quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sindicatos desvalorizam tentativa de aproximação

"Uma cortina de fumo." A frase, de João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), resume a reacção das estruturas e movimentos dos professores à proposta feita ontem pelo secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, de não considerar as avaliações de desempenho para efeitos dos próximos concursos de colocação de professores, em 2009.

A oferta de Jorge Pedreira - que o próprio definiu como um sinal de que o Ministério continua "interessado e disponível" para trabalhar com os sindicatos - não tem, ao contrário do que chegou ontem a ser noticiado - e até comentado pela oposição, com o PSD a pedir explicações -, qualquer impacto no modelo de avaliação de professores ou na sua aplicação no tempo.

O que está em causa é apenas o adiamento, por quatro anos, de uma das consequências que o Governo pretende associar a estas classificações - a sua consideração, a par da formação e da antiguidade, para as listas hierárquicas que ordenam os professores que concorrem à colocação nas escolas.

De resto, isso mesmo foi assumido entretanto pelo outro secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em declarações à Agência Lusa: "Aí [ na questão dos concursos], o Governo cedeu porque entendeu que era justo e correcto o argumento de que todos deveriam estar em igualdade de circunstâncias", explicou o governante.

O problema é que, segundo os representantes dos professores, até essa aparente abertura é discutível: "O que o Ministério fez foi um reconhecimento de que, na prática, nunca poderia aplicar as avaliações aos concursos de 2009, porque só um número muito reduzido de professores [12 mil, a título experimental] foram avaliados no último ano lectivo. E mesmo que a presente avaliação corresse lindamente, só daria resultados em Junho, já depois dos concursos".

De resto, para o sindicalista, as estruturas que integram a "plataforma" docente irão "evidentemente" recusar a proposta ,quecontinua a basear-se num princípio de que discordam: "Na prática, não é nenhum sinal de boa vontade. É o retomar de uma imposição que os sindicatos não aceitam, porque inclui as avaliações nas listas graduadas é injusto."

Também Mário Machaqueiro, da Associação de Professores em Defesa da Educação (APEDE), um dos movimentos independentes do sector, deavalorizou a novidade: "Esta proposta do Ministério da Educação é uma perfeita falácia. Mesmo que tudo estivesse a correr bem, a avaliação nunca estaria pronta a tempo de contar para os concursos."

PEDRO SOUSA TAVARES

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