domingo, 14 de setembro de 2008

Aulas começam a sério só no fim do prazo

Ao contrário do que tem acontecido em anos anteriores, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi a única governante a marcar presença numa escola no arranque do ano lectivo. Dia 10 foi apontado como o primeiro dia de aulas de 2008/2009, mas as aulas a sério só começam na segunda-feira, dia 15 na maioria das escolas, como é o caso da EB 2,3 Leonardo Coimbra (Filho), no Porto, que ontem recebeu a visita da ministra da Educação. Dia 15 "estarão todas operacionais. Confio, assim tem acontecido nos últimos três anos, não há razão para que assim não seja", disse Maria de Lurdes Rodrigues. À semelhança do que aconteceu na escola visitada pela governante, os alunos começaram ontem a regressar às escolas mas a maioria dos estabelecimentos abriu portas sem leccionar.

À saída, Maria de Lurdes Rodrigues tinha à sua espera cerca de uma dezena de dirigentes do Sindicato de Professores do Norte, de quem recebeu um "documento de reflexão", em que o SPN diz que "a resposta aos graves problemas com que o sistema educativo se confronta obriga a um investimento persistente na educação", nomeadamente o recurso a mais docentes "e não o seu despedimento ou utilização como mão-de-obra barata". De acordo com os sindicalistas, "em muitas escolas, os professores vêem--se confrontados com horários que ultrapassam as 35 horas semanais".

Durante a visita à Escola Leonardo Coimbra (Filho), ainda sem quaisquer alunos pelos corredores - aulas só na próxima semana, estando a segunda e terça-feira reservadas para as apresentações -, a ministra assistiu à apresentação de um vídeo sobre a degradação de que sofria aquele espaço escolar e, posteriormente, as várias obras de requalificação de que foi alvo. Estava prevista para a manhã uma visita à Escola Básica com 2.º e 3.º ciclo de Miragaia, mas devido a um atraso acabou por não se verificar.

Em Lisboa, as escolas públicas também optaram por dar início ao ano lectivo no último dia do prazo estabelecido pelo Ministério da Educação. O DN não conseguiu encontrar nenhuma escola aberta, só os ATL estão a funcionar. Neste momento, as escolas preparam o arranque das aulas, com as reuniões de professores e pais. As aulas vão começar dia 15, mas a maioria dos estabelecimentos reservou o dia de amanhã para os alunos do 1.º ano conhecerem as instalações, antes das aulas a sério.

Outras escolas também aproveitam para terminar as obras antes das crianças ocuparem o espaço, como é o caso da Cassano Gouveia, em Lisboa. Já na Moinhos do Restelo, só faltam mesmo as últimas reuniões entre os professores e algumas arrumações dos materiais, conforme explicou ao DN a coordenadora, Vanda Dias.

O prazo que o ministério fixa para o início do ano lectivo significa normalmente que a maioria dos estabelecimentos de ensino só começa a dar aulas no último dia do calendário. Mas, Mário Nogueira, da Fenprof (Frente Nacional de Professores), garante que "não há nenhum prejuízo porque os dias de aulas são os mesmos para todas as escolas. Quem começa três dias mais tarde, acaba também três dias mais tarde".

Começar no último dia do prazo não é por isso problema. "As escolas escolhem o que mais lhe convém", defende o dirigente sindical. O facto das aulas arrancarem no último dia permite um arranque mais preparado. "Existe todo um trabalho prévio que as escolas têm de estabelecer e que não conseguem numa semana", assegura. Até porque, os professores só iniciam os trabalhos a 1 de Setembro. Por isso, Mário Nogueira considera que a existência de um prazo é positiva. "Assim está assegurado que durante esse período todas as escolas estão abertas."
JOANA DE BELÉM e ANA BELA FERREIRA

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