terça-feira, 17 de setembro de 2013

Escolas abrem em protesto contra Crato


Em Guimarães, as duas básicas que receberam ordem de fecho funcionaram à revelia do ministério de Nuno Crato. Protestos ensombraram início das aulas contra falta de funcionários e de turmas.

Menos alunos, menos professores, falta de funcionários, turmas sobrelotadas com mais de 30 alunos ou com diferentes níveis no 1.o Ciclo. O ano letivo arrancou ontem com o ministério a garantir, sem especificar, um número "residual" de escolas por abrir. O secretário de Estado Casanova de Almeida usou a palavra "normalidade", mas os pais desdobraram-se em protestos pelo país. Na Golegã, há boicote até que mais turmas sejam aprovadas, em Monforte e em Monchique protestos contra as turmas mistas. A Básica do Freixo (Lousã) esteve fechada a cadeado e em muitas outras, como a dos Olivais, Lisboa, faltaram docentes.

Guimarães
As Básicas de Rendufe e Souto foram mandadas encerrar a quatro dias do início do ano, por terem menos de 21 alunos. Mas Rendufe tem 21, Souto 22 e estão ambas dentro da lei. Por isso, diretores, professores, pais e funcionários não acataram a decisão e ontem puseram a escola a funcionar, com vigílias à porta. O povo ameaça boicotar as eleições e o presidente da Junta de Rendufe, José Poças, solidariza-se: "O Governo corta e prega sem saber o que faz. Se os pais não forem votar, estou solidário".

O diretor do agrupamento, António Sousa, estranha que as turmas tenham sido validadas pelo mesmo ministério que as mandou extinguir. Por isso, deu ordem para abrir a escola e informou "por e-mail" o ministério.

O mesmo aconteceu com o diretor do agrupamento de escolas de Briteiros, Fernando Silva, responsável pela EB1 de Souto. A escola mantém--se aberta "até que a situação seja clarificada". Ali também foram validadas as turmas, colocados os professores e tudo está conforme a lei. Todos querem ver o erro corrigido, e a Câmara de Guimarães já interpôs uma providência cautelar para impedir os encerramentos. "Espero poder vir a confirmar muito em breve que estas decisões resultaram de um lapso", disse o presidente da Autarquia, António Magalhães.

Marco de Canaveses
Um cordão humano abraçou a Escola Secundária do Marco de Canaveses para mostrar ao país o estado em que a empresa Parque Escolar, há cerca de nove meses, deixou o principal estabelecimento de ensino do concelho. Apenas 1/3 do edifício foi reconstruído, o restante permanece a cair de podre em velhos pavilhões cobertos por placas de amianto. As obras pararam porque o Governo cortou o financiamento, apesar de 85% do dinheiro estar disponível por fundos comunitários. O investimento global da empreitada é de 14,5 milhões de euros.

A Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) tinha aprovado o boicote às aulas mas, ontem, pretendeu apenas impedir simbolicamente o início das atividades letivas com o cordão humano. No resto dos dias da semana, "realizar-se--ão outras atividades simbólicas de protesto", explicou Eduardo Teixeira, presidente da APEE. A luta que prometia ser dura amoleceu depois da Parque Escolar ter assumido, em finais de julho, que arrancaria com as obras, no primeiro trimestre do próximo ano, desde que o seu financiamento seja inserido no próximo Orçamento do Estado. "Se tal não acontecer em outubro ou novembro estaremos cá. Estamos atentos", garantiu Eduardo Pereira. A Secundária do Marco de Canaveses tem cerca de 1600 alunos e uma centena de professores.

Barcelos
Na Escola EB 1/ JI de Silveiros, os pais dos alunos não deixaram os alunos ir às aulas. Foram eles. Motivo: as turmas mistas. "Há um turma com três níveis de ensino, onde se inclui três alunos com necessidades especiais", refere Carla Faria. "Turmas com alunos com necessidades educativas especiais não podem ultrapassar os 20 alunos. As nossas têm 22 e 23", destaca a encarregada de educação. Os pais, que fizeram uma exposição ao ministério, pedem que seja criada uma terceira turma.

Notícia retirada daqui

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