domingo, 11 de maio de 2008

Adolescentes enviam em média 236 sms por semana

"Dá-me o telemóvel, já!". A frase correu o país. Alarmou pais e professores. Foi repetida vezes sem fim entre crianças, adolescentes e jovens, em jeito de pura ironia face a uma realidade do seu dia-a-dia escolar. E até serviu de mote para música "rap". Um estudo feito junto de 207 alunos dos 6.º e 10.º anos de escolaridade, do Porto, e agora divulgado, veio revelar a ligação afectiva forte que existe entre os adolescentes e os telemóveis e demais parafernália tecnológica. Os investigadores falam mesmo de "obsessão" e "dependência". Quem manda uma média de 236 sms por semana, tem na lista contactos mais de 125 registos e já teve, aos 16 anos, mais de três telemóveis, poderá estar muito tempo longe do seu aparelho de estimação?

"Há escolas holandesas onde a utilização de telemóveis é simplesmente proibida. E se em Portugal acontecesse o mesmo?". Sentados à volta de uma mesa, em pequenos grupos, o desafio caiu que nem bomba nos ouvidos de pré-adolescentes (com uma idade média de 12 anos, alunos do 6.º ano de escolaridade) e adolescentes (com uma média de 15 anos, alunos do 10.º ano de escolaridade).

O mote para conhecer o grau de dependência que amarra os adolescente às novas tecnologias foi lançado por uma equipa de investigadores da academia portuense, em Junho do ano passado, liderados por Pedro Quelhas Brito, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Apenas um aviso o público-alvo escolhido era constituído por alunos de quatros escolas do Porto (duas delas de ensino privado), frequentadas por adolescentes oriundos da classes média e alta, e utilizadores regulares do "messenger" (Msn).

A razão da selecção dos alunos com base na utilização do Msn teve uma razão, como explicou Quelhas Brito o Msn dá uma ideia do grau de envolvimento "digital" dos miúdos, já que ele implica a utilização de um computador, acesso à Internet, assim como uma rede de amizades para interagir.

Para os pré-adolescentes, a proibição do uso de telemóveis na escola constituiu uma má ideia, tendo eles mesmo invocado a impossibilidade de serem contactados pelos pais para justificarem a utilidade do aparelho na escola. Já os colegas mais velhos concordaram com a proibição, principalmente quando os alunos não sabem respeitar as regras da boa educação.

Questionados sobre a posse de telemóveis, a grande maioria dos pré-adolescentes (93,3%) afirmaram ter um, enquanto no grupo de colegas mais velhos todos possuíam telemóvel. Curiosamente, em ambos os grupos, os aparelhos tinham, na sua maioria, câmara (78% nos pré-adolescentes e 87,4% nos adolescentes). Por outro lado, a maioria dos alunos de ambos os grupos já possuía telemóvel há muito tempo 69% dos pré-adolescentes tinham começado a usar antes do ano de 2006, enquanto os adolescentes já os usavam desde antes do ano 2002.

Curiosamente, 36,5% dos alunos do 6.º ano de escolaridade já tinham tido mais de três telemóveis. O mesmo acontecia a 77% dos adolescentes.

Quanto ao envio de sms, os investigadores apuraram que os pré-adolescentes enviavam uma média de 84,2 por semana. Já os colegas mais velhos, superavam as 235 sms por semana.

Esta diferença é justificada pelo número de contactos presentes na lista os mais novos revelaram ter uma média de 87,2 contactos, enquanto os mais velhos tinham 125. Contudo, os números mais utilizados correspondiam a uma média de 12,2 nos pré-adolescentes, contra os 23,3 nos adolescentes.

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