sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ministério da Educação «apanhou» 140 armas nas escolas

A ministra da Educação já conhecia os dados sobre violência nas escolas revelados pelo Procurador-Geral da República (PGR) após uma audiência com o Presidente da República, nomeadamente que há alunos que levam armas para os estabelecimentos de ensino. «São dados que são compilados e reportados pelo próprio Ministério da Educação. E resolvidos também», explicou Maria de Lurdes Rodrigues, que falou no final de um colóquio sobre Educação realizado na Fundação de Serralves, no qual participou com Marçal Grilo, um dos seus antecessores, no cargo entre 1995 e 1999.
O ministério registou 140 casos em que houve violência praticada com armas nas escolas. «Esses casos foram por nós divulgados há muitos meses. Reportam-se ao ano lectivo anterior», revelou também a ministra, acrescentando que «não há dados ainda sobre este ano lectivo». Alunos com canivetes, alguns que utilizaram «armas a fingir» e outros que «levam espingardas do pai, que é caçador», foram situações avançadas por Maria de Lurdes Rodrigues, para quem este problema se trata de «um conjunto de casos muito variado». Na opinião da ministra, «a maior parte dos casos são nas imediações da escola, não são no seu interior». Na área da Direcção da Direcção Regional de Educação do Norte, de acordo com o que apurou a Agência Lusa, foram registados este ano lectivo quatro casos de alunos que tinham armas em seu poder. Este fenómeno ganhou grande projecção pública nos últimos tempos devido ao caso ocorrido na Escola Carolina Michaelis, no Porto, que para o PGR, «é insignificante quando comparado com outras situações bem mais graves». Depois do encontro que manteve com o presidente da República, Cavaco Silva, Pinto Monteiro disse que «há alunos levam pistolas de 6,35 e 9 mm para as escolas... para não falar de facas, que essas são às centenas». «Quando não são os pais que dizem aos filhos para levarem a sua pistola para a escola para se defenderem», contou o Procurador, preocupado com a «impunidade» que se vive nas escolas e no país. Questionada sobre se entendia que Pinto Monteiro tinha sido alarmista, a ministra retorquiu simplesmente: «Isso não comento». A ministra deu a mesma resposta quando inquirida sobre se concorda com a criminalização deste tipo de situações violentas: «Não comento esse assunto». Quanto ao que o Ministério pensa fazer para combater este problema, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu: «Não é o que pensa fazer, é o que está fazer, o que já vem fazendo há muito tempo». Uma das apostas é, «desde logo, melhorar o sistema de observação que permite hoje ter um conhecimento muito próximo, quase diria, no momento, das coisas que estão a acontecer nas escolas, podendo evidentemente apoiá-las na solução desses problemas». Quem intervém em primeiro lugar é a escola, «através do coordenador de segurança», seguindo-se a «Escola Segura», através dos agentes policiais destacados para o efeito
Entretanto, Pinto Monteiro apelou aos conselhos executivos das escolas e aos professores para que denunciem todos os casos de agressões praticadas dentro dos estabelecimentos de ensino, actos que configuram um crime público.

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