sábado, 4 de outubro de 2008

“A escola só me faz chorar

O início das aulas costumava ser para mim uma alegria, agora a escola só me dá vontade de chorar". Conceição Pereira, 52 anos, professora do Ensino Especial, resume assim o seu estado de espírito, no Dia Mundial do Professor, numa altura em que a classe vive numa encruzilhada devido às reformas do Governo, em especial o novo Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho.


No sábado, Conceição e muitos outros professores receberam mensagens escritas e electrónicas, de origem anónima, a convocar uma manifestação no Marquês de Pombal, em Lisboa, domingo às 15h00. O objectivo assumido era chegar às "cem mil pessoas", mas ontem apenas compareceram pouco mais de 60 professores. "Isto foi premeditado, para desmobilizar, a ministra está por detrás disto", queixavam-se alguns docentes na rua Augusta, numa acção da Fenprof, depois de terem passado pelo Marquês de Pombal e saído de lá desiludidos.

Para assinalar o Dia Mundial do Professor,a Fenprof distribuiu panfletos por todo o País, sob o lema ‘Os Professores Contam!’ "A um domingo,feriado,era difícilmobilizaros professores por isso optámos por estas acções junto da população. Não temos nada a ver com essa manifestação, não sabemos quem a marcou, mas também gostávamos de saber. Eu também recebi uma SMS anónima", disse ao CM António Avelãs, presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. "Queremos restituir a dignidade a uma profissão muito maltratada. Sem professores motivados a escola não funciona", acrescentou Avelãs.

Entretanto, a UNESCO revelou que há falta de 18 milhões professores em todo o Mundo, para que até 2015 seja alcançada uma educação primária universal. E destacou que os principais problemas dos docentes são baixos salários, excessiva carga horária, salas de aula superlotadas e formação inadequada.

DEPOIMENTOS

"VOTEI NO PS E ESTOU ARREPENDIDA", Anabela Martins Prof. 1.º Ciclo

Estou completamente desiludida. Sinto--me triste e enganada porque votei no PS e estou arrependida. Não sou uma professora mas sim uma funcionária pública, uma burocrata, com este modelo de avaliação de desempenho que põe professores uns contra os outros".

"OLHAVA PARA O HORÁRIO E ENTRAVA EM PÂNICO", Sara Barbosa Prof. Port./Francês

Estou de baixa há cinco meses com depressão. Foi provocado pela sobrecarga de trabalho com esta reforma. Olhava para o horário e entrava em pânico. E também pela indisciplina dos meus alunos numa escola difícil da Amadora".





Bernardo Esteves

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