sábado, 10 de abril de 2010

Pais precisavam do dobro das férias para acompanhar ritmo dos filhos


Os pais teriam de usufruir do dobro dos dias de férias de que dispõem para acompanhar o ritmo das interrupções lectivas, um problema que se agrava nas faixas etárias mais jovens por falta de alternativas, lamentam os educadores.

Segundo o calendário escolar para a educação pré-escolar, as férias do Verão duram cerca de dois meses e há ainda a somar outros 10 dias úteis nas interrupções lectivas do Natal, Carnaval e Páscoa. Para o ensino Básico e Secundário, os pais, que geralmente têm 22 dias de descanso, devem prever mais de 50 dias úteis de férias no final do ano lectivo e mais de 10 nas épocas festivas.

"No ensino público, muitas vezes, não há opções, porque encerram um mês em Agosto e também nas interrupções lectivas. Faz com que os pais tenham de procurar nas instituições privadas locais para colocarem os filhos porque as suas férias não são coincidentes", afirmou à agência Lusa a presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Maria José Viseu.

Mas a situação repete-se no ensino privado, reconhece, com muitos colégios a calendarizarem dias de férias além da capacidade dos pais.

No caso de crianças até aos quatro anos, a situação piora: "Neste caso, ainda é mais grave, porque não existe legislação específica em termos de calendário escolar para as creches. E as actividades de tempos livres (ATL) não existem para esta faixa etária", explica Maria José Viseu.

Paulo Mata, responsável por um ATL na zona de Lisboa, explica que "até aos quatro anos não há oferta, até porque obriga a instalações mais apuradas, como um sítio para a sesta, obriga à mudança de fraldas, a pessoal mais especializado e não se torna tão rentável".

Carla Peidró, mãe de Leonor, de 22 meses, apercebeu-se este ano da falta de alternativas: "A minha filha começou a andar na escola há um mês e só agora percebi até que ponto é difícil conciliar a vida pessoal e profissional. O colégio está fechado todo o mês de Agosto e na Páscoa encerra duas semanas. Eu tenho apenas 25 dias de férias por ano."
Sem grande suporte familiar por perto, uma das soluções passará por dividir as férias com o marido.

Também o valor cobrado pelos ATL faz com que alguns casais tenham deixado de passar férias juntos.

Há oito anos que Joana e André têm só uma semana de férias conjuntas: "Não temos dinheiro para pagar quase 200 euros por semana num ATL por cada um dos dois filhos. A única solução é desencontrarmos as férias", conta Joana Borges.

Com quatro filhos, as férias tornam-se "um drama bem real" para Susana Soares, que se socorre de uma tabela Excel "para gerir com muita antecedência" o destino de cada criança nas interrupções escolares.

Os dois filhos do meio, com 9 e 7 anos, andam num colégio privado e têm 11 semanas de férias seguidas só no Verão.

"Entre as minhas férias, algum apoio familiar e ATL vou tentando gerir a crise", diz Susana Soares, que gasta mais de 3000 euros por ano para suprir necessidades impostas pelas férias escolares.

Reconhecendo que pode ser uma forma de concorrência ao ATL, Paulo Mata diz que há um novo movimento entre os pais que se organizam para contratarem, conjuntamente, uma educadora que trate dos filhos durante as pausas escolares.

"Sai mais barato do que pagar a um centro de férias", admite.

Há também associações de pais que se organizam com ofertas de actividades de tempos livres.

Para a Federação Regional de Setúbal das Associações de Pais (FERSAP), o Ministério da Educação deveria elaborar com as autarquias e o Instituto Português da Juventude um plano nacional para a ocupação dos tempos livres.

"Não podemos exigir que seja a escola só por si a resolver este problema", diz António Amaral, responsável da FERSAP.


Lusa

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