terça-feira, 30 de junho de 2009

Relatório TALIS - OCDE

A OCDE considerou Portugal um caso 'preocupante' para as 'carreiras e vidas profissionais dos professores' por falta de um sistema de avaliação de desempenho dos docentes, segundo um relatório divulgado pelo Ministério da Educação.


A conclusão faz parte do relatório TALIS (Teaching and Learning International Survey) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que fez um estudo comparativo das condições de trabalho e do ambiente de ensino e aprendizagem em escolas de 23 países, que decorreu entre Março e Maio de 2003 e Março e Maio de 2008.

Portugal implementou, entretanto, um processo de avaliação de desempenho dos professores, que tem sido muito criticado pelos sindicatos.

Em cada país, foram seleccionadas para participar no estudo 200 escolas públicas e privadas com 3.º ciclo do ensino básico. Em cada escola foram inquiridos 20 professores daquele nível de ensino e o director do estabelecimento.

Mais de 80 por cento dos professores da amostra TALIS trabalhavam em escolas cujo director afirmou que a avaliação do estabelecimento teve um impacto na devolução da informação à escola, na aferição do trabalho dos professores e no auxílio aos professores em melhorar as suas competências pedagógicas.

Porém, esta situação não é igual em todos os países. Segundo um comunicado do Ministério da Educação, Portugal aparece no estudo como o terceiro país com a percentagem mais elevada de professores em escolas que não tiveram nenhuma aferição de desempenho e também o terceiro país com mais elevada percentagem de professores em escolas que não foram alvo de qualquer avaliação externa.

O documento aponta que Portugal tem um cenário 'preocupante' para 'as carreiras e vidas profissionais dos professores que acreditam em fornecer incentivos e em reconhecer o sucesso, para aqueles que pretendem promover redes de aprendizagem efectiva no interior das escolas e para os amplos objectivos das escolas que procuram conseguir melhorias contínuas na sua efectividade do seu desempenho', adianta o comunicado.

A OCDE aconselha os países que não dispõem de sistemas de avaliação formalizados e generalizados a nível nacional a introduzi-los rapidamente ou, eventualmente, a melhorá-los.

Por outro lado, é um incentivo para os professores melhorar as suas práticas, em particular onde se revele necessário melhorar o desempenho face às dificuldades encontradas, como gestão de alunos com comportamentos difíceis, alunos com origens sociais, culturais e linguísticas heterogéneas.

O estudo analisou também a actividade e exigências que se colocam aos directores da escola dos 23 países e revelou os baixos níveis de autonomia que dispunham para tomar decisões relevantes relativamente à gestão do pessoal docente.

Apenas 22,8 por cento dos professores trabalham em escolas onde o director pode despedir os professores (média global 60,7 por cento); 4,6 por cento trabalha onde o director pode fixar o salário dos professores (24,3 por cento), 7,2 por cento pode decidir aumentos salariais (25,6 por cento).

Sobre a situação portuguesa, o relatório refere que os presidentes dos conselhos executivos das escolas revelavam mais competências no âmbito do desempenho das funções tradicionais da gestão escolar do que nas funções de cariz pedagógico e orientadas para a melhoria do desempenho dos profissionais e das práticas de ensino e aprendizagem, refere o mesmo comunicado.

O relatório da OCDE indica ainda que Portugal é o país onde a percentagem de mulheres directoras de escolas é mais de 30 pontos percentuais abaixo da percentagem de mulheres professoras.


HN
Lusa/fim








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