terça-feira, 8 de julho de 2008

Associações de professores reagem a resultados nos exames de matemática e de português


A Associação de Professores de Matemática (APM) congratulou-se hoje com a melhoria dos resultados no exame de Matemática A do 12º, mas considerou que não revelam necessariamente uma melhor aprendizagem, porque as provas não são comparáveis às dos anos anteriores. De igual modo, a Associação de Professores de Português (APP) entende que a quebra de resultados nos exames de Português do 12º ano deveu-se "exclusivamente" a uma prova "duvidosa e mal formulada" e não à falta de preparação dos alunos.

Para a APM, o trabalho que se tem vindo a desenvolver com os alunos nas escolas, os testes intermédios, o tempo da prova e as suas características, nomeadamente "a alteração da estrutura no caso da Matemática A e a inclusão de algumas questões bastante acessíveis" foram alguns dos factores que, segundo a Associação de Professores de Matemática (APM), contribuíram para uma melhoria dos resultados nas provas deste ano.

A Associação de Professores de Matemática afirmou ainda discordar da análise feita pelo Ministério da Educação quanto "aos factores que contribuíram para a melhoria dos resultados dos exames de Matemática do ensino secundário". A associação salienta que "nenhuma das medidas do Plano de Acção para a Matemática (PAM) se dirigiu aos alunos do secundário", lembrando que este ano não houve alunos abrangidos pelo PAM a realizar tais exames, uma vez que aquele Plano "só se iniciou no 9º ano em 2006/07".

Porém, a associação sublinha, em comunicado, que a subida de notas "não revela que as aprendizagens dos alunos tenham melhorado relativamente a anos anteriores", uma vez que os exames "não podem medir todas as aprendizagens" e porque as provas foram "diferentes a vários níveis, sobretudo no tempo de realização e no número de perguntas que exigem raciocínios mais complexos".

Para a APM, o "investimento na formação contínua dos professores e no equipamento das escolas", aliada a outras medidas como "a redução do número de alunos em algumas turmas ou o desdobramento das turmas maiores" são medidas que, a médio prazo, produzirão "melhorias nos resultados não só nos exames, mas também das aprendizagens dos alunos na disciplina de Matemática".

A taxa de reprovação de 7 por cento dos 36.674 alunos que fizeram este ano a prova de Matemática A é menos de metade da verificada no ano passado (18 por cento) e cerca de um quarto da de 2006 (29 por cento), segundo dados do Ministério da Educação (ME).

Prova de português “duvidosa e confusa”

Nos exames de português, a Associação de Professores de Português (APP) culpa a má formulação da prova pelos piores resultados dos últimos anos.

"Os maus resultados [a português] não surpreenderam porque a prova apresentava toda uma série de questões mal formuladas que levaram os alunos à confusão. Esta quebra não se deve a falta do bom ensino de Português ou falta de preparação, mas sim exclusivamente à prova que os alunos tiveram à frente", afirmou hoje à Agência Lusa a vice-presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Antunes Ferreira.

A responsável lembrou que tanto o primeiro como o segundo grupo do exame de Português do 12º ano "suscitaram várias dúvidas" à APP e a inúmeros professores, salientando que "nem os alunos nem os docentes podem ser responsabilizados pelos fracos resultados".

"Os professores leccionaram e preparam os alunos este ano como sempre o fizeram nos anos anteriores. Há uma coisa que está mal nisto tudo e de certeza que não é a forma como os professores leccionam o Português", reiterou.

A média de notas no exame de Português do 12º deste ano ficou abaixo dos 10 valores (numa escala até 20) pela primeira vez em três anos, situando-se nos 9,7 valores face aos 10,8 de 2007.

Edviges Antunes Ferreira afirmou ver "com bons olhos" o reforço das medidas de apoio da disciplina no Secundário anunciado pelo Ministério da Educação na sexta-feira passada.

"Qualquer reforço a nível da carga horária em Português é fundamental para melhorar o desempenho dos alunos. Mas não tenho dúvidas de que se os alunos no próximo ano forem confrontados outra vez com uma prova deste calibre os resultados não vão melhorar, vão ser os mesmos", considerou.

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