sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Professores justificam «fim da avaliação»

A Plataforma Sindical de Professores justificou esta sexta-feira o pedido da «suspensão imediata» do processo de avaliação de desempenho com a necessidade de recentrar a atenção dos professores naquela que é a sua «primeira e fundamental missão», ensinar, informa a Lusa.

«Estamos preocupados com o número de crescentes escolas que pedem a suspensão da avaliação porque esta está a perturbar o funcionamento dos estabelecimentos de ensino e o desempenho dos professores com prejuízos para os alunos», afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma.

Em conferência de Imprensa, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores sublinhou que «cerca de três dezenas» de escolas já aprovaram moções a exigir a suspensão do processo e que «em centenas» o processo da avaliação está «parado ou em ritmo muito lento, com prazos muitos dilatados».

Os sindicatos de professores manifestaram-se hoje disponíveis para anatecipar «em alguns meses» a negociação do modelo de avaliação de desempenho, que está prevista apenas para Junho e Julho de 2009, segundo um memorando de entendimento assinada entre o Ministério da Educação e os sindicatos em Abril.

Por outro lado, os sindicatos rejeitam que ao pedirem a suspensão do processo não estejam a cumprir o acordo alcançado com o Governo: «Não está escrito em lado nenhum do memorando de entendimento que os sindicatos acordaram que o processo de avaliação tinha que se aplicar integralmente até ao final do ano lectivo».

«Verificar as dificuldades e as perturbações e não parar é uma irresponsabilidade», sustentou Mário Nogueira. «Bastou um mês de aulas para todos os professores e educadores terem claro que este modelo não é capaz sequer de ser instalado, quando mais aplicado com um mínimo de equidade», reiterou Mário Nogueira.

Contra a avaliação sem a influência dos sindicatos

A moção aprovada por mais de 130 dos 160 professores da Escola Camilo Castelo Branco, em Vila Real, surgiu de forma espontânea por parte dos docentes, num movimento «completamente autónomo» dos sindicatos, garantem os promotores.

O mesmo está a acontecer noutras escolas do país, dizem professores contactados pela Lusa, que asseguram que os dirigentes sindicais não sabem bem o que se passa nas escolas e só por isso assinaram um entendimento sobre a avaliação do desempenho com o Governo.


Na Secundária Camilo Castelo de Vila Real, onde os docentes decidiram mesmo suspender a avaliação de desempenho, recusando entregar os objectivos individuais, um dos procedimentos previstos no processo, «não houve qualquer influência ou contacto por parte dos sindicatos», garantiu à Lusa um dos promotores de uma moção aprovada esta semana.

E uma das provas de que os sindicatos não estiveram envolvidos no processo é que, segundo o professor, a moção vai ser enviada para o Presidente da República, Ministério da Educação, Provedor de Justiça, grupos parlamentares e estruturas sindicais. Iol

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