terça-feira, 9 de outubro de 2012

Alunos e pais em choque com alterações aos exames do 12.º ano


"Total desagrado." É assim que alunos do 12.º ano e pais reagiram quarta-feira à notícia de que, ao contrário do que tem sido norma desde 2007, os exames nacionais para a conclusão do ensino secundário irão incidir sobre os programas dos três anos deste nível de ensino. Os alunos já agendaram uma manifestação para o próximo dia 27, em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal. 

Nos últimos anos, os exames das chamadas "disciplinas trienais", entre os quais figuram os de Português e Matemática, só têm abrangido os programas do 12.º ano. Entre os alunos, a informação divulgada na terça-feira pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), o organismo responsável pela elaboração dos exames, assemelhou-se mesmo a uma bomba, com estragos ao retardador. "É-nos imposto mais um obstáculo ao ingresso no ensino superior", desabafa Miguel Moura, da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico. Miguel está no 12.º ano e sabe do que fala: "Estamos mal preparados para fazer face a esta mudança. Foi isso também que os nossos professores nos disseram hoje [ontem]. 

Que fomos mal preparados porque eles também não sabiam que ia acontecer esta mudança." A alteração às normas dos exames do 12.º ano, que consta de uma portaria publicada em Agosto, não foi anunciada e, por isso, passou praticamente despercebida. Na prática, diz Elsa Barbosa, presidente da Associação de Professores de Matemática, a informação só chegou às escolas quando, na terça-feira, o Gave publicou, na sua página da Internet, uma nota dando conta desta mudança. Mas, frisa esta docente, mesmo que a informação tivesse sido, de facto, recebida em Agosto, não resolveria o problema que agora se põe aos alunos e aos seus professores. 

Esta medida, explica, vai ser aplicada a alunos que fizeram os dois primeiros anos do secundário na convicção de que os exames do 12.º ano só incidiriam sobre os programas deste ano de escolaridade. "Os alunos e professores não estão preparados" para a alteração imposta pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), corrobora. "Uma vergonha" Miguel Moura lembra que, em 2012, as médias de exame já "desceram abruptamente", em parte devido a uma outra alteração das normas, já que os alunos passaram a ser obrigados a realizar todos os exames na 1.ª fase. 

Com esta nova medida, acrescenta, os resultados podem ainda ser piores, para além de resultar numa "nova sobrecarga financeira para as famílias", que terão de comprar "mais livros e pagar mais explicações". Miguel Moura conta que no Facebook já existem vários grupos de alunos a propor a organização de manifestações e até greves contra esta alteração. A primeira está já marcada para dia 27, em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal. "O aumento da matéria a estudar para os exames de Matemática e Português, após dois anos sem contar com tal, vai obrigar-me a repescar matérias de anos anteriores que foram esquecidas. 

Desconfio que resultará numa baixa tremenda nos resultados dos exames", testemunha Tiago Ferreira, que também está no 12.º ano "É uma vergonha", reage Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação. A CNIPE não tem dúvidas de que a entrada em vigor desta medida, já este ano lectivo, "prejudicará imenso os [seus] filhos e educandos que frequentam o 12.º ano". 

É uma medida que "revela grande irresponsabilidade", denuncia a confederação. "Não tenho memória de, num espaço tão curto, ter recebido tantos protestos dos pais como agora, com esta situação", conta Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais.

Autor: Clara Viana

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