domingo, 12 de outubro de 2008

Pais agridem professora do filho

Aviso: "Por motivos de segurança não é permitida a entrada de pais, encarregados de educação ou familiares no espaço da escola." É um ofício do Ministério da Educação afixado na porta do estabelecimento de ensino do 1º Ciclo do Cerco, no Porto. Na origem deste aviso está o facto de os pais de um aluno de seis anos terem agredido e ameaçado uma professora.


A agressão à estalada, acompanhada de insultos e ameaças, aconteceu dia 21 de Setembro, quando a professora Andreia mandou uma criança ficar na cantina na hora de recreio, como castigo por esta ter desobedecido a uma ordem. De acordo com as declarações do presidente da associação de pais, José Santos, à agência Lusa, "alguém telefonou aos pais do aluno contando o sucedido": "De imediato, deslocaram-se à escola, onde começaram por ameaçar, insultar docentes e funcionários, até conseguir agredir a professora Andreia."

O episódio anda de boca em boca entre os pais dos alunos, mas poucos querem falar sobre o assunto. Desde o dia 1 que todos os familiares dos alunos encontram o portão fechado à chave, sendo as entradas e as saídas controladas por funcionárias.

Da parte da direcção da escola, não há declarações, mas o CM sabe que a professora Andreia não voltou ao estabelecimento de ensino desde o dia em que sofreu a agressão. O aluno, filho dos agressores, também não tem ido às aulas. Uma situação que ainda aguarda decisões a ser tomadas entre o Conselho Executivo da Escola e o Ministério da Educação, que já tem conhecimento dos factos, também participados à PSP.

A Associação de Pais da Escola do 1º Ciclo do Cerco pede reforço das patrulhas Escola Segura da PSP junto das escolas do Cerco, que ficam no meio de um dos bairros sociais mais problemáticos do Porto. Ontem, o carro da polícia esteve cerca de cinco minutos na porta da escola primária, mas abandonou o local antes da saída das crianças.

PROBLEMAS NA SECUNDÁRIA PASSOS MANUEL

A Escola Secundária com 3º Ciclo Passos Manuel, em Lisboa, foi palco nos últimos tempos de alguns episódios de violência. O mais recente foi um caso de esfaqueamento, ocorrido na passada terça-feira, que envolveu dois alunos do estabelecimento de ensino situado na Travessa Convento de Jesus. Tudo aconteceu já no exterior da escola, com um aluno a esfaquear o colega num braço, na sequência de uma discussão entre os dois.

A outra situação ocorreu a 19 de Setembro, quando dois alunos fizeram explodir duas bombas caseiras no pátio da escola, felizmente sem provocar vítimas. Os estudantes, com idades entre os 14 e os 15 anos, fabricaram as bombas recorrendo a produtos tóxicos e a lixívia, a partir de uma receita retirada da internet.

AVÓ ESPANCADA NO INTERIOR DE ESCOLA EM BEJA

A avó de uma aluna da Escola Básica de Santa Maria, em Beja, acusa algumas encarregadas de educação de a agredirem à porta do conselho executivo quando se preparava para apresentar queixa contra as alunas que bateram na neta. "Estacionaram a viatura da Câmara de Beja e com as fardas vestidas entraram de rompante seis a sete mulheres e começaram a bater-me", afirmou Arminda Canário, advogada e avó da aluna de 14 anos, do 9º ano. A escola é frequentada por crianças de bairros problemáticos. Arminda, que sofreu traumatismo craniano e torácico, apresentou queixa na escola e PSP.

NOTAS

Primeiro caso

Há cerca de uma semana, alunos da Escola Secundária do Cerco agrediram uma professora e um vigilante. O caso já está no Ministério Público.

Bairro problemático

As duas escolas do Cerco estão localizadas no meio de um dos bairros referenciados pelo consumo e tráfico de droga.

DREN em silêncio

A Direcção Regional de Educação do Norte remete esclarecimentos sobre o caso para decisões a tomar pelo Ministério.

Manuela Teixeira/M.P.

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