quinta-feira, 3 de abril de 2008

O último discurso do professor

Se soubesse que ia morrer, que mensagem gostava de deixar? Foi para responder a esta questão que um professor de informática norte-americano subiu ao palco da Universidade Carnegie-Mellon, para dar a sua "última palestra". O humorado testemunho deste doente terminal de cancro do pâncreas comoveu o seu país e vai agora ser editado em livro.Na universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, é tradição os professores fingirem que estão a morrer e darem a sua "última palestra", onde têm a possibilidade de passar aos estudantes as suas maiores lições da vida. Para o professor de informática, Randy Pausch, esta foi mesmo a última vez que falou aos seus alunos: os médicos dão-lhe cinco a seis meses de vida.
Nem o cansaço extremo provocado pela cirurgia a que foi submetido e os posteriores tratamentos lhe tiram o ânimo. Mesmo sabendo que não vai poder ver os seus filhos crescer, começou a palestra afirmando que "é feliz", que possivelmente estaria "em melhor forma física do que muitos dos presentes" - comprovando-o ao fazer flexões - e que estava "farto de falar de cancro", portanto não seria essa a conversa da noite. Durante uma hora de palestra, Pausch optou por um tema bem diferente: o significado de realizar os sonhos de infância. Com fotografias suas em criança, lembrou que da sua lista de objectivos faziam parte "jogar na primeira liga de futebol", "ganhar peluches gigantes em feiras" e "experimentar a gravidade zero". De uma forma ou de outra, conseguiu realizar a grande maioria destes sonhos.
"Os muros não existem para nos deixar de fora. Existem para nos dar a possibilidade de mostrar o quanto desejamos algo", afirmou Pausch perante uma plateia emocionada. Contudo, a sua despedida foi o momento mais marcante: "Já perceberam qual o segundo objectivo desta palestra? É que ela não é para vocês, é para os meus filhos. Boa noite, obrigado a todos". A 13 de Março o professor esteve num congresso em Washington para falar sobre a sua doença e frisou que a aposta no financiamento à investigação do cancro do pâncreas é essencial, uma vez que as "as suas vítima morrem cedo demais". Com o à-vontade que lhe é característico, surpreendeu tudo e todos quanto no fim da audiência tirou uma fotografia da família do bolso e os apresentou: "Este é o Dylan, tem seis anos e adora dinossauros. Este é o Logan, tem quatro. A Chloe é um bebé de dois anos. E esta é a minha viúva".Transformado numa figura mediática pela forma como está a enfrentar o cancro, as imagens do professor Randy Pausch foram divulgadas em Portugal pela RTP. O livro sobre a sua palestra será lançado nos Estados Unidos na próxima semana.

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