segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sócrates quer colocar escola pública na "linha da frente" tecnológica

Colocar a escola pública portuguesa na “linha da frente” tecnológica foi um dos objectivos traçados hoje pelo primeiro-ministro José Sócrates e que terá, de acordo com o Governo, resultados já a partir do próximo ano, graças a um investimento global de 400 milhões de euros.

"No desenvolvimento tecnológico de Portugal, a escola ficou sempre um pouco para trás e só se desenvolveu mais tarde. Pois eu quero, com este Plano Tecnológico da Educação (PTE), que a escola pública em Portugal esteja na linha da frente do desenvolvimento tecnológico", assegurou.

O primeiro-ministro falava, em Évora, na Escola Secundária André de Gouveia, com mais de 600 alunos e que é um dos estabelecimentos de ensino nacionais com projectos-piloto no âmbito do PTE. Depois de verificar a concretização de vários desses projectos, como a utilização de mapas digitais num quadro interactivo, numa aula de geografia, José Sócrates apontou a André de Gouveia como um exemplo do que o Governo pretende, para as 1200 escolas do país, na área das novas tecnologias da informação e comunicação.

"Viemos apresentar o vosso exemplo como um exemplo que vai ser replicado em todas as escolas", disse, enumerando os projectos que vão ser implementados, alguns deles já a partir do "início do próximo ano lectivo" e os restantes no início de 2009. "O nosso objectivo é que, em 2009, todas as escola portuguesas tenham cartão electrónico do aluno", referiu, considerando-o como um instrumento que vai permitir aos estudantes fazerem transacções sem dinheiro e uma melhor gestão da escola.

A videovigilância em todo o espaço escolar foi outro dos passos apontados pelo primeiro-ministro como capaz de proporcionar "mais segurança e, portanto, mais liberdade". Outro dos objectivos do PTE passa por instalar ligação à Internet em todos os espaços da escola, "desde as salas de aula aos espaços exteriores", com uma velocidade de 48 megabytes por segundo. Além disso, todas as escolas públicas deverão ter um computador por cada cinco alunos, um videoprojector em todas as salas de aula e um quadro interactivo por cada três salas de aula.

Escola alentejana modelo

"Queremos, naturalmente, um Plano Tecnológico que permita uma maior difusão das tecnologias de informação e comunicação na nossa sociedade e que melhore a inovação e o conhecimento, mas queremos o Plano Tecnológico dentro da escola pública portuguesa", salientou. O primeiro-ministro lembrou que estão a decorrer seis concursos públicos, que devem ser adjudicados "até final de Julho", envolvendo 400 milhões de euros, o que representa, "porventura, o maior investimento público em tecnologias de informação e comunicação". "Justamente para que a escola esteja na linha da frente tecnológica, para que não fique, como ficou no passado, mais uma vez para trás", acrescentou.

Na escola alentejana, onde já existe o cartão electrónico do aluno, o sistema de videovilgância, acesso à Internet em todos os espaços, um computador com ligação à Internet por cada 2,57 alunos, um quadro interactivo por cada duas salas de aula e um videoprojector em todas elas, José Sócrates lembrou ainda o cenário que existia nas escolas portuguesas em 2005, quando tomou posse. "O rácio era de um computador para 16 alunos, muito pouco. Mas vai ser já, no próximo ano lectivo, de um para cinco e não vamos ficar por aqui", disse, insistindo que as escolas vão ser equipadas com um videoprojector em todas as salas de aula e um quadro interactivo por cada três salas de aula.

José Sócrates, que foi recebido com assobios no exterior do estabelecimento por mais de duas dezenas de manifestantes, alguns do Sindicato dos Professores da Zona Sul, lembrou que o seu Governo tem feito "muitas mudanças" na escola pública nos últimos anos e congratulou-se por, "pela primeira vez nos últimos 15 anos", o número de alunos ter aumentado. "Aumentou, no ano passado e este ano, porque fomos capazes de atrair os alunos à escola. Muitos deles já estavam fora da escola e atraímo-los modernizando a nossa escola", realçou, aludindo aos cursos de educação e formação, capazes de dar aos estudantes "equivalência académica", mas também "apetrechamento profissional".

Lançado há quase um ano, o PTE pretende colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino.

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