domingo, 15 de junho de 2008

Exames Nacionais: «injustos» ou «benéficos»?


Para os alunos os exames nacionais são uma «prova de fogo», para os pais são «injustos» e representam algo de «lotaria e traição», mas há quem defenda que constituem uma «experiência de vida e uma aprendizagem» que os faz crescer.

Milhares de estudantes iniciam terça-feira os exames nacionais do ensino básico e secundário, aproveitando esta semana para queimar os «últimos cartuchos» e saber a matéria na «ponta da língua».

«Altura de muitos nervos

O peso da responsabilidade dos exames do 9º, 11º e 12º anos sente-se nas palavras de vários estudantes contactados pela agência Lusa, que consideram que são determinantes para o seu futuro académico.

«É uma altura de muitos nervos», disse à Lusa Joana, que obteve uma média muito alta na frequência do 12º ano e que espera conseguir bons resultados nos exames para poder entrar na faculdade.

Apesar de sentir que está preparada para o exame, a estudante manifesta algum receio das provas por considerar que «são imprevisíveis».

Na época que antecede os exames, as únicas conversas entre os estudantes são apenas para esclarecer dúvidas ou falar sobre as provas.

«É uma altura diferente, quase não falamos, estamos fechados a estudar», disse à Lusa Miguel, aluno do 12º ano, que assegura não estar muito preocupado com porque se sente «preparado».

«Traição e lotaria»

Para o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, os exames «não são justos e têm um quê de lotaria e de traição».

«Ainda continuo por perceber para quem são exames e para quê são os exames», sublinhou, acrescentando que os alunos levam as provas «muito a sério».

«Os jovens estão tensos e preocupados. A maior parte dos pais denota esse clima junto dos seus filhos», acrescentou.

Albino Almeida questionou por que é que não se fala em Portugal sobre o que se debate na sociedade inglesa sobre os exames. A Inglaterra «tenderá a extingui-los da forma como estão, por considerar que os alunos se preparam para os exames mas não ficam mais conhecedores nem aumentam as suas capacidades, o que se prova por haver um índice de reprovação muito alta dos alunos que entram para as universidades».

Para o presidente da CONFAP, os exames são castradores para os estudantes. «As escolas foram capazes de proporcionar aos alunos uma instrução e a seguir, através do exames, barram-lhes o caminho da educação ao retê-los».

Fazem bem à saúde»

Opinião contrária tem o psicólogo Eduardo Sá que considera que os exames «fazem bem à saúde e são uma forma de [os estudantes] entenderem que a vida é uma competição e perceberem que o facto de se envolverem mais ou menos acaba por ter consequências para eles».

O psicólogo salientou a importância das provas de aferição realizadas no primeiro ciclo para quem prestar agora provas, que depois de concluídas acabam por serum certo alívio» porque os jovens puderam mostrar o que valem depois de um ano todo a «treinar».

«A grande vantagem dos jovens já terem feito provas de aferição é altamente vantajoso porque é com isso que podem ir aprendendo a jogar e perceber que não deixa de ser fundamental este tipo de exame», sustentou, rematando: «quanto mais vezes vão a jogo mais aprendem a jogar».

Mas, segundo Eduardo Sá, o que «estraga» é a pressão a que os jovens são submetidos, não tanto pelos exames, mas pelos pais e professores que «exorbitam o tipo de consequências que vão ter».

«Os pais, na ânsia de ajudar, põem-se a dizer coisas como vamos lá ter a cabeça no lugar ou vais ter de te deitar para amanhã estares fresco». «Isto permanentemente acaba por ser esmagador e ter um papel mais desorganizador do que de ajuda», acrescentou.

Para Eduardo Sá, o que está em jogo não é só a entrada na universidade ou o facto de ter um exame. «É uma experiência de vida e uma aprendizagem».

iol

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