quarta-feira, 18 de junho de 2008

Associação de Professores de Português questiona algumas das perguntas da prova do 12.º ano

A Associação de Professores de Português (APP) considera que o exame nacional da disciplina no 12.º ano, realizado ontem por mais de 60 mil alunos, “está globalmente de acordo com o programa em vigor”, mas a direcção da APP questiona as opções tomadas para colocar algumas perguntas.

Em comunicado, a APP considera que o I Grupo da prova, onde é apresentado um excerto de “Os Lusíadas”, “apresenta um grau de dificuldade elevado, não só devido à formulação não muito clara da pergunta 2, mas também devido ao excerto escolhido”.

No II Grupo do exame nacional, os professores de Português encontraram “algumas afirmações que poderão confundir” o aluno, nomeadamente a utilização de termos da nova Terminologia Linguística do Ensino Básico e Secundário (TLEBS), “como por exemplo ‘frase subordinada relativa’ ou verbo auxiliar modal”.

Este problema já tinha sido assinalado ontem por, Edviges Ferreira, vice-presidente da APP, em declarações ao PÚBLICO, “O compromisso de que não sairiam referências da TLBES não foi cumprido”, diz Edviges Ferreira. “O termo 'verbo auxiliar modal’ apareceu na prova”, exemplificou.

No Grupo III, onde é pedida “uma reflexão sobre a temática da dignidade humana e do respeito pelos direitos humanos”, a APP sustenta que o texto que antecede a questão “não está estreitamente relacionado com o tema a desenvolver”, além de que o autor referido, Padre António Vieira, “faz parte do programa do 11º ano, que não é objecto de exame”.

Ainda nas explicações de ontem ao PÚBLICO, Edviges Ferreira, admitiu que “não houve acordo entre os professores que estavam a olhar para a prova em relação a algumas questões de escolha múltipla”. Essas dúvidas mantiveram-se durante quase todo o dia de ontem, já que o Ministério da Educação demorou mais de dez horas após a conclusão do teste para divulgar os critérios de correcção, fundamentais para os docentes se basearem para a classificação das provas.

Professores lamentam predomínio de matéria do 2º ciclo na prova do 9.º ano

Tal como no exame nacional do 12.º ano, a APP fez algumas considerações sobre a prova de aferição de Português do 9.º ano. A associação lamenta que a prova de aferição de Português do 9.º ano tenha tido perguntas de gramática do 2º ciclo, referindo-se às perguntas sobre "tempos verbais simples, todos do modo indicativo" que são ensinados no 2º ciclo de ensino básico (5º e 6º anos).

"Lamentamos que a parte da gramática tivesse matéria do 2º ciclo", disse à Lusa o presidente da APP, Paulo Feytor Pinto, explicando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos porque é matéria antiga, mas também pode ser difícil porque agora os alunos só conseguem decorar a matéria do próprio ano".

A prova incidia também, segundo a associação, sobre matérias do programa do 7º ano (subordinação causal e discurso indirecto) e do 8º (subordinação condicional).

Tal como nos anos anteriores, a APP voltou a criticar a presença de "orientações" e "ajudas excessivas" na prova que facilitam a sua realização e dificultam o trabalho dos professores no sentido de perceber os reais conhecimentos dos alunos.

Feytor Pinto admite que a opção por uma crónica de José Saramago, autor com uma "escrita mais difícil", possa ter levantado maiores dificuldades aos alunos a quem era feito um "apelo ao sentido crítico e autonomia", mas diz "não ficar chocado" com esta opção que considera importante e só lamenta que não seja feita habitualmente no ensino português.

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