo quando estas envolviam "estratégias não habituais".

3. Ter excesso de confiança
Muitos alunos consideram que não precisam de fazer uma preparação "mais específica e direccionada" para os exames porque julgam que já conhecem a matéria, diz Paula Gonçalves. Acham, portanto, que não precisam de praticar. Mas atenção ao excesso de confiança: "A realização contínua de exercícios permite fazer um levantamento dos próprios erros procurando superá-los e, além disso, obriga a analisar os critérios de correcção dos exames procurando responder à questão "em que é que eu não posso falhar?"."

4. Ler só resumos
Cada vez mais se nota que os alunos não lêem as obras integrais que são obrigatórias, notam alguns professores. Isto vale, nomeadamente, para quem está a preparar-se para o exame de Português. Os resumos das obras não chegam!

5. Ir de directa
Ir para o exame com uma noite mal dormida é um erro frequente. "Metade da nota consegue-se com estudo, a outra metade com os neurónios em actividade máxima... o que implica uma cabeça fresca!", diz Paula Canha, professora de Biologia e Geologia. "Aconselho os meus alunos a praticarem desporto vigoroso no final do dia anterior ao exame, pelo menos oito horas de sono e uma refeição decente antes do exame. Assim, a concentração e a capacidade de raciocínio estarão no seu máximo."

6. Não ler as perguntas
Até que chega aquele momento em que o professor distribui o exame. "Às vezes nem lêem o enunciado completo!" O desabafo é de Paula Canha, mas é partilhado por vários professores. "Dizem que a meio já achavam que tinham percebido o que era para responder, mas afinal... Exemplo: uma pergunta de V/F [Verdadeiro/Falso] em que é para indicar as afirmações que apoiam uma determinada hipótese. Eles partem do princípio que é para assinalar as frases como verdadeiras ou falsas, ignorando o segundo requisito do enunciado", continua a professora de Biologia.

Não dedicar o tempo necessário à leitura das perguntas leva a erros de interpretação, diz também Miguel Barros. Sem compreender bem o que é pedido, dificilmente se dá a resposta certa, e isto é verdade para todas as disciplinas, diz Paula Gonçalves.

7. Não planear as respostas
Para além de compreender as perguntas é preciso "preparar e planear as respostas", diz José Morgado. "A resposta imediata pode ser desajustada ou "ao lado"." É importante avaliar o que é mesmo "essencial", referir e o que é "acessório" - sendo que o acessório também se pode incluir, e até pode ser relevante, em questões de "desenvolvimento".

8. Debitar o que se decorou
"Muitos alunos desenvolvem na sua cabeça a resposta certa, mas como não confiam na sua capacidade de raciocínio, preferem procurar na memória alguma coisa que tenham ouvido na aula ou estudado no manual e que possa colar-se àquela situação", diz Paula Canha. Miguel Barros dá o exemplo do que se passa na sua área científica: "Apesar de nos exames de História se privilegiar a interpretação de fontes, devendo a informação recolhida nessas fontes ser integrada, de forma crítica, nas respostas, um número significativo de alunos continua a achar que o que interessa é "decorar a matéria" e "despejá-la" nas respostas. Isto dá origem a erros de análise - vêem nas questões aquilo que querem ver, dando origem a respostas longas mas que ficam muito aquém daquilo que se pretende."

9. Não ser assertivo
Ser objectivo e assertivo dá pontos, diz Paula Gonçalves. "Muitos alunos têm tendência para o excesso de informação numa resposta, tornando-a pouco assertiva. A objectividade é muito bem cotada num exame."

10. Não gerir o tempo
O exame deve ser visto como um todo, diz Miguel Barros. Mas a maioria dos alunos não é assim que lida com o enunciado da prova. "Como não olham para o exame como um todo, mas antes como uma lista de questões, não planeiam com cuidado o tempo de que vão necessitar. Perdem, frequentemente, demasiado tempo com questões de nível mais elementar (do tipo refere, enumera...), que são menos pontuadas, acabando por não ter tempo suficiente para responder a questões mais complexas, que implicam uma maior reflexão."

Mas isto de gerir o tempo não é coisa fácil. Ficar "bloqueado" numa resposta que parece supercomplicada também pode acabar por significar que não se tem tempo para responder a outras eventualmente mais fáceis, lembra José Morgado.

Fernando Nunes lembra que o "tempo" não é, geralmente, um factor muito valorizado no processo de ensino-aprendizagem - mais cinco minutos, menos cinco minutos, o que interessa aos professores na sala de aula é que os jovens acabem por conseguir resolver o problema. No exame, tudo é diferente. Fica a sugestão: "Se acham que estão a levar demasiado tempo com uma pergunta que não estão a conseguir responder, passem para outra, porque elas não têm todas o mesmo grau de dificuldade."

11. Não rever as respostas
É fundamental voltar a reler as respostas do exame para perceber se existe coerência no que foi exposto e poder detectar erros e falhas.

12. Não usar as tabelas
Textos, tabelas, gráficos e exemplos não servem para embelezar o exame, diz Paula Gonçalves. Muitos alunos ignoram o recurso a estes documentos de apoio que constam de alguns enunciados e que muito podem valorizar uma resposta.

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O que é que os alunos de 20 valores têm para ensinar aos outros?


São quatro jovens com percursos muito diferentes mas com algo a uni-las: no ano passado, distinguiram-se como as alunas com as melhores notas a Português, Matemática, História e Biologia nos exames nacionais do secundário. Chegaram lá com esforço, muito, mas também seguindo estratégias que não se importam de partilhar. A uma semana da nova época de exames, o que têm a Inês, a Joana, a Leonor e a Ana a ensinar-nos?

Inês Maia, 20 a Português
"Dormia sempre as minhas oito horinhas por dia"
Não tem aspecto de ser um ratinho de biblioteca. Se dúvidas houvesse, a página de Inês Maia no Facebook comprova que a sua vida social está bem e recomenda-se. Canta, vai à praia e, mais do que isso, em 2011, no mesmo ano em que se destacou por ter tido a melhor nota no exame de Português do 12.º ano, lançou um livro de ficção, Desafio Celestial (Editorial Presença).

Nenhuma das suas actividades a impediu de ser boa aluna porque o segredo, adianta, não é estudar horas a fio. "O essencial é estarmos atentos nas aulas." Quem já não for a tempo, pode, mesmo assim, socorrer-se de alguns truques.

"No que toca à gramática, é preciso decorar algumas regras, para chegarmos ao exame e não haver dúvida possível; no resto, não aconselho nada: o objectivo é mesmo compreender o que se lê sem pretensões de copiar e colar no exame aquilo que se ouviu nas aulas ou se leu nos manuais", debita esta rapariga de 19 anos, agora estudante na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Postas de parte as mnemónicas e truques afins, Inês Maia sustenta que outro dos segredos é manter uma atitude positiva relativamente ao que se está a estudar. "Se pensarmos que aquilo até pode ter um lado divertido e interessante, torna-se muito mais fácil. Quando tinha uma parte da matéria de que gostava menos e me sentia mais negativa, custava-me sempre mais decorar e perceber." Mesmo nas alturas dos exames, Inês nunca alinhou em directas nem em estimulantes. "Dormia sempre as minhas oito horinhas por dia. E nunca fui de sair à noite, o que fazia era pôr a televisão de lado e pôr o computador de lado, mas tudo isto sem exageros, para não entrar em depressão profunda." Em período de exames, as horas das refeições mantiveram-se sagradas e o único desvio à norma eram os chocolates ingeridos aqui e ali, "para aguentar mais duas horas de estudo".

Minutos antes de ter o enunciado na mão, Inês desligava. "Ficava uns minutos em meditação. Entrava na sala, não falava com ninguém nem ouvia o que as pessoas estavam a dizer para não aumentar a ansiedade e não pensava na matéria." E, na dúvida sobre a resposta correcta, Inês diz que aprendeu da pior maneira que, em regra, a primeira resposta, a que saiu de modo mais intuitivo, é a acertada.

"Não vale a pena aproveitar-se a tolerância de 30 minutos para mudar tudo aquilo que estava certo." Está feito o aviso.

Joana Dias, 20 a Matemática
Muita planificação e um quadradinho de chocolate
Directas, café e exercícios até ao último minuto? Para Joana Dias, de 18 anos, os exames nacionais do ano passado foram tudo menos isso. Preferiu trocar esta fórmula por um planeamento ao pormenor das provas finais do 12.º ano. Joana, então aluna do Externato Marista de Lisboa, foi a exame de Matemática com uma classificação interna de 20 valores que queria manter. Conseguiu. Na pauta final, a repetição do 20 colocou-a entre os melhores alunos do país numa disciplina que continua a ser o calcanhar de Aquiles de muitos.

Joana, agora a terminar o primeiro ano de Medicina na Universidade Nova de Lisboa, defende que "as aulas são muito importantes" e aconselha a não menosprezar os trabalhos de casa. Começava por perceber a parte da matéria mais básica e só então avançava para exercícios complexos.

"Estudava sempre no mesmo sítio. Se quisesse descansar, comer ou fazer outra coisa qualquer, então ia para outro sítio." Organização e planeamento foram a chave. Tinha vários livros de exercícios, depois "fazia apontamentos escritos como se fosse o meu próprio livro de fórmulas", explica. Estudar em voz alta e utilizar um quadro onde podia apagar e recomeçar foram outros truques. Joana aconselha que o estudo seja muito semelhante ao exame: "Numa fase em que já se sabe toda a matéria teórica, é só ter à frente o exercício." Diz que um calendário ajuda muito.

"Fazia um plano de estudos para cada dia." Quanto a decorar, preferia perceber as fórmulas.

E foi assim que conseguiu evitar noitadas. "Não bebia café até chegar à faculdade e mesmo agora quase nunca bebo." Quanto à alimentação, fazia as refeições normais e tentava comer mais fruta e beber água para compensar o estudo em voz alta. Em períodos mais exigentes, recorreu a suplementos vitamínicos. Garante que sobrou tempo para os amigos: "O estudo é tão intenso que, se não existirem formas de desanuviarmos e de limpar a mente, é impossível mantermo-nos concentrados".

Quanto a superstições, só não abdicava de um quadradinho de chocolate antes de cada prova. "Nunca estudei consumida pela vontade de ter um 20." Joana lembra que o exame é apenas um dia: "É respirar fundo e entrar, porque o que podia ser feito já foi feito. É muito importante controlar a ansiedade, porque existe uma diferença entre o que um aluno sabe e o que o aluno demonstra em tempo de exame".

Leonor Santos, 20 a História
Saber é tratar a matéria por tu (de preferência em voz alta)
Quem não se aplicou ao longo do ano fará melhor em ficar longe de Leonor Santos, se quiser entrar na sala de exame com uma réstia de esperança.

Com ela, não há paninhos quentes: a quem estuda por obrigação, diz que mais vale não o fazer; aos que são preguiçosos, sugere que mudem de hábitos; e nem a uns nem a outros serve um pingo de alento.

Parece severa - e é. Mas só nas palavras. Leonor, agora a acabar o primeiro ano de Jornalismo, diz isto tudo com um sorriso malandro no rosto de menina - "Já tem 19 anos? Não pode ser!" - e com um desembaraço alegre na voz, que é próprio de quem se sabe com jeito para enfrentar as câmaras, se um dia vier a trabalhar na TV.

É mesmo assim, focada no que está a enfrentar; e também é metódica e aplicada - a isso não se pode chamar um truque. Pode? Vamos ao melhor exemplo. Há que saber História? Pois, então, um manual não chega.

Se um explica umas coisas, outro fala de outras. E depois há os apontamentos das aulas e os textos que a professora entregou e mais uma ou outra informação da Net. Tudo lido, cruzado, pensado, assimilado e finalmente vertido num caderno, que passa a ser o único material de trabalho. Fez isto tema a tema, com os quais ia criando intimidade até que, nas vésperas dos testes, já só faltava tratar a matéria por tu. Literalmente.

Diz, depois de pensar bem, que essa é a coisa mais estranha que faz: estudar em voz alta. Fala muito, fechada no quarto, sozinha e sempre depois de uma noite bem dormida e a horas decentes (durante a manhã e ao fim da tarde), o que dispensa vitaminas e estimulantes, mas exige vários litros de água e muito gosto pelo que está a aprender.

No dia do exame, basta-lhe ouvir-se de novo. Mal lhe entregam a prova, lê o enunciado de fio a pavio. Com a cabeça ainda fresca, segue o que a voz lhe dita, rabiscando na folha de rascunho o que não pode escapar na resposta. E, assim, quando chega ao fim da primeira leitura, o mais difícil está feito: "A seguir, é só escrever".

Parece aborrecido? Leonor garante que não é. Gosta de estudar e sempre lhe sobrou tempo para tudo.

Reconhece, ainda assim, que ter crescido na pacata cidade de Oliveira do Hospital foi uma vantagem. Agora, em Coimbra, o desafio é maior - na Queima das Fitas, por exemplo, já se estreou nas directas que nunca fez a estudar. Mas nada que a demova da ideia de que "há tempo para tudo".

"Basta querer, não é?"

Ana Marta Nunes, 20 a Biologia
"O mais importante é estar com atenção nas aulas"
Ana Marta Nunes não gosta de sair à noite e não bebe café nem álcool. De quando em vez, vai ao cinema, mas os tempos livres desta aluna de Faro à beira de fazer 18 anos são sobretudo passados ao computador, ligada ao mundo das redes sociais, onde já aprendeu a falar japonês.

Ana considera-se uma rapariga "normal" e ela, que no ano passado teve 20 a Biologia no exame nacional do 11.º, até tem uma receita aparentemente simples para o sucesso escolar: "O mais importante é estar interessada e com atenção nas aulas". É essa a regra que tem seguido desde sempre e a verdade é que nunca se deu mal, porque quando a pessoa estuda só para o teste, o mais provável é que se "esqueça pouco tempo depois".

Teve de se aplicar a fundo a Biologia, uma disciplina "mais chata" e que lhe exigiu mais esforço, onde o que conta "não é tanto o raciocínio mas mais a informação". Já a Inglês ou a Português quase não teve de estudar para tirar a nota máxima também a estas duas disciplinas.

A quem lhe pedir conselhos para ser bom aluno, Ana não hesita: "Estudar para saber e não estudar só para o teste e esquecer a seguir". O seu estudo é metódico e obedece a regras, diz, mas isso não significa que passe a vida agarrada aos livros. E nem sequer precisa de outros truques mais ou menos sofisticados para exercitar os neurónios.

Por regra, estuda ao final da tarde e a seguir liga-se ao mundo através do computador, onde procura outros jovens para "saber mais sobre a cultura de outros países". A animação japonesa (Anime) é uma paixão. "Até já aprendi a falar japonês, pequenos diálogos." A outra é o básquete, que joga nos tempos livres e em que o pai é um "adversário a ter em conta".

O seu futuro imediato passa por seguir Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, ou Engenharia Informática no Porto. Mas o seu sonho mesmo é ser investigadora no maior laboratório de física de partículas do mundo - o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na Suíça - e, para isso, está já a preparar a candidatura a uma bolsa de estudo. O "bichinho" tocou-lhe quando a Universidade do Algarve, no âmbito de uma iniciativa destinada aos três melhores alunos de Física do 10.º ano, lhe proporcionou uma conversa por videoconferência com cientistas do CERN. "Foi mesmo muito bom."

Notícia retirada daqui

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ministério quer contratação mais rápida nas escolas e mais autonomia curricular


O Ministério da Educação e da Ciência (MEC) vai “tomar medidas para agilizar e tornar mais eficaz a contratação de professores” e também dar às escolas com contrato de autonomia, já no ano lectivo de 2014/2015, “maior flexibilização” na gestão do currículo e oferta formativa.

O anúncio foi feito pelo ministro Nuno Crato nesta quarta-feira, em conferência de imprensa em Lisboa.

Segundo Nuno Crato, foi solicitado ao presidente do Conselho das Escolas um parecer deste organismo sobre as competências da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares que “podem e devem ser transferidos para os agrupamentos e escolas não agrupadas”: “Com base nesse parecer e num debate mais geral, pretendemos que todas as escolas, independentemente de terem ou não contratos de autonomia, vejam alargado o seu poder decisório e as suas responsabilidades já em 2014/2015”, começou por afirmar o ministro.

No âmbito da “crescente autonomia das escolas”, o MEC “irá também tomar medidas para agilizar e tornar mais eficaz a contratação de professores”: “Sendo importante a consolidação dos projectos educativos das escolas pela sua qualidade, vamos promover alterações legislativas, no sentido de dar às escolas um instrumento que proporcione a estabilidade necessária na contratação de escola”, declarou o governante.

Neste caso, as medidas aplicam-se não só às escolas com contrato de autonomia – “que têm acesso à contratação de escola caso os horários não sejam preenchidos pelos professores dos quadros” -, mas também para todos os outros agrupamentos de escolas que, “tendo um horário não preenchido no concurso de mobilidade interna ou na reserva de recrutamento, podem disponibilizá-lo para contratação de escola”.

“A contratação de escola terá de ser mais eficaz e mais rápida, de forma a poder servir atempadamente as necessidades dos nossos alunos, que não devem esperar por processos decisórios demorados para a regularização das actividades lectivas”, defendeu o ministro, acrescentando que se pretende que “não se repitam alguns atrasos que existiram”.

Estas medidas ainda serão, no entanto, alvo de um processo de negociação sindical, “por forma a serem integradas no diploma regulamentar dos concursos”.


Já as medidas relativas à flexibilização curricular são dirigidas às escolas com contratos de autonomia – actualmente são 212 – , às escolas abrangidas pelo Programa de Territorialização de Politicas Educativas de Intervenção Prioritária  e àquelas com contrato de associação, tendo já sido enviado para publicação o diploma que permitirá a estes estabelecimentos de ensino “tomar mais decisões de gestão do currículo e da oferta formativa”, já no ano lectivo de 2014/2015.

Estas escolas passam, assim, a poder “gerir de forma flexível” a carga horária das disciplinas ao longo do ano e do ciclo de estudos e também a distribuição das disciplinas, que podem ser alocadas em anos diferentes ao longo do ciclo de estudos. Para além de poderem gerir até 25% da carga horária de cada disciplina, com excepção das disciplinas de Português e Matemática, abre-se ainda a possibilidade de as escolas criarem novas disciplinas e actividades.

“Esta liberdade de gestão da carga lectiva deve ter sempre em conta o cumprimento integral das metas curriculares e programas, bem como a carga horária lectiva total semanal e anual estabelecida para cada ano na matriz nacional”, ressalvou o governante.

Quanto aos professores que vão assegurar as novas disciplinas, Nuno Crato salientou que as escolas “têm de pensar nos recursos que têm disponíveis” e, caso seja necessário, “solicitar recursos adicionais”. “Os recursos que são atribuídos às escolas são atribuídos em função do número de alunos e de turmas”, explicou, frisando que uma eventual contratação de professores para estas disciplinas será sempre feita em função das necessidades das escolas.

“Antes do início de cada ano lectivo sabe-se ou pelo menos te- se uma estimativa bastante rigorosa de quantas turmas [de cada ano] a escola vai ter e, em função disso, são alocados os recursos necessários”, afirmou, frisando que as escolas devem “planear atempadamente”, a criação destas disciplinas.

O governante salientou ainda que “o facto de ser dada autonomia às escolas para utilizarem esta maior liberdade curricular, não as obriga a utilizar a liberdade curricular”: “As escolas podem, se quiserem, manter as coisas a funcionar como estão neste momento”, disse.
Entre processos avaliativos, mecanismos estatísticos e inspecções, o ministro considera que existem muitas formas de monitorizar a actividade das escolas e que, caso os estabelecimentos tenham desempenhos negativos, a autonomia pode ser retirada.

Noticia retirada daqui

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Governo quer mesmo arrancar com cursos técnicos superiores em Setembro


O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, afirmou nesta sexta-feira que os novos cursos técnicos superiores profissionais vão arrancar no próximo ano lectivo e que o financiamento de 20 milhões anuais estará garantido nos próximos sete anos. O governante assegura que o diploma destes cursos foi discutido “ao longo de meses” com os Institutos Politécnicos e que o facto de os responsáveis destes terem mostrado “indisponibilidade” para leccionar os cursos foi "uma reacção de momento que será ultrapassada".

O diploma que prevê a criação destes cursos de dois anos foi aprovado na quinta-feira em Conselho de Ministros. Os cursos são de dois anos e serão ministrados apenas nos Institutos Politécnicos que já se manifestaram, porém, indisponíveis para o fazer.

José Ferreira Gomes reconhece que há dificuldades que precisam de ser vencidas, mas garante que continua aberto a “discutir” a “maneira como ultrapassar” os obstáculos. O governante sublinha que houve “preocupação de passar informação técnica detalhada” aos institutos politécnicos “sobre a maneira como as instituições vão montar os cursos, como vão ter a acreditação”, como os vão pôr a funcionar e que “expectativas podem criar os estudantes”. A ideia é que as instituições de ensino “comecem imediatamente a fazer o trabalho”, ainda que seja “duro”: “A intenção é que muitos desses cursos possam começar a funcionar já no próximo Outono, já em Setembro”, afirmou. No mesmo dia, porém, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu que algumas instituições possam deixar a decisão para mais tarde.

Sobre a reacção do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, que emitiu um comunicado manifestando oposição ao diploma, Ferreira Gomes disse que foi “o exprimir de uma dificuldade, de uma angústia que tem sido partilhada” e que “não foi mais” do que “ventilar de algumas das dificuldades que sentem”. Apesar de sublinhar que essas dificuldades foram “discutidas ao longo de muitos meses” com os representantes das instituições de ensino, ressalva que irá “acompanhar o trabalho” destas entidades no sentido de “ultrapassar qualquer dificuldade”.

“O desafio que estamos a lançar às instituições, e por isso estamos a fazer com esta rapidez, é muito considerável. Há uma dificuldade grande em cobrir todo o território, é essa a intenção, que todos os jovens, em todo o país, possam encontrar relativamente perto da sua residência um curso adaptado à sua vontade e que esse curso também se integre na estratégia de desenvolvimento regional, na estratégia das necessidades das empresas, do tecido económico, cultural, social da região”, explicou, rejeitando as críticas de que estes cursos estarão desajustados do mercado de trabalho.

“A maioria dos jovens que vai frequentar estes cursos vai ficar a trabalhar no meio regional. Não queremos desenraizar os jovens, particularmente no Interior do país”, frisou.

Embora estes cursos não confiram qualquer grau superior, o secretário de Estado nota que os estudantes que os frequentarem fazem parte do ensino superior e serão considerados como tal. Caso queiram depois ingressar numa licenciatura, deverão submeter-se a uma "prova local" feita pelos próprios politécnicos. Adiantou que está em discussão pública o diploma que prevê que estas instituições criem “um concurso especial dirigido a este público”. Serão estas a determinar se o estudante “tem as competências necessárias” para entrar numa licenciatura: “Isso é uma coisa que vai ser feita ao nível local, cada instituto vai ser capaz de estabelecer um sistema de avaliação dos seus alunos ou de outros candidatos que apareçam do exterior para poder integrá-lo na licenciatura”, disse.

Caso queiram depois ingressar numa licenciatura, os alunos deverão submeter-se a uma prova local feita pelos próprios politécnicos. Serão estas a determinar se o estudante “tem as competências necessárias” para entrar numa licenciatura.

Sobre o facto de já existirem Cursos de Especialização Tecnológica (CET), Ferreira Gomes defendeu que são uma formação pós-secundária não superior que corresponde a cerca de um ano de estudos e que os novos cursos "já têm mais a natureza de um curso superior".

Certo, para já, é que deixarão de fazer parte da oferta do ensino superior e, para tal, haverá uma fase de transição: "As instituições de ensino superior não podem manter os CET depois do próximo ano, só podem manter os CET que vão começar em Outubro", explicou. Sobre a possibilidade de deixarem mesmo de funcionar, o governante disse estar ainda em aberto: "O futuro dirá o que é feito com os CET”, afirmou, acrescentando que o Instituto de Emprego e Formação Profissional e as próprias empresas também terão uma palavra a dizer sobre o assunto.

Quanto ao financiamento dos cursos que foram agora aprovados, adiantou que está assegurado no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio: “Estão previstos já para o primeiro ano 20 milhões de euros para o funcionamento destes cursos e estou certo de que a verba será suficiente”, afirmou, acrescentando que está garantido o montante necessário para os próximos sete anos.

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Fenprof entregou à PGR alegadas provas de crime no financiamento de colégios

A Federação Nacional dos Professores entregou, esta segunda-feira, na Procuradoria-Geral da República, provas testemunhais e documentais que a federação garante apontarem para "indícios fortíssimos" de crime no financiamento público de colégios privados e de sinais de "enriquecimento rápido que são absolutamente estranhos".


"Às vezes calha a 'sorte grande' e as pessoas ganham muito dinheiro de repente, mas quando não é assim é preciso saber como é, porque a democracia deve ser transparente. Era bom chegarmos à conclusão que nada de especial acontece, mas o problema é que não parece que vai ser isso que vai acontecer", disse o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, à saída da reunião na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Fenprof entregou, esta segunda-feira, uma queixa-crime no Ministério Público por alegada utilização abusiva de dinheiros públicos no financiamento de colégios privados no âmbito dos contratos de associação do Estado com escolas privadas.

"Agora irá ser apreciado por investigadores se na totalidade ou em parte esta queixa que agora é aqui apresentada irá juntar-se a outras que já existem, ou se vai dar origem a investigações autónomas", explicou Mário Nogueira, considerando ainda "natural que alguns aspetos possam dar origem a queixas autónomas".

A Fenprof levou à PGR para apresentar como prova testemunhos, uma reportagem televisiva e um estudo feito pela Universidade de Coimbra sobre o desenvolvimento da rede pública de ensino que, defende a federação sindical, demonstra que se tivesse ocorrido um normal desenvolvimento da rede "o número de instituições com contrato de associação seria absolutamente residual neste momento".

Mário Nogueira referiu que o sindicato, a juntar às queixas que já eram conhecidas, levou esta segunda-feira novas queixas de professores que "ganharam coragem para denunciar situações que há muitos anos calavam" e que têm origem em colégios da grande Lisboa, Beira Interior, e do distrito do Porto.

"Não são necessariamente todas do grupo GPS, o que significa que estas situações existem neste grupo, mas também fora dele. Trouxemos elementos com indícios fortíssimos de peculato, participação económica em negócio e abuso de poder", referiu.

O líder da Fenprof explicou que o objetivo da queixa-crime apresentada na PGR não é "exterminar o ensino privado em Portugal", mas que se sujeita às regras estabelecidas e às leis.

Para Mário Nogueira, não faz sentido que existam colégios privados a ser financiados à custa do erário público quando ao lado existem escolas públicas, onde o Estado investe na melhoria das infraestruturas, mas que não têm alunos por estes terem sido desviados para as instituições particulares, dando o exemplo do distrito de Coimbra, atualmente "muito pressionado" pelos colégios privados.

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Quase todos os professores já receberam valor da inscrição na prova docente


O Instituto de Avaliação Educativa está a devolver, a cerca de 18 mil docentes, os valores pagos na inscrição para a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos dos professores, e espera concluir o processo até 7 de fevereiro.

Quase todos os professores já receberam valor da inscrição na prova docente
Prova realizou-se a 18 de dezembro

Num esclarecimento enviado à agência Lusa, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) indicou que a devolução dos montantes respeitantes à inscrição na Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC) decorre desde o início do mês, e já foram "finalizadas as devoluções correspondentes a 96% dos pedidos recebidos".

A PACC, que tinha sido inicialmente pensada para ser realizada por todos os docentes contratados a prazo, destinou-se a cerca de 13500 professores contratados com menos de cinco anos de carreira, depois de um acordo alcançado pelo Ministério da Educação e Ciência com a UGT.

Notícia retirada daqui
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