sexta-feira, 28 de março de 2008

M-Learning

Por favor, ligue o telemóvel antes de entrar na sala de aula. Este podia ser o aviso a colocar à porta da sala de aula de português do 11º ano na Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga. Ao contrário do que acontece em todo o país, aqui os dispositivos móveis não são desligados e até ajudam a estudar. Até já existe uma palavra próprio: M-Learning, que surge na sequência do e-learning. «As tecnologias móveis têm cada vez mais potencial e é uma pena não utilizá-las, por isso procuro utilizar as suas potencialidades, seja a partir do telemóvel, ou de leitores de mp3 e mp4, para facilitar a aprendizagem. No telemóvel, podemos, por exemplo, aproveitar a sua capacidade de armazenamento, áudio e captação imagens e vídeo para uma melhor integração dos alunos», contou ao PortugalDiário a professora Adelina Moura, que desenvolve este projecto no âmbito da investigação que está a realizar para a tese de doutoramento que vai apresentar no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho. «Aproveito estas tecnologias e trago-as para dentro das salas de aulas. Neste sentido, criei um ambiente de aprendizagem no Google Pages, porque permite o acesso a partir da versão web ou mobile, ou seja, através do computador portátil ou do telemóvel», revelou, passando a apresentar exemplos práticos:
«Ensino literatura portuguesa no Ensino Secundário, mas no ensino profissional, por isso neste momento estou a dar os Maias. Por vezes, no ensino profissional, precisamos de muita imaginação para captar a imaginação dos alunos, por isso gravei aulas em episódios de cinco a dez minutos para que os alunos possam ouvi-las a caminho de casa, se não quiserem ouvir a professora na sala de aulas. Utilizo os telemóveis, porque também quero que os alunos sejam produtores de conteúdos, e proponho uma série de abordagens». A integração das ideias dos alunos é um apelo constante. «Em vez de procurarmos imagens ou filmes na Internet, fazemos com que os alunos façam parte desse processo, com os seus próprios conteúdos. É a visão do aluno, que assim também se acha mais importante, pois participa activamente na sua abordagem dos temas», referiu, adiantando mais um pormenor: «Usamos as SMS para construir um poema a várias mãos e cada um dá o seu contributo».
Este bom exemplo já chamou a atenção do Ministério da Educação, que vai passar a apoiá-lo no âmbito do Plano Tecnológico. «Até agora temos usado os nossos próprios recursos, mas penso que é possível fazer melhor», frisou Adelina Moura.

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