domingo, 14 de outubro de 2012

Caça ao erro

Se um filho ou um aluno escreve com muitos erros, se ele cresce e o problema persiste, como se sentem os pais? E os professores? A preocupação pelos erros será sempre justificada? O que origina o erro? Como se pode ajudar uma criança ou um jovem a escrever sem erros? Frequentemente ouvimos atribuir os erros ortográficos a reduzidos ou inexistentes hábitos de leitura. Contudo, eles podem ter outras causas e há que fazer uma análise cuidada do tipo de erros dados e das situações em que ocorrem. 

Quando é que a criança erra? Quando copia? Quando escreve o que ouve? Na escrita livre? Que tipo de erros dá? Falta de acentos? Omissão de letras ou sílabas? Repetição de letras? Inversão da ordem das letras ou das sílabas? Confusão de palavras homófonas? Se os erros se situam apenas na escrita livre, é bem provável que a criança pronuncie palavras de forma deficiente e as escreva tal como as diz. Pode haver erros relacionados com pronúncias regionais, pela mesma razão. 

Poderão aparecer trocas de letras e omissão de vogais ou de sílabas. Se os erros se dão só quando a criança copia, poderá ter dificuldade em se concentrar na tarefa ou em discriminar visualmente semelhanças/diferenças entre letras. Pode saltar letras, sílabas, palavras ou linhas. Pode não colocar acentos. Se os erros ocorrem em textos ditados, será que a criança tem dificuldade em reter estímulos sonoros? Será que consegue discriminar bem os sons? Antes de procurar uma dessas causas, há que equacionar a possibilidade de ela ter problemas de audição. 

Há muitos jogos e atividades que podem ser usados pelos pais para ajudarem os filhos a ultrapassar as suas dificuldades, reforçando o trabalho feito na escola. Para desenvolver a competência de discriminar visualmente semelhanças e diferenças, há jogos muitos úteis: descobrir diferenças; encontrar absurdos em desenhos; sopa de letras; etc. Se se trata de dificuldade em discriminar sons, podem ser feitos jogos de reprodução de sons ou sequências de sons, de identificação de sons (palavras, instrumentos ou vozes numa canção, sons do meio ambiente) ou de distinção de sons semelhantes em pares de palavras. 

A língua portuguesa reveste-se de dificuldades ortográficas e de regras que precisam de ser conhecidas e praticadas (diferentes valores para a mesma letra, por exemplo). Há algumas estratégias a que se pode recorrer, tais como a formação de famílias de palavras, a utilização de palavras em frases e contextos diferentes, a elaboração de fichas relacionando palavras com desenhos ou com histórias. 

As crianças, especialmente as mais pequenas, poderão memorizar melhor se envolverem outros sentidos para além da visão. Podem escrever as palavras, com o dedo, em superfícies diferentes (areia, plasticina lisa), envolvendo também o tato. O diálogo entre os pais e os professores é importante para se fazer uma análise correta da situação e para se definirem estratégias de colaboração. Se a situação for grave, poderá ser pedido auxílio ao professor de apoios educativos. Afinal, a união faz a força. 

Autor: Armanda Zenhas

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