sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ministra pede desculpa mas mantém avaliação

Maria de Lurdes Rodrigues declarou no Parlamento que não pretende ceder relativamente à avaliação, mas pediu desculpa aos docentes pela desmotivação instalada. A Oposição acusou-a de autoritarismo e cegueira.

Na audição parlamentar, a governante, que tem estado sob fogo das críticas da comunidade educativa, referiu-se às alterações nas condições de reforma de todos os funcionários públicos e à regulamentação da componente não lectiva dos docentes: "Peço desculpa aos senhores professores por ter provocado tanta desmotivação, mas é do interesse dos pais, alunos e escolas".

O PSD não vê razões para deixar de defender a suspensão do processo de avaliação dos professores. "As leis têm de servir para melhorar, não para insistir numa cegueira", declarou o deputado Emídio Guerreiro.

Na audição da ministra Maria de Lurdes Rodrigues no Parlamento por causa do Orçamento do Estado para 2009, o social-democrata acusou a governante de ser "a principal parte do problema" da escola pública. E classificou de "autoritária" a maneira como Maria de Lurdes Rodrigues "vai dizendo que não se passa nada nas escolas".

Na resposta, a governante defendeu de novo a avaliação tal como está a ser feita, sem qualquer modificação. E pareceu estar firme na sua convicção. "Estou de consciência tranquila", disse.

Acusada de ter proposto um modelo excessivamente burocrático, Lurdes Rodrigues admitiu "a carga de trabalho associada" que, disse, "tem sido ridicularizada". Mas acrescentou: "Também as aulas de substituição foram ridicularizadas e hoje ninguém fala disso. Foi necessário que o Ministério e a ministra resistissem. Resistimos e vencemos".

Além do PSD, também o CDS, o PCP, os Verdes e o BE lançaram críticas a Maria de Lurdes Rodrigues, tendo o deputado centrista José Paulo Carvalho afirmado, que o seu partido vai repropor a resolução avançada no ano passado (chumbada pelo PS) segundo a qual as notas dadas pelos professores aos alunos deixam de ser critério de avaliação e deixa de ser obrigatória a assistência a três aulas do avaliado pelo avaliador, bem como a reunião final dos dois para a classificação.

O tema voltará a estar em debate na Assembleia da República no princípio de Dezembro.
ISABEL TEIXEIRA DA MOTA

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