terça-feira, 15 de abril de 2008

Entendimento com tutela gera divisão entre professores

Um desentendimento entre as organizações sindicais e alguns movimentos de professores marcou, ontem, o primeiro dia de uma série de protestos contra as políticas educativas do Ministério da Educação (ME). Se os movimentos condenam a aceitação pelos sindicatos da implementação do modelo de avaliação no próximo ano lectivo, os sindicalitas esclareciam que a sua aplicação será a título experimental e que servirá apenas para provar a sua inexequibilidade.Perante algumas centenas de professores que, ao fim da tarde de ontem, se concentraram na Praça da Liberdade, no Porto, Mário Nogueira, coordenador da Plataforma Sindical dos Professores, bradou contra aqueles que "apenas querem dividir os professores"."A Plataforma, na noite de sexta para sábado, não chegou a nenhum acordo com o Ministério da Educação, porque não concordamos com a sua política", salientou Mário Nogueira. O líder sindical esclareceu que o entendimento com o ME é favorável aos professores, na medida em que permite uma avaliação simplificada e uniformizada, este ano, para todos os professores que dela necessitem. Depois de se referir às vantagens do entendimento com o ME (ver caixilho ao lado), Mário Nogueira fez questão de realçar que, no próximo ano, a aplicação do modelo de avaliação será feita a título experimental.
"Será mesmo bom que o modelo seja aplicado na íntegra para que se prove a impossibilidade de cumprir com tudo aquilo", salientou. Mário Nogueira esclareceu os manifestantes que os sindicatos acompanharão a aplicação do modelo através de uma comissão paritária e que o ME será obrigado a negociar alterações ao modelo no final do ano lectivo de 2008/9."Os que dizem que não há benefícios com o entendimento são os que andam a desvalorizar a luta dos professores", frisou.Mário Nogueira esclareceu, ainda, que o entendimento com o ME só será assinado após audição dos professores, o que acontecerá ao longo dos debates que se organizam hoje nas escolas, numa iniciativa denominada "Dia D".Mário Machaqueiro, da Associação de Professores em Defesa do Ensino, foi uma das vozes que se levantou contra o entendimento obtido pela Plataforma Sindical. Em declarações ao JN, Mário Machaqueiro explicou que coloca reservas apenas em relação à aplicação do modelo no próximo ano lectivo. "Os sindicatos deveriam ter exigido a sua suspensão integral e a adopção temporária do modelo que esteve em vigor até aqui", referiu. Mário Machaqueiro não concorda com o facto de, ao longo do próximo ano lectivo, "os sindicatos se limitarem monitorizar a aplicação do modelo e deixarem para o fim do ano lectivo a sua negociação".

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