quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Regresso às aulas: especialistas desaconselham recurso ao crédito

O regresso às aulas está à porta. O momento é de dor de cabeça para muitos pais, que não sabem como suportar as despesas extra que, muitas vezes, equivalem a um salário. E em último caso, o recurso ao crédito acaba por ser a solução.

As contas da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros dizem que as famílias portuguesas gastam por ano 80 milhões de euros em manuais «obrigatórios», além de material e livros de apoio.

No 1º ciclo, o preço de cada livro ronda os 7 a 9 euros, e os livros são poucos, mas à medida que os miúdos vão ficando mais velhos, as despesas também crescem. No 2º ciclo os livros já custam em média 15 euros e as disciplinas são muitas mais, pelo que as despesas aqui já rondam os 100 euros.

E quanto mais para a frente, pior. É no 3º ciclo que os preços disparam a valer. Há manuais obrigatórios a custarem mais de 30 e 40 euros e, no total, as despesas com os livros de um filho podem ultrapassar os 400 euros. O mesmo que um salário mínimo nacional (SMN). O cenário piora quando um casal tem mais do que um filho em idade escolar.

Se por um lado há quem possa contar com a ajuda de familiares, como os avós e os padrinhos dos miúdos, por outro lado, há quem se veja sozinho nesta hora mais difícil. E por vezes o recurso a um empréstimo acaba por ser a única solução.

Nos últimos anos os bancos têm criado linhas de crédito específicas para tudo e mais alguma coisa e o material escolar não é excepção. O BPI, por exemplo, empresta até 30 mil euros (que podem servir para comprar computadores ou pagar propinas, por exemplo) que podem ser pagos até oito anos. O Santander Totta também empresta montantes entre 500 e 2.500 euros, a pagar em 10 meses e com uma taxa de juro de 4%. O BCP, por seu lado, que também aderiu à moda, empresta 1.500 a 3.500 euros, por 12 meses e com taxas de juro entre os 8,5 e os 12,5%.

Razões que levam os especialistas a desaconselharem os pais a recorrerem a este tipo de crédito. Por exemplo, a Confederação Nacional das Associações de Pais diz que é preferível as famílias optarem pelas facilidades de pagamento que as grandes superfícies comerciais e algumas editoras disponibilizam. E lembram os pais que podem sempre poupar algum dinheiro se recorrerem às livrarias virtuais, que apresentam bons descontos, que vão além dos 10%.

Também a Defesa do Consumidor (Deco) alerta para as desvantagens de recorrer a este crédito, já que, por vezes, acaba por ser menos dispendioso, em termos de juros e encargos, recorrer a um crédito ao consumo em vez destes créditos específicos.


Para as famílias que queiram poupar algum dinheiro e não se importem de reutilizar livros, pode estar encontrada a solução.

Uma campanha nacional do Clube dos Livros e da Entrajuda está a recolher livros escolares usados que se destinam a serem reutilizados. As entidades espalharam centenas de «Livrões» pelo País, nas agências da Caixa Geral de Depósitos, nas lojas do Pingo Doce e do Feira Nova, e reuniram mais de 100 mil exemplares.

Os livros que estiverem em bom estado e ainda em vigor são vendidos a metade do seu preço no site www.clubedoslivros.com ou através da Linha de Apoio 214691892. Uma parte destes livros será ainda entregue de forma gratuita a alunos mais carenciados, apoiados por instituições de solidariedade social.

PGM

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