sábado, 5 de julho de 2008

“Foi um descalabro, mas não nos surpreende”


Edviges Ferreira, Vice da Associação Professores de Português, falou ao 'CM' sobre os resultados dos exames de Português do 12.º ano.


Correio da Manhã – Como avalia os resultados dos exames de Português do 12.º ano, em que a média desceu para 9,7 valores?

Edviges Ferreira – Estes resultados são um descalabro mas não surpreendem a Associação de Professores de Português (APP). Logo na altura da prova apontámos algumas coisas que podiam levar a uma queda de resultados, nomeadamente a formulação pouco clara da pergunta 2 do I Grupo e o facto de no III grupo, no tema para desenvolvimento, ter sido escolhido um texto do Padre António Vieira, que era do programa do 11.º, provocando confusão e levando muitos alunos a falar só do Padre António Vieira.

– A grande maioria dos agentes educativos acusou o Ministério de elaborar exames demasiado fáceis...

– Mas esse não foi o nosso caso, nunca dissemos que o exame de Português era acessível e até apontámos aspectos que podiam levar a uma classificação mais baixa. O resultado está à vista e a média foi negativa.

– Quem são os responsáveis?

– É lógico que há sempre responsáveis mas não queremos acusar ninguém. Se a prova tivesse sido feita em termos mais claros os resultados seriam melhores. Esta apresentava perguntas dúbias.

– Os professores de Português não são também responsáveis pelos resultados?

– Os professores são os mesmos do ano passado e centenas deles contactaram-nos logo na altura do exame indignados com o seu teor. Estes resultados são maus mas não é culpa dos professores nem dos alunos.

– A APP foi convidada pelo Ministério da Educação a participar na elaboração dos exames?

– Houve de facto um convite mas não quisemos entrar nessa revisão de prova. Sabíamos que mesmo que contestássemos o exame dificilmente seríamos ouvidos.
CM

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