quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Carta de Uma Mãe Preocupada

Companheiros,

Como mãe e encarregada de educação, venho sentido um crescente impulso de me envolver na defesa da escola, por a entender como veículo fundamental para formação dos meus filhos.

É por isso que tenho vindo a participar nas estruturas das Associações de Pais das Escolas que os meus filhos vêm frequentando.

Consciente que a dinâmica das Escolas é directamente proporcional à dinâmica e empenho dos professores, tenho entendido como fundamental a simbiose de objectivos de professores e pais. Sempre tenho entendido que ambos estão condenados a ser parceiros, se objectivamente quiserem uma Escola, na verdadeira acepção da palavra.

Se estes pressupostos forem postos em causa, toda a lógica do sistema se esvai e portanto o resultado não será o pretendido.

Nos tempos que correm, a crispação entre Professores e Governo é mais que suficiente para que as crianças sejam prejudicas numa importante parcela da sua vida.

Os Professores e Governo terão as suas razões quanto ao método de avaliação, mas os nossos filhos não podem servir de lastro a uma evidente falta de diálogo. Como muito bem sugeriu o antigo bastonário da Ordem dos Advogados – Dr. José Miguel Júdice – arranjem-se mediadores que aproximem as partes e ponha cobro a esta paragem no tempo.

Vem isto a propósito do que, com tristeza, observei na manhã de hoje – 10NOV – na escola onde espero que os meus filhos, pelo menos não desaprendam o que eu tento ensinar-lhes em casa.

Através de SMS os miúdos foram bombardeados de mensagens para adesão a uma greve na 2ª.Feira-10-11-2008 contra o novo sistema de faltas.

Embora os miúdos estejam cada vez mais espertos, continuam a ser crianças e portanto, manipuláveis. Mas, nesta matéria, compete aos pais decidir o que entendam melhor para os seus filhos.

Na manhã de hoje, quando me desloquei à Escola para entregar os meus filhos, deparei-me com um conjunto de miúdos do lado de fora, embora muitas outras crianças entrassem pelo portão para as suas aulas, sob o olhar atento do funcionário e de dois agentes da Polícia Escola Segura, a quem presto a minha homenagem pela sensação de segurança que emprestam aos nossos filhos.

A verdade é que, depois de os meus filhos entrarem, permaneci algum tempo no local para perceber como iria terminar aquele reboliço.

Qual não é o meu espanto quando me apercebo que vários professores se encontravam à janela sorrindo, não seguramente para desincentivar a criançada que se encontrava no exterior da Escola!

Estranhando o comportamento, entrei na Escola tentando perceber o que se estaria a passar.

Fico mais preocupada quando sou informada que há professores que estão a informar os miúdos que podem sair porque não lhes será aplicada falta!

Pior me senti ainda quando algumas das crianças que tinham acabado de participar nas aulas, saíram momentaneamente para o pátio exterior e foram vaiadas pelos seus colegas como sendo cobardes e fura greves e outros adjectivos qualificativos que me abstenho de referir.

Aliás, senti mesmo o desconforto de uma criança, cujos pais eu adverti que estaria no exterior e que de imediato recebeu ordem para entrar na escola, saiu passado pouco tempo para o exterior sendo vaiada, e interrogando a mãe: - Estás a ver? Podia não ter passado por isto! - …e não é que tinha razão?

Perante tudo isto, sinto-me desiludida por esta contradição de valores, que certamente vão baralhar os nossos filhos, pelo que não poderia ficar calada.

Independentemente das angústias das pessoas, esta não será certamente a melhor forma de encontrar um mundo mais justo.


Tenho dito.


Cumprimentos da mãe

(nome identificado)

Albufeira, 2008-11-10

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