segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Professora entrega aos alunos vídeo pornográfico seu por engano


Uma professora argentina disponibilizou aos seus alunos a sua 'pendrive' que supostamente deveria conter material das aulas de Biologia. O problema é que em vez desse conteúdo didáctico, encontrava-se no dispositivo um vídeo com cenas sexuais explícitas, das quais a docente era a protagonista.
A imprensa argentina explica esta segunda-feira que rapidamente os alunos começaram a partilhar o vídeo na internet e que o episódio provocou uma onda de revolta entre os pais, que afirmam já não ser a primeira vez que acontece algo desta natureza.
A professora já tinha sido apanhada a "acariciar" o namorado dentro do recinto escolar e não foi sancionada.

Açores aplicam multas a pais de estudantes problemáticos

Os pais dos estudantes das escolas do básico e secundário dos Açores podem vir a pagar multas, caso os seus filhos faltem às aulas ou se envolvam em casos de indisciplina. As famílias que não cumpram o pagamento destas contra-ordenações podem mesmo perder direito aos apoios da acção social. Estas medidas fazem parte do novo estatuto do aluno na região autónoma foi publicado em Diário da República.

O decreto que regula o estatuto do aluno dos ensinos básico e secundário nos Açores estabelece contra-ordenações que podem ir dos 20 aos 300 euros. Estas multas podem ser aplicadas aos pais que não compareçam à escolas quando os seus filhos atinjam o limite de faltas ou que não se responsabilizem pela pontualidade dos estudantes. O não cumprimento de tarefas escolares e a existência de problemas disciplinares são também elencados no documento como motivo para aplicação de coimas aos encarregados de educação.

Os pais devem “responsabilizar-se activamente pelos deveres de assiduidade e de disciplina dos seus educandos”, lê-se no decreto legislativo, que determina que o produto das coimas aplicadas deve reverter para o fundo escolar da unidade orgânica em que os alunos estejam inscritos.

Em caso de não pagamento das multas definidas no novo estatuto do aluno dos Açores, há outras sanções para as famílias. Os pais que beneficiam dos regimes da acção social escolar e do transporte escolar podem ficar sem esse apoio. No caso das famílias que não tenham direito a bolsas de estudo, a coima pode duplicar de valor em caso de incumprimento.

O documento foi aprovado por maioria no parlamento regional em Outubro, com os votos do PS, PSD e CDS-PP. BE, PCP e PPM votaram contra. Na altura a Confederação Nacional das Associações de Pais tinha antecipado que a proposta açoriana serviria de bitola para o documento que está a ser preparado para o continente.

O Ministério da Educação e Ciência não comenta essa possibilidade. O Governo mantém a previsão da apresentação de um novo estatuto até à Primavera, com o objectivo de permitir a sua entrada em vigor no próximo ano lectivo.

domingo, 27 de novembro de 2011

Dentro de poucos anos, o primeiro dia dia de aulas em Portugal

A professora, faz a chamada:

"Mustafá El-Ekhseri?????.??? Presente!
?Obamba Moluni??????...?..... Presente!
"Achmed El-Cabul"????.?.??. Presente!
"Evo Menchú"???????..?.?.. Presente!
"Yao Ming Chao"????????... Presente!
"Al Ber Tomar Tinsdi-As"???........ Ninguém responde
"Al Ber Tomar Tinsdi-As", volta a repetir a professora algo chateada ........... Ninguém responde


"Pela última vez: Al Ber Tomar Tinsdi-As",diz a professora bastante exaltada.

De repente levanta-se um miúdo e diz: "Devo ser eu professora, mas pronuncia-se: Alberto Martins Dias"

sábado, 26 de novembro de 2011

Afinal estamos cá todos...

A professora está prestes a começar a dar a aula quando um miúdo diz:

- Espere, professora, ainda não estamos todos!

- Então, quem falta?

- Falta aquela miúda gorda e feia!

A professora fica um bocado perplexa e nem consegue responder.

Há uma breve pausa e o miúdo diz:

- Ah, não, esqueça... Afinal estamos cá todos...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Programa AFS - Estudar no Estrangeiro

Programa AFS - Estudar no Estrangeiro
Ano lectivo 2012/2013.



O Programa AFS - Estudar no Estrangeiro consiste numa experiência de intercâmbio, em que o participante vive durante um ano/trimestre lectivo noutro país, com uma família de acolhimento e frequenta uma escola secundária local.


Com este programa a Intercultura - AFS Portugal pretende desenvolver nos jovens uma maior sensibilidade e consciência para o mundo que os rodeia de forma a promover o diálogo e conhecimento intercultural.

A crise que atravessamos trouxe consigo uma maior consciência da importância do desenvolvimento de outras competências para além daquelas que são adquiridas no percurso académico regular.

Por ser global, tornou igualmente mais visível a interdependência do mundo actual e todo o potencial de mobilidade inerente. Mais importante ainda, expôs a necessidade de cada cidadão ter um papel activo na mudança necessária e no processo de construção de um mundo fundamentado noutros valores.

Neste sentido, acreditamos que as actuais e futuras gerações estarão cada vez mais motivadas para este tipo de experiência, promotoras não só de uma maior consciência das questões globais mas também do desenvolvimento do pensamento critico e criativo, autonomia e sentido de responsabilidade.

Cerca de 60 jovens portugueses encontram-se, no presente ano lectivo, a viver a sua experiência AFS em vários países, tais como, Canadá, Japão, EUA, Malásia, Áustria, Finlândia, entre outros, e agora é a vez de preparar os próximos jovens para esta experiência única que é viver e estudar no estrangeiro.

As inscrições para o ano lectivo 2012/2013 já estão abertas.

Poderão encontrar mais informações no nosso site:

www.intercultura-afs.pt, acedendo à àrea 'Estudar no Estrangeiro'.

A Intercultura - AFS Portugal é uma associação de voluntariado, com estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Não tem fins lucrativos, filiações partidárias, religiosas ou outras. Tem como objectivos contribuir para a Aprendizagem Intercultural e Educação Global, através de intercâmbios de jovens e famílias. Desde 1956 que promove intercâmbios de jovens em Portugal e para o estrangeiro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Prova de acesso para professores

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, anunciou no Parlamento, que vai introduzir uma prova de acesso à carreira docente no próximo ano. "Queremos que os que acedem à nobre profissão docente sejam os mais bem preparados", disse no debate da especialidade do Orçamento do Estado (OE). A medida que consta no programa de Governo, foi tentada por outros governos, mas sempre contestada por sindicatos e nunca posta em prática.
O ministro anunciou também que o critério dos 21 alunos deixa de ser decisivo para o fecho de escolas, que vai prosseguir: "Este processo não é cego, depende das especificidades locais". Crato garantiu ainda que a reforma curricular não acarretará o fim das disciplinas de História e Geografia no 3º ciclo. "Só por cima do meu cadáver", disse.
Alvo de muitas críticas da Oposição devido aos cortes orçamentais, o ministro garantiu que o ensino especial não perde verbas e que a redução verificada se deve apenas à retirada dos subsídios de férias e Natal. Bloco, PCP e PS acusaram o ministério de não fornecer os números do OE discriminando a parcela referente aos cortes dos subsídios.
Emídio Guerreiro (PSD) respondeu: "Ainda bem que se reforçou o Português e a Matemática para que os deputados do futuro saibam fazer contas de somar".
O debate ficou marcado por uma resposta do ministro a Miguel Tiago (PCP), depois de este perguntar se as disciplinas essenciais do currículo são definidas "pela troika ou pela União Nacional", partido criado por Salazar. "Antes de o sr. deputado ter nascido já eu andava em manifestações contra a União Nacional", disse Crato.
O ministro afiançou que a Parque Escolar só continua porque há "duas auditorias em curso". E sublinhou que o corte na Acção Social Escolar foi motivado pela "redução no número de alunos".
Depois das queixas dos reitores das universidades acerca da perda de autonomia provocada pela lei do orçamento, o Governo recuou. "O artigo 42º pode ser eliminado e o artigo 43º reformulado", disse Nuno Crato, em alusão a artigos que impediam a contratação de pessoal docente. O OE também isenta de qualquer cativação as receitas próprias. O PS cantou vitória, através do líder da bancada, Carlos Zorrinho. Para Emídio Guerreiro (PSD), "a autonomia nunca esteve em causa".

domingo, 20 de novembro de 2011

Um Problema de Quotas ...

sábado, 19 de novembro de 2011

Pés Grandes

- Ó Mãe, ó mãe, lá na escola os meninos estão sempre a dizer que eu tenho pés grandes!!

- Oh, meu querido, não ligues... Olha, agora vai tirar as botinhas da garagem que o papá quer lá meter o carro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quantos são... os alunos com dificuldades numa classe? Quantos são eles?

Tantas vezes ouvimos que “é preciso mudar as atitudes” que até poderíamos pensar que havia umas “técnicas especiais” para mudar atitudes. Seria tempo perdido. As atitudes mudam consequentemente quando a pessoa vive e reflecte sobre experiências que são incompatíveis com as representações que ela tem da realidade.

Numa reunião em que participei há pouco no Brasil, um grupo de professores levantava esta questão analisando os processos tal como se desenrolam no dia a dia das escolas. E as opiniões foram muito interessantes: dizia-se que, se um professor (vá-se lá saber porquê) identificar um grande número de alunos com dificuldades na sua sala de aula, isso acarretava consequências curiosas.

Antes de mais dava ao professor uma aura de rigor e de competência do tipo (“Este professor é muito exigente em termos de aprendizagem”). Depois, o professor marcava território no sentido em que se os resultados finais fossem maus ele poderá sempre dizer “Eu logo preveni que tinha muitos alunos com dificuldades”. Uma terceira consequência verifica-se no efeito desta identificação ao nível dos outros professores. Se um colega diz que tem muitos alunos com dificuldades, em que posição fica um colega que assinala poucos ou nenhuns alunos? Fica sem dúvida numa posição de fragilidade podendo a sua posição ser conotada com um idealista ou então mesmo de incompetente.

Diziam-me estes professores brasileiros que conheciam casos em que se verificou um “efeito de cascata”, em que começando um colega a assinalar as grandes e numerosas dificuldades dos seus alunos, os outros se sentiam na obrigação de seguir ou mesmo aumentar a parada. E este processo já tinha chegado a que se identificassem numa única sala de aula 40% (quarenta por cento) de alunos com dificuldades. (Parece aquelas conversas de idosos em que o seguinte tem uma doença sempre maior e mais dolorosa do que o anterior...)

E aqui vemos a necessidade de trabalhar em práticas que possam mudar estas atitudes. Repito: práticas que possam mudar as atitudes. Tantas vezes ouvimos que “é preciso mudar as atitudes” que até poderíamos pensar que havia umas “técnicas especiais” para mudar atitudes. Seria tempo perdido. As atitudes mudam consequentemente quando a pessoa vive e reflecte sobre experiências que são incompatíveis com as representações que ela tem da realidade.

Há tempos um professor contava-me que os alunos da sua classe ficaram bem espantados pelo facto do seu colega cego ter tido a melhor nota num teste em Língua Portuguesa. Este é o tipo de experiência que pode mudar efectivamente as atitudes destes alunos em relação ao seu colega cego. Assim em lugar de dizer “mudar atitudes” talvez devamos dizer “mudar as práticas para mudar as atitudes”.

Esta mudança de práticas é extremamente complexa. Uma determinada forma de actuar está profundamente ligada a um complexo de valores e práticas: ao mudar uma delas devemos estar conscientes que estamos a mexer uma pedra de um muro e muitas vezes não podemos nem mesmo estimar os efeitos desta mudança.

Que práticas poderiam conduzir a que as atitudes face à diferença dos alunos fossem positivas e esporádicas em lugar de negativas e generalizadas (como vimos podendo chegar a 40%)? Poderíamos talvez avançar 3 ideias.

Antes de mais a mudança da escola deve vir de dentro da escola. É a escola que deve avaliar as suas forças e vulnerabilidades e a partir dessa análise do que melhor pode fazer com as suas próprias forças estudar quais os meios que precisa para fomentar uma educação respeitadora e valorizadora dos diferentes esforços de cada um. E o que não conseguir fazer com as suas forças saber pedir o que precisa.

Depois, a avaliação deve ser mais e mais centrada nos processos e não só nos resultados. Este ano pedi aos meus alunos de Mestrado que decorassem um soneto (“Sete anos a Labão Jacó servia...”) e escrevessem numa simples folha quais as estratégias que usaram para o decorar. Foi um boa experiência sobre como os processos para atingir um fim semelhante podem ser diversos. No final a pergunta que presidiu à análise desta experiência foi: será que damos aos nossos alunos ferramentas e lhes permitimos usar estratégias para trabalhar semelhantes àquelas que nós próprios precisamos?

Por fim, saber que separar um aluno da classe por lhe termos identificado uma necessidade “especial” pode ser uma limitação que só nos permite ver os factos mais aparentes. Os professores que são mais eficazes a lidar com a diversidade trabalham no sentido de responderem a todos os alunos que podem, em qualquer momento, apresentar algum tipo de dificuldades (e são quase todos). Separar os alunos que têm dificuldades dos que não têm pode ser só um sintoma que não conseguimos identificar as dificuldades de uma grande parte dos alunos.

Quantos são, perguntávamos... São talvez todos os que podem ter dificuldades em algum momento, em alguma matéria em alguma experiência do ensino. Mas são talvez muito poucos os que por terem dificuldades precisam de meios de ensino que não podem ser usados na sala de aula e que não beneficiem da interacção, convívio e interacção dos colegas.


N.º 186, série II

sábado, 12 de novembro de 2011

O primeiro dia de escola

A miúda sai da escola, entra no carro toda chateada e a mãe pergunta-lhe:

- Então? Que tal o teu primeiro dia de escola?

- Primeiro dia? Isso quer dizer que amanhã vou ter que vir outra vez?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que um(a) Professor(a) deve ter...


Uma memória de elefante, para de tudo se lembrar.
Uma paciência de anjo, para a todos educar.
Olhos à volta da cabeça, para tudo poder ver.
Resposta automática, para a todos responder.

Microfone incorporado, para tudo registar.
Umas costas bem largas, para tudo isto aguentar.
Ouvidos com controlo de intensidade, para não ficar com a cabeça atordoada.
E uma voz bem resistente, para não ter de ficar calada.

Oito braços como um polvo, para a todos ajudar.
E um coração de criança, para tudo apreciar.
Um bom filtro nasal, para aos maus cheiros resistir.
E um enorme bom humor, para tudo encarar a rir!

Mais 10 dedinhos de fada, que ajudem a trabalhar…
E umas pernas de atleta, para os mais pequenos apanhar.
Conhecimentos de informática, para usar o computador.
E também de medicina, para aliviar a dor.

Precisa também de ter muita cultura geral.
E nas áreas científicas, não poderá dar-se mal…
Biologia, Matemática e também Meteorologia.
Para além de Físico-química e também Geografia.

Tem de saber Psicologia, para lidar com as pessoas.
E dizer, sem magoar, às vezes coisas menos boas…
Enfim, uma Professor(a) à medida da necessidade,
Só feita por encomenda, não vos parece verdade?

(Autor Desconhecido)

Professores vão perder 700 milhões de euros em 2012, denuncia Fenprof

Em 2012 os professores do ensino básico e secundário vão receber um salário semelhante ao que ganhavam na primeira metade dos anos 90, denunciou hoje a Federação Nacional de Professores. Segundo a Fenprof, por comparação a 2010, o corte na remuneração média mensal dos cerca de 109 mil docentes totalizará perto de 710 milhões de euros.

A maior federação de sindicatos docentes chegou a estes valores depois de somar a redução directa dos vencimentos por via da redução salarial aplicada este ano à função pública, e que continuará em vigor em 2012, com o impacto na remuneração média mensal da eliminação dos subsídios de férias e de Natal.

Em comunicado de imprensa frisa que estes dois mecanismos, em conjunto, vão representar “uma redução mensal de 14,3 por cento”. Este ano os salários mensais da função pública sofreram um corte que oscilou entre os 50 e os 420 euros.

Por via do que classifica de um “roubo organizado”, a Fenprof acrescenta que os salários dos docentes passarão a ter, no próximo ano, “um valor correspondente a um índice que, em média, se traduz numa descida de três escalões na carreira”.

O grupo mais numeroso de professores encontra-se no 9.º escalão, que corresponde ao topo da carreira docente. Segundo a Fenprof, 19.152 professores estão neste escalão e cada um deles, acrescenta, perderá 9.547 euros. O segundo maior contingente está no escalão abaixo deste: 14.541 professores que, segundo os sindicatos, perderão individualmente 8.020 euros. Os cerca de seis mil que estão no início da carreira ficarão com menos 3.310 euros/ano.

Frisando que este dinheiro não será canalizado para pagar custos da educação – “prevê-se um corte de 1,5 mil milhões de euros no sector” –, saúde ou segurança social, a Fenprof conclui que “os portugueses estão a ser vítimas de um monumental roubo que lhes assalta o presente, o futuro e a vida”.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ser Professor


Link: Ser Professor



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As escolas públicas como heterotopias

Perpassa pelas nossas escolas um espectro de permanente heterotopia de crise, porque os agentes estudantis habitam essa mesma crise como um modo de vida. Se, outrora, como refere Foucault, aos indivíduos em estado de crise eram reservados lugares específicos e com uma particular codificação e simbologia, hoje, preferencialmente, serão as escolas a desempenhar tal função.

Michel Foucault estabelece uma distinção extraordinariamente heurística entre as utopias, espaços sem a possibilidade de um lugar real, e as heterotopias, lugares que estão fora de todos os lugares, mas que têm uma localização física e que funcionam, amiúde, como representação, contestação e inversão dos espaços hegemónicos; “espécie de utopias efectivamente realizadas”, “contra-colocações” [“contre-emplacements”] nas quais “todas as outras colocações que se podem encontrar no interior da cultura estão simultaneamente representadas, contestadas e invertidas, espécie de lugares que estão fora de todos os lugares, ainda que sejam efectivamente localizáveis” (Foucault, 1995: 755-756).

Impossível deixar de pensar, desde logo, nas artes pictóricas emergentes e ou marginais, como os graffitis, que invadem as superfícies dos muros e paredes interiores e exteriores da escola, com ironia, paródia, condescendência ou insurgência, nos casos em que assumem uma intencionalidade mais ou menos explícita de humor anti-institucional. Outras vezes, contra o anonimato, desenham-se indecifráveis assinaturas – para quem não as consegue ler… – de uma existência que, doravante, inscrita na paisagem, transformada em paisagem, não mais permanecerá anónima e anódina. Outras formas, ainda, lançam pontes, agonísticas ou cooperativas entre grupos e estilos de apresentação de si, celebrando ícones e mitos. Nas cadeiras, nas mesas das salas de aula e nas paredes dos quartos de banho, multiplicam-se explosões de uma sexualidade ora predatória e machista, ora experimental e hedonista, ora neo-romântica e devedora das virtudes de um amor cortês après la lettre.

Mas existem, igualmente, em numerosos exemplos, delimitações territoriais assinaladas nas paredes por inscrições que estabelecem fronteiras. Tais fronteiras, apesar de não terem existência física, possuem um real valor simbólico baseado no reconhecimento generalizado que lhes confere legitimidade. Não são, por isso, irreais. Só as atravessa quem possui um forte capital subcultural que transporta consigo o santo e a senha da passagem. Tal capital herda-se ou conquista. As fronteiras não são irreversíveis e mantêm uma certa porosidade. Tal como na análise das heterotopias efectuada por Foucault, ganha sentido um duplo sistema de abertura e fechamento, propício a determinados trânsitos.

De certa forma, os estudantes liceais estão em permanente passagem – da infância para a vida adulta, do estudo para o trabalho, dentro do lazer, marcado por consumos omnívoros, ecléticos e cumulativos, de sub género para sub género e na própria escola, transitando entre as regras formais da instituição, respeitadas apenas nas dimensões instrumentais da meritocracia gerencialista – elaborando, em cálculo de minuciosa estratégia, planos de estudo que lhes permitem obter, potencialmente, a média almejada para entrar no curso y da fileira x na Universidade z ou, então, assumindo a desistência do projecto escolar e vivendo o dia-a-dia na escola como uma margem precocemente interiorizada, uma etapa já precária de um percurso que se adivinha errático, intermitente e instável.

Não será jamais exagerado afirmar, assim o creio, que os estudantes são mesmo os prisioneiros dessa passagem, agentes em trânsito, híbridos sociais. Os vários espaços e fronteiras existentes nas escolas transmitem, precisamente, as várias ordens da interacção e a multiplicidade conflitual dos modos de relação com a instituição, quebrando o monopólio das instâncias clássicas de autoridade e manutenção da ordem.

Perpassa pelas nossas escolas um espectro de permanente heterotopia de crise, porque os agentes estudantis habitam essa mesma crise como um modo de vida. Se, outrora, como refere Foucault, aos indivíduos em estado de crise eram reservados lugares específicos e com uma particular codificação e simbologia, hoje, preferencialmente, serão as escolas a desempenhar tal função.

FOUCAULT, Michel, «Des espaces autres» in Dits et Écrits (1954-1988). Paris : Éditions Gallimard


João Teixeira Lopes

sábado, 5 de novembro de 2011

O Globo

O professor aponta para o globo terrestre e pergunta a um aluno:

- Tu. Porque razão é que o globo não é completamente redondo? Repara que está levemente achatado nos pólos...

- Ó senhor professor... Juro que não fui eu! Já estava assim, quando entrei na sala...

Escola diminui nota a docentes

O Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Sant’Iago, em Setúbal, baixou a classificação do desempenho de nove professores, no início da semana passada, porque a Comissão Coordenadora da Avaliação do Desempenho (CCAD) se enganou e atribuiu mais ‘Muito Bom’ do que as quotas permitiam.
Uma vez que as classificações já constavam de uma acta aprovada e devidamente assinada, a CCAD pediu aos docentes visados que assinassem uma declaração em como concordavam com a alteração das notas. Apesar do desagrado generalizado, apenas duas professoras não assinaram o documento proposto.
De acordo com o Ministério da Educação e Ciência (MEC), após verificar que as classificações atribuídas ultrapassava as quotas, a Comissão Coordenadora da Avaliação de Desempenho do agrupamento "enquadrou os professores dentro das quotas disponíveis", procedimento legal, já que "nenhuma avaliação havia sido submetida ou finalizada".
O ministério garante que "os docentes não apresentaram qualquer reclamação", mas não revela se existem casos similares. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma experiência socialista... em 1931.

Sendo uma época apropriada tanto por causa dos exames que estão a decorrer, como por causa da crise.... reenvio um mail (que mesmo que não tenha nenhum fundamento verídico... dá que pensar.....)

Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha, uma vez, chumbado uma turma inteira.

Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".



O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe.

Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."



Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas".

Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria.

Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...



Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.



Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!



Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.



Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas.

Portanto, agindo contra os seus principios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.

O resultado, a segunda média dos testes foi 10.

Ninguém gostou.



Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5.

As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma.

A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros.

Portanto, todos os alunos chumbaram...

Para sua total surpresa.



O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado.

Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.



"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."



O pensamento abaixo foi escrito em 1931.



"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos.

O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.

QUANDO METADE DA POPULAçãO DESCOBRE DE QUE NãO PRECISA DE TRABALHAR, POIS A OUTRA METADE DA POPULAçãO IRá SUSTENTá-LA, E QUANDO ESTA OUTRA METADE ENTENDE QUE NãO VALE MAIS A PENA TRABALHAR PARA SUSTENTAR A PRIMEIRA METADE, ENTãO CHEGAMOS AO COMEçO DO FIM DE UMA NAçãO.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."



Adrian Rogers, 1931

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Importância de ensinar

Ensinar é questionar, partilhar e criar. É imaginar. Ensinar implica seleccionar tarefas que desafiem as capacidades e a inteligência dos alunos. Para que possam compreender a vida. Para que lhe possam atribuir significado. Para que usufruam da liberdade que o conhecimento proporciona. Para que se possa conhecer e compreender e ser mais livre e mais feliz.

Reunir consensos acerca do que significa ensinar nem sempre é simples porque é uma matéria que envolve valores (e.g., educacionais, morais, cívicos, políticos). Porém, há elaborações teóricas na literatura que têm merecido um significativo consenso. Os seminais e clássicos trabalhos de Nathaniel Gage, John Goodlad, Elliot Eisner e de Linda Darling-Hammond contribuíram para discernir quatro concepções sobre o ensino: a) o Ensino como Trabalho; b) o Ensino como Ofício; c) o Ensino como Profissão; e d) o Ensino como Arte.

No Ensino como Trabalho estamos perante uma visão racionalista e burocrática do processo de ensino, que parte do ingénuo princípio que as boas práticas podem ser definidas e especificadas de formas concretas, sendo apenas necessário que os professores as repliquem para que se alcancem os resultados que se desejam. O papel dos professores consiste na aplicação de orientações práticas previamente elaboradas.

No Ensino como Ofício entende-se que há um conjunto de regras, procedimentos e técnicas, mais ou menos sofisticadas, que podem ser aprendidas e desenvolvidas pelos professores. Ensinar será, nesta concepção, utilizar e aplicar adequadamente as regras e as técnicas prescritas pelas autoridades.

No Ensino como Profissão pressupõe-se que os professores possuem um sólido conjunto de conhecimentos teóricos que, aliado ao domínio de um alargado espectro de saberes-fazer, lhes permite uma atitude crítica e fundamentada sobre o currículo, o ensino e a aprendizagem e sobre as suas próprias acções pedagógicas. Reconhece-se que os professores são capazes de formular juízos profissionais e de agir em função desses mesmos juízos. São, por isso, profissionais que se desenvolvem mais autonomamente em cooperação com os seus pares e que ensinam de acordo com elevados padrões de conhecimento científico, pedagógico e de prática profissional.

Finalmente, no Ensino como Arte estamos perante uma concepção que reside muito na natureza imprevisível, não convencional e inovadora das acções de ensino e de aprendizagem. As práticas estão claramente orientadas para cada pessoa e não são estandardizadas e, por isso, o ensino é dificilmente orientado por regras ou por orientações precisas e algorítmicas. Há uma predominância de dinâmicas de sala de aula baseadas na intuição, na dramatização, na improvisação e na criatividade. Ensinar é utilizar a ciência mas não é uma ciência porque é imprevisível por natureza. Os professores mobilizam um conjunto de recursos pessoais e de conhecimentos que utilizam, de forma única, em interacção com os seus alunos.

Ensinar segundo as duas primeiras concepções tenderá a remeter os professores para o papel de meros executantes passivos, burocráticos, tecnicistas e funcionalistas do currículo. Ou seja, os professores dizem o currículo em vez de permanentemente o reinventarem e reconstruírem com os seus pares e com os seus alunos. Recorrem a técnicas e procedimentos mais ou menos mecanizados, mais ou menos pré-elaborados, mantendo os alunos ocupados na realização de tarefas marcadamente rotineiras. Tarefas que, como um dia nos escreveu Sebastião e Silva a propósito do ensino da Matemática, consistem em exercícios estapafúrdios equivalentes, no ensino das línguas, à retroversão de frases tais como: As sobrinhas dos capitães brincavam no jardim com as netas dos juízes...

Se, por outro lado, o processo de ensinar for encarado como uma profissão ou como uma arte, estaremos perante profissionais que se assumem como intelectuais, como investigadores das suas próprias práticas, capazes de reflectir sobre o que fazem e de participar activamente no desenvolvimento do currículo.

Assim, ensinar é questionar, partilhar e criar. É imaginar. É pensar o currículo como oportunidade única para que os alunos mergulhem a fundo nessa inesgotável fonte de inspiração que é a vida nas suas múltiplas dimensões. Ensinar implica seleccionar tarefas que desafiem as capacidades e a inteligência dos alunos. Para que possam compreender a vida. Para que lhe possam atribuir significado. Para que usufruam da liberdade que o conhecimento proporciona.

Ensinar é, assim, um processo complexo e exigente de mobilização sistemática e propositada de uma diversidade de saberes dos professores. É importante. Para que se possa conhecer e compreender e ser mais livre e mais feliz.


Domingos Fernandes

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aluno agride professor com pontapés

Um miúdo de dez anos, aluno da Escola EB1 de Escalos de Baixo, Castelo Branco, agrediu ontem com pontapés um professor, durante uma visita de vários docentes do agrupamento para averiguar das necessidades do estabelecimento. O agressor, proveniente de uma família com dificuldades económicas, está sinalizado pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e é considerado "problemático", por "maltratar os colegas".
A visita de ontem destinava-se a averiguar a sua situação e o seu comportamento, tendo o miúdo reagido com violência, ao pontapé, quando estava a ser questionado por um dos professores. Na sexta-feira, o Ministério da Educação e Ciência repudiou os casos mais recentes de agressões nas escolas, considerando-os "totalmente inadmissíveis e intoleráveis" e defendendo o reforço do Programa Escola Segura. No distrito de Castelo Branco, os casos são "muito pontuais", disse ao Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Professores da Zona Centro.
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