quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pontapeada na cabeça por cinco colegas na escola

Nove dias depois, as marcas da violência ainda estão estampadas no rosto. Ana foi agredida na EB 2,3 de Guifões (Matosinhos) e aponta cinco colegas. A escola diz que há apenas uma agressora. As outras quatro limitaram-se a assistir, passivamente, enquanto Ana era esbofeteada e pontapeada na cabeça. Mais um caso de indisciplina na escola que, além de questionar os limites da crueldade e da cobardia dos adolescentes, coloca o dedo numa ferida mais profunda a violência como expressão de famílias disfuncionais.Nesta história, as duas personagens centrais frequentam o 7.º ano e têm 13 anos. Ana é a vítima e Diana é a autora confessa de um acto de violência que impressiona numa miúda daquela idade, mas convém não ser demasiado rápido a colar o rótulo da delinquência juvenil. Há mais quatro raparigas envolvidas, que Ana acusa de a terem agarrado e esbofeteado, enquanto Diana lhe desferia joelhadas na cabeça. As fotos, que mostram enormes hematomas, e o relatório médico, a confirmar a violência da agressão, fazem parte do processo já entrado no Tribunal de Menores, contra as alunas, e na Direcção Regional de Educação, por alegada negligência da escola na assistência da vítima. Foi no passado dia 31, à hora do almoço, atrás do refeitório da EB 2,3 Passos José. Depois de várias provocações e insultos - deixaram recados e ameaças nas paredes do quarto-de-banho -, o grupo de alunas consumou a agressão. Quando se aperceberam que a situação estava tensa, os colegas de Ana deixaram-na sozinha e assistiram, de longe e cobardemente, à cena de pugilato."Se uma funcionária não tivesse visto, podia ter sido bem pior, porque elas não iam parar", recorda Ana. Desde esse dia, nunca mais conseguiu ir às aulas. Apesar de já ter sido transferida para outra escola, ainda não é capaz de andar sozinha na rua - "sinto-me insegura, com receio de que voltem a bater-me", os sonos estão desregulados e perdeu o apetite. Vai ter hoje a primeira consulta com um psicólogo, que a família contratou, para a ajudar a superar o trauma de ter sido vítima de bullying - uma realidade que imaginava distante e que agora conhece na pele.Das cinco alunas envolvidas no episódio, só Diana assumiu a responsabilidade. Diz que sim, que foi ela quem bateu porque ouviu dizer que Ana a tinha injuriado. Contou à presidente do Conselho Executivo e não negou perante a mãe. "Do processo de averiguações só concluímos haver provas de agressão relativamente a uma aluna. As outras quatro assistiram", declarou ao JN Cristiana Bessa, presidente do Conselho Executivo.Diana é oriunda de uma família disfuncional, mas só agora a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens foi accionada. A sanção aplicada (suspensão por alguns dias) vai ser acompanhada de outras medidas que visam, "além de castigar um comportamento inaceitável, ajudar a prevenir situações idênticas", sublinhou a responsável. Por essa razão, Diana vai passar a ser acompanhada por um professor-tutor e frequentará o Projecto de Intervenção e Apoio Comunitário. O objectivo é analisar as causas do seu comportamento violento, numa tentativa de reverter a espiral de actos de indisciplina que revelou nos últimos tempos.A actuação da escola é muito questionada pela mãe de Ana. Não obstante a gravidade dos ferimentos que a aluna sofreu na cabeça, a directora de turma terá sugerido apenas a colocação de gelo. Foi a mãe, chamada de imediato por Ana, que a levou ao Hospital de S. João. A escola garante que não era necessária assistência hospitalar.Os nomes das alunas foram alterados

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